O Anjo e a Espada

4 Capítulo 4 - Resgatada da Torre


A princesinha que fora estava tão distante... Então lentamente ela abriu os olhos e vislumbrou um vulto na janela.
Uma dor dilacerante cortou seu coração ao ver Ulquiorra parado, atônito ao encarar a cena de Aizen sobre Orihime, e ela deliberadamente deixando, e aproveitando...
Bruscamente ela empurrou Aizen, que também o viu.
_Ora, se não é meu servo mais fiel...

Ele não sabia como agir, o mundo despedaçara, ruíra sob seus pés. Seu rosto estava lívido, parecia incapaz de respirar e seu coração era como se mil agulhas o atingisse... num momento que passou em segundos mas que lhe pareceu a eternidade, focou a imagem da princesa... da sua princesa... Os cabelos acobreados ligeiramente molhados de suor espalhados em volta do rosto, a pele suada, os seios fartos a mostra com os bicos enrijecidos, o rosto vermelho, os lábios entreabertos, os olhos perdidos... E então, olhou para ele, o homem que aprendera a respeitar e admirar... O sorriso cínico estampado em seu rosto.

10 anos antes.

Numa pequena propriedade rural, havia uma família, que certa vez compraram duas crianças pobres para serviço escravo. Dois meninos, um de 7 e o outro de 13. Todo dia sofriam maus tratos, comendo pouco, dormindo pouco, mas um cuidava do outro, prometendo que um dia fugiriam dali. Mas o mundo não era fácil para gente como aqueles dois... O mais novo adoeceu e veio a morrer. O mais velho caiu em desespero... Desacreditado, ele se resignou, até que um dia, um grupo de assaltantes roubou a fazenda, matando o proprietário. Então o líder do grupo encontrou o garoto, e viu nos olhos dele o puro desprezo e indiferença com aquelas pessoas.

_Qual o seu nome, garoto?

Ele olhou fixamente ao homem a sua frente, ele parecia seguro de si, forte, confiante, tudo o que aquela criança um dia quis ser.

_Ulquiorra. _respondeu, em tom seco.

O homem deu um sorriso enigmático.

_Venha.

Orihime se enrola no lençol, tremula, com as lagrimas rolando fortemente. Ela olha para Ulquiorra, desesperada e humilhada. Que tipo de mulher ela havia se tornado? Nua, entre os dois, amando um, mas se entregando a outro. A carne era fraca, mas seria ela, mais fraca ainda? Por não ter sido capaz de resistir? E se resistisse? Teria conseguido evitar ou teria sido violentada? A cabeça de Orihime latejava.

_E então? _perguntou Aizen.

_Seu maldito... _sussurrou Ulquiorra, cerrando os punhos.

_É assim que me agradece? Por eu ter te acolhido, há 10 anos atrás? Como acha que seria sua vida se eu não tivesse te encontrado? Você me deve.

Como reagir? Afinal, Ulquiorra realmente devia.

_Não faça esse papel ridículo, apenas retire-se desse quarto. _ disse Aizen, secamente.

_Saio, mas levo ela junto.

Orihime arregalou os olhos, mas Ulquiorra não olhava para ela.

_Você só pode ta brincando. _riu Aizen.

_Eu não brinco.

Falando isso, Ulquiorra empunhou uma adaga em direção a Aizen.

_Você tem razão, devo muito a você, e você melhor que ninguém sabe que minha pontaria é excelente. Agora, venha logo, mulher.

Orihime estremeceu. Mulher. Era como ele a chamava antes... Seu corpo doía e seus olhos ardiam. Lentamente ela se levantou ainda enrolada no lençol e seguiu para trás de Ulquiorra.

Aizen nada fez, apenas manteve seu riso cínico, como se apreciasse a cena, como se não tivesse importância.

_Leve-a, mas lembre-se, ainda sou seu marido. _sorriu, triunfante. Claro, ele era por direito consorte da herdeira real. O casamento fora consumado, não podendo mais ser anulado, ele conseguira o que queria. _ É realmente uma pena, uma companhia como a dela, tão fogosa...

Ulquiorra trincou os dentes, reaproximando a adaga, sua mão tremia, mas mantinha a pontaria.

_Não seja tolo.

_Você não vale a pena. _retrucou Ulquiorra.

_Somente eu? _retorquiu Aizen, com ironia. Orihime desviou os olhos, penalizada. Mas Ulquiorra não respondeu.

Ulquiorra e Orihime saíram pelos fundos, perto da casa, amarrado a uma árvore havia um cavalo selado os esperando. Ele planejara tudo, imaginara salvando a princesa, que se manteve pura e esperando por ele... Imaginara declarar seu amor por ela e pedi-lhe perdão por tê-la deixado... Mas tudo saíra diferente, desastrosamente diferente.

Ulquiorra tirou um vestido de dentro de uma das bolsas que estava amarrada ao cavalo e passou-o para Orihime, sem sequer olha-la. Ela percebeu o gesto, que desde que vira a cena, ele evitara encara-la, isso doeu muito no coração dela, mas ela entendia os motivos dele... Intimamente ela se culpava, e culpava a ele por não ter vindo mais cedo... Apressadamente ela se vestiu, ele estava de costas para ela, seu semblante era sério e triste, tentando forçadamente esconder a tristeza e a dor, mas apesar da aparência calma, o interior de Ulquiorra definhava aos poucos.

_Venha _disse ele, com secura _ suba no cavalo.

Vacilante, ela subiu no cavalo, sem ousar falar. Ele subiu atrás, ambos estremeceram quando ele encostou nela para pegar as rédeas, como se aquele contato fosse incômodo. Ele sente nojo de mim... pensou Orihime, com uma dor no peito, e durante todo o percurso, ela chorou em silêncio, derramando pesadas e dolorosas lagrimas que não podiam ser ouvidas, mas que doíam uma por uma ao deslizarem em seu rosto.

Notas finais
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Por favoor, comentem, mesmo q seja p falar q não gostou i_i

um beijo e um abraço :*