Notas iniciais
Desculpe se ficar confuso, faz parte de mim.

Impecável, me dirigia ao trabalho. Não era obrigado, eu era o patrão.

Mas o que fazer quando tantos papéis e valores distintos são as únicas coisas que mantém minha cabeça ocupada?

Essa máscara cobria aqueles sentimentos que, eu sabia, viriam à tona pela noite. Bem quando eu fosse dormir, mesmo. Quando eu deitasse a cabeça em meu travesseiro que, mesmo sendo feito do material mais macio, não passava de um pedaço de qualquer coisa que já não fazia diferença. Nada fazia diferença. Nada afastava a saudade.

Então, quando me visse incapaz de ao menos fechar os olhos, pegaria aquele pequeno caderno tão velho e tão... Testemunha. Testemunha de cada gota de infelicidade que venha me assombrando desde aquilo.

“ Olá, Ruki.

Hoje, enquanto preenchia aqueles papéis,

Aqueles os quais você me dizia para largar porque me deixariam louco,

Percebi que talvez a insanidade tenha me alcançado.

Peguei-me olhando para o telefone,

Talvez por horas,

Esperando que tocasse.

Esperando que tocasse para que eu ouvisse sua voz.

Olá, meu amor. Está ocupado?

Ótimo! Venha almoçar comigo...

Te espero no restaurante de sempre, certo?

Até logo, te amo!

Ainda tenho esperanças que possa ouvi-lo novamente,

Não me importa quanto tempo tenha que esperar.

Por você eu esperaria por um ano.

Ou uma vida.

Ou uma eternidade.”

Manter a rotina era cansativo e triste. Contudo, nada era mais triste ou cansativo que viver alimentando-me da tristeza proveniente de sua falta.

Você faz falta.

Seria mais fácil se você estivesse aqui. Nunca disse que não seria.

Mas, caso esse tal de destino exista, foi ele quem quis, não foi?

Se o destino realmente existe, ele me detesta. Odeia-me tanto quanto eu o odeio. Talvez essa reciprocidade o faça ter desistido de mim.

Talvez ele me ame e isso tudo seja uma lição, não é?

Talvez ele quisesse que eu me sentisse culpado. Culpado por ter te feito meu. Talvez ele não entenda meus sentimentos. O Destino não tem um coração.

Então é a hora em que eu durmo. Durmo e, em meus mais profundos sonhos, te encontro. Encontro esse que me dá forças. Forças para manter aquela máscara no outro dia.


• De um lado a poesia, o verbo, a saudade; •

Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim.



A cada dia a insanidade me alcançava mais e mais. Podia sentir seu toque em cada centímetro do meu corpo, fazendo-me arrepiar. Distorcendo meus pensamentos e o que eu achava que era certo ou errado. Então já não existia certo ou errado. Não existia nada, apenas você, eu e essa distância imposta pelo destino, aquele sem coração.

Em um desses meus momentos com a insanidade, com toda a calma que meu desespero pudesse me dar, meus pensamentos distorcidos me levaram à beira da loucura total.

Se é que eu já não havia cruzado esse limite, então era só mais um ato de insanidade.

Talvez eu tenha ficado realmente louco. Louco o bastante para que o tempo já não se distinguisse para mim. Não existia dia e nem existia noite. Meu sofrimento era contínuo.

Porém, nada tem continuidade tamanha que não haja fim.


“Como vai, Ruki?

Percebi que essa distancia toda fora minha escolha.

Em um de meus encontros com a loucura,

Ela me disse que também não vai com a cara desse destino.

Egoísta ele, não é?

Se era para te levar, que me levasse também.

Se ele não me levou por bem, levará por mal.

Anime-se, meu amor!

Hoje nos veremos outra vez.

Se minha vida sem você não faz sentido,

Não digo que a porei fim, mas começo.

Depende de como você o vê, pois o fim é belo e incerto.

Será rápido.

Se só preciso de você, então só preciso te encontrar.

Espere-me, certo?

Até logo, meu bem,

Até loguinho.”


Se era o começo, precisava começar com o pé direito. Arrumei-me da melhor forma que pudesse. Com a roupa que mais agradava meu amor. Faria com que essa beleza escondesse meus olhos, para que a falta de brilho destes não o preocupasse. Por falar em beleza, precisava de um meio que não me sujasse ou machucasse. Seria tão mais fácil se fosse natural, senhor destino!

Almejando manter-me intacto, decidi por enforcar-me. Suspenso sentiria como se voasse. E voando iria te encontrar.

O aperto em meu pescoço não passava perto do que eu sentia em meu peito. A dificuldade para respirar não passava de nada comparada à dificuldade de me levantar todos os dias sem te ver.

Enfim tudo parecia mais fácil. Não havia mais aperto nem dificuldade.

Havia apenas você, eu e nada de distância.

“Olá Ruki, sentiu minha falta?”


Notas finais
Obrigada por ler.
Reviews me deixam feliz.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!