O Anjo Dourado
8 Conhecendo um ao outro.
Chegaram à vila.
O cavaleiro e a guerreira entraram em uma espécie de hospedaria rústica. O cavaleiro ficou afastado e observa as pinturas na parede enquanto Aurora negociava a hospedagem deles. O dono do local analisou os dois e resolveu hospedá-lo, pois pareciam recém casados e deu a chave de um quarto de casal já que não viu a jovem fazer questão de nada.
- É a minha irmã que faz moço. – Falou uma menininha de dez anos sorridente apontando para as pinturas na parede que o cavaleio observava.
- Ela tem talento. – Falou o cavaleiro e viu a guerreira o chamando. – Boa noite!
- Boa noite! – Falaram pai e filha vendo os dois seguirem para a escada em direção ao quarto.
-x-
Assim que Aurora abriu a porta do quarto e viu a enorme cama quase enfartou e pões a mão no coração. Resolveu ignorar o fato de dormir com o cavaleiro e sondou os cômodos anexos para ver se poderia haver espiões. Se eles foram vistos na entrada da vila poderiam haver um dos seguidores do matador dos Deuses.
Matador dos Deuses. Esse foi o nome dado pelos moradores das vilas que eram protegidas por algum Deus. Ninguém sabia o nome do humano, mas seja qual for o nome dele e como é o rosto desse homem, mas desde que ele roubou os poderes dos Deuses e colocou o medo nas pessoas...
- Aurora. – O cavaleiro a chamou para a realidade.
- Hã?
- Preciso usar o banheiro. – Falou o cavaleiro sorrindo do rosto corado da guerreira.
-...
- Será que vamos chegar logo nesse lugar que...
- A cidade sagrada não fica longe, mas é perigoso o seu caminho.
- Entendo.
- Vou deixá-lo fazer sua higiene e estarei por perto.
Ela saiu e Seiya fechou a porta.
-x-
Seiya pensava na jovem que o guiava a armadura de ouro de sagitário e talvez ela esteja se sentindo sozinha ou responsável demais para a idade. O cavaleiro sabia que nas batalhas era ele que dava animo aos companheiros de armas, mas às vezes se sentia tão sozinho, tão responsável, tão... Como queria ser simplesmente Seiya e viver com sua irmã. A vida não era justa para ninguém.
-x-
Aurora se sentou na cama e olhava o céu pela janela e também vigiava os arredores com a sua energia. Mas algo a deixava incomodada. Talvez a presença do cavaleiro ou as palavras de Verônica.
Amor? Será que era isso que sentia perto do cavaleiro? Mal o conhecia. Só sabia o seu nome e que veio de um mundo paralelo onde os Deuses vivem em paz agora. E que era uma lenda. Será que ele tinha uma namorada? Ou era casado com uma guerreira forte e linda.
Sem defeitos...
Sem os seus defeitos.
Com sobrancelhas...
- Vamos fazer vigília? – Ela acordou para realidade quando viu o cavaleiro vestido com uma espécie de pijama.
- Não será preciso. – Informou o cavaleiro voltado a olhar a janela.
- Tem certeza?
- Sim.
- De que lado?
- Hã? – Voltou se para o cavaleiro.
- Da cama. – Sorriu o cavaleiro da careta de Aurora. – Você acha que vou deixá-la dormindo no chão. – Antes que ela negasse ou argumentasse foi rápido nas palavras. -Nem pense.
- Mas...
- Mas nada. Ou vamos dividir a cama ou gastou seu dinheiro em vão.
- Hum?
- Vamos voltar a caminhar no escuro ou vamos dormir na mesma cama.
- Bem...
- Prometo que não farei nada. – Levantou uma das mãos como um escoteiro e a outra pousou sobre o peito perto do coração. — Sou um homem de honra.
- É...
- Por favor, Aurora.
- Tudo bem. – Abaixou a cabeça envergonhada. – Vou me trocar.
- Preparo a cama.
Enquanto a guerreira troca de roupa, o cavaleiro analisou a vista da janela e verificou a porta. Não queria ter surpresas à noite, pois pelo visto o problema era sério na cidade sagrada. Se houvesse espiões na área eles iam vim com tudo.
Aurora trocou de roupa e viu o cavaleiro fazer uma barreira com os lençóis. Ela não sabia se fica feliz ou triste, mas preferiu acreditar que aquela barreira era mais proteção.
A noite foi tranquila. Uma das poucas noites tranquilas dos dois.
-x-
Pela manhã.
Os dois tomaram um café da manhã excelente com a família que os hospedaram. Agora caminhando na estrada de terra batida e viram que adiante a estrada terminava numa floresta fechada. Aurora havia lhe informado que tem uma cidade onde deveria se hospedar e obter informações e de lá entrariam na floresta.
- Mas porque não ir direto? – Questionou Seiya.
- Ladrões. – Aurora explicou. – Essa estrada é cheia de ladrões que iram nos atrasar em alguns dias. Se formos à cidade saberemos que entrada seguir para a cidade sagrada.
- Não compreendi.
- As pessoas normalmente não entraram na floresta por acharem que há seres misteriosos ou encantados vivem no local.
- Tipo lendas?
- Sim. Então os ladrões só ficam nas estradas primarias e queremos a secundárias que nos levara diretamente a cidade sagrada.
- Compreendo.
- Antes a viagem duraria uns dois ou três dias. Mas hoje leva dez ou mais dependendo do trajeto.
- Tudo por causa desse homem que matou os Deuses.
- Sim.
Seguiram por mais algumas horas até ver um riacho onde descansaram e almoçaram algumas frutas e um pedaço de pão. Aurora notou que o cavaleiro a olhava às vezes e sorria, no começou ficou sem jeito, mas depois de um tempo aquele sorriso a deixou incomodada.
Pois se eles estavam em uma situação difícil e ia guerrear provavelmente com um homem com poderes de um Deus porque ele fica sorrindo. Isso incomodava muito a guerreira...
- Aurora. – O sagitariano a chamou.
- Hum!
- Que tipo de habilidade você tem? – A guerreira não gostou da pergunta.
- Manipulou muito bem a minha energia. – Respondeu ao cavaleio e voltou a comer.
- Só?
- Por quê? – Fitou desconfiada afinal não sabia que habilidades ele tinha.
- É que... – Seiya ficou sem jeito. – Percebi uma coisa quando estamos onde vocês moravam.
-... – Agora ele tinha sua total atenção.
- Percebi que Verônica gosta de ser chamada de Escorpião e pelo visto ela tem uma língua ferrenha e deve manipular tão bem os venenos em seu corpo.
-... – Como ele sabia isso, pensou Aurora calada o escutando.
- E se eu não estou errado vocês são regidos por signos ou algo parecido. Pois Serafim em falou de energia, vocês possuem energia que no meu mundo é o cosmo então você deve fazer algo além de lutar.
Seiya deu uma boa mordida na fruta que parecia uma maça e mastigou sem pressa esperando que ela falasse algo. Porém a guerreira colocou o pão de lado e traçou uma linha de pensamento.
- Deve manipular algum tipo de elemento ou fazer algo mirabolante, mas sei que produzir gelo ou congelar a água não é sua única habilidade. – O cavaleiro continuou por conta do silêncio dela. — Você tem algo a mais que não deseja dizer.
- Só manipulo a energia. – Falou estreitando os olhos.
- Vamos lá. – Falou num tom divertido. – Você faz algo a mais. Afinal você deve ser como Alice.
- O que tem Alice com isso? – Não estava gostando daquela conversa.
- Alice tem uma “energia” calma, mas perto do namorado dela tem uma energia diferente. Alice deve manipular não só a água como os sentimentos.
- Sentimentos? – Ficou interessada.
- Sim. A energia dele é calma por causa da mãe dela que é uma Deusa que transmite tal sentimento e eu pude sentir que Alice acalma aquele homem da caverna com sua energia.
- Eu... – Não ia dizer mais nada para ele.
- Você manipula a água e algo mais...
- Vamos embora. – Levantou arrumando as suas coisas.
- Eu...
- Vamos logo termos que chegar à cidade antes do anoitecer.
Seiya sentiu o clima fechar por conta da sua curiosidade. Mas tinha percebido que de todas as meninas do grupo Aurora escondia algo. Não só pelo fato da faixa na testa, mas havia algo... Um segredo forte que ela não compartilhava com ninguém e esse segredo a deixava isolada. Mas seja o que for ia ajudá-la afinal ela o estava ajudando. Ou seria o contrário?
Continua...
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