O Anjo

3 Sótão


Notas iniciais
Demorei, eu sei. Mas aí está outro capítulo! Não sabia como terminá-lo direito, mas espero que tenha ficado bom. Boa leitura, cupcakes ;D

– O QUE ELA FEZ? — A Nelphilim de cabelos escuros gritou, logo que viu as velas, o sangue e John deitado.

Davi suspirou, também já assustado com tudo aquilo. Ele tentou abrir a boca para falar, porém ninguém ficava quieto. Haviam sete pessoas falando alto com o garoto, como se fosse o culpado por aquilo. Mas, olhando para John, percebia que ele estava bem.

Irritado, Davi tentou sair da sala escura. Algumas velas apagaram-se quando os feitiços terminaram, lançando alguns lugares na penumbra. Mas não o deixaram. Uma garota ruiva pegou-o pelos ombros e o segurou firmemente. Seus olhos eram castanhos, e haviam algumas sardas espalhadas por seu nariz e maçãs do rosto. Ela era bonita, porém, sua expressão era séria no momento.

– O que ela fez? — Perguntou, direta.

Como ela não fora grossa nem gritou com ele, Davi resolveu responder. Pra ver se conseguia sair dali, também.

– Um feitiço.

Os olhos dela se arregalaram, suas sobrancelhas franziram-se um pouco.

– Aquela garota havia dito que era filha de um deus... Ela mentiu.

– Não, ela não mentiu.

Davi não tinha a menor ideia do por quê defendia-a. Talvez fosse pela verdade. Ela nunca seria uma feiticeira, uma filha de Lilith. Não havia uma marca nela, nada como garras, pele diferenciada, asas ou coisas assim. Ela era humana. Uma humana com poderes.

Uma semideusa, pensou, lembrando-se dos contos gregos que estudou.

Irritado, ele saiu do quarto, empurrando as mãos e braços que apareciam pelo caminho. Teve até mesmo que xingar alguém para poder ir a outro lugar.

O que Mary havia dito voltou a sua cabeça. Não deixe que ninguém machuque-o. Ficou um pouco culpado por sair do lugar, mas aquelas pessoas claramente eram amigas de John, pelo modo que agiram. E também não iriam, de jeito nenhum matá-lo. Eram Nelphilins. Não podiam matar uns aos outros.

Ele andou pela casa escura. Não podia haver luz em Idris, as barreiras não permitiam. Caso fossem ficar mais tempo ­­- o que Davi infelizmente achava que iria acontecer — ele teria que pegar as pedras encantadas e coloca-las nos lugares, presos à parede.

Suspirando, ele deixou-se guiar pela casa. Ninguém estava seguindo-o, então aproveitou para subir ao sótão.

O garoto passou por dois pisos, andando por corredores escuros, com uma decoração precária e levantando poeira por onde andava. Quando chegou no fim do último lugar, deu-se de cara com o anjo Raziel. Era uma estátua do seu tamanho, com as asas abertas, emergindo de um lago, com em uma mão uma espada e na outra um cálice. Os Instrumentos Mortais. Essa imagem podia-se ver em todos os Institutos do mundo, em quase todas as casas. Raziel fora o anjo que misturou seu sangue para originar os Caçadores de Sombras.

Davi desviou do devaneio e voltou sua atenção para o teto acima de si. Era feito de madeira escura, mas dava a impressão de que não havi nada acima de si, tamanha a escuridão.

Ele tateou o teto, nas pontas dos pés até achar uma falha no teto. Movendo os dedos para o lado, ele forçou o testo para cima, que abriu-se em um pedaço quadrado. Sentindo que alguém se aproximava, se içou para cima e logo se escondeu, fechando a porta falsa.

O garoto suspirou, fazendo com que a poeira se levantasse e fosse iluminada pela luz da lua. Era um efeito estranho, porém não mais do que a iluminação natural em seus cabelos. Por tratar-se de uma mansão velha, o teto possuía frestes em quase todos os lugares, imundando o lugar quando chovia. Agora, somente o frio e a luz estavam presentes.

Mas Davi provou-se errado quando olhou para frente. Mary estava sentanda em um banco improvisado feito de caixas velhas, os longos cabelos claros soltos, quase varrendo o chão. Daquele jeito, ela parecia uma vampira: pele pálida, escondida no escuro, cabelos claros e uma beleza maligna. Não demorou muito para Davi sentir os olhos da garota em si.

– Um lugar calmo, aqui — ela disse, a voz baixa.

– Não sabia que conhecia o sótão. Você já veio aqui alguma vez? Aliás, quem é você?

Mary o olhou, mas permaneceu calada. Davi começou a irritar-se — por mais que fosse altruísta e calmo, ficar sem respostas depois de poder ter traído os amigos era demais. Ele andou em sua direção, rapido como um raio.

Porém, quando chegou perto dela, a garota desapareceu nas sombras. Pelo menos, foi o que lhe pareceu. O garoto ficou ainda mais raivoso — e sentiu medo, também. O que ela era?

– Palavras são perigosas — Davi se virou, e Mary estava do outro lado do sótão, iluminada pela luz lunar. — Além de ter significados, que nós esquecemos, elas machucam-lhe, caso não saiba como lidar com elas.

Davi a encarou.

– Eu mereço respostas.

– Sei disso — seus olhos eram estranhos, quase brancos com a luz. — E também sei que você fez uma ação muito corajosa anteriormente. Poucos fariam tal coisa.

– O que é você? — Davi perguntou, baixo e assustadoramente calmo, na sua melhor voz perigosa.

Mary sorriu.

– Não vai arrancar nada de mim, caso eu não queira — ela disse, parecendo animada com o que estava se desenvolvendo. — Sou mais velha que todos vocês. E seus amigos vão entender tudo, só preciso que acalmem-se.

Ele estava encarando-a, com a testa franzida.

– Então... Você realmente é uma feiticeira?

– O quê? — Mary pareceu pega de surpresa com a pergunta. — Claro que não! Sou uma Meio-Sangue, Davi. Filha de Hades, deus do submundo, Senhor dos Mortos.

O garoto não lembrava de ter dito seu nome a ela. Porém, o ar pareceu mais pesado quando ela disse o nome do deus.

Então é verdade, ele pensou. Os semideuses são reais.

– Você disse que é ais velha que nós.

– Servi à Ártemis, a deusa da caça — ela disse, parecendo distante, não mais sorrindo. — Eu fora uma serva da deusa. Ganhei a imortalidade, seguindo-a durante anos, em um grupo de garota virgens. Porém, quebrei o juramento apaixonando-me. Agora, viverei somente mais alguns poucos anos. Não sabia da existência de vocês, Nelphilins, até algumas semanas atrás. Eu nem mesmo sabia que era uma de vós.

Davi ficou quieto, tentando absorver o que ela havia dito. Era tudo verdade, ele havia estudado. Mas não achava que era real.Ele cresceu acreditando que eram os únicos diferentes nesse mundo para então provar-se errado... Na batalha, havia visto alguns deles em ação, e ficou pasmo.

– Então o que você está fazendo aqui?

Mary franziu a testa e pareceu magoada. Pelo visto, a pergunta havia saído mais áspera do que Davi esperava. Mas antes de que ele pudesse pedir desculpas, ela pronunciou-se:

– Havia perdido-me da Caçada – ela disse, séria, e se virou.

– Como? Ei, espere – Davi protestou enquanto ela descia pelo buraco no chão do sótão. Porém, ela não se virou ou o respondeu.

O garoto ficou encarando o piso, com os cabelos louros iluminados pela Lua, enquanto tentava absorver tudo aquilo. Mas não sabia se seria tão fácil.

Notas finais
Ok, qualquer dúvida deixe um comentário. Caso não tenha nenhuma dúvida, deixe-o assim mesmo. Acho que ninguém está lendo a fic .-.