O Anjo

6 Despedidas


Notas iniciais
Oiee! demorei, párdon. Mas aí está um novo capítulo! Não é muito grande, mas tentei caprichar! E vou tentar escrever diariamente, prometo .^. Boa leitura!

O céu escuro não parecia parar de mandar neve. Já não se via nenhum pedaço de grama, ou qualquer verde na paisagem, a maioria das folhas das árvores caiu, e as que não fizeram isso, estavam ainda amarelas ou castanhas, devido ao outono, que havia ido há algum bom tempo.

Nisso, tudo o que Davi via era a neve, cinzenta pela falta de sol na hora. Mesmo que já não fosse mais noite, o tempo teimava em não melhorar. Se isso acontecesse, ele tomaria aquilo como um insulto.

O garoto logo saiu do quarto, mesmo não tento nada haver com ele, a tensão era muito grande, pois fora ele quem havia dado Mary a chance de poder devolver a alma de John. Por mais que tentasse explicar isso aos outros, eles continuavam a, em parte, colocar a culpa nele.

Agora, só restava saber o que fariam. Um garoto sem memória, uma semideusa assustada e um bando de Nelphilins raivosos. Davi realmente não sabia o que tinha feito para ser aquele ímã de problemas. Ter tomado refrigerante no cálice mortal, talvez?

Ele escutou um barulho atrás de si. Rapidamente, viu que era Héloïse, com uma expressão estranha no rosto. Ou talvez fosse a falta de luz no lugar que dava esse aspecto a ela.

A garota acionou a pedra brilhante ao lado da porta e olhou Davi, que agora estava com os olhos semicerrados por causa da luz não esperada.

– Você está bem? – Ela perguntou, com sotaque francês carregado. – Pergunta idiota. É claro que não – ela resmungou, depois de ver a expressão dele.

Davi balançou a cabeça.

– Tudo bem. Muita coisa acontecendo. Isso complica. Só queria saber o que vamos fazer agora.

– Querem levar John para o Instituto. O de Nova Iorque. Ele ainda é um Nelphilim, é menor de idade...

Ela não terminou a frase. Nem precisava, na verdade. Pelo visto, os amigos de John iriam levá-lo para o instituto para tentar recuperar a memória dele. Todo um sacrifício para nada. Além do mais, Davi desperdiçou bastante tempo pra nada. Eles iriam simplesmente embora.

O garoto limitou-se a suspirar e balançar a cabeça. Não havia nada para fazer. Poderia contatar a Enclave ou a Clave, mas isso criaria problemas para ele e não sabia o que eles poderiam fazer a respeito. Além do mais, Mary poderia sofrer com isso. Nunca houve antes algum registro de Caçadores de Sombras que fossem algo a mais do que metade anjo.

Davi olhou novamente para Héloïse, que parecia cansada. A batalha de Manhattan cansaria qualquer um, mas a tensão do momento que eles passavam era bem pior. Seu rosto redondo e sardento estava ligeiramente sujo e mais magro – isso fez Davi lembrar que não havia comida no local.

– Eles vão agora? – O garoto perguntou, levantando-se rápido e colocando seu casaco, que estava pendurado na cabeceira da cama.

– Não sei. Eles precisam de um portal. Ainda estão procurando Mary, para ver se ela manda-os para Nova Iorque. Porém ela foi tratada tão mal que duvido que faça isso.

– Você pode convencê-los a ficar aqui por mais algumas horas – ele disse, com esperança na voz. – Vou para Idris, conheço alguém que pode nos ajudar.

Héloïse olhou desconfiada para Davi.

– Ok, ok. Mas como você sabe que essa pessoa não vai contar alguma coisa?

Davi parou e pensou por um momento. A única coisa que veio na sua mente foram palavrões. Não havia como prever se ele contaria ou não. Nunca haviam feito algo tão contra-a-lei antes.

– A gente vai morrer de fome se continuar aqui – ele resmungou, se jogando na cama.

– Bem, não tenho certeza. Eles vão voltar para Nova Iorque, e nós dois podemos ir até Idris e contar alguma baboseira.

– Você espera enganar o Enclave?

Héloïse deu de ombros e um sorriso culpado apareceu em seu rosto.

– Não seria a primeira vez.

Todos haviam se reunido na sala de estar da mansão semi-abandonada dos Kreeman. Não pareciam mais tão irritados uns com os outros, todos estavam focados em voltar para casa. Percy havia conversado bastante com John, tentando recuperar sua memória. Os dois pareciam mais próximos, porém o garoto disse não lembrar-se de nada.

Davi contou os Nelphilins. Oito, contando com eles. Somente Héloïse, ele e Mary estavam mais afastados do grupo principal, que tinha sua atenção voltada para John. Mary estava afastada de todos, com os braços cruzados e os cabelos claros amarrados em um coque firme. Ela não tirava os olhos de John, que às vezes a via.

O garoto sentiu um aperto no braço esquerdo. Ao olhar para o lado, viu que Héloïse o segurava, e ela deu um sorriso tímido para ele. O olhar de Davi tornou-se mais suave, e ele abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompido.

– Então – Percy disse, com um tom de voz autoritário – vocês dois, Davi e Héloïse, vão para Idris, e inventam uma mentira para enganar o Enclave e voltar aos seus Institutos. Certo?

Os dois balançaram a cabeça em confirmação.

– Nós fomos mandados por um feiticeiro com asas arco-íris pra perto daqui, que tal? – Héloïse disse, com um tom idiota de voz que quase fez Davi cair na gargalhada.

– Ah, tanto faz – Percy disse, fazendo um gesto com a mão. – Só não deixe que saibam do que aconteceu aqui. Entendido?

– Tá – responderam os dois ao mesmo tempo.

Percy se virou para Mary, a expressão serena e cuidadosa. Davi sabia que demoraram a encontrá-la – no final fora ele mesmo quem tinha feito isso. Ela estava encolhida no sótão, sentada abaixo de um buraco, por onde caía neve. Sua pele estava muito mais pálida que o normal, e os lábios azuis do frio. Mas ela não tremia ou parecia notar o gelo que caía. Davi se sentou ao seu lado e tentou explicar o que estava acontecendo. Por fim, ela aceitou, logo que os Nelphilins do Instituto de Nova Iorque aceitaram recebê-la novamente no lugar.

– E Mary – disse Percy –, nós vamos voltar para Nova Iorque. Consegue teletransportar a todos nós?

Ela balançou a cabeça afirmativamente, ainda escondida no escuro.

Percy voltou a encarar Davi e Héloïse.

– Tenham uma boa viagem. E nada de feiticeiros com as asas cor de arco-íris.

Héloïse deu um sorriso sinistro. Davi já estava começando a esquecer a ameaça que ela havia feito a ele quando encontraram John – ele preferia mil vezes essa Héloïse sarcástica.

– Cheveux de serpentes et l’arc iris ailes, puis. – Ela disse séria.

Percy franziu a testa.

– Eu não entendo francês – ele disse.

– Oh, me desculpe! – Héloïse disse, arregalando os olhos. – Inglês não é minha primeira língua, então me engano um pouco.

– Ok, ok. Mary, está pronta?

A garota andou na direção deles, expondo-se á luz. Sua pele ainda estava muito pálida, porém não parecia um cadáver ou alguma criatura do gelo, como antes.

– Se preparem – ela se limitou a dizer, com a voz levemente rouca. Olhou para Héloïse e Davi, que haviam se afastado do grupo. Ela deu um sorriso para a dupla enquanto desaparecia nas sombras junto com os outros. Então, somente os dois estavam lá.

Um silêncio se instalou no lugar, e eles podiam escutar o sistema de aquecimento estralando e o vento correndo por fora da casa. Por fim, Davi não aguentou.

– O que você disse?

– Cabelos de cobras e asas de arco-íris, então. – E sorriu.

Notas finais
Dúvidas, sugestões, qualquer outra coisa? Deixe-me um review! :DDD