O Amuleto dos Mortos
1 Capítulo 1 – O Profeta Contra-Ataca
Capítulo 1 – O Profeta Contra-Ataca
Aquele dia de junho amanheceu preguiçoso. Parecia que até mesmo o sol se demorava mais do que de costume para iluminar a cidade. Uma névoa quase imperceptível pairava sobre Brighton enquanto Hufford se espreguiçava na janela, observando a rua silenciosa que serpenteava lá embaixo.
Enquanto saboreava uma caneca de café, ele observava as pessoas caminhando apressadas para o trabalho, como bailarinos com uma coreografia extremamente desconexa, mas ainda assim interessante.
Com um gesto de sua varinha, a xícara flutuou até a pia, no mesmo momento em que uma coruja de igreja pousou no parapeito de sua janela, dando pequenas bicadas para alertar sobre sua chegada.
Hufford abriu a janela calmamente e pagou a coruja com um nuque, pegando o jornal que ela estava entregando e jogando-o em cima da escrivaninha.
O apartamento de Hufford, embora bem iluminado, não contava com grandes luxos. A mobília era antiga e na sala havia uma estante com diversos livros de magia e romances de trouxas. Em uma parede havia diversos retratos que ficavam se mexendo e acenando e em um lugar de destaque, havia um diploma onde se lia “Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. ”
Quando não estava cuidando da loja de sapatos herdada de seu pai, localizada no centro de Brighton, Hufford se dedicava ao estudo teórico de Poções. Era a matéria que mais gostava quando estava em Hogwarts, o que lhe garantiu algumas participações nos jantares oferecidos pelo Professor Slughorn. Era naquela poltrona que Hufford lia e escrevia seu tratado sobre poções que pretendia publicar em breve, com o apoio do Professor Dumbledore. Sonhava em ter seu livro entre os exemplares de leitura obrigatória de Hogwarts.
Por algum tempo, pensou em retornar à comunidade bruxa e até mesmo a se candidatar a uma vaga no corpo docente de Hogwarts, mas após a morte de seu pai, acabou decidindo dar continuidade aos negócios da família. Seu pai tinha uma sapataria e fora o co-criador da edição limitada da Oliver Sweeney, que tinha um compartimento no salto, desenhado para acomodar uma garrafa de whisky em miniatura. Já Hufford criou sapatos especiais para os Aurores do ministério da magia que invertiam as pegadas, dificultando que eles fossem rastreados enquanto estivesse em campo aberto. Assim eram os dias de Hufford. Tomava seu café da manhã junto à janela, lia o Profeta Diário a caminho da loja e se dedicava a escrever seu tratado sobre poções durante a noite.
Ao olhar para o relógio, Hufford percebeu que estava atrasado para o trabalho e, apressadamente, se encaminho em direção ao banheiro quando a foto da manchete da primeira página do Profeta chamou sua atenção, exibindo um Cornelius Fudge com braços erguidos como se estivesse discursando.
Segundo a reportagem do Profeta Diário, Alvo Dumbledore havia afirmado que o temido bruxo conhecido como Lorde Voldemort estava vivo e estava reunindo seus asseclas, conhecidos como Os Comensais da Morte, ao que o Ministro da Magia desmentia veementemente, dizendo que tal informação não passava de um disparate inventado pelo “preferido de Dumbledore”, o aluno chamado Harry Potter. Segundo o ministro, a sede de atenção do menino, que sempre havia estado sob os holofotes desde seu ingresso em Hogwarts fez com que ele criasse fantasias megalomaníacas a fim de manter-se em evidência a qualquer custo. Em uma outra matéria, havia a notícia de que Dumbledore havia sido afastado da presidência da Confederação Internacional dos Bruxos, alegando-se que o diretor de Hogwarts estava velho demais para presidir o conselho.
Franzindo a testa e fixando o olhar no horizonte de prédios através da janela, Hufford tentava digerir o que estava lendo. Alvo Dumbledore era o maior bruxo vivo na atualidade e um homem de caráter e moral acima de qualquer suspeita. Em seu último encontro em Hogwarts a dois anos atrás durante uma partida de Quadribol, Alvo não aparentava nem um sinal sequer de senilidade ou de qualquer outro motivo que pudesse levar a Confederação Internacional de Bruxos a destitui-lo da diretoria. Já o quanto ao Ministério da Magia, gerido por Cornelius Fudge, Hufford tinha suas dúvidas. O Ministro era por demais influenciado pelas famílias mais tradicionais da comunidade bruxa que enchiam os cofres do ministério com polpudas doações com o intuito de levar a termo os projetos de Fudge. Mas o que, geralmente se via, era que as doações permitiam alguns privilégios às famílias mais abastadas.
Harry Potter... O filho de Tiago e Lilian... O menino que escapou por milagre da maldição Avada Kedavra e mais milagrosamente, fez com que o bruxo mais temido de todos os tempos desaparecesse. O menino que fez o improvável, derrotando um inimigo tão terrível que mesmo a Ordem da Fênix, uma coalisão de bruxos criada por Dumbledore para fazer frente aos Comensais da Morte do Lorde das Trevas, não tivera êxito.
Ele havia conhecido o menino em Hogwarts durante sua visita, no jogo de Quadribol entre Sonserina e Grifinória. Harry jogava na mesma posição do pai. Era apanhador do time da casa. E um grande apanhador. Voava com destreza muito maior do que Thiago jamais conseguira e durante o jogo, Hufford parecia estar observando o próprio Tiago jogando. O menino era exatamente igual ao pai, mas tinha os olhos da mãe. Lilly era doce, de sorriso fácil e de uma ternura que encantava quem estivesse por perto. Tiago era um encrenqueiro. Fazendo dupla com Sirius Black, que era membro de uma das famílias mais tradicionais da comunidade bruxa e único membro a entrar para a casa de Grifinória, andava pelos corredores da escola arrumando confusão e fazendo azarações em todos que cruzavam seu caminho. Mas o improvável aconteceu. A doce e terna Lilly apaixonou-se por Tiago e isso fez com que Tiago se tornasse um tanto menos baderneiro. Lilly trouxe equilíbrio para Tiago e quando ambos se casaram, Harry veio completar a vida do casal como um grande presente.
Quando a Ordem da Fênix foi formada, Hufford foi recrutado por Dumbledore. Como já vivia em Brighton, ficou encarregado de espalhar notícias sobre as ações de Voldermort e seus comensais e de recrutar bruxos para se oporem ao exército que o Lorde das Trevas estava reunindo. Trasgos, Dementadores e cada criatura negra e perversa juntou-se às fileiras do Lorde Negro e seus Comensais. Várias outras criaturas que sempre se sentiram injustiçadas pela postura arrogante do Ministério da Magia, que tratava os bruxos como superiores a qualquer outra criatura mágica, enxergaram em Lorde Voldermort uma chance de se vingar por todos os anos de maus tratos e discriminações sofridas.
Foram tempos negros. Mesmo em Brighton havia um clima de pavor no ar. Vários bruxos foram obrigados a colaborar com o Lorde das Trevas, seja através da influência da Maldição Imperius, seja por causa do sequestro de seus familiares. Certa vez, Hufford encontrou um cativeiro em Brighton onde havia cinco crianças presas e protegidas por lobisomens. Todas elas eram filhas de famílias influentes da comunidade bruxa e estavam sendo usadas para chantagear seus pais e familiares. O que veio a seguir foi uma batalha sanguinária. Dois Lobisomens se precipitaram contra Hufford, que usou a magia ictus argentum, lançando diversas esferas de prata contra seus atacantes. Isso foi o suficiente para debilitar os dois enquanto Hufford resgatava as crianças.
As lembranças pareciam vivas e havia no ar um senso de urgência que ele não sabia precisar, mas que já havia sentido antes. Se Dumbledore disse que o Lorde das Trevas havia se levantado, Fudge deveria levar em consideração e dar o benefício da dúvida. Por outro lado, havia meses que não trocava uma coruja com Alvo.
Levantando-se da cadeira, Hufford fez uma anotação mental para lembrar-se de mandar uma coruja para Dumbledore naquela noite para se inteirar dos acontecimentos no exato momento em que uma outra coruja branca pousou no parapeito de sua janela, trazendo um envelope com o selo de Hogwarts.
Hufford se jogou novamente na poltrona e abriu rapidamente o envelope.
Fale com o autor