Notas iniciais
E então aqui estamos nós com um capitulo O Amuleto do dragão,eu não sei bem o que dizer pois sei que querem ler a fanfic e não sou muito boa com notas do capitulo :c só quero dizer para lerem as notas do índice por favor e deixar sua opinião ou comentario carinhoso sobre a historia,isto me incentiva muito !
(Não faço notas finais para nao quebrar o clima ashuashuashu)
Boa leitura !

Desde de pequena sinto uma forte atração por criaturas mágicas,algumas são inventadas outras simplesmente citadas ao longo do tempo,este foi o único jeito de reprimir minhas amargas lembranças.

Gosto de esculturas eu mesma faço elas são de madeira e sempre deixo esparramadas ao chão enquanto outras ficam nas prateleiras dentro de sacos plásticos para serem usadas depois. Sereias,fadas e até alguns bichos que não sei identificar.Bom eu realmente não sei desde de quando faço isso,acho que desde que entrei o orfanato tenho sonhos estranhos.

Hoje a escola do orfanato dispensou os formandos ao meio-dia. Estou há uma hora debruçada sobre meu projeto mais recente. Há uma talha de madeira e tintas artesanato que se Acumulam sobre a minha escrivaninha.

Pela janela do meu quarto entra uma brisa doce que cheira a arnica. Há um canteiro de ervas em frente ao orfanato,dou uma pequena baforada de tédio e agarro meu amuleto que pende em meu pescoço.Ele estava mais quente do que o normal,embora algumas vezes seu ouro transformasse em brasa e o dragão esculpido tremeluzia.Nunca saberei o significado desta coisa,o único pertence que veio comigo quando eu era apenas um bebê desde de então ele tem sido meu único amigo bom é claro que tinha o Dylan mas faz tempo que não o vejo e não queria ver tão cedo.

Termino de pintar o rosto delicado da Sereia, Preencho seu rosto salpicando com sardas com um pincel longo, tomando cuidado para imitar igualmente como a vi em meu sonho anterior,me lembro que ela vestia um espécie de pano fino e seu corpo nu era coberto da água cristalina,seus longos cabelos cor de areia chicoteavam o vento e ela sorria manhosa. Usando alfinetes pequenos,prendo pano do futuro vestido que a preencheria.O que pretendo criar não uma sereia qualquer ; é algo que eu senti vivo dentro de mim.

Existem centenas personagens como essa inundando a minha cabeça sem que eu faça a menor ideia de onde vêm. Minhas estatuas são a única maneira de colocá-las para fora.Recostada em minha cadeira, estudo a obra. Quando a tinta secar seu rosto estará completo. Então, qualquer ajuste necessário terá de ser feito rapidamente. Dou uma olhada no relógio digital ao lado da cama, batendo o dedo de leve no lábio inferior.

Tenho menos de duas horas para o caminhão de lixo parar. Já é uma tradição às sextas-feiras desde de que chegai aqui: Ir sorrateiramente mexer no lixo para ver se encontro madeira de moveis quebrados ou algo reciclável.

Cérebro e coração congelados não são exatamente minha ideia de diversão, mas Meus materiais estão acabando e o orfanato tem uma regra ríspida em gastar o dinheiro investido naquilo que for necessário. Talvez eles pensam que vamos gastar o dinheiro em bebidas alcoólicas ou para arranjar um taxi para fugir daquele lugar.

Pelo menos algo de bom aconteceu por causa da minha insanidade hereditária. Sem asalucinações, eu provavelmente nunca teria encontrado um modo de me expressarartisticamente.

Minha obsessão por escultura começou . Tinha sido um dia daqueles todos estariam num auditório para uma palestra e me lembro sutilmente em meu quarto enquanto polia uma de minhas pequenas estatuas pude ver um pequeno brilho perto da janela,eu poderia jurar que era uma fada.Era pequena e delicada,seu traços pareciam de ouro e ela voava em zigue-zague atordoada ,como eu era pequena sai correndo escada abaixo pedindo ajuda a Senhora Howard que como sempre me chamou de louca os gritos e risadas de todos no auditório foram histéricos todos no orfanato estavam sentados em poltronas ouvindo o Senhor Gollins falar sobre a prevenção de perda de chaves dos quartos.

Quando eu pensava que as coisas não poderiam piorar, senti algo na minha calça jeans e percebi,mortificada, que havia menstruado pela primeira vez e estava totalmente despreparada.Prestes a chorar,sai correndo e peguei um suéter da pilha de achados e perdidos ao lado da entrada principal e o amarrei na cintura para ir até a cozinha.Mantive a cabeça abaixada, incapaz de encarar qualquer pessoa.Fingi que estava doente para a cozinheira e ela muito bondosa me levou a enfermaria. Enquanto esperava a enfermeira aparecer para explicar o que havia ocorrido, imaginei uma discussão calorosa entre o vaso de flores namesa da enfermeira e a pequena ninfa que zunia em volta dele. Foi uma alucinação das fortes, porque eu realmente ouvi a discussão, tão nitidamente quanto podia ouvir os órfãos passando de uma sala para a outra do lado de fora da porta.Howard já havia me alertado sobre o dia em que me “tornaria mulher”. E para o burburinho que viria depois. Pensei que era apenas sua instabilidade mental que a fazia dizer aquilo...sussurros eram impossíveis de ignorar, assim como os soluços que iam se acumulando em minha garganta. Fiz a única coisa que podia: neguei o que acontecia dentro de mim. Corri novamente para meu quarto quando ouvi os passos rápidos da enfermeira.

Eu só queria ficar sozinha.Ouvi a voz cortante da Senhora Howard subindo as escadas chamando meu nome.Fechei a porta sem responder. Minhas mãos tremiam e o sangue pulsava nervosamente nas veias.

Deveria haver uma explicação para o que acontecera na enfermaria. Eu estava estressada por causa do auditório , quando meus hormônios se manifestaram, entrei em pânico. Sim. Fazia sentido.Mas eu sabia bem lá no fundo que estava mentindo para mim mesma e que o último lugar para onde eu queria ir era a uma clínica psiquiátrica. Alguns minutos depois, abri a porta.

—Senhorita Lyn esta se sentindo melhor?— ela perguntou, olhando por cima dos óculos.

Um vento úmido e com cheiro de mofo veio do ar-condicionado direto para o meu rosto quando pisei para a fora do orfanato. Os grandes olhos casados de Howard tentavam me encarar de um modo gentil.

Troquei os pés de lugar. Essa era a parte de ser orfã que eu detestava — não termais ninguém para quem contar as coisas além da dona do próprio orfanato Seu olhar estava vazio, como o de um cervo observando o tráfego na hora do rush matinal.

— A palestra especial que citaram — eu disse, com um nó no estômago. —Me desculpe por ter estragado, eu sabia que era apenas para os órfãos novos.

— Ah. Então se é por isso que esta tão aflita não tem com que se preocupar, a cozinheira me disse do ocorrido todas nós nos transformamos em mulheres um dia.

— S-sim senhora,Você sabe o que isso quer dizer, certo? — pressionei envergonhada.

—Acha que é a única garota que menstruou no orfanato, Senhora Lyn francamente.

A vermelhidão passou de meu rosto para as orelhas. Ela me entregou alguns absorventes discretamente.

— Bem, acho que sabe como usar.É mais fácil do que roubar tinta.

Uma resposta silenciosa ecoava dentro de minha cabeça: Quem melhor que uma ladra?

Pigarreei. —Bom eu faço isso por pura arte.

Não importava que Howard estivesse certa sobre minha pessoa. Eu não estava pronta para Desistir de algo que me fazia feliz.Ela entrou em meu quarto com cara de nojo e sentou-se em uma cadeira com a postura ereta, como se o ar-condicionado tivesse congelado sua espinha.

Estudei as linhas em zigue-zague da palma da minha mão. Tanto ela como eu sabia que o que ela me diria importava menos do que o que poderia fazer. Se eu fizesse aquilo novamente me colocariam em uma camisa de força.

Eu não sabia nem direito qual era meu nome,A velha me chamava de Lyn e era assim que fui conhecida.Apenas um ¨Lyn¨entalhado nas costas do meu amuleto,que praga de nome era aquele?

Eu não sabia nem sequer meu nome

Meus olhos pareciam inchar, como se fossem explodir em lágrimas novamente.

—Olha Senhora Howard, já tive um dia horroroso. Podemos simplesmente não continuar este assunto?

Howard suspirou. — Descanse,e tente não se meter em suas loucuras.

Concordei, fazendo um gesto com a cabeça. Pode ser que eu pare de roubar artigos do orfanato , mas não preciso parar de fazer minhas estatuas.

Brincando com o lenço fúcsia amarrado ao redor do meu short jeans, olhei de relance para os meus pés. As unhas pintadas de rosa cintilante refletiam a luz da tarde que penetrava pela janela.

Rosa sempre fora a cor preferida das fadas. Era por isso que eu usava.

— Howard — murmurei alto o suficiente para que ela ouvisse. — E se você estiver certa?Percebi algumas coisas hoje. Coisas que não são... normais. Eu não sou normal.

— Normal. — Ela curvou os lábios.Ela beliscou a testa prensando os dois dedos. Parou em pé, sua altura de um metro e sessenta se impondo sobre mim, enquanto segurava meu amuleto— Agora, me escute, Você pode não parecer normal,mas tudo bem a sanidade é algo que deixa o mundo alegre,uma sanidade balanceada assim eu digo.Estou sendo gentil então aproveite.

— Entendi — sussurrei.

— Bom. — Ela me apertou o ombro e deu pequenos tapinhas em minha cabeça.

***

Depois de cobrir minha ninfa da terra com seus novos olhos de vidro, pego um pacote de nachos e me dirijo ao parque mais próximo o único lugar que Howard me deixa ir tempo antes de me preparar para a aula de química já que o orfanato oferece bolsas e permite que os órfãos estudem lá mesmo.

Sempre me senti em casa aqui, nas sombras. O parque fica no centro da cidade e é pouco movimentado. Mesmo eu ficando sempre embaixo de uma sombra pintando minhas bonecas que agora não eram feitas de madeira e sim de uma espécie de argila especial,eu mesma juntava o dinheiro e comprava e fazia as roupas com material reciclável.

Antes de ser reformado, o lugar era usado para degolar cabeças na época de guerras.Cindy é umas das poucas meninas que converso por ser irmã gêmea do Dylan e Willow a namorada dele.Ela estava falando sobre uma nova parede de escalada que seu pai iria inaugurar.

Ela ligou antes da inauguração, há dois anos. — Achei que você ficaria interessada em

saber o nome que daremos ao espaço — ela disse, com a voz cheia de sarcasmo.

— Ah, sim, e qual é? — perguntei civilizadamente, já que o pai dela, o Sr. Stall que fornece muito alimento para o orfanato e recentemente arrecada dinheiro para os órfãos.

O que é muito bom, também, considerando que estávamos à beira da falência por causa das Despesas.

— Bem... — Willow ironizava devagar. — Meu pai quer chamar de Berço das loucuras —Engoliu uma risada. — Achei que você iria gostar, visto que tem tanto orgulho de seu amuleto bobo e não sabendo quem é de verdade.

A zombaria me abalou mais do que devia.

— Na verdade — falou Cindy, interrompendo —, acho que já está muito batido. Precipício seria melhor, uma vez que fica tão longe da terra. O que você acha,Lyly?

***

Hoje me lembro daquele olhar ligeiramente arrependido de Willow enquanto escalo pelomeio da parede abaixo do luminoso da palavra PRECIPICIO grafitada.É bom saber que ela tem um lado humano. Rock ecoa nas caixas. Enquanto desço pela parteparede, vejo outras silhuetas à minha volta contra as pedras.

Equilibrando um pé em uma delas, me preparo para levantar apoiar em uma com a metade de seu tamanho.Uma tentativa de fazer agarrar uma dessas tão pequenas algumas semanas atrás me deixou com o cóccix machucado. Agora morro de medo dessas pequeninas, mas alguma coisa dentro de mim não me deixa desistir.

Preciso continuar tentando ou nunca vou conseguir aprender a chegar no final.

Minha determinação vai além. É visceral — uma agitação que se embaralha com meus pensamentos e nervos até me convencer de que não estou com medo. Às vezes penso que não estou sozinha em minha própria cabeça, que há parte de outra pessoa lá dentro, alguém que me incita a seguir além dos limites.Aproveitando a onda de adrenalina, a agarro. Curiosa em saber a altura que estou abro os olhos, estatelada. Estou quase chegando consigo ver a bandeira tremeluzindo rapidamente acima de mim.

Um frio me percorre a espinha. Perco o controle, e o pé da frente escorrega, me jogando para baixo com um sonoro uuuh.

O Estralo da corda me preenche o ouvido,eu não havia a prendido direito.A perna e o braço esquerdo tocam primeiro o chão. A dor se alastra por todos os meus ossos. O impacto tira o ar dos meus pulmões, e eu escorrego até parar no cimento. Na ânsia de respirar, me viro de costas. Cada nervo do meu joelho e tornozelo arde em fogo. A faixa da joelheira se soltou e agora há um rasgo em meu legging preto por baixo doshort roxo de ciclista. Sobre a superfície verde em declive ao meu lado, vejo uma mancha escura. Sangue...

Recolho o joelho arrebentado, sentindo uma dor aguda ao respirar. Segundos após a queda, três funcionários apitam e chegam . Usam aqueles capacetes coloridos e todos personalizados, mas são, na verdade, salva-vidas estrategicamente colocados em lugares de fácil acesso e munidos de noções básicas de primeiros socorros.

Eles formam uma barreira visível com seus coletes brilhantes para que os outros escaladores não se choquem contra nós, enquanto fazem um curativo e limpam o sangue do chão de cimento com desinfetante.

Um quarto empregado aparece vestindo o colete de gerente. Era Dylan.

— Eu devia ter saído fora — falo, enrolando a língua.

— Tá brincando? Ninguém conseguiria evitar uma batida dessas a tempo. — Sua

voz profunda fica mais terna quando se ajoelha ao meu lado. — Estou feliz por ver que

voltou a falar comigo. — Ele está usando bermuda cargo e camiseta preta por baixo do colete.

Seguro a tira do capacete debaixo do queixo.

— Pode me ajudar a tirar isto? — peço.

Dy se inclina mais para perto a fim de poder me ouvir mesmo com a música alta. O perfume dele— uma fragrância de chocolate e lavanda — se mistura ao seu suor, em um aroma tão irresistível quanto cheiro de algodão-doce para uma criança em um parque.Ele coloca os dedos sob meu queixo e me livra da correia. Ao me ajudar a tirar o capacete, seu polegar roça minha orelha, causando-me um arrepio. Só consigo distinguir a barba rala, aqueles dentes brancos alinhados (com exceção do incisivo esquerdo, que se sobrepõe de leve ao dente da frente)

Willow e ele namoram há apenas alguns meses. Ela não exerce o menor poder sobre o que ele faz.

Dy coloca as mãos em concha sob meus cotovelos. — Consegue levantar?

— Claro que sim — rebato, sem a intenção de ser ríspida, mas descontente por ser o centro das atenções. Assim que me apoio sobre a perna, sinto uma dor lancinante no tornozelo e caio. Outro empregado me apoia por trás enquanto Dy se senta e retira suas botas.

Antes que eu me dê conta do que está fazendo, ele me carrega para fora do lugar.

— Dy, quero ir andando. — Envolvo seu pescoço com meus braços para manter o equilíbrio.

Sinto as risadinhas dos outros escaladores enquanto passo, mesmo sem poder vê-los por causa da zonzeira. Por causa deles, nunca me esquecerei de que fui carregada para fora como uma diva.

Dy me suspende mais e fica evidente o quanto estamos próximos: minhas mãos em voltado pescoço dele, seu tórax encostando nas minhas costelas... aqueles bíceps segurando por baixo dos meus ombros e joelhos. Ele abre a porta que dá para fora com o quadril. Pisco, tentando me adaptar à claridade do lado de fora.Rajadas de vento morno jogam meu cabelo contra o rosto.Ele me coloca com suavidade sobre o chão de cimento. Senta-se ao meu lado,tirando o capacete e sacudindo o cabelo que fazia suaves ondas Louras Acinzentadas

Seus olhos Marrons avermelhados observam o curativo sujo de sangue dos meus joelhos.

—Eu falei para você trocar seus acessórios. Suas cordas estão uma verdadeira porcaria.

Lá vamos nós. Ele já mudou para o modo irmão mais velho, mesmo sendo só dois anos e

meio mais velho que eu.

— Tem falado com a Howard,é?

Ele franze o rosto e começa a retirar suas joelheiras. Eu também retiro a minha.

— Na verdade — digo, mentalmente me censurando por não ter o bom senso de me

retirar para dentro da minha bolha de silêncio —, eu deveria ser grata a você e Howard por me deixarem vir para cá. Considerando que este lugar não seja tão longe do orfanato coisas ruins podem acontecer a uma garota tão indefesa.

Um músculo se move no maxilar de Dy, sinal de que o atingi. — Isto não tem nada a ver Com Howard. Sem falar que ela é dona do orfanato onde você vive e sei que o pai da Willow te sustenta ou melhor sustenta aquele local com uma boa grana, o que significa que você não tem desculpa para não manter seu equipamento em dia.Escalar assim pode ser perigoso.

— Sim, e Londres também, certo? — Olho para os carros reluzentes do estacionamento enquanto aliso minha camiseta amassada com estampa de coração sangrando envolto em arame farpado.Poderia muito bem ser uma radiografia do meu peito.

— Ótimo — rebate ele, atirando as joelheiras para o lado. — Então você ainda não superou.

— Não superei o quê? Em vez de me defender, você ficou do lado dela. Agora não possoir lá até me formar. Por que isso deveria me incomodar? — Puxo minha luva mitene para abafar a raiva, que faz a minha língua fervilhar.

— Pelo menos, ficando apenas no orfanato, você vai se formar. — Dy pega sua cotoveleira e puxa a tira de velcro com força, pontuando o que acabara de dizer.

— Eu também teria me formado lá.

Ele bufa.

Não deveríamos ter discutido aquele assunto. A decepção ainda era muito recente.Eu estava muito vidrada no programa de intercâmbio que permitia os jovens sem pais terminarem seus estudos em Londres e ao mesmo tempo obterem créditos para estudar em uma das melhores escolas da cidade. A mesma universidade para a qual Dy está indo.

Achei que era uma ótima ideia, que com Dy junto estaria tudo certo para mim. E então ele decidiu que ainda não era a hora certa para eu ir.

Ao menos suas objeções faziam sentido. Mas eu ainda não descobrira por que Dy votaracontra a ideia. O que importava agora? O prazo final foi sexta-feira passada, portanto nãohavia como mudar as coisas agora.

— Traidor — murmurei.

Ele abaixa a cabeça, me forçando a olhar para ele. — Estou tentando ser seu amigo.Você ainda não está pronta para ficar tão longe do orfanato... Não vai ter ninguém paracuidar de você.

— Você vai estar lá.

— Mas não vou poder estar com você a cada segundo. Meus horários vão ser loucos.

— Não preciso de alguém comigo a todo instante. Não sou uma criança órfã.

— Eu nunca disse que você era uma criança. Mas você nem sempre toma asmelhores decisões.Neste caso pelo menos — ele belisca minha canela, soltando meu legging rasgado com um estalo.

Senti um tremor de euforia percorrendo minha perna. Me encolhi, convencendo-me de queeram apenas cócegas. — Então quer dizer que não posso cometer erros?

— Não erros que possam te machucar.

Balanço a cabeça. — Como se ficar presa aqui não machucasse. Em um orfanato que não suporto, com pessoas acham muito engraçado ficar fazendo piadas sobre minhas estatuas. Obrigada por isso, Dy.

Ele suspira e se senta. — Está certo . Então é tudo culpa minha. Aposto que o fato de vocêTer “comido cimento” lá dentro também foi culpa minha.

O nervosismo distorce sua voz e corta meu coração. — Bem, aquela queda foi meio culpa sua—eu digo, suavizando a voz, num esforço consciente para abrandar a tensão que tinha secriado entre nós. — Eu já teria aprendido a agarrar as pedras menores se você ainda estivesse me dando aulas de escalada,

Os lábios de Dy se torcem. — Então o novo professor, Mizen... está dando em cima de você?

Dou um soco nele, extravasando um pouco da frustração reprimida. — Não, não está.Dy finge espanto. — Mas bem que gostaria. Avisei que daria nele se...

— Como se você mandasse em alguma coisa. — Mizen tinha dezenove anos e eraperito em falsificar identidades e usar drogas recreativas. Forte candidato à prisão. Seique não devo me envolver com ele, mas quem decide sou eu.

Dy me lança um olhar. Pressinto um sermão sobre os perigos de andar com um cara sem rumo.

Tiro uma pequena luz esverdeada dando um peteleco com minha unha azul, recusando-me a

deixar que os sussurros daquilo deixem este momento ainda mais estranho

Felizmente, as portas se abrem atrás de nós. Dy se afasta para dar passagem a algumasgarotas.

Uma nuvem de perfume com cheiro de talco nos atravessa quando elas passam e acenam para Dy

Ele cumprimenta com a cabeça. Fica olhando elas entrarem em um carro no estacionamento e partirem.

— Ei — dispara ele. — Hoje é sexta. Não era para você ir pegar lixo?

Levo um susto com a súbita mudança de assunto. —Não diga isso com tanta secura,é onde consigo meu material e fale baixo.Sim eu tenho que ir pois o caminhão chega daqui alguns minutos eu acho. — Depois de olhar para minhas roupas rasgadas, olho para o céu e percebo como o dia esta claro diferente de os matutinos dias nebulosos.. — Espero que dê tempo de passar no orfanato e me trocar mesmo que for para revirar lixo quero ser nomeada artista e não uma mendiga.

Dy se levanta. — Vou assinar o ponto e sair — ele diz. — Pego meus materiais e te levo para o orfanato.

Era a última coisa de que eu precisava.

Dy e sua irmã, Cindy, nunca haviam visto o orfanato por dentro; somente por fotografias. Nem mesmo sabem a verdade sobre minhas estatuas ou sobre o motivo de eu usar o amuleto.

— Mas e a sua moto? — perguntei, para ir ganhando tempo, ao constatar que a Honda CT 70vintage tunada não se encontrava em nenhum lugar do estacionamento.

— A previsão era de chuva, então a Cindy me deixou aqui — justifica. —Cindy te levapara o trabalho mais tarde e eu levo o carro dela para casa depois. Não é tão fora do meu caminho.

A família de Dy mora bem perto do meu orfanto.Eu fui apresentada a eles quando estava brincando de amarelinha na rua a anos atrás.logo após eles terem se mudado. Dy,Cindy e eu ficamos próximos antes do começo dos meus doze anos, no outono seguinte — tão próximos que me lembro que Dy bateu em um menino na rua quando ele zombou das minhas roupas.

Dy coloca os óculos escuros e ajeita os cabelos para atrás . O sol bate em seusbraços brilhantes salpicados de pequenas cicatrizes redondas.Caminhamos para o carro de Cindy um Fiesta vermelho.

Se não posso contar com Dy para me apoiar no assunto de Londres, não posso deixar queVeja a maior loucura que é minha ... ¨casa ¨

— Não, não — retruca ele. — Conheço esse olhar. Você não pode de jeito nenhum dirigirum carro manual com o tornozelo torcido. — Ele estende a mão. — Passe para cá.

Revirando os olhos, coloco as chaves nas mãos dele.Ele empurra os óculos escuros para cima no alto da cabeça. — Espere aqui,vou ajudar você.

Uma lufada de ar-condicionado atinge o meu rosto quando a porta de entrada do parque se bate atrás dele. Sinto algo em minha perna, desta vez não jogo o brilho para longe e ouço seu sussurro em alto e bom som: já está vindo princesa?

— O que? — sussurro em resposta,brincando com o pequeno brilho que trota sob meus dedos.

—Disse alguma coisa? —Disse Dy fechando o porta malas.

—Não...Não.

Olho novamente para meus dedos e o brilho desaparece me deixando confusa.Coloco os dedos em torno do amuleto e sinto a energia estática em meus dedos e o largo espantada.

O sol da tarde bate forte sobre o capô do carro. Depois que passam os prédios, centros de comércio e casas, não há muito o que ver em Lynchburg Apenas planícies secas com alguns arbustos e árvores delgadas aqui e acolá.

Toda vez que Dy começa a falar, respondo de um jeito monossilábico e aumento o volumedo CD player recém-instalado.

Finalmente toca uma música — uma canção acústica e melancólica que uma vez presenciei Dy ouvindo enquanto pintava —, e Dy a ouve, concentrado. A bolsa de geloque ele trouxe para meu tornozelo inchado já derreteu, e mexo o pé para que termine de cair.Luto contra a sonolência, já sabendo o que me espera no limiar do sono.

Sinto um nó se formando em minha garganta e o engulo.O CD muda de música e me concentro na melodia, tentando esquecer todo o resto.Dy troca de marcha enquanto uma nuvem de poeira bate contra o carro. Olho de relancepara a imagem dele de perfil. Há um traço sulista em seu sangue, e sua pele tem uma tonalidade muito bonita — é cor de neve e macia ao toque.

Ele vira a cabeça para mim. Desvio o olhar para o espelho retrovisor e observo o enfeite aromatizador. Eu o pendurei na haste do espelho hoje.No eBay tem uma loja que vende aromatizadores de carro customizados por dezdólares cada. É só mandar uma foto por e-mail, eles a imprimem no aromatizador e devolvem pelo correio. Há duas semanas usei um dinheiro que tinha ganhado no orfanato e comprei dois, um para mim e outro para Cindy.

— Ficou legal — opina Dy, referindo-se ao aromatizador.

— Sim — balbucio.

Olho para a foto. É a imagem de nós duas pequenas em frente ao orfanato. É uma imagem antiga,me faz lembrar dos poucos tempos felizes.Dou um peteleco no aromatizador e observo-o balançar.

—Tempos felizes. —Sussurro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.