O Amuleto Rafma
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Notas iniciais
Primeiro dia de aula. Aquele sentimento de que irá perder toda uma diversão das férias é ativado. Rolava-se tentando se livrar de algo que estava lhe incomodando. Ele estava sendo puxado pelo braço.
- Acorda filho, senão você chegará atrasado. – Era sua mãe, tentado tirar Lucas da cama.
- Você vai perder o horário, menino. Você ainda tem que se arrumar, tomar café... – Dizia sua mãe agoniada em não ver seu filho se arrumando.
Lucas, não aguentando mais ser chacoalhado pela mãe, deu uma iniciativa e se levantava.
- Sua irmã já está pronta. Só falta você. Vamos logo! – Dizia a mãe já irritada.
Lucas andava parecendo um zumbi indo até o banheiro. Escovou os dentes, lavou o rosto, tomou seu café, vestiu seu uniforme e balançou a cabeça para perder o sono de vez.
Sua irmã estava ansiosa para reencontrar suas amigas, de perceber os novos gatinhos de sua sala, ao contrário de Lucas, que estava todo desleixado. Colocou uma bandana para não precisar ficar arrumando o cabelo.
Sandra estava irritada, atrasou demais por causa de Lucas e ainda faltavam só alguns minutos para ela chegar a seu trabalho. Enquanto Lucas e Vanessa eram levados, Lucas se jogou no lado esquerdo do banco do carro e inquietou-se. Começou a observar os locais por onde passavam. Uma coisa que o chamou muita atenção foi ter visto um mendigo. Ele estava com uma placa na mão que dizia:
“Notícias. A flecha do seu futuro soa a sua responsabilidade.”
\"Notícias? Responsabilidade? Mas, o que isso quer dizer?\" – Pensava surpreso.
Lucas coçou seus olhos e se voltou novamente para a placa do mendigo.
“Ajude uma pobre alma, por favor.”
Lucas ficou surpreso com aquilo – Não era isso que estava escrito quando eu olhei. – Dizendo com uma voz tensa.
- Não estava escrito o que? – Perguntava sua irmã desconfiada.
- É que... Nada! Não é nada, não! – Tentou mandar aquele assunto para escanteio.
- Você é estranho! – Resmungou e virou pro lado.
Lucas ficou confuso pelo que tinha visto – \"Será que é uma mensagem? Eu acho que vi coisa. Deve ser isso.\" – Concluiu fazendo um riso forçado.
- Chegamos, crianças. – Dizia Sandra aliviada por terem chegado a tempo.
Lucas após ter concluído que aquilo só foi uma loucura da sua parte, saiu do carro e pegou sua mochila arrastando pelo chão. Vanessa deu um beijo em sua mãe. Várias crianças iam rumo à escola e todas estavam agitadas, ansiosas e nervosas. Queriam saber os alunos que iriam seguir com eles até o final do ano e também os professores.
- Tchau, Lucas! Até depois! – Dizia Vanessa correndo para a entrada do colégio.
\"Obaaaaaaaaaa! Primeiro dia de aula.\" – Pensava Lucas desanimado pelo que estava acontecendo.
- Atenção, crianças! Atenção! – Alguém muito importante pedia atenção de todos que estavam ali – Eu sou o novo diretor do colégio e é com muita satisfação que eu tenho por vocês estarem aqui assumindo esse compromisso de estudo com a gente. Sem mais palavras... Viva a classe de 2008!
- Viva!!!! — Todas as crianças começaram a gritar, agitadas. Mesmo não tendo tanto tempo para se divertirem, elas estavam felizes por voltarem aos estudos.
- Então é isso? Como essa pirralhada pode ficar feliz por voltarem às aulas? São mesmo uns idiotas! – Resmungava irritado com a cena – Olha esse sol! Que dia para uma ir à praia. Mais não... eu to aqui, indo estudar com um bando de sem noção que está mó “alegrin” por que hoje tem aula.
- Calma Lucas! – Dizia Carlos, filho dos moradores da casa vizinha da sua rua – Por que esse estresse todo?
- Ahh, cara... Com tanta coisa pra se fazer, somos obrigados a ficar aqui. E somos obrigados por nossos pais, ainda por cima. – Fazia cara de nojo vendo aquela cena.
- Não sei o que há de errado em voltar pras aulas. – Tentando acalmar o vizinho – A gente aprende mais coisas. Ficamos mais espertos, maduros... Sem dizer que a gente irá precisar disso pro futuro.
\"Futuro?\" – Pensou – Ei, Carlos! Preciso te dizer algo.
- Hum... O que você aprontou dessa vez? – Perguntava com um olhar desconfiado.
- Eu não fiz nada! – Explicava – É que eu vi uma coisa hoje que eu achei meio que... estranha.
- E o que você viu? – Cruzou os braços esperando uma resposta de Lucas.
- Eu vi um mendigo que estava com uma placa na mão. – Relembrava da cena – Quando olhei a placa estava escrito: “Notícia. A flecha do seu futuro soa a sua responsabilidade”, mas quando fui olhar novamente, a placa estava escrito: “Ajude uma pobre alma, por favor,”. Eu não sei o que foi isso.
- Sinistro! – Esbugalhando os olhos – Tem certeza que isso não era um sonho?
- Não foi um sonho. – Negando a idéia do amigo – Foi real... eu acho...
- Talvez possa ter sido algo da sua cabeça. Agora vamos entrar. – Apressando o passo – Temos que achar nossas salas ainda.
Como muita gente, eles foram ver um gigante quadro que havia no corredor. No quadro dava informações sobre as salas, professores e alunos do ano.
- Não houve muita mudança na chamada. Vários alunos que estudaram com nós no ano passado são nossos colegas esse ano de novo. – Carlos avisou nada surpreso.
- E nossa sala? – Perguntou desinteressado.
- No final do corredor, sobe as escadas, primeira porta a direita. – Informava ainda olhando para o quadro.
Lucas e Carlos andaram até o final do corredor. Perceberam que o colégio estava muito mais cuidado. As paredes estavam pintadas de azul e não descascadas como no ano passado. Ventiladores foram colocados por todo o canto, sem dizer que se podiam ver várias caixas com computadores dentro que estavam sendo levados até uma sala.
- Pelo menos vamos estudar num local mais cuidado. – Resmungava.
- Ficou uma maravilha mesmo. – Olhava admirado.
Subiram as escadas e notaram que do lado da porta, onde seria a sala deles, havia uma biblioteca. Carlos olhava isso tudo, como se além de um novo começo de uma nova série, seria o começo de um colégio muito melhor para se conviver durante as atividades escolares. Antes de chegarem até a porta, uma menina, com cabelos negros amarrados, chamou a atenção dos dois.
- Ei, menino da bandana. – Chamou com uma voz confusa – Você pode me dizer onde fica a sala 61? É que eu sou nova aqui e...
Quando Lucas viu a menina, começou a sentir um negócio em seu corpo. Suas mãos e pernas começaram a suar. Ele ficou sem movimentação e também não sabia o que dizer.
- A sa-sala 61 fica... fica... err... – Não conseguia falar direito. É como se uma timidez fosse despertada ali, naquele momento.
- A sala 61 fica na primeira porta a direita. Você é nossa colega de sala. – Animado pela coincidência – Desculpa pelo meu amigo. Ele é meio estranho de vez em quando.
- Não faz mal. Valeu mesmo assim. – Agradeceu pela informação.
Lucas sentiu um alívio quando ela entrou na sala. Pois se a arrumar sua roupa bagunçada e limpou o rosto com a jaqueta. Lucas e Carlos passaram pela porta e se arrumaram nas carteiras. Todos os olhavam como se eles tivessem feito algo péssimo. Por sorte, eles conseguiram achar duas carteiras uma do lado da outra, assim daria pra eles conversarem durante as aulas. Lucas, ao se ajeitar na cadeira tentou localizar a menina que estava na primeira fileira, estando na segunda carteira. Onde ele estava sentando, dava para observá-la muito bem.
\"Até que ter voltado às aulas não foi tão ruim assim.\" – Pensava, enquanto olhava admirado para ela.
- Já que todos estão aqui, irei entregar os livros. – Falava o professor que olhava para a pilha de um monte deles.
Ao entregar os livros para todos, Lucas sentiu uma coisa que ele achava péssimo: o peso na mochila. Era muito insuportável para ele. Sem falar que ele teria que pedir dinheiro emprestado pra mãe, encapar o livro, ler as páginas para quando tiver prova. Uma tortura para ele. Mas, tentou esquecer o que era ruim e voltou a olhar a guria, até que alguém o cutucou.
- Psiu! Lucas! – Chamava Carlos.
Lucas olhou para trás – O que foi?
- Por que você bancou o idiota na frente da guria? – Perguntava pelo fato de seu vizinho ter sido patético naquela hora.
- Eu não fui idiota! – Avisou negativamente – Eu só tive um colapso. Tipo uma pane, entendeu?
- Ahã! Sei! – Debochava da explicação.
Carlos se virou pra frente e pós a escutar o professor. Lucas que estava com o astral zero, ficando mais chato que o normal, começou a passar as páginas e ver as figuras que o livro trazia. Depois de uma página, ele percebeu que as outras começaram a mostrar um único desenho.
\"O livro deve ter umas 200 páginas. Não pode ser que a maioria delas tenha um desenho de um amuleto.\" — Passava as páginas o mais rápido possível para ver se achava algo diferente.
- Sr. Rafma. Já que você está gostando tanto de ver o que o livro tem para nos ensinar, por que você não vá até a página 5 para começarmos nossos estudos? – Pediu com um tom meio irônico.
- Só que nesse livro todas as páginas têm um desenho de um amuleto. – Tentava explicar algo que nem ele mesmo sabia o que era – Acho que é erro de publicação... Sei lá.
- Rafma! Leia, por favor! – Insistiu o professor.
Lucas já não sabendo o que fazer pensou – \"Já que eu quando cocei os olhos, aquela mensagem do mendigo mudou. Talvez se eu coçar de novo...\" – E ele coçou.
Abriu seus olhos e percebeu que todas as letras estavam lá de novo. Estava sentindo que tinha alguma coisa estranha acontecendo. Depois de ler e de ter passado as três primeiras aulas, era o recreio. Lucas andava pelo pátio e chegou ao corredor, sentando em uma das cadeiras. Botou suas mãos sobre as pernas e começou a pensar:
\"Por que isso ta acontecendo comigo? Por quê? Deve haver alguma explicação. O que quer dizer aquele desenho que eu vi do amuleto? Eu acho que eu não to vendo coisas, não. Eu acho que aquilo é uma mensagem.\" – Pensou convencido.
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