Notas iniciais
Só esclarecendo, fiz essa fic mesmo para deixar os leitores confusos, mas vou dar uma explicação pequena aqui sobre o Victor amar ela e depois mata-la.
Ou ele nunca amou ela, só quis iludir, ou tem algum mistério por trás disso tudo, e eu revelarei qual das duas é verdadeira no decorrer da fic :D

- Me perdoe. – A voz de Victor era aquela mesma voz de antes, a voz pela qual eu me apaixonei, aquela voz doce e encantadora.

— Você me matou. – Respondi sentindo meu coração se partir ao meio.

— Eu não queria, eu nunca faria isso com você – Ele continuou, e uma lágrima já descia de seus olhos. – Eu te amo Annabelle, você precisa acreditar em mim, eu ainda estou lá.

— Lá aonde?

— No seu coração, eu ainda pertenço a você.

— Não. – Gritei, negando qualquer tipo de sentimento por ele.

— Deixe-me entrar Anna, deixe. – E essas foram suas ultimas palavras antes de me beijar. Eu confesso, eu estava morrendo de saudade daquele beijo, o beijo apaixonado que ele me dava, mas eu não podia corresponder, não poderia sentir nada além de ódio por ele, e talvez eu nunca mais sinta, mas é que esse beijo... Esse beijo apaixonado de alguma forma me faz sentir como se nada daquilo estivesse acontecido, como se nós ainda fossemos o casal mais perfeito de Roma.

— Aaaaah! – Acordei saltando da cama, e gritando como se o mundo estivesse desabando.

— Credo. – Uma voz conhecida disse atrás de mim, aparentemente sentada em minha cama.

— Foi horrível. – Falei com a respiração cansada, eu realmente me assustei com esse sonho, ou pesadelo. – Apenas um pesadelo.

— E que pesadelo, olha o seu estado. – Rachel disse passando a mão na minha testa. – Está suando frio.

— Estou bem. – Tentei sorrir. – Rachel?

— Sim?

— Você já se apaixonou? – Perguntei lembrando-me do sonho com Victor, e parcialmente lembrando-me do amor avassalador que eu sentia por ele.

— Não, acho que o meu cupido foge quando me vê, ele sabe que eu sou um desastre com o amor. – Ela riu, conseguindo me fazer rir junto. – Por quê? Está apaixonada?

— Não. – Respondi com toda certeza do mundo, eu não estava apaixonada, mas eu já estive muito, cheguei além da paixão.

— E o Nohan? – Ela pareceu surpresa.

— Não amo ele, não sinto nada por ele. – Respondi friamente, eu acho que sou sincera demais.

— E por que está com ele então?

— Não sei, não precisa amar alguém para estar com a pessoa.

— Não concordo. – Ela discordou com o que eu disse. – E o amor?

— O amor é uma coisa horrível, não se permita acreditar nele. – E essas foram minhas ultimas palavras antes de sair do quarto e ir para o banheiro tomar um bom banho frio, para tirar aquela sensação horrível ocasionada por esse sonho.

Com certeza a minha irmã se assustou com a minha resposta, mas foi uma resposta novamente sincera e verdadeira. Muitas procuram o príncipe encantado achando que irão viver uma história de Romeu e Julieta, mas estão erradas. Um príncipe não irá te buscar para vocês passearem no seu cavalo branco, ele não irá te amar como se você fosse a razão dele viver, não, ele não fará nada disso. O amor é uma farsa, e eu acreditei nessa farsa, acreditei e amei como se fosse necessário para a minha sobrevivência, e isso só me causou dor, talvez o amor seja isso, seja uma falsa máscara para a dor. O amor é uma força poderosa, um mal tenebroso, e essa minha resposta apenas quer dizer que eu não aconselho ninguém a amar. Poupe-se de sentir dor.

Assim que terminei de tomar banho, almocei com Rachel, um silêncio repentino tomava conta da sala de jantar, talvez ela não esteja satisfeita com minha resposta, mas como prometido, eu não seria como Stella, seria eu mesma, e essa meu bem, sou eu. Essa sou eu agora.

— Eu vou atender– Falei assim que ouvi a campainha tocar.

— Tudo bem. – Rachel apenas concordou, e continuou a comer a lasanha preparada por mim, eu já tinha terminado, há anos que eu não comia uma lasanha.

Levantei da cadeira e fui atender a porta, e era a penúltima pessoa que eu gostaria de ver, a ultima com certeza eu daria tudo para nunca mais ver. Essa eu até aturo, mas tenho que terminar com isso logo.

— Oi. – Ele disse sorrindo e se aproximando para me dar um selinho. – Como você está?

— Bem. – Sorri meio sem jeito. – E você?

— Acho que bem – Ele sorriu. – Gostaria de ir comigo a um lugar?

— Agora eu estou ocupada. – Inventei uma desculpa.

— Com o que? – Nohan pareceu notar que eu daria uma desculpa.

— Com... É... – E droga, nada veio em minha mente, então fui obrigada a concordar. – Tudo bem, vamos sim.

Talvez não seja tão ruim, pode ser a oportunidade que eu precisava para terminar com ele. Não tinha sentido eu estar com ele, não tínhamos nada a ver. Ele é o estilo mauricinho mimado pelos pais, e idolatrado por todo o colégio, tenho nojo dessa situação. Uma coisa que me encanta é a humildade, e a vida dele era longe disso.

Eu o acompanhei até seu carro, e logo ele já estava dirigindo, até o modo dele dirigir não é bom, ele não respeita um sinal, e nada que esteja a sua frente, não é o tipo de homem que eu quero ao meu lado.

Logo assim que chegamos, ele estacionou o carro em um lugar deserto, de frente para uma floresta gigantesca iluminada pela forte luz do sol. Não era assustadora, mas o que estávamos fazendo aqui?

Varias coisas vieram em minha mente, até a hipótese de ser estuprada, mas descartei essa ideia por saber que já havia feito sexo com ele. O que seria então?

— Vem comigo, mas fecha os olhos. – Ele sorriu, vindo em minha direção para tampar meus olhos com suas mãos.

— Prefiro ficar de olhos abertos. – Respondi tirando a mão dele do meu rosto.

— Você confia em mim? – Ele olhou fundo em meus olhos, eu queria falar que não, mas aquele olhar não me permitiu.

— Sim. – Respondi deixando que ele tampasse meus olhos.

As mãos dele eram quentes, mas eram cuidadosas, parecia que ele gostava mesmo de Stella, mas eu não sou Stella, não seria justo deixa-lo gostando de mim sem saber que não sou mais a namoradinha dele.

Continuamos caminhando, até pararmos, e ele falar em meu ouvido fazendo-me arrepiar:

— Abra os olhos amor. – Ele sussurrou e eu obedeci abrindo meus olhos, me deparando com uma imagem linda e reconfortante, um lugar iluminado pela luz do sol que tocava cada parte daquele cenário perfeito. Uma grama baixa que permitia caminhar tranquilamente, um lago ao fundo, e flores pra todo lugar que possamos olhar. Aquele lugar era incrivelmente lindo, era tão mágico, tão tranquilo, meus olhos não conseguiam acreditar no que estavam vendo.

— Achei que você precisava vir aqui. – Nohan disse me abraçando por trás. – Descobri esse lugar há pouco tempo em uma caminhada com meus pais, e achei que você gostaria de vir.

— É.. É muito lindo. – Disse pausadamente, emocionada com aquele lugar.

— Tive medo de você não gostar. – Ele disse apoiando sua cabeça em meu ombro.

— Por que não haveria de gostar? É perfeito.

— Você não é muito fã dessas coisas, lugares bonitos e tranquilos, mas acho que esse lugar faz bem a todos. – Ele sorriu, e eu senti sua respiração em meu ouvido, me fazendo arrepiar um pouco.

— Não era – Falei lembrando que Stella não gostava muito disso, seu ambiente era o mais agitado. – Talvez eu tenha mudado um pouco.

— E o que sente por mim, mudou? – Ele perguntou fazendo com que eu me virasse e encarasse seus olhos.

— Não mudou. – Eu não menti, Stella não senti nada por ele e nem eu, quer dizer então que não mudou mesmo. Mas me surpreende ele gostar de um lugar como esse.

— Espero que um dia mude. – Ele sorriu, e me abraçou em seguida, e eu definitivamente me surpreendi com o que ele havia acabado de dizer.

E essa resposta me faz pensar que ele de algum modo sabe que Stella não sentia nada por ele, e isso me faz imaginar que ele goste muito dela para estar com alguém que não gosta dele. Mas e o fato de Stella estar com ele? Qual é a resposta para esse mistério?

Talvez a resposta esteja quando eles se conheceram, mas eu me lembro e não teve nada demais nesse dia, e nem nada adiante dele, só alguns momentos de carinho e...

Meu Deus, eu já sei por quê.

Stella não é tão parecida comigo quanto eu pensava, ela está com ele porque ele é o garoto mais popular do colégio, ela quer ser conhecida, mas pra que ela precisa disso? Ela é tão linda.

Ou pode ser que ela seja pior, pode ser que seja que nem o seu namorado, nem um pouco humilde, gosta de ser o centro das atenções, se é linda, tem que estar com alguém lindo também. Que nojo.

— O que acha desse lugar? – Perguntei a Nohan me afastando do seu abraço.

— Acho tranquilo e lindo – Ele sorriu encantadoramente.

— Não imaginava que você gostava desse tipo de lugares.

— O que? Você sabe que gosto – Ele riu. – Achei que você não gostasse.

— Eu gosto. – Sorri para ele, dessa vez sendo sincera.

— Você está diferente sabia? – Ele disse colocando a mão em meu rosto delicadamente e acariciando. – E eu acho que estou gostando disso.

Depois disso eu apenas consegui sorrir, eu não concordo com o porque de Stella ter começado um relacionamento com ele, e não concordo mais ainda em continuar nesse relacionamento que não tem nada a ver comigo, mas eu me senti bem naquele momento, naquele lugar, pela primeira vez em 30 anos eu fiquei feliz. Fiquei feliz em estar naquele lugar, e eu devia isso a Nohan, talvez ele não seja quem eu pensei que fosse.

Fiquei sentindo o carinho de Nohan por um tempo, até ele parar e sentar na grama, me puxando para sentar ao seu lado, e eu estranhamente fui, ele acertou em cheio, esse tipo de lugar mexe comigo, não consigo mais pensar em nada, nem mesmo no erro de estar ali com ele.

— Eu sei que não gosta de mim. – Ele disse apertando meu corpo contra o seu sentado comigo na grama.

— Sabe? – Estranhei novamente o fato dele saber disso.

— Sim, você já me disse. – Ele parecia decepcionado se lembrando do acontecimento, e eu lembrei junto com ele. Stella já disse que não gostava dele, mas por que ele ainda continuou com ela?

— Eu sei. – Tentei parecer o mais normal possível. – Só não entendi porque continuou comigo.

— Porque quando gostamos de alguém, não desistimos dessa pessoa. – Ele sorriu beijando meu rosto carinhosamente.

Com toda certeza ele não era quem eu imaginava, ou talvez fosse pior, tipo um Victor na vida, alguém que ilude para depois acabar totalmente com a vida da pessoa. Mas isso não é mais possível para mim, não posso mais me apaixonar, nem amar ninguém, e isso é ótimo, só assim não terei chance para uma segunda dor.

— E se eu nunca gostar de você? – Perguntei cada vez gostando mais do jeito dele.

— Bom... você está comigo por algum motivo. – Ele sorriu, e droga, disso ele não sabe, não sabe que ela está com ele por ele ser popular e lindo. Muito lindo por sinal.

— Você sabe o motivo? – Perguntei.

— Gostaria de saber.

— É estranho eu estar com você sem gostar de você. – Falei afastando um pouco o corpo dele do meu.

— Talvez você goste, só não sabe ainda. – Ele sorriu de um jeito tão fofo, que me fez sorrir junto, e curiosamente fez com que eu voltasse a ficar com o corpo colado ao dele, e deitasse minha cabeça em seu ombro.

Eu não deveria estar ali, não era justo com ele. Apesar de ter me enganado sobre quem ele é, não era nada certo estar ali, não por mim, mas sim por ele. Eu não tenho mais a capacidade de amar outra pessoa, isso foi a primeira coisa que fiquei sabendo ao voltar a vida. Porque como Ariel me disse, não é fácil amar alguém, pode parecer que sim, mas não. Quando amamos, amamos pra valer, fazemos dessa pessoa nossa alma gêmea, e só é possível ter uma alma gêmea, e infelizmente a minha foi a pior que eu pude ter, alguém que não foi capaz de cuidar do que tinha, e eu me arrependo a cada dia por ter me apaixonado por ele, por tê-lo amado.

Me lembro de Ariel dizer que o amor é a coisa mais poderosa que existe, é a coisa mais linda do mundo, que sem ele não viveríamos. Penso que deve ter algo errado na minha história, ainda estou procurando a parte linda e o final feliz.

Notas finais
Não sei o que acharam, mas bonitinho o Nohan, pena que ela não gosta dele =( haha