E uma hora o amor chega, sem pedir licença e sem muita cerimônia. Ele chega, ocupando todo o espaço do coração, criando necessidades dentro da gente. E devagarzinho ele vai se instalando cada vez mais, até se transformar em algo mortal.

Ouço muitos falarem de amor, que o amor é um sonho, era um sonho para mim também, foi o meu mais lindo sonho, mas nunca saiu disso, nunca foi real.

Na verdade o amor é uma coisa louca. É contraditório. Te carrega pro céu, e ao inferno ao mesmo tempo. Esquenta seu corpo inteiro e te deixa gelado. Te arranca os melhores sorrisos durante o dia e te faz chorar nas madrugadas. É o paraíso e a perdição. O certo e o errado, a dor e a cura. O amor é a alegria da alma e a tristeza do coração. É dois passos pra frente e um pra trás. É saudade e reencontro. Tão doce e ao mesmo tempo tão amargo. O amor é nossa maior força, mas também nossa maior fraqueza.

Victor foi minha maior força, minha maior fraqueza, foi minha maior alegria e maior dor. Ele me levou para o seu mundo, e me fez viver, e logo depois ele me matou.

Irônica essa minha realidade, alguém que eu amei tanto, e que agora só resta ódio, e sentimentos além de vingança, juro que se pudesse eu o mataria, mas não sou um monstro como ele, não faria mal a ninguém, nem a esse ser desprezível que talvez nem possa se chamar de ser humano.

– Rachel? – Chamei por minha irmã assim que levantei da cama e pude ver a linda manhã que fazia hoje, quanto tempo que eu não via um dia tão lindo, ou melhor, quanto tempo que eu não via o dia.

– Estou na sala Anna. – Ela gritou do primeiro andar.

– Temos aula hoje? – Perguntei assim que desci as escadas e sentei ao seu lado.

– Claro, você não se arrumou ainda? – Ela me olhou de baixo para cima, analisando meu visual. – Anna, estamos atrasadas.

– Eu acordei tarde.

– Eu percebi. – Ela me mostrou um sorriso de orelha a orelha. – Não vamos hoje?

E agora está a explicação para o amor enorme que Stella sentia por sua irmã, além dela ser mais nova, Stella cuidava da irmã como se fosse mãe, e a irmã por incrível que pareça, aceitava isso muito bem.

– Vamos sim. – Continuei o assunto. – Vou subir e me arrumar.

– Aah! – E o sorriso de Rachel saiu do rosto imediatamente.

Subi para o quarto correndo, definitivamente estávamos atrasadíssimas, que irmã mais velha responsável é essa que eu sou? Logo no primeiro dia com esse novo corpo eu já faço minha irmã faltar? Não mesmo, serei como Stella, ou talvez até melhor.

De frente para o espelho fiquei analisando algumas roupas agora pertencentes a mim, roupas muito curta, não era assim na minha época, talvez eu devesse trazer um ar mais medieval para esse novo corpo, ou não.

– Estou pronta, vamos? – Falei assim que coloquei o uniforme escolar, e desci as escadas até ir ao encontro de Rachel.

– Estamos 5 minutos atrasadas, não chegaremos a tempo. – Ela respondeu me olhando com a típica cara de tédio.

– Vamos logo Rachel, ou você quer se atrasar mais?

– Por que não liga pro seu namorado e pede pra ele buscar a gente? – Ela falou e eu levei um susto gigante.

Espera um pouco, eu tenho namorado? Como não me lembrei disso?

E pior, se eu absorvo os sentimentos de Stella, se ela amar ele é sinal de que...

Não, não, não, isso é impossível, o corpo e os sentimentos são delas, mas a alma é minha, e cada alma é ligada ao coração, e o coração é capaz de amar uma única pessoa na vida.

– Oi? Você está aqui ou viajou? – Rachel me cutucou percebendo que eu estava flutuando em pensamentos. – Vai chama-lo?

– Eu o amo? – Perguntei meio que desesperada, fazendo Rachel estranhar um pouco.

– Você está estranha. – Ela me olhou curiosa. – Acho que quem deveria saber disso é você, não?

– Eu não sei. – Falei abaixando a cabeça, tentando buscar alguma lembrança desse namorado, ou algum sentimento que eu supostamente sinta por ele.

– Já parou com a esquisitice? – Ela perguntou achando uma certa graça nesse acontecimento. – Ele tem carro, vou ligar pra ele.

Então Rachel foi até a o quarto buscar seu celular, e ligou para o seu cunhado.

Essa palavra me enoja, cunhado, namorado, mais que droga, eu não quero um namorado, ainda mais por saber que não poderei ama-lo, nunca, nunca poderei amar alguém além do meu assassino, e isso me deixa com mais raiva ainda de um dia ter amado aquele monstro.

[...]

Fiquei do lado de fora de casa esperando o meu ‘’namorado chegar’’ e logo assim que chegou, vi seu rosto dentro do carro, e me lembrei, Nohan Hollister, mais bonito do colégio, mais popular, gostoso, mais inteligente, e que toda vez que passa o galinheiro do colégio vai em cima dele.

Belos pensamentos da Stella, e que agora meus pensamentos, mas desde que mundo eu iria namorar o garoto mais popular do colégio? Apesar de concordar com Stella, ele é lindo e gostoso mesmo.

Tudo bem, vou parar de babar, isso não está certo.

– Oi meu amor. – Ele disse saindo do carro para me cumprimentar com um beijo, e é claro que eu virei o rosto.

– Oi. – Falei tímida, ou talvez insegura, não sei ao certo.

– Tudo bem? – Ele perguntou percebendo o meu comportamento estranho.

– Claro. – Falei tentando sorrir. – Vamos? A gente vai se atrasar.

– Claro. – Ele encerrou sorrindo para mim, e logo abrindo a porta do carro para que eu entrasse.

Hum, pelo menos ele é cavalheiro, mas droga, isso é errado, eu nem conheço esse garoto, eu não conheço nem ele nem ninguém aqui, essa não é minha vida, isso é muito confuso para mim, preciso me acostumar.

Talvez eu devesse terminar com ele, revirei todas as memórias de Stella, todos os sentimentos e vi que ela não ama ele, não chega nem perto de amar, não fará falta alguma terminar com ele. E é isso, irei terminar com ele, em breve, só irei esperar passar uns dias, para poder colocar as coisas no lugar.

– Você está tão estranha. – Nohan me disse sentado na carteira ao lado da minha já no colégio.

– Não estou me sentindo bem, só isso. – Falei revirando os olhos.

– O que está sentindo? – Ele perguntou parecendo bem preocupado.

– Nada não, vou ficar bem. – Sorri para ele, tentando ao máximo ser simpática.

Ele então se virou para frente e voltou a prestar atenção na matéria, não sei o que é mais complicado, as questões de trigonometria, ou ter que fingir ser alguém que não sou.

Mas pensando bem, talvez eu não precise fingir, Ariel me disse que essa era a minha nova vida, não me disse que eu teria que ser como Stella, que teria de viver a vida dela, essa não é mais a vida de Stella, é a minha vida, e eu a colocarei do meu jeito.

– Aonde você vai? – Nohan perguntou assim que me viu levantar da cadeira.

– No banheiro, não pode? – Perguntei olhando-o séria.

– Claro. – Ele me olhou confuso, e logo depois coçou a cabeça, demonstrando estar estranhando o meu comportamento.

Eu não vou continuar com ele, nem sei quem é ele, não chega nem perto de ser o tipo de homem que eu gosto, e mesmo que fosse nunca entraria em um relacionamento com ele, jurei a minha mesma que Victor seria o ultimo, sei que não posso amar mais ninguém, e mesmo assim há chances de pelo menos gostar da pessoa, e talvez eu não consiga superar outra decepção.

[...]

Comecei a caminhar pelos corredores do colégio assim que sai da minha sala de aula, a vantagem de fazer o terceiro ano do ensino médio é essa, poder sair a hora que quiser sem precisar dar nenhum tipo de satisfação.

Enquanto caminho, tento me lembrar onde é o banheiro, tarefa até que fácil, me lembrei rapidamente, um colégio grande, com 3 banheiros femininos, fácil de achar. Entrei pelo primeiro que vi, fiquei de frente para um espelho enorme que tinha sobre a pia, e fiquei analisando o meu rosto, olhando bem até que faz com que eu me lembre minha antiga aparência, não totalmente, mas a beleza de Stella é semelhante a minha, tem a aparência de uma mulher forte, assim como eu, talvez esse tenha sido o propósito de eu ter entrado justamente no corpo de Stella, por ela se parecer comigo, eu ganho uma segunda chance para ser eu mesma, e que dessa vez não falhe.

Então logo após esse meu momento sozinha, taquei uma água no rosto e logo sai do banheiro, caminhei pelo corredor deserto a caminho da minha sala de aula, mas algo me atrapalhou, sinto um puxão forte em meu corpo fazendo com que eu bata fortemente na parede. A força usava para isso parecia que tinha quebrado um osso da minha costela, Stella não era muito forte, seu corpo na verdade é bem fraco, e esse puxão repentino de alguém me causou dor, mais a dor pior foi quando soube quem era.

– Saudades de mim meu amor? – Um homem alto, forte e extremamente bonito me disse ainda segurando meus braços, forçando meu corpo contra a parede.

Nohan Hollister:

http://img812.imageshack.us/img812/3860/nohan.jpg

Notas finais
Ela tem namorado, será que ela deve terminar com ele? kk
E esse homem alto, quem será? :3
Reviews *-*