Ser mãe não era uma tarefa fácil. Amanda estava lá para provar isso enquanto se arrumava, terminava de vestir o pequeno Benjamin e terminava a mochila de roupas do garoto para deixa-lo no pai.

— Mamãe por que eu vou para a casa do papai hoje? Era para eu ir só amanhã...

— Ué você não gosta do papai?

— Gosto, mas eu gosto de ficar o mesmo tanto de tempo com você e com ele.

Ben aos sete anos de idade entendia muito mais que muito adulto por aí, por exemplo, entendia muito bem que os pais não estavam juntos e que ele precisava passar uma semana com a mãe e a outra com o pai como havia sido decidido um pouco antes de ele nascer.

Fora mãe na adolescência, aos dezessete anos mas com a ajuda de Derek – pai de Ben e até hoje seu melhor amigo – conseguiu terminar a escola e uma faculdade, sendo hoje dona de uma coluna feminina em uma revista de atualidades.

Sim, tinha conseguido o equilíbrio entre ser mãe uma profissional, com tudo isso não sobrara tempo apenas para uma coisa... caras, desde que tivera Ben não tinha saído uma única vez para um encontro. Tendo apenas alguns casos de uma noite durante as festas da revista, nada que interferisse na sua relação com o filho.

Mas alguns dias antes, Marco um cara bonitinho da sessão de esportes a havia convidado para jantar, e bom, ela não disse não. Ben já era grandinho iria entender se Marco se tornasse um namorado ou algo do gênero.

— Vou te buscar um dia mais cedo okay? – Afastou os cabelos lisos do olho do filho.

— Tá bom – o garoto cedeu resignado recebendo um sorriso da mãe em troca.

— Então coloca sua mochila para a gente sair.

— A do Homem Aranha? – Os olhinhos pidões cresceram para ela.

— A do Homem Aranha – concordou.

E saiu de mãos dadas com o filho pela porta discando o número de Derek no caminho.

O celular tocou enquanto ele terminava de digitar o último parágrafo de um capítulo, ajeitando os óculos que haviam escorregado para o topo do nariz pegou o aparelho sorrindo ao ver o rosto da ruiva fazendo careta junto.

“Ames”

— Hey Mands, o B está bem?

— Derek... – ela parecia afobada do outro lado da linha – eu devia ter te ligado antes mas essa semana foi uma loucura, enfim, tenho que sair hoje posso deixar o Ben com você um dia mais cedo essa semana?

— Sem problema algum.

— Ótimo – ele ouviu um suspiro de alívio – estamos chegando.

Cinco minutos depois ouviu o carro estacionar e foi até o portão para receber os dois.

Ames desceu do carro primeiro, os cabelos ruivos delicadamente cacheados não chegavam a altura dos ombros, os olhos verdes delineados de preto e um vestido preto e branco, ela parecia afobada se equilibrando em saltos incrivelmente altos. Abriu a porta de trás do carro puxando Ben e um guarda chuva, tendo em vista que as nuvens tapavam o céu.

— Hey você está a menos de 50m de um telhado! – Gritou Derek em tom brincalhão.

— Eu passei horas arrumando meu cabelo para que ele estrague na chuva! E antes que você diga que eu me importo com isso foi realmente muito trabalho!

— Papai! – Ben soltou a mão de Amanda e correu pulando no colo de Derek.

— E aí garotão?! Faz só uma semana que eu te vi? Você está enorme!

— Vou estar ainda maior quando a mamãe me vir de novo, isso se ela quiser me ver de novo.

Ben, ao contrário da maioria das pessoas, quando sentia raiva abria ainda mais os olhos castanhos e redondos que havia puxado de Derek, de acordo com Ame era porque ambos tinham “olhinhos de cachorro perdido” que faziam as pessoas quererem amassá-los.

— Nem me olhe com esses olhinhos de cachorro perdido – Ame tirou as palavras do pensamento de Derek enquanto apertava o nariz de um magoado Ben – já disse que vou vir te buscar um dia mais cedo.

— Eu não gosto que você saia sem eu e o papai – o menino fez pirraça.

— Hey o que é isso rapaz? A mamãe pode sair sim sem a gente ela não é nossa prisioneira só porque é sua mãe.

Ben fechou a cara resignado e esperneou no colo de Derek até ele o colocar no chão e o garoto correu para dentro da casa.

— Eu realmente não sei onde ele está aprendendo a ser tão possessivo – Amanda suspirou chocada.

— De acordo com os psicólogos é coisa de garoto se tivéssemos tido uma menina pode ter certeza que ela seria assim comigo

— Sempre dando uma de sabe-tudo não é mesmo? – Brincou cruzando os braços e enrugando a testa fazendo um sinal parecido com o capacitor de fluxo de De Volta Para o Futuro surgir no meio de suas sobrancelhas, Derek sempre tinha achado aquilo adorável.

— Conhecimento geral, é preciso se ter algum quando se é escritor... ou jornalista.

— É claro vou precisar muito saber quanto aldeões finlandeses morreram de peste negra.

— Foi um documentário muito interessante você devia ter visto.

— É um documentário Derek!

E assim o assunto morreu, ambos ficaram se encarando por um tempo até finalmente Amanda se pronunciar.

— Então acho que vou indo não quero me atrasar e essa chuva não vai demorar.

— Festa da revista?

— Não – Amanda adquiriu a cor de seus cabelos – na verdade... é um encontro.

O estomago de Derek pareceu cair em queda livre.

Ele e Amanda tinham tido apenas uma noite, a noite em que Ben fora feito e já eram amigos antes disso e continuaram ainda mais depois, ele imaginava que se Ben não existisse nem falariam daquela noite outra vez.

Os dois nunca discutiram ter um relacionamento mesmo quando ela se descobriu grávida, apesar de terem apenas 16 e 17 anos tomaram as rédeas muito rápido, ficaram ainda na casa dos pais um tempo até a faculdade. Sempre com o esquema de Ben ser dividido entre os dois, com a ajuda de uma bomba de leite.

E ambos não tinham tido nenhum namoro desde o dia em que Amanda descobriu estar grávida, salvo por alguns casos de ambas as partes mas que sempre duravam apenas uma noite.

Saber que Amanda ia ter realmente um encontro, com alguém que poderia se tornar no futuro seu namorado... ou marido... o desesperava, não, ele não podia deixar isso acontecer... Mas ele devia, Amanda tinha o direito de ter uma vida, ele não podia interferir.

— Ah... okay, bom encontro então – disse meio sem graça e ela lhe concedeu um sorriso envergonhado.

Porém quando ela pôs o pé para fora da varanda a chuva começou a despejar sem dó, acompanhada de ventos, trovões e relâmpagos.

Sem pensar direito Derek puxou Amanda pelo braço fazendo o rosto dos dois ficarem perigosamente perto.

Nenhum dos dois atreveram se mexer, Derek conseguia sentir o cheiro dela tão perto dele, mais perto do que estivera nos oito últimos anos, claro se abraçavam, mas nenhum abraço havia sido tão intenso quanto esse simples toque, ele nunca havia mais parado para apreciar o cheiro dela.

Finalmente depois de longos segundos ele decidiu abrir a boca.

— Fica deixa a chuva passar.

Amanda estava paralisada, não conseguia desviar o olhar do Derek. Ela não lembrava de ter ficado próxima dele assim desde... bem... desde Ben.

Se continuassem naquela posição ela não sabia onde iam chegar então se afastou antes que fosse tarde demais.

— Eu acho melhor não, eu não quero me atrasar, além do mais eu tenho o guarda-chuva – gritou entre o barulho da água e ergueu o grande guarda-chuva amarelo – diga ao Ben que eu o amo e sexta a noite volto para pegá-lo.

Mas foi abrir o objeto e ele saiu voando, Amanda o observou se afastar frustrada.

— Eu sabia que isso ia acontecer, além de ser perigoso usar guarda-chuva com tanto relâmpago, vem vamos para dentro.

Entraram na casa e Derek fechou a porta atrás dele, a casa estava consideravelmente mais quente que o lado de fora mas mesmo assim Amanda ainda sentia arrepios de frio.

— Se quiser ir checar o B. eu levo uma blusa para você no quarto dele.

— Derek não precisa eu não estou com frio.

— Você está tremendo Ames.

O apelido saiu da boca dele de modo natural, mas fazia muito tempo que ele não o usava.

Derek costumava chama-la apenas assim quando eram mais novos e ela adorava isso, o resto de sua família e amigos sempre a chamaram pelos clássicos “Mand” e “Mands” mas não Derek, não para o seu melhor amigo, para ele ela era “Ames”.

Ou era... até aquela noite, naquela noite ele repetiu seu apelido muitas vezes ela ainda conseguia ouvir a voz dela sussurrando em seu ouvido sofregamente:

“Ames... Ames... Ames...”

Mas depois daquele dia ele simplesmente parou de usá-lo como se fosse uma lembrança muito vivida daquele momento em especial.

— Mand?

A volta do apelido antigo a tirou de seus devaneios.

— Oi? Tudo bem, eu vou ver se ele está bem e esperar a chuva passar.

Antes de ir para o quarto do filho porém Amanda puxou o celular e mandou uma mensagem rápida para Marco:

“A chuva me pegou, estou presa na casa do Derek vou me atrasar um pouco.”

Ela adorava o fato de a casa de Derek ser tão parecida com a dela, os brinquedos de Ben estavam espalhados por todos os lugares e na porta do quarto do menino – assim como na casa dela também – tinha um grande pôster do super-herói favorito dele, o Homem Aranha.

— Hey querido, mamãe vai ficar aqui até a chuva passar.

Mas Ben não respondeu, estava encolhidinho na ponta da cama, lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto.

— Meu amor está tudo bem?

Ela sentou-se na cama acariciando o rosto do filho.

— T-trovões.

— Achei que tinha deixado de ter medo de trovões a um tempo.

— Não mamãe eu só disse aquilo pra você e pro papai não rirem de mim, eu já sou grande não devia ter medo.

— Mas meu amor mamãe e papai nunca iriam rir de você, vem cá, eu vou espantar esses trovões feios.

Amanda tirou os sapatos e se deitou na cama puxando Ben para seu colo, tampando os ouvidos do menino com força.

— Shhh a mamãe está aqui.

Nisso Derek apareceu na porta do quarto trazendo uma blusa e olhou inquisitivo para Ben que embora mais calmo continuava chorando.

— Trovão – Disse Amanda sem emitir nenhum som.

— Hey rapaz, medo do trovão de novo? — Derek entregou a blusa para Amanda e sentou-se na cama também puxando os pés de Ben – que tal para espantar esse medo o papai fizer uma lasanha bem gostosa para a gente hein?

— A mamãe vai ficar para comer também?

— Amor a mamãe tem um compromisso...

— Por favor – o menino a olhou com os olhinhos de cachorrinho cheios de lágrimas.

— Sim eu vou ficar.

Ben abriu um enorme sorriso.

— Eba! – Amanda não resistiu e plantou um beijo na ponta do nariz do filho.

— Então para isso temos que fazer umas coisas antes, já tomou banho na casa da mamãe?

Ben confirmou fervorosamente com a cabeça.

— Então troca de roupa e faz a tarefa da escola enquanto eu faço a lasanha.

— A mamãe pode ficar aqui para espantar os trovões?

— Fico, mas antes a mamãe tem que fazer uma coisa, vai trocando de roupa que eu já volto.

Amanda e Derek plantaram um beijo na cabeça do filho e saíram juntos do quarto.

— Você tem que ligar para o...

— Para o Marco, sim, eu tenho que explicar o porquê eu não vou.

— Ele é seu... seu...

— Meu namorado? Não, não ele é só um cara do trabalho... que me...me chamou... enfim... eu te-tenho que ligar.

— Não tem nenhum problema se ele fosse seu namorado, o Ben já está grande, ele iria entender.

— Eu sei, quem não entenderia sou eu.

Apesar da falta de sentido na frase Derek apenas saiu a deixando sozinha com o celular.

O telefone não tocou apenas uma vez antes de haver resposta.

— Marco – cumprimentou.

— Mand, eita, e essa chuva hein? Mas se bem que está passando... você já está a caminho?

— Não, Marco me desculpa mas meu filho ficou muito assustado com os trovões e precisa da mãe dele.

— Você não está vindo porque seu filho ficou com medo?

— Pois é, crianças...

— Tudo bem, tudo bem – Marco parecia sem paciência – você está no seu apartamento? Eu poso ir para aí e te ajudar com o menino...

— Marco, não, nem se eu estivesse em casa não acho uma boa ideia você conhecer o Ben, nem somos alguma coisa para que você o conheça.

— Se você estivesse em casa, você não está em casa?

Amanda estava começando a se irritar, quem aquele cara pensava que era para bombardeá-la com perguntas?

— Não, eu te falei por mensagem, eu estou na casa do pai do Ben.

— Então quer dizer que você não vai vir porque você na casa de outro cara?! O pai do seu filho com quem você teve alguma coisa no passado?! Eu devia saber que passaria por esse tipo de coisa saindo com uma mãe solteira.

Amanda sentiu as lágrimas de raiva atingirem seus olhos, mas engoliu tudo e começou a falar.

— Para começar não fale mãe solteira, o certo é mãe solo e nem isso eu sou! Crio o Ben com tarefas igualmente divididas entre eu e o pai dele! Desde o momento em que aceitei sair com você eu te avisei que meu filho é minha prioridade! Eu achei que você era um cara legal! Grande erro meu!

Desligou o telefone antes de ouvir qualquer resposta e se encostou na parede, respirando fundo, torcendo para que Ben não tivesse escutado e tentando se acalmar, ela não podia aparecer no quarto dele desse jeito.

— Ames – e lá estava o apelido de novo – está tudo bem?

— Tudo, só descobri que o Marco é um babaca mas nada fora do normal.

— O que ele te disse?

— Me chamou de mãe solteira, disse que nem devia ter me chamado para sair, nem foi tão horrível me irritei mais pela babaquice e pelo machismo.

— Você é tão mãe solteira quanto eu sou pai solteiro.

— Eu sei, eu disse isso antes de desligar.

E novamente o silêncio se estabeleceu entre eles, deixando a mente de Amanda voar, ela se lembrava do dia em que decidiram ser “pais solteiros”, o dia em que ela descobriu que Ben era uma sementinha dentro dela.

Ela estava tão desesperada, não fazia ideia de como criaria um filho, mas lá estava Derek. A apoiando em cada passo da gravidez, a ajudando a comprar roupinhas, a escolher um nome, ela tivera sorte.

— No que tanto pensa Ames?

— Não me chama assim.

— Por que?

— Você não me chama assim desde aquela noite.

A verdade atingiu Derek. Ele realmente não chamava Amanda assim desde que fizeram Ben, foi algo que sua mente parecia ter suprido. Ele ainda a chamava assim em seus pensamentos, diabos, o número dela em seu celular estava salvo como “Ames”, ele só não pronunciava mais.

— Eu não tinha percebido...

— Eu percebi.

Quando o hálito de Amanda atingiu seu rosto ele percebeu o quão próximos estavam, ela estava prensada contra a parede e ele curvado contra ela. Ele podia olhar diretamente para rosto dela como a muito tempo não podia, podia contar o número de sardas que pintavam seu nariz, se perder nos grandes olhos verdes...

— Ames – sussurrou se aproximando ainda mais e fechando os olhos.

— Mamãe você demorou! Agora já terminei a lição! – Ben apareceu na porta usando seu pijama dos Vingadores obrigando Amanda e Derek a se separarem.

— Pois terminou rápido demais! Depois vou ter que dar uma olhada.

— Era só pra fazer um desenho – Ben deu de ombros.

— Mas vou dar uma olhada mesmo assim porque eu sou dessas – Amanda agarrou o filho distribuindo beijos no filho.

— Para mamãe você está me sufocando! .

— Você é meu filho eu posso te sufocar.

— Quem vai me ajudar a montar a lasanha?

— Eu ajudo papai!

— Eita acho que vai ter mais lasanha no Ben do que na travessa – brincou Amanda.

— Não mamãe o Ben é um chefe treinado.

— Sou mesmo mamãe.

Porém no final Amanda estava certa ao momento em que colocaram a lasanha no forno Ben estava com molho branco até no nariz.

— Até que foi melhor do que eu pensei – disse Amanda enquanto tirava o excesso de molho do rosto do filho.

— Vai demorar meia horinha ainda pra ficar pronto, você toma outro banho enquanto isso.

— Mas papai eu já tomei banho hoje.

— Você está todo sujo de molho, para o banho Benjamin.

Ao ouvir o nome inteiro Derek viu a cor deixar lentamente o rosto do filho que correu para o banheiro, ser um pai que dá apelidos legais as vezes tinha suas vantagens.

— Eu realmente não sei o que aconteceu hoje, ele sempre me ajudou sem se sujar.

— Ele estava tentando me impressionar, conheço esse menino.

O silêncio se instalou de novo, Derek observou Amanda guardar os ingredientes que foram usados. Ela tinha tirado os saltos, então dançava pela cozinha descalça. ´Por cima do vestido chique ela usava uma blusa dele. Combinava tão bem com a sua casa, mais do que ele mesmo.

Ele realmente tivera sido um idiota deixando ela escapar. Devia ter dito para ela no dia seguinte ao que fizeram Ben. Deviam ter começado a namorar ali, mas não, ele preferiu fingir que não aconteceu. E mesmo depois que descobrira que ela estava grávida ele nunca havia tentado nada.

— Para.

— Parar com o que?

— As vezes você esquece que eu te conheço e sei te ler muito bem. Você está pensando Derek. Em porque nunca ficamos juntos e está se culpando. Mas não é sua culpa, foi o certo a se fazer. Éramos muito novos! Se a gente tivesse ficado junto naquela época seriámos infelizes hoje em dia e o Ben também! Fizemos o que foi melhor, para a gente e para ele.

— Naquela época, mas isso foi a oito anos Ames, você não acha que agora...

Derek chegou mais perto dela, que se apoiou na pia os dois estavam perigosamente perto, já tinha fechado os olhos, depois de tanto tempo ele ia finalmente...

— MAMÃE PAPAI ESTOU COM FOME!

E mais uma vez os dois foram obrigados a se separar por causa de Ben.

— A comida já está pronta garotão.

Derek se afastou para tirar a lasanha do forno, sentaram-se todos a mesa para comer e foi então que ele percebeu, era a primeira vez que sentavam assim, claro já haviam ido a restaurantes juntos e a outros lugares, mas sentado na mesa de casa, só os três, como uma família? Nunca.

— Vocês estão estranhos – Observou Ben enquanto Amanda colocava comida no prato para ele.

Esse garoto, sempre tão observador...

— O que você quer dizer com isso B?

— Meus amigos da escola sempre falaram que papai e mamães se abraçam sem se encostar, mas vocês nunca tinham feito isso, hoje vocês fizeram, é estranho.

— Benjamin! – Ralhou Amanda – onde você está aprendendo esse tipo de coisa?

— Ué mamãe, na escola.

Derek e Amanda trocaram um olhar chocado enquanto Ben continuava comendo despreocupadamente.

— O que (bocejo) a gente vai fazer agora? – O menino perguntou após raspar o segundo prato de lasanha.

— Eu vou lavar a louça, seu pai vai te pôr na cama.

— Ames não, é minha casa, deixa que eu cuido da louça.

— Você já fez a lasanha, não é justo cuidar da louça também.

— Eu não quero dormir! Não estou com sono!

— Querido, você está quase dormindo sentado.

— Então vamos lá garotão, escovar os dentes e ir para a cama.

Ben fez uma careta resignada mas logo relaxou a expressão e Derek sabia a palavra que viria a seguir.

— Colo.

E Derek atendeu ao pedido, pegando o menino, Ben era pequeno para sua idade mas seu pai sabia que ele ia crescer logo então aproveitava enquanto ainda podia carrega-lo.

Depois de um tempo, e com os dentes limpos, Derek ajeitou o menino nas cobertas e lhe deu um beijo na testa.

— Papai você namora a mamãe?

— Ué Ben, por que todas essas perguntas hoje?

— É que eu achava que vocês não namorassem, mas hoje parecia que namoravam.

— Filho, esse é assunto de adulto, você não precisa se preocupar com isso agora okay? Boa noite B. papai te ama.

Ben era muito perceptivo. Pensou Derek ao fechar a porta do quarto. Se bem que ele tinha pego Derek e Amanda quase se beijando duas vezes, e seu filho não era idiota.

— Ele dormiu?

— Dormiu, esse menino estava impossível hoje.

— O que ele falou dessa vez?

— Perguntou se nós namorávamos.

Amanda ficou branca e abaixou a cabeça.

— E o que você respondeu?

— Que isso é assunto de adulto e que ele não devia se meter.

— Fez o certo.

Amanda se virou de costas para Derek e ele conseguia sentir a tensão emanando dela, decidiu se aproximar.

Um passo. De cada. Vez.

— Derek por favor. Nós vamos acabar nos machucando, vamos machucar o Ben, ele não merece isso.

Amanda sentiu Derek perigosamente próximo dela, suas mãos suavam e seu corpo tremia, ambos ansiando por um toque, que foi sentido quando ele a puxou pelo braço os fazendo ficar cara a cara.

— Ele merece ter os pais juntos, nós merecemos, você ter vindo aqui hoje e esse cara ser um babaca tudo foi o destino, porque ele sabe o que você merece, você merece todo amor do mundo. Eu te amo.

E sem pensar mais, jogando toda e qualquer responsabilidade para o lado, Amanda agarrou o pescoço de Derek e o beijou.

A boca dele tinha o mesmo gosto de oito anos atrás que a recebeu de braços abertos, meu Deus, ela não tinha percebido o quanto sentira falta daquilo até ter de novo.

— Ames – ele sussurrou contra a boca dela enquanto a erguia no colo.

— Por favor.

E os dois foram trôpegos em direção ao quarto de Derek, revivendo aquela noite de oito anos atrás.

Amanda acordou sentindo um algo quente embaixo de si e lentamente foi se recordando de passo a passo da noite anterior. Ela, Derek. Ela e Derek.

— Bom dia – Sentiu dedos mexerem em seu cabelo e olhou para cima para encontra face tranquila e sorridente de Derek, ela se imaginou com a mesma expressão.

— Bom dia.

— Você é linda sabia?

— Mesmo com essa cara amanhecida?

— Principalmente com essa cara amanhecida.

Amanda se apoiou em seu peito deixando um beijo leve em sua boca.

— Acho que temos mais um tempo antes do Ben acordar.

— Hhun, nós temos.

Derek a abraçou e caiu por cima dela no colchão enquanto se beijavam, os lábios dele desceram por seu pescoço e ela não pode conter sussurrar o nome dele sofregamente...

— Eeeeeecaaaaaaa!!!

Os dois se separaram rapidamente para encontrar Ben os encarando da porta do quarto com cara de nojo.

— Eu não quero mais que vocês namorem não! É nojento!

— Benjamin! – Ralhou Derek – vai escovar os dentes!

— Já escovei.

— Então vai fazer alguma outra coisa que eu e sua mãe já estamos indo.

Ben saiu do quarto resmungando algo sobre não gostar dos pais namorarem enquanto Amanda gargalhava.

— E você ainda ri? Podemos ter traumatizado nosso filho pra sempre!

— Não seja tão dramático ele logo vai esquecer.

— Espero, levanta, eu vou fazer nosso café – Derek se levantou lhe dando um selinho.

— Eu queria ficar mais na cama!

— Eu também mas nosso menino tem outros planos.

— Infelizmente – Amanda se levantou sofregamente segurando o lençol perto do pescoço.

— Hey Ames.

— Oi.

— Eu te amo.

— Eu também te amo.

E foi ali que ela percebeu sorrindo para Derek que ele estava certo. Ben merecia ter os pais juntos. Ela merecia estar com alguém como Derek. Aquele era o amor que mereciam.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!