Notas iniciais
Aqui está mais um projeto. Espero que gostem!
Boa leitura

Maria caminhava cabisbaixa pelas ruas da cidade. Olhou de relance para o céu. Estava nublado. Tão carregado como seu coração. Sentia-se solitária, mesmo em meio a uma multidão. Aquele dia se sentia mais sozinha do que em todos os outros. Tentou reprimir as lágrimas que se esforçavam em rolar por seu formoso rosto.

Fechou sua jaqueta para proteger-se do vento frio que lhe acariciava a pele como um amante habilidoso. Não era desse tipo de companhia que precisava. Abraçou o corpo como se o gesto pudesse trazer-lhe algum conforto. Não trouxe. Abraçar a si mesma fez apenas que tomasse consciência da extensão de sua solidão. Apressou o passo, andou mais alguns metros e chegou até a praça, seu lugar favorito. Poderia permanecer ali por horas a fio e não se cansaria. Sempre que precisava pensar dirigia-se para lá. Sentou-se em um banco e para sua tristeza, observou que os transeuntes naquele dia eram casais. Não que ela tivesse algo contra. Não era isso. O grande problema era ela mesma. Os seus sentimentos. Não estava preparada para presenciar casais demonstrando todo o afeto que sentiam pelo parceiro. Aquilo era injusto! Toda sua vida era.

— Que sorte a minha! – Maria murmurou para si com mais tristeza.

Alguns dos casais andavam de mãos dadas, outros se beijavam, outros apenas conversavam enquanto afagavam a pele do companheiro. Sentia-se incomodada com aquelas cenas, pois era um retrato de tudo o que não tinha.

A ida para a praça não poderia ter sido pior escolha.

— Droga! – praguejou alto.

Aquela visão contradizia o que vinha sentindo. Naquele momento – como muitas vezes antes – sentia-se como se fosse invisível. Ninguém parecia notar-lhe. Ela via, desapontada e com um pouco de inveja, suas amigas de infância casarem-se e constituir família, inclusive seus irmãos que eram bem mais novos que ela. Aquilo não era justo! Somente ela permanecia sozinha! Mais injustiça.

Temia nunca encontrar alguém, afinal, ela não se enquadrava nos padrões de beleza atuais: não era alta, também não era magra, era apenas uma jovem sem graça que servia apenas para ser amiga dos rapazes. Pelo menos era o que ela achava.

Sonhava com o dia em subiria ao altar, e ali estaria alguém que a amaria como ela era e estaria esperando ansioso por ela para desposá-la. Também diria que a amava que ela era única.

Lembrou-se com um sorriso triste da letra de uma música antiga da banda RPM. Como combinava com ela naquele momento de profunda tristeza! Sempre se fazia as mesmas perguntas que apareciam na canção.

Onde estaria seu amor? Ela sempre se perguntava. Quem seria com quem se pareceria? Como seria seu rosto? Ela inspirou e soltou o ar lentamente. Devia estar por aí, em um lugar tão escondido que ela não entrava, ou será que nem se conheciam ainda? Onde estaria seu amor? Era a pergunta que se fazia toda noite quando ia deitar-se. Seja onde for irá chegar! Será? Onde estaria o seu amor? Alguém poderia responder? O que será que ele fazia da vida? Com certeza saberá amar e outras coisas que Deus duvida. Onde estaria seu amor? Onde? Devia estar em algum lugar desconhecido.

Levantou-se do banco onde estivera sentada. A solidão ainda a atormentava, no entanto precisava retornar para seu lar. Já sem forças para resistir, sucumbiu ao choro. Sentiu a água salgada banhar seu rosto. Uma a uma as lágrimas desciam como se apostassem corrida para ver quem chegaria primeiro ao chão. Corrida inútil!

Naquela disputa não havia vencedor. Somente ela sofria. Um sofrimento mudo, torturante. Voltou a passos lentos para casa, abriu a porta, dirigiu-se para seu quarto, deitou-se em sua cama e deixou vazar toda a dor e receio que trazia no peito. Ao inferno se no outro dia acordasse com os olhos inchados e o nariz vermelho!

Amanhã seria outro dia! Quem sabe o que traria o novo amanhecer? Esperança.

Notas finais
E então? O que acharam? Alguém se identificou? Aguardando os comentários lindos de vocês!

Vejo vocês na próxima one!
Beijinhos da Bia!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.