Alguns dias depois do flagrante, Takayuki estava muito mais atento aos seus pais e eles perceberam isso. Se antes eram cuidadosos com o que falavam na frente do pequeno, imagine depois do que protagonizaram. Isso nunca havia acontecido, até mesmo por ser impossível Takashi não perceber alguém se aproximando, mas a tentação a que Rin lhe submeteu aquele dia o fez desejá-la tão intensamente que o arrebatou do resto do mundo. A morena continuava visitando a casa do filho e passando longos períodos de tempo com ele.

Em um final de tarde muito quente, Takayuki e Rin foram fazer biscoitos. Ela aprendeu com Kagome quando ainda morava na Aldeia de Inuyasha e quis compartilhar essa experiência com seu filho. Eles fizeram uma pequena bagunça na cozinha e perderam a noção do tempo, acabaram atrapalhando um pouco os empregados que preparavam o jantar. Mas nada que os atrasasse.

Takashi chegou e foi informado de que seu filho estaria com sua mãe na cozinha e decidiu ir ver o que eles aprontavam. A cena era linda: Rin tinha um pano sobre seu kimono assim como Takayuki. Ambos estavam de cabelo preso, o rosto e as roupas de Takayuki cobertas por farinha e ele se divertia muito. O youkai nem percebeu que acabou parando na porta e observando os dois, com um meio sorriso bobo no rosto. Eles riam até que um empregado entrou no local e cumprimentou o youkai. Assim, Takayuki e Rin se deram conta da presença do general e o cumprimentaram também.

– Konnichiwa Chichiue.

– Konnichiwa Takashi.

– Konnichiwa.

– Deseja se juntar a nós? — Ofereceu Rin.

– Não, obrigado. Só vim ver o que faziam aqui.

– Chichiue a haha sabe fazer biscoitos. O senhor quer um?

– Hai. — O pequeno escolheu o melhor biscoito que viu e o levou para o pai. Ainda estava um pouco quente e ele os levou com as duas mãozinhas, como se fosse algo valioso que exigisse muito cuidado. O pai agradeceu e comeu. Fez uma cara muito sério para o olhar atento do hanyo que esperava saber a opinião de seu genitor. Até que este o olhou. — Está muito saboroso meu filho.

– Arigato chichiue. — O menino abriu um largo sorriso. — O senhor quer mais?

– Depois do jantar.

– Hai. — O hanyo voltou para perto da mãe.

– Rin.

– Hai. — A morena respondeu, tirando a atenção do que estava fazendo.

– Por que Takayuki está fazendo isso agora? Ele deve se alimentar adequadamente.

– Eu sei, mas nós perdemos a noção do tempo. Garanto que ele não comeu muito e vai se alimentar. Não é meu filho?!

– Hai, Haha.

– Está bem. — O youkai se retirou e foi se banhar, ficou lá por um bom tempo relembrando a cena que vira quando chegara. Até que depois de muitos minutos debaixo da água fria ele foi se vestir e iria descer para o jantar, quando notou que o cheiro de Rin estava muito fraco. Foi para o quarto de Takayuki, que se banhava com a ajuda de Hiroko.

– Onde está sua mãe?

– Ela disse que ia até a floresta.

– Logo irá escurecer, vou procurá-la.

Ele seguiu o rastro de Rin e saberia muito bem onde ela havia ido. Quando morava ali, sempre fazia a caminhada por aquele mesmo trajeto. Foi muito rápida a sua locação e ele decidiu manter-se furtivo por entre as árvores quando a achou.

Perto do riacho, Rin estava as margens e olhava a água. O calor era intenso aquela tarde e ela decidiu refrescar-se. Colocou as mãos em seu cabelo e desfez o coque que o prendia no alto. As longas madeixas lisas, negras e brilhantes deslizavam suavemente umas pelas outras até estarem todas esticadas. Calmamente ela abriu o kimono e o depositou sobre uma pedra. Colocou a ponta dos pés na água e entrou entregando-se ao frescor que esta a proporcionara.

Takashi apenas a observava. A mãe dedicada e atenciosa que ele vira minutos antes na cozinha de sua casa, deu lugar a uma mulher atraente e linda, escondida em um recanto que encantava juntamente com sua beleza e sensualidade. Rin nadou por alguns instantes e como uma criança divertia-se na água. Takashi observava tudo da onde estava. Vê-la nua ali, sem ninguém por perto causava nele uma vontade incontrolável de amá-la.

O youkai se lembrou de que deveria chamá-la para o jantar enquanto Rin imergia nas aguas cristalinas. Quando emergiu deparou-se com Takashi sobre uma pedra, tendo um dos joelhos encostado sobre ela e apoiando seu braço sobre a outra perna.

– Me assustou. — Ela disse.

– Não deveria sair a esta hora, já está escurecendo.

– Não há perigo.

– Sempre há perigo. Até que você saia da água e vista sua roupa, um youkai já a matou. — Foi aí que Rin se deu conta de que estava nua e que a água era cristalina.

– Takashi, desde quando chegou aqui?!

– Desde antes de entrar na água. — Ela teve certeza de que ele a vira nua.

– Estava vendo eu me despir?

– Eu apenas vi. — Ela sorriu.

– Takayuki já terminou seu banho?

– Acredito que não. Ele gosta muito desse momento. — Ela nadou até Takashi e segurou sua mão que estava apoiada no chão.

– Porque não entra? Esta muito quente aí fora.

– Já me banhei.

– Então apenas me faça companhia.

– Já estou fazendo. — Ela o puxou vagarosamente para dentro da água.

– Só um pouquinho, Takashi.

– Iie. Takayuki está nos aguardando, aprece-se.

– Hai. — Rin nadou em direção a margem do rio e quando podia tocar o chão sem que a água passasse sobre sua cabeça começou andar. Devagar, ela ia sensualmente buscar por sua roupa, enquanto Takashi a olhava apenas por trás.

A muito tempo ele não tocava o corpo de Rin, mas se lembrava de como era lindo. Enquanto ela saia da água ele a desejou ardentemente, mas continuou como estava. Sabia que se cedesse aos seus instintos ela não hesitaria em tentá-lo novamente e ele acabaria caindo em sua rede. Quando saiu do riacho, caminhava graciosamente até sua roupa, mas antes de colocá-la ela juntou seus cabelos em um só lado e o torceu para que a água escorresse. Fez questão de tardar em se vestir para que Takashi aproveitasse aquele momento. Ela sabia muito bem que os lindos olhos daquele youkai estavam sobre ela e por isso era meticulosa em cada um de seus movimentos.

Vendo que a humana estava completamente molhada e que colocando sua roupa esta também ficaria, ele tirou seu haori para que ela se secasse.

– Tome. — Ele disse atrás da moça e ela assustou-se com a voz do youkai bem próxima de sí. Se virou para fitá-lo.

– Para quê?

– Você está completamente molhada. — Ela diminuiu a distância entre eles e pegou o haori. Ainda de frente para Takashi secou-se. Vestiu seu kimono e voltaram para a mansão.

Mesmo estando nua e completamente entregue Takashi não expressou qualquer sinal de reação a sua provocação. Pelo contrário, mostrou-se mais seco e mais sério do que era antes, Rin não gostava nada daquilo. Se antes vestida, ela foi capaz de fazê-lo esquecer que alguém se aproximava porque agora quando estavam a sós ele iria rejeitá-la? A situação estava começando a incomodar-lhe e ela decidiu ter outro tipo de atitude.

Notas finais
Ai, o que será que ela vai fazer?!