O Amor, Você e Eu.
11 Verdades ocultas.
Notas iniciais
Dias se passaram após a festa onde ocorreu a conversa entre Takashi e Rin. Ele continuava a desempenhar seu trabalho perfeitamente, ela estava mergulhada em uma profunda tristeza. Não se alimentava direito, às vezes passava o dia inteiro na cama, chorava as escondidas, mas nunca na frente de Sesshoumaru. Perto dele ela era alegre, porque felicidade ela não sentia há muito tempo.
Sesshoumaru não era tolo, sabia muito bem o que estava acontecendo, mas preferia não dizer nada, afinal eles não tinham um compromisso. Apenas estavam cortejando-se de uma forma bem avançada.
E assim Rin foi vivendo. Estava com Sesshoumaru, mas pensado incansavelmente em Takashi. Até que em uma noite ela decidiu por fim aquilo. Era madrugada e Rin havia tomado a decisão de não sofrer mais por um youkai que sequer lhe dirigia a palavra. Ela levantou-se e desceu as escadas, iria até a biblioteca, queria distrair a mente. Foi quando ouviu um ruído sair do quarto de Sesshoumaru.
Decidiu abrir a porta e viu uma youkai de pé coberta apenas com a parte de baixo. Rin não acreditou no que estava acontecendo, a youkai que sabia muito bem que Rin estava se aproximando não se importou, terminou de vestir-se e virou para ela. Seu espanto foi imediato.
– Tsuki?! – A youkai apenas lhe deu um sorriso debochado. – O que faz aqui?
– Não vai me dizer que é tão inocente a ponto de não saber o que uma youkai fêmea e um youkai macho fazem durante a noite? – Rin não acreditava no que estava ouvindo, foi então que se lembrou do porque de Tsuki não lhe parecer tão estranha. Ela já tinha a visto no primeiro dia em que esteve no Shiro. Foi ela a quem Rin havia visto andando pelo pátio. Então ela teve consciência do que acontecia ali. Começou a chorar.
– Não chore menina, Sesshoumaru de certa forma gosta de você. – Ela continuou chorando. Sesshoumaru saiu da sala de banho; o rosto inexpressivo. Ela o olhou enojada.
Como ele teve a coragem de beijar seus lábios e depois deitar-se com aquela youkai? Como teve a coragem de esconder por todo esse tempo que mantinha um relacionamento com outra? Ela entendeu muitas coisas. Entendeu também o motivo de por várias vezes, Jaken olhá-la com pena, entendeu porque algumas vezes um ou outro empregado fazia algum comentário depois que ela passava ao lado de Sesshoumaru. Tudo agora estava claro. Sentia-se traída. Mas no meio do choro ela abriu um sorriso, Tsuki não entendeu, mas Sesshoumaru sim. Ela voltou a chorar e saiu do quarto. Correu até a sala e sentou-se no ultimo degrau da escada.
– Menina Rin, então você descobriu. — Disse Jaken com a voz baixa.
– Por que não me contou Jaken-sama? POR QUÊ? — Ela o olhou chorando.
– Menina eu não posso interferir nos assuntos de meu senhor. — Jaken tentou se explicar. Não queria vê-la sofrer.
– E no meu bem-estar, o senhor pode interferir? O senhor sabe o quanto eu me senti feliz por estar ao lado de Sesshoumaru-sama? Sabe Jaken-sama?
– Rin, Sesshoumaru-sama é um youkai livre. Ele nunca teria um relacionamento mais profundo com você.
– Mas e com a Tsuki, ele teria? – Jaken ficou em silêncio. Era tudo o que precisava saber. Ela se levantou e foi em direção á porta. Saiu sem nem olhar pra trás.
–RIIIIN, AONDE VOCÊ VAI? RIIIIIIIN. — Jaken correu até a porta para tentar alcançá-la, mas foi impedido.
– Jaken, deixe-a ir. – Falou Sesshoumaru.
Rin correu toda a saída do castelo, correu durante todo o caminho. Enquanto corria sentia as lágrimas quentes correrem por seu rosto e molharem seu kimono. Só havia um lugar onde poderia ir agora e depois de tanto correr, chegou a seu destino. Um servo foi avisar a seu senhor que a jovem estava a sua porta. Este no mesmo instante foi atendê-la e só deu tempo de se olharem nos olhos, depois disso Rin desmaiou.
Era um dia nublado nas Terras do Oeste. Rin acordou olhando para um teto diferente. Desejou que a noite passada não tivesse passado de um pesadelo, mas esta foi muito real. Ela decidiu sentar-se na cama, olhou em volta e não viu ninguém. Olhou-se no espelho. Ela estava horrível. Seus olhos estavam inchados, seu cabelo completamente desgrenhado e sua roupa então nem se comentava. Ela olhou o quarto em volta e decidiu banhar-se, por sorte já havia água preparada para seu banho e um kimono novo em uma cadeira. Takashi a conhecia muito bem. Ela banhou-se e trocou de roupa. Não estava preparada para sair do quarto ainda, quando alguém bateu a porta.
– Entre.
– Konnichiwa Rin. — Aproximou-se o General.
– Konnichiwa Takashi-sama. — Ela o respondeu ainda triste.
– Achei que precisaria de algo, então decidi vir vê-la.
Rin não queria outra coisa além da verdade.
– Desde quando o senhor sabia? — Foi direta.
– Desde sempre. — Ele foi direto também.
Ela soube que poderia perguntar o que quisesse. Ele jamais lhe esconderia a verdade.
– E por que não me contou?
– Porque eu não devo me envolver nos assuntos de meu senhor.
– Eles estão juntos desde antes da minha chegada?
– Hai.
– E pretendiam unir-se em breve?
– Hai. O casamento já estava marcado, mas a guerra no Sudoeste atrapalhou os planos de meu senhor.
– Mas por que ele se envolveu comigo? — Ela não conseguia entender.
– Não sei responder, mas ele em breve se casaria.
– E depois ela se livraria de mim, porque eu era a antiga amante de Sesshoumaru. – Takashi nada respondeu. – Sabe, enquanto eu chorava ontem descobri apenas uma coisa me fez feliz.
– E o que foi?
– Saber que você nunca mentiu pra mim. – Ele nada respondeu novamente. Ficaram em silêncio por algum tempo. Ela quebrou o momento. – Porque o senhor me disse que eu era futura-esposa dele?
– Porque Jaken disse isso a Tsuki. Ao que parece seria mais um plano dele para se mostrar eficiente para seu senhor. Então assim que pôde Tsuki foi falar com Sesshoumaru durante a festa e resolveram sobre o casamento. – Os olhos de Rin encheram-se de lágrimas.
– Por que ele me usaria dessa forma? Ele deve realmente amar Tsuki.
– Sim, incrivelmente Sesshoumaru ama Tsuki, mas ele não se envolveu com a senhorita somente para que ela tomasse uma atitude e adiantasse o casamento. Envolveu-se porque a senhorita o conquistou de alguma forma.
– Não o conquistei Takashi-sama, nunca tive o amor de Sesshoumaru para mim. Ele só me quis por eu estar ocupada demais com o senhor. – Takashi concordou com a cabeça e secou as lágrimas de Rin.
– Senhorita, chore todas as lágrimas que puder. – E foi então que Rin desabou. Ela chorava compulsivamente. Takashi desejava abraçá-la, mas não podia, ele não queria mais proximidade com Rin. Mas já estava tão envolvido...
Decidiu sentar-se ao lado da garota e segurou-lhe sua mão. Ela chorava tanto que as lágrimas as alcançavam. Então ele a abraçou. O abraço de Takashi era quente, aconchegante e confortante. Rin chorava e chorava. Takashi a abraçava mais forte e mexia em seus cabelos.
Depois de muito chorar, Rin se acalmou. Enquanto ela não queria dizer nada, seu estômago roncou bem alto. Ambos no quarto se olharem e sorriram do acontecimento.
– Gostaria de descer para se alimentar? — Como sempre, ele estava preocupado com seu bem estar.
– O senhor comerá também?
– Hai.
– Então eu desço. Mas será que seus empregados não estranharão o fato de eu estar aqui?
– Não.
– Então quando quiser podemos descer.
Eles desceram e foram para sala de jantar. Rin não entendia o porquê de estar tão escuro do lado de fora.
– Takashi-sama, por quanto tempo eu dormi?
– Por dois dias. – A menina ficou boquiaberta.
– Por isso acordei naquele estado lamentável. E é noite ou madrugada?
– Noite, ao que parece há senhorita pouco se alimentava e não dormia bem. Depois do baque daquela noite e de ter vindo do shiro até aqui correndo não teve forças pra se recuperar bem.
– Por isso eu estou com tanta fome. — Ela constatou envergonhada.
– Não se sinta envergonhada, pode comer o quanto quiser.
Rin sentou-se a mesa com Takashi durante o jantar. Todas sem exceção, a olhavam com muita atenção e com certo brilho nos olhos. Ela não entendia.
Depois de comerem, Takashi levou Rin a uma sala menor, que ficava próximo ao jardim de sua casa. Ela então se sentiu a vontade para perguntar.
– Takashi-sama, porque todos me olhavam daquela maneira? Como se esperassem alguma coisa de mim?
– Eles têm esperanças de que eu a tome por minha esposa.
– E porque eles querem isso?
– Eles acham que eu vivo muito sozinho nesta casa e foco minha vida em minhas obrigações. Eles temem por minha felicidade e meu bem estar. – Rin ficou encantada com aquelas palavras. Nunca Sesshoumaru em toda a sua vida, permitiria tal proximidade da parte dos empregados. Era por isso que Takashi por muitas vezes, balançava o coração das mulheres, muito mais do que Sesshoumaru. Mesmo sério ele era alguém por trás daquela armadura.
– E porque eles acreditam que eu seria sua esposa?
– Porque a senhorita foi à única que eu trouxe em minha casa. –Rin abriu um grande sorriso daqueles que Takashi amava ver.
– Sinto-me honrada por isso.
Eles continuaram conversando durante muito tempo, até que depois cada um foi para seus aposentos. O dia seguinte seria um dia de desafios, Rin sabia disso. Ter de ficar durante todo o dia na casa do general sozinha não seria fácil.
Fale com o autor