Notas iniciais
Ah, peço desculpa a todos os meus leitores pela demora do capítulo anterior. Para compensar, fiz um grande. Espero que gostem. Boa Leitura.

Rin já havia se recuperado e logo poderia voltar para sua casa. Mas que casa? A casa de Sesshoumaru. Ela se sentiria melhor lá e preferiu assim. O médico havia dito que ela poderia recuperar a memória, mas havia a possibilidade desta nunca mais retornar. Rin não se lembrava de nada após o dia em que Sesshoumaru propôs que ela fosse morar com ele no Shiro. Logo, ela não se lembrava de Takashi, Tsuki e muito menos Takayuki. Eles decidiram esperar que ela estivesse melhor para ver o filho, ela tinha medo, mas desejava vê-lo.

Takashi estava em sua casa, olhando pela janela. O sol já tocava o chão das terras do Oeste e algumas estrelas poderiam ser vistas. Ele a pedido dela, não foi levá-la para casa. Ela se sentia desconfortável em sua presença, pois achava que tinha a obrigação de saber quem ele é, mas não lembrava. Longe dele, com alguém que ela já conhecia, sentia-se melhor.

Takashi por fora era o mesmo youkai serio de sempre, mas por dentro estava arrasado. A unica pessoa que ele amou com toda a sua vida agora não se lembrava e sequer desejava sua presença. Havia decidido que não desistiria dela, mas esse seria um longo e cansativo caminho a ser percorrido.

Rin chegou no shiro e como na primeira vez, ficou boquiaberta com a beleza do lugar. Conheceu Shizuko novamente, conheceu todo o lugar novamente, conheceu todos os empregados novamente. Foi um dia cansativo para ela. Precisava dormir, precisava descansar. No dia seguinte veria seu filho. Estava nervosa com aquele encontro, temia magoar a criança e magoar a si mesma.

Rin somente se convenceu de que era mãe quando o leite que havia em seu peito começou a jorrar durante sua recuperação. Ela queria vê-lo, imaginava-o de todas as formas possíveis, mergulhou tanto em sua imaginação que acabou dormindo.

Sesshoumaru entrou no quarto de Rin durante a noite. Observava-a dormindo e se perguntava se esse era um truque do destino para desta vez ele tê-la para si. Não podia negar que estava contente por ela estar ali, bem próxima dele agora. Jaken, apareceu atrás de seu senhor e ficou esperando que ele o olhasse.

– O que quer Jaken.

– Sesshoumaru-sama ela não pode viver aqui, é mulher de Takashi.

– Jaken, Rin estará onde quiser. — Ele fechou a porta do quarto da jovem e saiu. Decidiu deitar-se e esperar pelos raios de sol do próximo dia.

Takashi treinava arduamente os soldados, que esperavam ansiosamente pelo intervalo, até que este chegou. Como de costume ele foi para o jardim que dava de frente para o quarto de Rin, esperando que ela estivesse lá, porém, ela não estava.

– Takashi-sama. — Uma linda jovem youkai fez revêrencia ao general e este dirigiu seu olhar para ela.

Rin já havia despertado e decidiu olhar pela janela para ver o dia que acabara de nascer. Foi quando viu seu suposto marido, conversando com uma linda youkai. Ela o olhava como se visse o mais lindo de todos os seres e ele mostrava apenas sua seriedade.

– Ele é muito desejado Rin-sama. — Rin se assutou.

– Me assustou Shizuko. — Voltou seu olhar para a cena que se passava abaixo. — Muito quanto?

– Muito a ponto de algumas youkais e agora humanas, acharem que tem chance com ele. Já que a senhora mesmo casada preferiu voltar para o lado de Sesshoumaru-sama. — Rin se espantou.

– Mas eu...

– Sim, Rin-sama, nós sabemos. Mas um youkai como Takashi-sama fica só por opção. A concorrência é muito grande.

– Acha que ele poderia estar com outra mulher?

– Não, Takashi-sama é um youkai de honra. Mas porque será que ele não trouxe Takayuki, que por sinal é lindo e muito fofo.

– Também queria saber, você não pode ouvir a conversa?

– Sim. — A youkai concentrou-se e ficou espantada com o que acabara de ouvir. A youkai praticamente jogava-se aos pés de Takashi quando dava-lhe uma notícia ruim.

– O que aconteceu Shizuko?

– Takayuki... Parece que hoje é seu dia humano e ele está com muita febre. — Rin sentiu uma dor no coração que não entendeu.

Shizuko acabou de dizer isso e ele entrou no shiro. Rin ficou sentindo a dor em seu coração e tomou uma decisão. Após o almoço foi informada que Takashi não trabalharia mais aquele dia, que havia saído logo após seu despertar. Ela mandou chamar Shizuko.

– Sim Rin-sama.

– Me leve até a casa do general Takashi, quero visitar Takayuki. — A empregada sorriu.

– Claro Rin-sama.

Takashi estava no quarto com seu filho nos braços. Ele estava muito quente e não queria alimentar-se direito. Chorava as vezes. Foi quando ele sentiu um cheiro muito conhecido e abriu um largo sorriso. Sim, era o cheiro de Rin. Ele sequer se movimentou, continuou no quarto com seu filho esperando por sua amada.

Rin adentrou o quarto e viu Takashi com uma linda criança no colo. Ele sentiu sua presença e decidiu cumprimentá-la.

– Olá Rin, perdoe-me por não ter te recepcionado como deveria, como pode ver, meu filho não está bem. — Ele se virou para admirá-la e encontrou uma Rin completamente enternecida. Seus olhos estavam fixos em Takayuki e este ao ouvir seu pai falar, prestou atenção, até que viu sua mãe. No mesmo instante estendeu-lhe os bracinhos.

– Haha ... Haha ... — O menino pedia por seu colo. Ela ficou sem reação. Takashi imediatamente entendeu.

– Takayuki acho que não é uma boa hora. — Falava o pai do menino que não o ouvia.

– Haha... Haha... — O menino insistia.

– Tudo bem, eu fico com ele. — Hiroko e Shizuko que também estavam no quarto abriram um largo sorriso. Takashi continuou serio.

Ele se aproximou dela e inclinou Takayuki para que ela o pegasse. Este estava ansioso pelo colo da mãe. Ela o pegou e o abraçou. Olhou para Takashi que continuava muito sério.

– Ele está ardendo em febre. Tem se alimentado bem? — Takashi exultou com a preocupação, mas não demonstrou.

– Ultimamente não senhora, eu já havia informado a Takashi-sama e acredito que isto esteja acontecendo porque a parte humana dele sente muito a sua falta.- Informou Hiroko.

– Porque não experimenta amamentá-lo? — Disse Shizuko.

– Será que funcionaria? — Ela disse vacilante.

– É uma ótima idéia. Como a senhora esteve ausente, ele não se alimentou muito de leite materno, pois não gostava de outro que não fosse o seu. — Hiroko sorria ao lembrar das inúmeras tentativas de fazer Takayuki mamar em outras humanas e todas elas serem rejeitadas. Rin estava hesitante e olhou para Takashi.

– Vou me retirar, acredito que minha presença não será conveniente. — Ele saiu deixando as mulheres no quarto.

Rin se sentou e abriu seu kimono. No mesmo instante Takayuki abocanhou-o e tinha suas mãozinhas no seio da mãe. Rin sentia-se estranha porque seu filho sentia a sua falta e ela sequer lembrava-se dele e feliz por ter ajudado.

Ela passou o resto do dia na casa de Takashi onde ele também estava presente mais fazia o máximo para não intimidá-la. Rin havia avisado que iria ali todos os dias para ajudar a cuidar do pequeno hanyo. Mesmo sendo ele já grandinho, a amamentação era muito importante.

E assim o fez. Todos os dias passava ao lado de Takayuki e na hora do jantar voltava para casa. Ele sempre chorava quando ela ia embora e ela sempre ficava de coração partido por isso. Enquanto estava se preparando para dormir, se encontrava muito pensativa.

– Aconteceu algo Rin-sama? — Perguntou Shizuko.

– Takashi, ele realmente me ama?

– Sim Rin-sama e muito, mas porque isto agora?

– Eu sinto como se ele quisesse manter distância de mim.

– Não senhora, ele só não quer forçá-la a nada, por ser um perfeito cavalheiro.

– Sim, tomara que seja isso.

– A senhora por acaso está incomodada?

– Não, só acho que se somos pais de Takayuki deveríamos ter um contato maior. — Shizuko sorriu. — Não quero dizer desse jeito. Eu sinto como se existisse algo entre nós que eu não sei o que é.

– E existe, é o amor que vocês tem um pelo outro.

– Mas porque ele age dessa forma?

– Rin-sama, tudo é novo para a senhora. O mundo que estás descobrindo ele conhece de cor e satiado. Nunca ele a forçaria a nada, pelo contrário. O que ele está fazendo é o mesmo que todos nós aqui. Estamos te dando todo o tempo do mundo para se acostumar e logo tudo se ajeita.

– É, pode ser isso. Bom vou parar de pensar e vou dormir. Não vejo a hora de encontrar Takayuki novamente.

– Oyasuminasai Rin-sama.

– Oyasuminasai Shizuko-chan.

Naquela noite Rin foi dormir refletindo no que Shizuko havia lhe dito. Poderia ser verdade sim, mas o que ele faria depois? E se ela nunca recuperasse a memória? Ela pensava e muito sobre aquilo.

Ao amanhecer Rin teve uma grande surpresa. Sesshoumaru estava em seu quarto esperando-a acordar. Ficou um pouco sem jeito, não estava em trajes adequados para recebê-lo, ele decidiu dirigir a palavra a ela.

– Rin, como passou a noite?

– Bem Sesshoumaru-sama. Deseja alguma coisa?

– Fique no shiro por hoje.

– Por quê Sesshoumaru-sama?

– Gostaria que passasse o dia ao meu lado.

Rin não entendeu, mas obedeceria aquela ordem. Banhou-se, tomou seu desjejum e sentiu uma enorme vontade de olhar para a janela. Foi quando avistou Takashi novamente conversando com a youkai que avistara no outro dia. Ela tinha uma pele branca e cabelos ruivos. Seus olhos eram verdes. Rin resolveu descer, para falar com Takashi pessoalmente.

– Ohayo general.

– Ohayo Rin.

– Gostaria de avisar que não poderei ir à sua casa hoje.

– Hai. — E foi só isso. Ele não continuou a conversa e muito menos demonstrou que faria alguma pergunta.

"General, parece que minha presença é indeferente ao seus olhos." — Rin pensou.

Ela se virou e voltou para casa. Milhões de coisas passavam por sua cabeça e uma delas era que existia algo entre ele e a youkai de cabelo laranja. Takashi sabia muito bem que ela não iria ao shiro aquele dia. Sesshoumaru havia lhe avisado, ele não gostara nada da idéia.

Sesshoumaru passou todo o dia com Rin. Levou-a a vários lugares, comprou-lhe vários presentes. Deu-lhe um dia de princesa. Ela sentia-se bem ao seu lado, mas algo lhe faltava e ela não sabia o que era. Jaken, sempre a espreita, olhava-a como se quisesse lhe dizer alguma coisa. Ela queria saber de tudo, ela queria saber tudo o que estava nas entrelinhas. Mas eles agiam com muita calma. Afinal youkais são assim, agem sempre racionalmente. Humanos é que deixam suas emoções falarem mais alto e sempre acabam magoando-se ou magoando a outros.

Mesmo estando ali, o coração de Rin estava em outro lugar. Ela desejava ver Takayuki. Pediu a Sesshoumaru para que a deixasse ir na casa do general. O senhor das Terras do Oeste tinha um compromisso. Quando ela chegou na casa do general, ele não a recebeu. Estava anoitecendo, então ele provavelmente acabara de chegar. Ela foi levada diretamente ao quarto de Takayuki, onde o menino brincava. Quando a viu engatinhou em sua direção e ela o pegou no colo. Rin amava Takayuki. Mesmo que não se lembrasse dele, era seu filho e ela o amava como tal.

– Meu amor, senti sua falta. Como foi seu dia longe de sua mãe?

– Triste, assim como todos os dias em que você esteve longe. — O lindo general foi quem respondeu.

Rin assustou-se um pouco e virou-se para contempla-lo. Que visão ela teve! Takashi estava encostado na entrada da porta do quarto de seu filho. Tinha acabado de sair de um banho, percebia-se isso, pois seus cabelos estavam molhados e gotas de aguas escorriam por seu peito nu definido. Ela demorou a tirar os olhos do corpo extremamente convidativo de Takashi e quando seus olhos se cruzaram, ela entendeu que no shiro ele era apenas o general e ali a sua frente, estava Takashi o pai de seu filho.

– Fico feliz por saber que ele me ama.

– Não falava somente dele. — Rin corou. Ele se aproximou.

– General eu...

– Rin, me permita fazer parte da sua vida. — Um arrepio percorreu toda a extensão de seu corpo.

– Eu permito... — Ele segurou seu queixo. Aproximou seus lábios dos de Rin.

– Garanto que não irá se arrepender. — E a soltou, permitindo que ela respirasse.

Ele a convidou para o jantar e esta aceitou. Ao contrário do que Rin imaginou, foi um jantar muito tranquilo e eles conversaram bastante. Até que ela decidiu perguntar-lhe algo.

– General, nós tivemos uma festa de casamento?

– Iie.

– Eu simplesmente saí do shiro e vim morar aqui como sua esposa?

– Iie. — Ela pensou um pouco.

– Sabe, eu sinto como se todos naquele shiro me escondessem alguma coisa. Menos Jaken-sama ele me olha como se eu estivesse errada apenas por estar ali.

– Jaken somente quer o seu melhor.

– Você também quer?

– Hai.

– Então me diga a verdade. Por que Sesshoumaru-sama me levou a passeio hoje? Ficou o dia todo ao meu lado me tratando como se eu fosse uma hime?

– Você é uma hime e merece ser tratada como tal.

– Takashi-sama, porque todos me olham de uma maneira estranha?

– Porque você é minha mulher e está vivendo com outro. — As palavras dele a feriram um pouco. Sentiu-se envergonhada.

– Gomene. Eu juro que queria me lembrar, mas não consigo.

– Não tem de se esforçar tanto.

– Você disse que queria o meu bem, então conte-me: Porque eu fui atacada?

– Porque ela queria tomar o seu lugar e atingir Sesshoumaru.

– Meu lugar?

– Sim como minha mulher, mãe do meu filho e prioridade na vida do meu senhor.

– E por quem eu fui atacada?

– Por Tsuki, a antiga mulher de Sesshoumaru.

Notas finais
Ele contou, mas como será que ela reagirá a essa notícia?! Isso só no próximo capítulo. Beijo e até a próxima.