O Amor, Você e Eu.
35 Caminhos separados.
Notas iniciais
– Quanto tempo pretende demorar?
– Tempo o suficiente para estar belíssima.
– Você já é belíssima, não precisa de tudo isso.
– Preciso sim, quero ser um orgulho para você.
– Já sabe que ela estará lá.
– Hai.
– Entendo.
Takashi estava encostado na cama com as duas mãos atrás da cabeça enquanto Emi se arrumava para sair. A linda youkai de cabelo laranja queria estar o mais apresentável possível, pois aquele seria um jantar para todos os generais de Sesshoumaru e estes levariam suas companheiras.
Há muito Takashi não a via e preferia assim. Só se falavam e mesmo assim por Emi que cuidava do menino quando Rin não estava. Dois anos se passaram após aquele dia e eles estavam separados. Sim, suas vidas agora era separadas. No ínico ela ainda o procurou e ele aceitou. Quando Takashi se referia a nunca mais tê-lo falava do seu amor, mas seu corpo ela poderia saborear e isso era doloroso demais para ela.
– Takashi... Takashi... Eu não aguento mais... — Ela ia terminar quando ele a interrompeu.
– Eu te amo Rin. — Ditas estas palavras ele a beijou e entre o beijo dizia que amava — Rin... Aishiteru... Rin... Rin...
– Rin... Rin-sama. — Rin acordou e deu de cara com Shizuko.
– Ah, acho que dormi demais.
– Não, a senhora apenas cochilou.
– Já está na hora de irmos?
– Sim senhora, Sesshoumaru-sama mandou chamá-la.
– Estou descendo, vou arrumar a maquiagem deve ter borrado.
– Sim senhora, com sua licença. — Shizuko se retirou do quarto.
Mais uma vez Rin sonhou com Takashi, mais uma vez ela o teve mesmo que fosse em seu sonho. Não gostava, agora Takashi era casado, ela queria apenas distância. Distância dele, de sua esposa e de seu sentimento. Toda vez que sonhava com ele ou que se pegava pensando nele, lembrava-se do que os separou de fato. O dia em que ela teve certeza que nunca mais seria a senhora Nishimura Takashi.
– Takashi-sama, me deixe mostrar que eu posso lhe fazer feliz. — Ele a olhou e sorriu.
– Você tem total liberdade para isso. — Takashi segurou seu rosto e olhou para aqueles olhos verdes que ele tanto admirava. Baixou os olhos e beijou-a. Um beijo molhado e intenso como o que ele dava quando eles faziam amor. Rin colocou as mãos nos lábios e uma lágrima teimosa caiu de seus olhos ela saiu correndo daquele lugar que antes era o lugar de onde eles se amavam.
Quando ela se virou Takashi abriu os olhos e olhou-a correr. Sabia de sua presença ali e mesmo assim permitiu que ela presenciasse tudo aquilo. Fechou os olhos evoltou a beijar Emi, colocou a mão entre seu cabelo e dedicou-se a tirar o fôlego de sua ruiva.
– Takashi, Takashi. Já está na hora meu amor. Acabei. — Takashi abriu os olhos e admirou sua mulher. Ela estava linda, seu cabelo estava encaracolado e sua maquiagem realçou ainda mais seus olhos verdes. A parte de cima estava presa e a outra metade repleta de cachos grandes. Os cabelos de Emi alcançavam seus seios quando enrolados, mas naturais baitam em sua cintura. Ela estava com um kimono preto com flores rosas, onde seu obi era amarelo. Takashi estava com um kimono azul, tendo um enorme dragão bordado atrás, a ouro.
– Vamos. — Ele se levantou da cama espantando seus devaneios e foi pegar Takayuki. Agora ele tinha quatro anos, sim quatro anos. O período em que Rin ainda morou com Sesshoumaru antes de dizer não a Takashi foi de aproximadamente 14 meses.
– Emiiii, Emiiii. — O menino chamava a madrasta, sim ele gostava dela e queria que ela visse o que ele estava vendo.
– O que foi meu amor? — Perguntou a mulher abaixando-se do seu lado e olhando as mãozinhas do menino. Ele as abriu. – AHHHHHHHH.
– Emi, você é uma youkai, não deveria temer um simples inseto como este. Takayuki jogue-a fora. — Takashi o repreendeu.
– Gomene Emi. Já passou. — O menino jogou a barata fora e seus olhos pousaram preocupados na youkai ruiva a sua frente.
– Vá lavar as mãos Takayuki, nós já estamos indo. — A youkai pediu já recuperada.
– Hai.
Sim, eles eram uma família. Takayuki conhecia Emi como uma mãe também, não como sua mãe Rin, mas como uma mãe. Ela era boa para ele, gostava de brincar e correr. Esse foi um dos motivos de Takashi tê-la escolhido como esposa, seu filho a amava. Porém não era o principal. Emi, com todo o seu jeito doce de ser o havia conquistado e provado que poderia fazer dele um youkai feliz e até onde pôde ela fez. O que não estava em suas mãos fazer era curar um coração que amou inteiramente e se decepcionou.
Eles saíram de casa, Emi estava um pouco nervosa enquanto Takashi estava calmo. O jantar não seria no shiro e sim na casa de outro general, então seria mais confortável para todos. Quando chegaram, Takayuki foi de mãos dadas com a madrasta. Imediatamente Rin os avistou e não gostava da forma como seu filho olhava para aquela mulher. Sim era um ciúme irracional, mas ela não gostava. Até que ela viu Takayuki cair e Emi instantanemente ajoerlhar-se e limpar sua roupa. Na mesma hora ela saiu da onde estava e foi na direção do filho.
– Meu filho, tenha cuidado. Olhe para onde você anda.
– Hai Haha... Emi. — Rin parou onde estava naquele momento. Seu filho chamou outra mulher de mãe naturalmente. Ela ficou tão chocada com aquilo que nem viu que os três começaram a cumprimentar os outros da festa e os elogios a Emi não pararavam. Rin voltou para o lado de Sesshoumaru e apenas observou os três. Começou a pensar direito e percebeu que ela não podia ir até lá e enfrentar os olhos de Takashi, queria distância. Ficaram por muito tempo longe dela e nem se lembraram de que ela era a mãe de Takayuki, até que seu filho a avistou.
– Emi. Eu quero ir com a Haha.
– Sim meu amor, você já a achou no meio de todos esses youkais?!
– Hai. — O menino acenou com a cabeça e apontou para onde estava sua mãe.
– Takashi, eu levarei Takayuki onde está sua mãe. — Takashi apenas concordou com a cabeça. Takayuki puxava o braço de Emi com força para que ela andasse mais rápido. Até que eles chegaram onde Rin estava. A linda youkai ruiva reverênciou a Sesshoumaru e o cumprimentou.
– Konbanwa Rin-sama.
– Konbanwa Emi.
– Haha! — O menino tirou sua atenção e ela se abaixou e pegou-o no colo.
– Como você vai meu amor?
– Bem, Haha.
– Eu estava com saudade.
– Eu também Haha. — Eles se abraçaram.
– Com sua licença, vou me retirar. Takayuki não se esqueça do que nós combinamos.
– Hai Emi.
– Até logo meu amor. — E lindamente, ela se reitou dali.
Rin estava extremamente enciumada, mas não deixou transparecer. Ela queria seguir Emi com os olhos, mas sabia que eles a levariam a Takashi. Já não bastava seu filho que era igual a ele. Outra coisa intrigava a Rin, o que Emi teria combinado com seu filho? Queria saber.
Takayuki continuou com Rin todo o tempo, mas queria falar com seu pai sobre passar todo o dia com Rin. Até que ele foi atrás de Takashi e levou Rin junto. Ela não queria, mas teria que ir afinal seu filho não havia contado o porque de ter que falar com os dois tão rapidamente. Takayuki foi por um caminho pouco mais escuro do que os outros que ficavam de frente ao lago que havia no jardim da casa do anfitrião. Ela nada entendeu até que viu Emi próxima a uma sombra que era de uma árvore que possuia um banco abaixo.
Takashi queria sair um pouco do meio daquelas pessoas, foi para o lado de fora onde o ambiente era mais calmo e algumas pessoas conversavam. Queria ficar á sós com Emi, então deciriam sentar-se num banco que ficava abaixo de uma árvore. Esta ficava de frente ao lago. Takashi sentou-se e puxou sua esposa para que se sentasse em seu colo. Ele a abraçou pela cintura e tinha seu rosto afundado no pescoço da ruiva. Beijava-o e ela gostava daquilo.
– Takashi, sabe onde isso pode nos levar...
– Sim e é para lá que eu quero ir. — Ele colocou a mão por dentro do kimono da esposa e acariciava-lhe o seio. Ela fechou os olhos e dedicou-se a sentir as carícias de seu marido, até que sentiu um cheiro familiar se aproximando.
– Takayuki está por perto. Espere. Ele está vindo para cá.
– Ele seguiu nosso cheiro. Vejo resultado dos treinamentos. Levante-se e fale com ele. Ajeite a sua roupa. — Emi se levantou, arrumou-se e parou onde a sombra terminava. Takayuki veio correndo e parou bem próximo a ela.
– Emi, eu queria passar o dia com haha amanhã.
– Meu amor, esqueceu-se do seu treinamento?! Seu sensei vai ficar bravo. — Rin não acreditou no que estava ouvindo. Seu filho estava pedindo permissão a outra mulher para passar o dia com ela, sua mãe?
– Takayuki, você não precisa pedir nada a ela. Eu sou sua mãe e eu permito que você vá a minha casa.
– Mas haha é que a Emi me disse que eu tinha que descansar para o treino de amanhã.
– Você treina todos os dias meu filho, um único dia não irá te fazer nenhuma mal.
– Mas ele está tendo muita dificuldade nos ultimos treinos Rin-sama é melhor ele ficar em casa.
– E quem foi que te disse que você pode permitir ou não que o meu filho fique comigo?
– Eu. — A voz vinha da sombra e quando ela olhou para a direção viu Takashi sair e parar do lado de Emi, mostrando que a defenderia.
– Takashi, ele é o meu filho. Quem deveria dar ordens a ele sou eu.
– E você pode afinal é a mãe, mas é Emi quem está com ele em seus treinamentos e é ela quem passa a maior parte do tempo com ele. Algumas vezes ela vai saber o que é melhor. E peço que tome cuidado com o tom que você usa para com ela. Mesmo não sendo mãe ela se dedica a Takayuki como se fosse uma. — Rin sentiu um nó em sua garganta, ela tinha perdido Takashi, mas Takayuki ela não perderia.
– Tudo bem. Takashi, por favor, peço que me espere amanhã após o suas tarefas no shiro. Acredito que precisamos conversar.
– Não há nada que eu esconda de Emi.
– Mas eu não me sinto a vontade em sua presença. — A youkai ficou totalmente sem graça e abaixou a cabeça.
– Emiiii, está tudo bem?! — Perguntou Takayuki preocupado.
– Hai meu amor.
– De verdade? — Ela se abaixou e fez cócegas nele.
– Viu como eu estou bem. — O hanyo se divertia com ela enquanto Takashi olhava atentamente a expressão de Rin.
– Emi, eu quero ir para a casa da haha. Quero ficar com ela.
– Então vá meu amor, mas você treinará de manhã. — Rin se indignou e pegou Takayuki no colo.
– Você não vai dar ordens ao meu filho. — Ela se virou e saiu com o hanyo no colo.
Takashi estava certo em agir daquela maneira sobre Emi, afinal de contas era ela quem cuidava de sua alimentação, de seus horários, de seus estudos. Mesmo sendo Rin uma mãe extremamente participativa na vida do filho, ele morava na casa da youkai ruiva e a proximidade deles era muito maior.
Após o jantar ter terminado e todos forem para suas casas, Rin estava muito mal. Ela não queria ter de enfrentar Takashi mais uma vez poque ainda sentia em seu coração uma ferida enorme causada pelo amor que sentia por ele. Mesmo negando-se a acreditar e fingindo não gostar ela o amava e os olhos de Takashi eram completamente diferente dos olhos que ela via a dois anos atrás. Enquanto estava deitada em sua cama, ela pensava sobre eles e seu filho. Imaginou em sua mente a relação entre eles e viu que não poderiam mais ficar juntos.
– Nosso amor é impossível, Takashi. — Ela falou arrasada pela realidade que a estapeava violentamente, mas nem em um milhão de anos Rin imaginaria que seu encontro também balançou o coração do youkai.
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