O Amor Permanece!
4 Você nem liga!
Notas iniciais
POV FRANCESCA
–Te peguei no flagra... –Corri para o armário.
Terminei de me trocar, coloquei um sapato e peguei a chave do carro.
–Diego, vou sair! –Gritei saindo do quarto.
–Onde vai? –Ele perguntou saindo do banheiro.
–Pegar a Julia, o Marco largou ela sozinha e ela está chorando. –Falei voltando para o quarto.
–E como vai entrar?
–Tenho a chave. –Falei.
–Mas se não levar a chave não entra. –Ele jogou a chave.
–Obrigada. –Peguei a chave ainda no ar.
Saí correndo de casa. Peguei o carro e dirigi o mais rápido possível para a casa do Marco. Eu tive sorte, está tarde então quase não tem carro na rua.
Quando cheguei estacionei o carro no primeiro lugar livre que vi. Saí do carro, apertei o botão da chave para tranca-lo e corri até a porta, procurei as chaves em meu bolso e quando encontrei-as destranquei a porta da casa.
Entrei e fechei a porta atrás de mim trancando-a em seguida. A Julia não estava na sala.
–Julia...-Falei baixo. –Filha...
Ela não respondeu.
Comecei a procura-la, claro que primeiro em seu quarto, o lugar mais óbvio daquela casa. Subi a escada e fui para o quarto dela. Procurei de baixo da cama, no armário, atrás das coisas, mas nada.
Fui ao quarto do Marco, mas não à vi lá. Continuei a procurar e estava cada vez mais preocupada, o Marco poderia chegar a qualquer minuto e eu estava lá.
–Julia... –Ela não respondeu. –Pensa Francesca. –Roí as unhas. –Pensa... O jardim!
Corri até o jardim e procurei-a atrás das árvores, nos brinquedos, mas novamente nenhum sinal dela. Péssima mania da minha filha, desde os 6 meses de idade ela se esconde, e ela é ótima nisso.
Voltei para dentro da casa e pensei mais um pouco.
–Pensa Francesca, onde sua filha se esconderia? –Continuei falando comigo mesma. –Não está nos quartos, nem no jardim, nem nos banheiros muito menos na cozinha, onde ela pode estar... –Comecei a olhar em volta. –O porão...
Encontrei a porta para o porão, abri-a e desci as escadas. O porão do Marco é sombrio, cheio de poeira, teias de aranha, tralhas, tudo...
Ouvi um choro fraco vindo de um canto do porão, segui-o mas cheguei em uma parede. Tinha uma estante de madeira velha ao lado. Empurrei-a com dificuldade para o lado, demorou por ser pesada, mas valeu a pena, vi a Julia lá dentro chorando.
–Julia! –Peguei-a daquele buraco.
–Mamãe! –Ela me abraçou.
–Eu falei que vinha. –Beijei sua bochecha. –Como você entrou aí?
–O amario tá quebrado. –Ela mostrou um furo no armário.
–Ah... –Pensei no que sofri para a arrastar enquanto ela apenas se abaixou e entrou. –Vamos para a casa.
Peguei-a no colo e levantei.
Estava prestes a subir a escada quando ouço o Marco chegando.
–Ai não, ele chegou. –Engoli seco.
–Não dexa ele me pega... –Ela me abraçou.
–Vamos ficar quietinhas. –Falei. –Fale bem baixinho.
Ela assentiu.
–Volte para lá. –Deixei-a no chão. –Fique escondida. –Falei.
–Quelu fica cum você. –Ela subiu no meu colo de novo.
Olhei em volta e vi um guarda roupa velho. Andei até ele, o abri com cuidado. Entrei nele com a Julia ainda no meu colo.
–Tô cum medo. –Ela encostou a cabeça em meu peito chorando.
–Está tudo bem, fica calma. –Sussurrei passando a mão em seu cabelo. –Vamos ter que esperar...
POV VIOLETTA
–Leon para de ser chato! –Reclamei.
–Não sou, só estou obedecendo ordens, você não pode levantar daí! –Ele falou colocando o Pedro na ponta da cama.
–Chato! –Cruzei os braços. –Eu vou ficar sentada quietinha. –Implorei.
–Não!
–Qual o problema de eu querer ver meu filho?
–O problema é que você não pode se levantar daí até estar melhor, e você não está, então...
–Urrr! –Rosnei cruzando os braços.
–Você está vendo o Pedro. –O Leon falou segurando o Pedro em pé na cama.
–É, mas não posso pegar meu bebê. –Continuei de braços cruzados.
–Você não pode! –Ele continuou.
–Ma... –O Pedro esticou os braços para mim.
–Viu, até ele quer que eu o pegue.
–Vilu, para de ser teimosa, nem as crianças são assim.
–Não é você que não pode pega-lo!
Ele bufou e me olhou, pegou Pedro novamente em seus braços e trouxe ele até mim.
Ele colocou o Pedro ao meu lado. O Pedro se arrastou até em cima de mim e deitou a cabeça em meu peito. Passei a mão em seu cabelinho e sorri.
–Obrigada, Leon. –Agradeci olhando o Pedro.
–Não aquento ver minha mulher sofrendo. –Falou também olhando o Pedro que já cochilava em cima de mim.
–Vilu, tenho que ir em um amigo pegar algumas coisas que emprestei. –Ele falou.
–Tudo bem, vou ficar bem. –Falei olhando-o.
–Bom, estou indo, vou ir agora para tirar isso da minha lista. –Ele pegou o Pedro no colo. -Volto o mais rápido possível!
–Tá. –Assenti.
Ele se aproximou de mim e me deu um selinho.
–Já volto.
Ele saiu do quarto e eu fiquei sozinha olhando novamente para o nada.
Eu acabei dormindo em pouco tempo, estava cansada, estava acordada desde cedo, estava com uma insônia terrível e acabei acordando as seis e não dormi depois disso, e também fiquei brigando com o Leon para eu poder ver o Daniel, coisa que não adiantou pois não o vi.
#Sonho on#
Adivinha? Orfanato.
Comecei a andar, vi aquela mulher que me atendeu quando fui lá, a diretora que parecia ser muito nova. Ela estava conversando com uma mulher... É a mulher que entregou meu filho no meu outro sonho. Me aproximei para ouvir.
–Onde a encontrou? –A diretora perguntou.
–Fui para a Itália fazer enfermagem. –A outra mulher falou.
–Não quero problemas no futuro. –Continuou a diretora.
–Impossível de alguém acha-la. –Então o bebê que ela roubou é uma menina. –A mãe mora na Itália, e acha que a menina morreu, ela não faz ideia.
–Ótimo! –A diretora sorriu. –Não quero confusão no futuro.
–Você não terá, te garanto.
–Perfeito!
Me afastei com lagrimas nos olho.
Saí daquele orfanato e fui para a praça andar. Eu andava pensativa e com lagrimas escorrendo de meus olhos o tempo todo.
–Calma, Violetta. Sua filha morreu no parto, ela sufocou, ninguém a tirou de você. –Falei pensando. –Cai na real Violetta, sua filha morreu, aceita! –Falei em voz alta chorando.
Estava andando quando vi a Daniele mais velha, bom, pelo menos era aquela do meu primeiro sonho. Cheguei mais perto da garota e olhei-a melhor, me aproximei o máximo que pude, mas adivinha, assim como no meu primeiro sonho a garota me viu.
–Com licença, você pode me... –Ela parou. –Você está bem?
–Estou. –Falei nervosa limpando minha lagrima.
–Que bom. –Ela sorriu. –Bom, você sabe onde fica a mansão Vargas?
–Hã... –Não sabia se respondia que sim ou que não. –Não, me desculpa.
–Tudo bem, obrigada...
Aquela menina não me parece a Daniele, a Daniele saberia onde é nossa casa.
A imagem ficou embaçada e logo desapareceu.
#Sonhos off#
POV FRANCESCA
Eu tive que dormir sentada naquele armário com a Julia no meu colo. Ainda tive que esperar até as duas da tarde que foi quando ele saiu para trabalhar. Eu peguei a Julia e saímos de ponta do pé da casa dele.
Quando saímos fomos direto para o meu carro, coloquei a Julia na cadeirinha e suspirei aliviada ao sentar no banco do motorista, estava perfeito, eu e a Julia e sem nada errado.
Dirigi até em casa respirando fundo o tempo todo, a Julia dormiu exausta o caminho todo, ela praticamente não dormiu, estava com medo, nervosa, desconfortável... Eu, eu estava igual, estava exausta. Dormi sentada no duro, em um guarda roupa velho e com uma criança de três anos em cima de mim, essa foi com certeza a pior noite da minha vida.
Ao chegar em casa pequei a Julia no colo e entrei em casa pela garagem, logo dei de cara com o Diego na sala praticamente roendo as unhas.
–Francesca! –Ele correu até mim. –Onde estava? –Ele me deu um selinho longo.
–Na casa do Marco. –Aumentei o beijo. –Quando estava lá ele chegou, tive que me esconder em um armário e dormi lá sentada.
–E como ela está? –Ele alisou o cabelo da Julia com a mão.
–Apavorada. –Falei indo até o sofá.
Nós sentamos no sofá, eu com a Julia no colo e o Diego abraçado a mim.
–Não quero ver minha filha sofrer. –Falei triste.
–Isso vai acabar. –Ele afagou meu braço.
–Espero que seja rápido...
POV LEON
Deixei a Vilu no hospital e fui na casa de um amigo buscar algumas coisas, ele é médico e pediu algumas coisas, eu emprestei e marquei de ir hoje lá buscar então pequei o Pedro e parti na direção da casa dele.
Ele mora longe do hospital, e esse tempo no carro foi tempo o suficiente para o Pedro rir, gritar, gargalhar e no fim dormir.
Quando cheguei o Pedro acordou, e demoraria para ele dormir novamente. Ao parar em frente a porta pressionei o botão da campainha e o som irritante ecoou pela casa e por fora também. O som deixou o Pedro intrigado a descobrir de onde ele vinha, ele virava a cabeça e batia palmas sorrindo enquanto olhava para o botão da campainha. Ele se inclinou para frente para poder tocar a campainha.
–Você ainda vai cair do colo de alguém. –Falei colocando-o na posição normal.
Ele fez bico e começou a chorar porque não deixei ele tocar a campainha. Aproximei-o da campainha e já que ninguém tinha atendido eu deixei que ele tocasse a campainha. Ele pressionou o botão mas não tinha força o suficiente, apertei o botão ajudando-o. Quando novamente o som irritante soou ele gargalhou feliz.
–Não sei como gosta desse barulho irritante. –Falei tentando compreende-lo.
Logo depois do segundo toque da campainha ouvi a tranca da porta fazer barulho e o Lucas aparecer.
–Leon! I aí cara? Faz um tempo que não nos vemos. –Ele me cumprimentou.
–É. –Cumprimentei-o.
–Quem é esse meninão no seu colo? –Ele perguntou sorrindo para o Pedro.
–Meu filho, Pedro. É só mais um dos meus três filhos. –Ri.
–Três? –Ele me deu passagem para entrar. –Nossa, faz tanto tempo assim que não nos vemos?
–Não, acho que faz uns dois meses. –Ri. –É uma história complicada, tenho filhos gêmeos de 6 anos e ele.
–Não sabia que tinha gêmeos.
–História complicada. –Falei.
–Mas, então, o que veio fazer aqui? –Ele me pareceu nervoso.
–Combinamos que eu ia vir pegar minhas coisas. –Falei.
–Ah é. –Ele virou o olhar. –Eu vou pegar.
No momento que ele ia se mover uma menininha chegou andando, parecia ter uns dois anos, andava cambaleando e tinha uma chupeta em sua boca.
–Quem é ela, Lucas? –Perguntei.
–Esta é a Caroline. –Ele pegou-a no colo.
–É linda. –Falei. –Quantos anos?
–Quase dois.
–De quem é? –Perguntei curioso pelo fato de ele não ter filhos.
–É... Leon, é meio complicado, assim como sua história. –Ele estava quase suando de nervoso.
–Acredite, mais complicada que a minha é difícil. –Falei rindo.
–É que você não entende.
–Só me fala, não custa nada. –Pedi.
–Ela não tem pai. –Ele falou ainda mais nervoso.
–Desculpe, não sabia, ele faleceu? –Perguntei triste.
–Não, é que ela não conhece o pai.
–Então a história dela não é tão diferente da história dos meus filhos. –Suspirei. –Mas quem é a mãe, algum amigo que conheço?
–A mãe dela... –Ele foi interrompido por uma voz familiar.
–Obrigada, Lucas por ficar com a Caroline. Eu já peguei as coisas dela, eu vou em bora porque meus pais estão me esperando, eles querem leva-la para sair então já vou indo. Obrigada mesmo, não sei o que faria se você não me ajudasse.
–Geri? –Falei pasmo ao vê-la.
–Leon? –Parecia que ela tinha visto um fantasma.
–Você é a mãe dela? –Perguntei chocado.
–Hã... Sim, a Caroline é minha filha. –Ela pegou a filha no colo.
–Quando você engravidou? –Perguntei curioso.
Parei para pensar um instante.
–Não interessa. –Ela respondeu.
–Vou ir pegar suas coisas, Leon. –O Lucas saiu.
Arrumei o Pedro no meu colo já que ele não parava quieto.
–Quando você ficou grávida dela?
–Não importa, porque importaria? –Ele falou como a velha e de sempre Geri, arrogante.
–Porque ela tem quase dois anos! –Falei.
–Qual o problema? -Ela se irritou.
–A Dois anos estávamos juntos! –Insisti. –Quero saber quando engravidou!!!
–A dois anos. –Ela falou ainda arrogante.
–Não me diga, Geri. –Falei sarcástico. –Custa tanto me falar?
–Por que não volta para a sua namoradinha, a... Violetta!
–Esposa. –Concertei grosso. –Sou casado. –Mostrei a aliança.
–Pouco importa você me deixou por ela. –Ela falou nervosa.
Suspirei e contei até 10.
–Geri, apenas me responda, quem é o pai dela? –Perguntei calmo.
–Quer saber, Leon? Quer saber quem é o pai da Caroline? –Ela falou sínica.
–Lógico. –Falei óbvio.
–Então tá, eu falo. –Ela falou já irritada.
Ela demorou para responder.
–Fala Geri!!! –Exigi.
–Quer saber, não importa, ele nem sabe que ela existe! –Ela saiu andando.
Peguei no braço dela com minha mão livre e virei-a de frente para mim.
–Quem é o pai dela, Geri?! –Pedi ficando mais irritado. –Fala logo que eu não quero gritar com você na frente do meu filho!
–Então você só liga para o seu filho, é assim, só se reocupa com seu filho e sua filha que está aqui ouvindo tudo você nem liga!
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