O Amor Permanece!
8 Orfanato Simpre Felicidad...
Notas iniciais
POV VIOLETTA
–Daniel, você não devia mexer no que não é seu. –Tentei não entrar no assunto.
–Eu sei, mamma. Me desculpa. –Ele abaixou o olhar triste.
–Eu te desculpo, não precisa ficar assim. –Pequei-o no colo. –Só não faça de novo, tá bom?
–Tá. –Ele assentiu ainda cabisbaixo. –Eu vou ver se o Pedro tá dormindo. –Ele saiu de meu colo.
–Obrigada. –Sorri olhando-o.
Fiquei aliviada de ter encerrado o assunto, não sei como responderia as milhões de perguntas que ele me direcionaria. Fiquei pensando por um tempo, mas não achei um bom motivo para contar ao Daniel sobre a irmã morta.
–Mamma, o Pedro tá acordado. –O Daniel falou do segundo andar.
–Já vou então. –Falei levantando do sofá.
Fui até o quarto do Pedro. Ele estava sentado no berço olhando o Daniel que fazia gracinhas para ele rir, e funcionava.
Pequei o Pedro e sentei na poltrona, logo comecei a amamentar o Pedro.
–Mamma, você ainda não me falou quem é Daniela. –Ele voltou ao assunto.
–Daniela... –Pensa Violetta. –Daniela era uma amiga da mamãe lá da Itália.
–O que aconteceu com ela? –Ele perguntou se sentando no chão.
–Ela, morreu em um acidente. –Inventei qualquer coisa.
–Eu nun sabia. –Ele falou. –Me desculpa.
–Tudo bem, querido.
O quarto ficou em silêncio, a única coisa que fazia barulho eram os gemidos baixos do Pedro.
–Mamma.
–O que foi? –Olhei-o.
–Eu tô com saudades da Dani, quando ela vai voltar pra casa? –Ele perguntou triste.
–Eu não sei quando ela voltar, Dani. Todos estamos com saudades dela, mas estamos procurando-a ainda, mas enquanto ela não volta para a casa temos que viver por nós e por ela.
–Você fica triste?
–Muito, filho. Eu amo muito ela, assim como amo você e o Pedro. –Falei.
–Você quer ter outro bebê, mamma? Mais um irmãozinho pra mim e pra Dani? –Ele perguntou sorrindo.
–Não, acho que com vocês já está bom. –Sorri. –Com vocês está perfeito.
–E quando o Pedro crescer? Eu vou querer um irmãozinho, um bebê!
–Depois conversamos sobre isso, querido. –Acariciei sua bochecha.
Ouvimos a porta se abrindo lá em baixo.
–Deve ser seu pai, vai lá dar um susto nele. –Falei parando de dar mama para o Pedro.
–Tá bom! –Ele correu para a escada.
Suspirei. Olhei o Pedro que estava sentado no meu colo puxando minha roupa enquanto o segurava.
–Não conte a seu irmão que eu menti. –Falei levantando-o fazendo-o ficar na minha altura.
Ele gargalhou.
–Isso mesmo, não conte a ele. –Ri.
–MAMMA!!! –O Daniel gritou, ele parecia assustado.
–DANI? –Deixei o Pedro no berço. –DANIEL!
Fui para a escada e desci correndo.
Quando cheguei na sala o Daniel estava na frente de um homem que estava com o rosto escondido em uma touca preta. Ele tapava a boca do Daniel com uma mão e com a outra segurava uma arma que estava apontada para a cabeça do Daniel, ele chorava muito mas quase não fazia som.
–O que você quer? –Perguntei tremendo de medo por mim e pelo Daniel.
–Sua vida e de seu filho. –Ele respondeu com uma voz rouca e grossa.
Não sabia o que fazer.
–Você vai vir até meu carro com o seu filho. –Ele falou. –E bem calma.
Eu só torcia para que o Pedro não fizesse barulho, não queria que ele chamasse a atenção do bandido.
–Tudo bem. –Respondi trêmula. –Eu vou com você. –Engoli seco. –Apenas solte meu filho, pode me levar, mas solte meu filho.
–Esse não é nosso acordo. –Ele riu. –Se você não fizer o que falei, seu filho irá se juntar a sua bebê, se lembra?
Meu rosto ficou pior.
–Se lembra? –Sorriu maléfico. –Estava lá naquele dia. Itália, que lugar lindo, não? Mas sua filinha não pode curtir, ela está morta! E não me arrependo disso.
–O que você fez com ela? –Lágrimas escorreram de meus olhos.
–Não interessa! –Ele berrou. –Vai para o carro!
Comecei a andar bem devagar na direção da porta. Vi que o Leon tinha acabado de chegar, ele parou na porta e me olhou. Ele viu o bandido de costas com o Daniel. Ele me olhou para que eu me acalmasse e que ficasse parada. Ele saiu de casa e foi para o jardim.
–Por que parou? –Perguntou o bandido bravo ainda de costas para a porta.
Não respondi.
–Continua! –Ele apontou a arma para mim.
Comecei a andar novamente, mas bem devagar, lagrimas lentamente escapavam de meus olhos. Vi o Leon voltando do jardim com uma pá, ele se aproximou do bandido calmamente e sem que o bandido imaginasse o Leon bateu com a pá na cabeça dele fazendo-o cair com dor sem entender.
–Chama a polícia! –O Leon gritou.
–Daniel! –Corri até ele que chorava.
Pequei-o no colo e fui com ele até meu quarto.
–Fica aqui, a mamãe já volta. –Falei beijando sua bochecha.
–Não, mamma. –Ele me abraçou.
–Eu já volto, está tudo bem, querido.
Saí do quarto trancando a porta em seguida.
Voltei para a sala, o Leon estava com a pá preparada para bater novamente se fosse necessário. Peguei o telefone e liguei para a polícia.
O Leon bateu novamente no bandido e correu até mim.
–Você está bem? –Ele me abraçou.
–Estou. –Abracei-o ainda trêmula.
–E os meninos?
–O Daniel está traumatizado com uma arma apontada para a cabeça dele e o Pedro está bem. –Falei.
–Ligou para a polícia?
–Eles estão vindo. –Falei. –Que bom que você chegou, seria meu fim. –Abracei-o novamente.
–O que ele queria? Dinheiro? –O Leon perguntou.
–Não queria nada, apenas eu e o Daniel. Queria nos matar.
–Agora está tudo bem.
Ouvimos sirenes e logo a polícia invadiu a casa.
–Vou pegar o Daniel. –Falei indo para a escada.
O Leon ficou para falar com os policiais, eu fui ir falar com o Daniel para ele se acalmar.
Cheguei na porta, destranquei-a e entrei. O Daniel estava na minha cama deitado debaixo das cobertas chorando.
–Daniel. –Aproximei-me da cama. –Está tudo bem filho.
Ele saiu de debaixo das cobertas e me abraçou.
–O papá tá bem?
–Está, querido. Ele está bem. –Pequei-o no colo.
Fui com ele no colo até a sala. O Leon estava conversando com os policiais e o bandido estava algemado e sendo levado para a viatura.
Aproximei-me do Leon, no mesmo momento o policial agradeceu e se retirou. Os policiais foram em bora e nós ficamos em casa, ainda um pouco assustados, mas bem.
–Vem cá, filhão. –O Leon pegou o Daniel no colo. –Ele já foi, o policial já prendeu ele.
–Não papá. –O Daniel olhou-o dando um sorriso. –Foi você que pegou o bandido.
–Ele não está mentindo –Dei um selinho no Leon. –Você nos salvou.
–Faria qualquer coisa por vocês.
Ouvimos o Pedro começar a chorar. Subi até seu quarto e o encontrei de pé no berço se segurando na borda. Olhei-o encantada, ele nunca tinha ficado de pé.
–Leon! –Chamei-o.
Fiquei observando o Pedro enquanto esperava o Leon.
–O que foi? –Ele apareceu com o Daniel ao seu lado.
–Olhe. –Apontei para o Pedro que me olhava sem entender.
–Você o colocou assim? –Ele perguntou sorrindo.
–Não. –Respondi. –Cheguei e ele estava aqui.
O Pedro fez bico e gemeu ameaçando chorar. Me aproximei dele e peguei-o no colo.
–Parabéns, bebê. Você ficou de pé. –Beijei sua bochecha.
–Logo ele começa a andar. –O Leon falou.
–Mamma, posso pega ele no colo? –O Daniel pediu.
–Senta aqui. –Apontei para a poltrona.
Ele se sentou e esperou.
Coloquei o Pedro cuidadosamente no colo dele e fiquei ao lado para que ele não derrubasse o Pedro que já estava pesado para o Daniel segurar sozinho.
O Pedro se mexia e queria sair para “explorar” e engatinhar, ele está pesado e o Daniel não consegue segura-lo.
–Ele não fica quieto. –O Daniel reclamou tentando segurar o Pedro.
–Filho. –Tirei o Pedro de seu colo. –O Pedro está crescendo e não é mais tão pequenininho, ele gosta de engatinhar e olhar as coisas, e não de ficar no colo. –Expliquei colocando o Pedro no chão.
Ele logo engatinhou até o Leon, se sentou na frente dele e gargalhou com a mão na boca enquanto olhava o pai sorrindo para ele.
–Daqui a pouco você não vai poder pega-lo mais. –Falei.
–Ah... –Ele reclamou fazendo bico e cruzando os braços. –Mas vocês pegam ele no colo. –Protestou.
–Nós somos os pais dele. –O Leon falou. –Nós também te pegamos as vezes, e não vamos mais te pegar daqui a pouco também. –Ele se abaixou e pegou o Pedro. –Você está crescendo e não vai mais no colo daqui a pouco, mas o Pedro é bebê, e quando ele crescer também não vamos pega-lo mais.
–E a Dani? –Ele perguntou.
–Nem a Dani. –Falei. –Vocês estão ficando grandes, quando viemos para Buenos Aires, vocês tinham 4 anos, agora já vão fazer 7 anos, não precisam mais de colo.
–Só mas uma vez. –Ele esticou os braços.
Ri.
Pequei-o no colo e beijei sua bochecha.
–Você sempre vai ser meu menininho. –Abracei-o.
*Uma semana depois
Estava deitada na cama com o Leon abraçado a mim e eu com a cabeça em seu peito. O Daniel está dormindo e o Pedro estava no andador, brincando e “andando” pelo nosso quarto.
Estávamos conversando e observando o Pedro.
–Vilu, você nunca me contou como foi quando soube que estava grávida dos gêmeos. –O Leon afagou meu braço.
–Ah Leon, é a história básica de sempre. –Falei.
–Já que é básica, me conte, com detalhes. –Exigiu.
Suspirei.
–Tudo bem. Tudo começou com um dia normal de aula no Studio...
#História on#
Estava conversando com a Fran e a Cami enquanto guardávamos coisas no armário.
–Meninas, vocês vão na festa dos meninos? –Perguntei fechando meu armário após ter pego meu diário.
–Eu não sei. –A Fran respondeu meu desanimada.
–Eu vou com certeza! –A Cami respondeu sorrindo. -Vou me encontrar com o Broduey lá.
–E você, Vilu? –A Fran me pergunto enquanto chegávamos ao zoom.
–Acho que vou, não sei nem o que usar –Bufei. –Vocês podem passar lá em casa depois para me ajudar.
–Claro.
–Com certeza.
–Obrigada meninas. –Sorri.
Comecei a ficar meio enjoada, meu estomago estava revirado e minha cabeça estava rodando.
O Pablo já tinha chego e começado a dar a aula.
–Pablo. –Chamei-o.
–Sim, Violetta?
–Posso ir ao banheiro?
–É uma explicação importante sobre o show. –Ele falou.
–Preciso ir, estou passando mal. –Pedi.
–Claro, Francesca, pode acompanha-la?
–Uhum. –A Fran assentiu se levantando.
A Fran me acompanhou até o banheiro, dei meu diário a ela e fui até um vaso correndo, logo minha barriga estava vazia, coloquei todo meu almoço para fora.
–Vilu, você está bem? –A Fran perguntou.
–Estou. –Sentei na tampa no vaso. –Foi só um enjoo.
–Então tá.
*Uma semana e meia depois
Os enjoos continuaram e a Fran ficam me enchendo o saco para eu ir ao médico. Não contei ao papai, somente para a Fran.
Agora a Fran estava no meu quarto comigo, ela estava sentada em minha cama e eu na cadeira atrás da mesa.
–Vilu, você não pode ficar sem ir ao médico. –A Fran falou.
–Não Precisa. –Falei.
–Você está assim faz tempo, isso não é normal. –A Fran como sempre preocupada.
–Deve ser só enjoos. –Falei sentada na minha cama.
–Vilu... sei lá, mas... você e o Leon já... Sabe... –A Fran perguntou.
–O quê?
–Vilu, você ainda é virgem?
–Fran! Isso não é pergunta que se faça. –Fiquei brava.
–Apenas responda, Vilu!
–Não... -Respondi baixo em um sussurro.
Meu quarto ficou um silêncio mortal até eu raciocinar o que ela queria dizer.
–Não Fran, impossível. –Ri com medo.
–É possível sim, faz um teste de gravidez e confirma. –A Fran disse.
...
–Eu não acredito. –Falei olhando para o teste e gravidez na pia. –Não, não, não, não...
Fui para a minha cama e me joguei na mesma com lagrimas nos olhos.
–Não pode ser. –Falei a mim mesma. –Violetta burra! Você tem só 18 anos! Seu pai vai te matar! Burra!
Depois de uma noite acordada eu cheguei a uma conclusão.
–Eu não vou desistir de você, filho. –Passei a mão pela barriga.
Arrumei minha mala naquela madrugada, pequei tudo o que eu precisava e dinheiro, dinheiro o suficiente para eu me manter por pelo menos um ano.
No dia seguinte fui até a Fran e contei tudo a ela, pedi que não contasse a ninguém e parti para a Itália.
#História off#
–É isso basicamente isso. –Resumi.
–Você deveria ter me contado.
–Eu sei, me arrependo de não ter te contado quando soube. –Olhei-o.
–Qual dos dois começou a falar primeiro? –Perguntou.
–O Daniel. –Respondi.
–E quem andou primeiro? –Perguntou novamente.
–A Daniele.
–Não acredito que perdi tudo isso na vida deles.
–Me desculpa. –Dei um selinho nele.
–Tudo bem, só não quero perder nada do Pedro.
–Não vai...
*Quatro meses depois
Falta um mês para o aniversários dos gêmeos e o Daniel está muito ansioso, mas está sentindo falta da irmã.
O Pedro fará aniversário daqui a uma semana, meu bebê fará um aninho! Estou tão feliz!
Nenhum sinal da Daniele, ninguém a encontrou, continua desaparecida e eu tento continuar a vida sem ela. Os policiais me disseram para não ter mais esperanças de ela estar viva, mas não acredito que ela esteja morta, sei que minha filha está bem viva.
–Leon?
–Sim? –Ele respondeu aparecendo na porta.
–Onde está meu colar?
–Não sei, você estava com ele hoje de manhã. –Ele falou.
–Eu sei, mas não está aqui, eu já procurei pelo quarto todo. Eu só tirei para tomar banho. –Reclamei Sentando na cama.
–Você tinha deixado no criado-mudo. –Ele falou se sentando ao meu lado.
–Eu sei, mas não está mais lá. –Fiz bico. –Foi o colar que você me deu em Paris.
–Quem estava no quarto? –Ele perguntou tentando me ajudar.
–Eu e você estávamos tomando banho, o Daniel está no jardim e o Pedro estava dormindo na nossa cama... –Falei arregalando os olhos.
–Pedro! –Dissemos juntos.
–Pedro! –Levantei rapidamente e fui para o corredor. –Pedro!
Fui até o quarto do Pedro e lá estava ele de pé em frente ao berço, e em sua mãozinha meu colar. Quando cheguei na porta do quarto ele me olhou com um sorriso sapeca de quem aprontou.
–Pedro, vem aqui. –Agachei e chamei-o. –Vem com a mamãe.
Ele andou até mim cambaleando.
–Posso pegar? –Tirei o colar de sua mão cuidadosamente. –Obrigada, amorzinho. –Sorri.
Deixei-o com seus brinquedos e voltei ao meu quarto. O Leon estava lá me esperando mexendo no celular.
–E então? –Ele guardou o celular.
–Estava com ele. –Mostrei o colar em minhas mãos.
Me sentei ao seu lado.
–Esse colar é lindo. –Falei admirando o colar.
O Colar é de ouro legítimo com um V&L como pingente.
–Pedi para que fizessem logo que fomos a Paris, fui na melhor joalheira de Paris. –Ele disse me olhando.
–Eu te amo. –Falei olhando-o totalmente apaixonada.
Ele me beijou, mas fomos interrompidos pelo Pedro que tentava subir em nossa cama.
O Leon o pegou e o colocou na cama.
–O Pedro é muito travesso. –O Leon disse brincando com ele.
–O Daniel nessa idade era mais calmo. –Falei. –O Pedro é elétrico.
–Bem elétrico. –Ele riu.
–Com quem você estava falando quando cheguei?
–Coisa do trabalho. –Ele respondeu fazendo cócegas no Pedro.
–Leon nós temos que...
O telefone começou a tocar me interrompendo.
–Já volto. –Falei levantando.
*Ligação on*
–Alô? –Atendi o telefone.
–Oi, é a senhora Vargas?
–Sim. –Respondi.
–Aqui é do orfanato Siempre Felicidad...
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