O Amor Permanece!
2 É a sua mulher e seu filho...
Notas iniciais
POV VIOLETTA
Neste momento meu coração se despedaçou, não pode ser minha filha, não pode ser a Daniele... Tem que ser um engano ou uma enorme coincidência. Tentei não começar a chorar na frente do meu filho, mas não estava adiantando.
Eu fui interrompida de meus horríveis e pavorosos pensamentos pela voz do Daniel.
–Mamma... –O Daniel me chamou com voz de choro.
Ele obviamente tinha entendido o noticiário.
–Calma meu amor. –Abracei-o. –Não é ela filho, sua irmã está bem, eu te garanto. Fica calmo, amor, está tudo bem. –Continuei abraçada a ele.
Fiquei com ele até ele se acalmar e logo depois dormir.
Um pouco mais tarde, enfermeiras vieram trazer os remédios deles, para a dor, por causa da cirurgia, para ele ficar mais forte e por outros motivos que não lembro. Está sendo muito difícil meu filho ter que passar por isso, um tratamento forte que nenhuma criança deveria receber, mas vamos dar um jeito, nós sempre damos.
O Leon ainda estava no consultório dele trabalhando, eu estava sentada pensando em um monte de coisas, principalmente que era bem provável que a polícia estaria ligando incessantemente na minha casa para que nós fossemos fazer a identificação do corpo no IML, no meu celular já ligaram, mas toda vez deixei cair na caixa postal.
Estava sentada pensando no que fazer, se o Leon já tinha visto, e se fosse minha filha, e se não fosse, onde ela está? Estava no sofá até que vi a Francesca entrar no quarto com o Pedro no seu colo sorrindo (como sempre), mas ela aparentava uma feição horrível de desespero, tristeza e preocupação. Pelo que conheço a minha melhor amiga ela deve ter visto o jornal.
–Eu vi o jornal. –Ela se aproximou.
–Não pode ser ela, Fran. –Abracei-a.
–Vamos torcer para que não seja. –Ela falou.
–Mas mesmo assim fico triste que alguém tenha matado uma criança, não quero que nem um pai ou mãe passe por isso. –Falei pegando o Pedro. –Oi, bebê. –Beijei a bochecha dele.
–Ela não para de sorrir, Vilu. Nunca vi um bebê tão feliz. –A Fan riu fraco por causa do clima tenso.
–Nem eu, esse menino é muito abençoado, quase não chora, né pequeno. –Olhei-o.
Ele me olhou e balançou os braços fazendo sons com a boca enquanto sorria.
–Viu só. –A Fran riu de novo.
–É, em casa é assim, muito divertida, muito mais desde que ele nasceu.
–Imagino que deve ter sido difícil viver agora. –A Fran ficou com dó. –Nem imagino como deve ser, uma filha desaparecida e o Daniel no hospital.
–Só tenho ele agora, não sei o que faria sem o Pedro. –Ouvimos a porta se abrir.
O Leon entrou, normalmente, e se assustou a ver a minha cara ou a da Fran, as duas com lagrimas nos olhos com cara de tristeza. Estávamos em um silencio total até o Pedro chamar o Leon.
–PA!!! PA!!!
–Por que vocês estão assim? –Ele perguntou se aproximando de mim.
Ele provavelmente não viu o jornal pois estava no trabalho e estava cheio de pacientes hoje.
Não respondemos à pergunta dele.
–Bom, estou indo, tenho que pegar a Julia na minha mãe. Tchau Vilu, tchau Leon. –Ela foi em bora não querendo atrapalhar eu e o Leon em nossa conversa.
Depois que a Fran se retirou do quarto, o Leon se aproximou mais de mim e pegou o Pedro no colo.
–O que aconteceu, amor? –Ele me deu selinho.
–Leon, nós... Vamos, vamos aproveitar que o Daniel vai dormir por um longo tempo e vamos para o carro, temos que ir a um lugar...
Ele no começo não entendeu, mas desde o momento em que fomos para o carro eu contei a ele sobre o jornal, detalhe por detalhe, e falei que deveríamos ir encontrar o policial que está cuidando do caso do sumiço da Daniele, ele está nos esperando para fazer o reconhecimento do corpo.
O Leon derramou algumas lagrimas assim como eu.
Nós chegamos no IML e encontramos o policial. Ele pediu para que nós os seguíssemos. O Leon levou o Pedro que dormia no momento, o que nós dois agradecemos já que se o Pedro está acordado ele não para quieto, igual a Francesca falou, o Pedro é o bebê mais feliz e risonho que já conheceu, eu também. O policial nos levou até o corpo. Ele abriu o saco preto e nós vimos o rosto da menininha. Me deu um aperto enorme ver aquele corpo de uma criança ali, morta, e que os pais não a veriam nunca mais e sofreriam pelo resto da vida, do jeito que sofro ao lembrar que perdi uma filha quando era apenas um bebê.
Eu observei atentamente para o rostinho da menina. A descrição dela é com certeza bem parecida com a Daniele, mas eu tinha certeza, 100% de certeza que aquela não é minha filha.
–Não é ela. –Falei um pouco aliviada.
–É, não é ela, não é nossa filha. –O Leon confirmou olhando para o policial.
–Vocês tem certeza, nós procuramos a filha de vocês por Buenos Aires inteiro e não tivemos nenhum sinal dela. –O policial nos questionou. –Olha, muitas vezes os pais não querem aceitar que o filho morreu, então dão desculpa de que não é o filho deles, isso é muitas vezes psicológico.
–Essa não é minha filha. –Falei firme no que dizia.
–Essa não é nossa filha, policial. –O Leon falou.
–Bom, se não acharmos sua filha, é bem provável que esta seja a filha de vocês. –O policial continuou a nos questionar.
–Olha aqui! –Perdi a paciência e fui para cima do policial. –Eu criei muito bem meus filhos por 6 anos e sei reconhece-los, não sou louca! Eu estou com um filho no hospital na UTI e a outra desaparecida, então o meu animo está péssimo, se você quiser discutir a coisa vai ser feia. E se você não continuar procurando minha filha eu acabo com você!
–Calma Vilu. –O Leon sussurrou no meu ouvido.
–E eu posso prende-la por desacato à autoridade! –Ele veio para cima de mim.
O Leon me segurou se não, eu partiria para a agressão. Respirei fundo e respondi calma.
–Está não é minha filha. –Falei.
Nós saímos de lá e fomos para o hospital novamente porque o Daniel não pode ficar muito tempo sozinho, ele é de menor e nós temos que ficar com ele.
A tarde passou rápido e ninguém apareceu para doar sangue. O Daniel estava cada vez mais fraco, hoje ele ficou com febre dor de cabeça e passou muito mal. O Leon me obrigo a ir para casa com o Pedro. Ele não ia mesmo deixar eu ficar então fui para a casa.
Em casa o Pedro teimou que não queria dormir, eu dei janta, brinquei, dei banho, ninei-o, mas ele não parava quieto de jeito nenhum.
–Pedro, dorme por favor filho. A mamãe tá cansada. –Pedi mesmo ele não me entendendo.
Ele continuou resmungando e dando gritinhos.
–Amanhã você vai ficar na creche. –Suspirei.
Ele vai para uma creche especial para deficientes auditivos onde ensinam libras desde os 6 meses, mas mesmo passando o dia inteiro brincando com outros bebês ele não dorme.
–Bebê, eu te amo, mas você poderia dormir.
Desisti e coloquei-o no chão na frente do sofá em cima do tapete dele com vários brinquedos, mas quando soltei-o ele começou a chorar. Ele não queria dormir mas também não queria ficar fora do meu colo.
–Filho, por favor, deixa a mamãe descansar. –Peguei-o novamente no colo.
*01:45
Finalmente, quase duas da madrugada eu consegui finalmente fazer o Pedro dormir.
–Pronto, amorzinho. –Coloquei-o no berço.
Eu pude dormir tranquila porque graças a Deus o Pedro não acordou nenhuma vez na madrugada. Essa noite foi tranquila, eu não tive sonhos para me atormentar, filhos para acordar cedo, Pedro chorando, foi uma noite muito tranquila e a única a muito tempo.
Acordei cedo para levar o Pedro para a creche. Tomei meu banho matinal, me troquei, dei um banho no Pedro e arrumei as coisinhas dele na bolsa e alimentei-o. Tomei meu café da manhã e quando saí de casa já eram 9:56.
Peguei o carro e saí na direção da creche. O Pedro dormiu no caminho então o carro ficou um silencio, com apenas o som das buzinas de carros. Tive que parar no farol que ficou vermelho. Esperei por um tempo até abrir o farol para mim, quando a luz verde se iluminou acelerei o carro em velocidade média. Andei pouco com o carro, mas um carro que vinha na direção contraria veio em toda a velocidade mesmo estando vermelho para ele.
Ele bateu com força em meu carro. Meu carro foi lançado por muitos metros e capotou algumas vezes, os airbags acionaram e o carro só parou ao rodar algumas vezes e parar completamente destruído logo após bater em uma árvore.
Eu fiquei presa nos destroços do carro e um dos meus braços com certeza estava quebrado, ele prendeu em alguns pedaços do carro e no volante, o outro estava livre, mas bem machucado. O Pedro estava chorando muito, não conseguia olhar para trás, não tinha visão do banco de trás. Eu apenas queria que o Pedro continuasse chorando para eu ter certeza que ele ainda estava bem.
Chegou uma hora que desisti de lutar para me soltar, já estava sem forças para isso. Pessoas começaram a rodear o carro, algumas tentando ajudar, mas nada se mexia. Não consegui me manter acordada, vi muito sangue no chão e em pouco tempo minha visão escureceu e desmaiei, fui tomada pela escuridão.
POV LEON
Estava no quarto do Daniel, com o jaleco branco e uma prancheta na mão, estava avaliando o Daniel, coisa que estava me doendo muito pois a situação estava cada vez pior e pior. Aproveitei que ele estava sedado pelo remédio para examina-lo.
Examinei as fraturas causadas pelas balas e a cirurgia, acho que são a única coisa que estão melhorando nele. Pensar que perdi meu filho na mesa de cirurgia por 3 minutos me dá mais força para não desistir.
A Vilu vinha ficar com o Daniel atarde para eu poder ir para a casa, tomar banho, descansar um pouco e analisar os exames do Daniel meticulosamente para não deixar nada passar. Antes ela iria deixar o Pedro na creche e ia ir na escola dela para resolver umas coisas com a Francesca então fiquei esperando-a.
Eu estava revendo alguns exames, mas fui totalmente interrompido pelo Miguel que entrou na sala preocupado.
–Leon!!! –Ela falou abrindo a porta.
–O que foi, Miguel? Estou trabalhando. –Nem olhei na cara dele, continuei vendo os exames.
–Leon, você não sabe o que aconteceu! –Ele se aproximou.
–Tem algo de errado nos exames que não vi? –Perguntei preocupado com o Dani.
–Não, seu filho está ótimo. –Olhei-o feio. –Desculpa, esqueci. Ele está igual, mas chegou um caso de emergência.
–Miguel, já falei que não vou atender outros casos, só estou aqui para cuidar do meu filho. –Voltei-me para os exames e para o Daniel.
–Leon, acredite em mim, você vai querer ver. Tem um bebê de 5 meses envolvido e...
–Miguel, sem querer parecer egoísta, mas, não estou ganhando nada para estar aqui, este hospital está cheio de pediatras, eu estou aqui pelo meu filho. –Cobri o Daniel que dormia.
–Leon, você não está entendendo a situação, foi um acidente de carro. Eles acabaram de entrar na cirurgia e... –Ele continuou misterioso.
–Estado? –Perguntei o estado dos pacientes.
–Múltiplas fraturas nos dois, tanto na mãe quanto no bebê. –Ele me entrou alguns Raio-X.
Comecei a analisar meticulosamente os Raio-X.
–Lesões fortes no rádio direito, vai precisar de cirurgia. –Informei. –Bacia e fêmur danificados. Acidente do que?
–Carro. O carro capotou. –Ele me informou. –O Raio-X do bebê. –Ele me entregou o outro Raio-X.
–O bebê não sofreu muitas fraturas, vai ter que apenas engessar o braço e tomar alguns remédios. –Falei. –Você tem o nome dos pacientes?
–Eu não falei ainda? –Ele fez cara de dúvida. –Me desculpa, estou tão desesperado que esqueci completamente desse detalhe.
–Miguel, desembucha logo. –Pedi ficando nervoso.
–Leon, respira, por favor...
–Por que? Sou médico, já passei por isso. –Falei despreocupado.
–Mas, Leon, é o que em tentei dizer, as... –Interrompi-o.
–Miguel, faz um favor e fala logo o nome dos pacientes e talvez eu possa dar uma olhadinha neles, quem sabe. É alguém importante?
–Para algumas pessoas, principalmente para você e para o garotão ali. –Ele apontou para o Daniel.
Foi aí que comecei a pensar.
Por isso ele estava tão eufórico em me falar. Por isso disse que eu gostaria de ver. Eles são importantes para mim, uma mulher e um bebê... Vilu e Pedro...
Fiquei preocupado no mesmo instante. Meu coração acelerou assim como minha respiração. Meu coração começou a doer.
–Miguel, por favor, não...
Ele assentiu triste.
–É a sua mulher e seu filho...
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