O Amor Não Está Nos Livros
4 4. Explicações
Notas iniciais
_O que...? – Ele pegou a folha entre os dedos a examinando cautelosamente – Isso... Eu não escrevi isso – Ele encarou o vazio por alguns minutos e enfiou o papel na mochila, saindo correndo para a escola.
Se havia alguém que o podia ajudar era o professor Schneider, ele sim sabia tudo de todos e todas as coisas místicas.
~
_Professor!! – Peter entrou correndo na sala atrapalhando o professor em um de seus rituais de magia negra.
_O que foi agora, Peter? Não vê que estou numa magia altamente perigosa? – Ele disse fechando o “grimório” (Livro de magia) em suas mãos.
_É urgente professor, eu acho que fui... Apaixonado!
_Apaixonado? Oras, meus parabéns então...
Peter bufou e abriu a bolsa, jogando os papéis do professor para o lado e colocando seus livros e pesquisas incluindo o seu papel na mesa.
_Eu fui literalmente apaixonado professor! Alguém fez isso! – Ele abriu na página de um livro de mitologia grega, apontando a imagem de Eros, o deus do amor. – Foi esse desgraçado! Eu tenho certeza!
O professor o encarava como se o achasse maluco, mas se aproximou e olhou o livro, lendo a descrição do deus.
_Você tem alguma prova ou objeto místico que podemos examinar? Qualquer coisa que você ache que está enfeitiçado, pode ser um presente da garota que você se apaixonou.
Peter corou balançando a cabeça.
_Ela-e... – Ele tossiu um pouco – Não me deu nenhum presente, mas eu tenho uma nota que voou misteriosamente no meu rosto e uma frase bastante... Bom, olhe. – Ele estendeu a nota na cara do Professor, que arregalou os olhos e pegou a mesma, levando para o microscópio.
_Não estamos tratando de um deus meu caro, e sim um fantasma... – Ele fez uma pausa, engolindo a seco – Ectoplasma.
Olhei minhas próprias mãos, como ele sabia disso se nem eu sabia? Eles estavam a ponto de me acharem...
_F-f-fantasma?! – Peter parecia que ia ter um treco, começou a tremer e ficar branco.
Depois de se sentar e tomar água com açúcar ele se acalmou.
_Por que você não vai para casa? Eu vou investigar e você pode voltar amanhã.
_Tem razão, meus pais vão ficar preocupados. – Ele se levantou pegando sua mochila e deu uma última olhada para o professor antes de sair pela porta – Ah, e obrigado.
–
Ao chegar à rua de sua casa ele percebeu que algo estava diferente, um carro muito chique estava estacionado na porta dela. Peter mentalizou um “Merda” ou algo do tipo e saiu correndo para dentro de casa, ele abriu a porta com rapidez e a fechou em silêncio, dando passos até onde as vozes vinham, a sala de jantar.
_Nosso filho veio nos contar recentemente que ele veio a... Sentir atração pelo seu filho...
Ao ouvir essa frase ele parou, re-fazendo os passos dando meia volta e fechando a porta cuidadosamente.
As dúvidas corriam pela sua mente o fazendo ficar tonto de tantas incertezas e medos, para onde ir? Para onde se esconder? Não tinha alternativa a não ser sua casa na árvore, aquela velha e acabada casa na árvore, que seu pai prometeu arrumar há três anos atrás.
Foi até o quintal tomando o maior cuidado para não ser visto pela janela da sala do jantar, até que conseguiu segurar nas escadas de madeiras tortas com cuidado para não escorregar. Lá ele achou um cobertor velho e com cheiro de mofo e tudo com teia de aranha, mas ele não se importou, qualquer coisa seria melhor do que encarar duas famílias buscando explicações.
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