Notas iniciais
Não sou fã do casal, mas fiz o possível para estar pelo menos aceitável. Espero que gostem!

- Papai! Papai! Você chegou! – a menininha de apenas três anos correu para abraçar o pai assim que ele entrou pela porta.

O homem de cabelos e olhos tão claros quanto os da filha, não hesitou em abrir os braços e pegá-la no colo, girando-a algumas vezes no ar antes de abraçá-la e lhe dar um estalado beijo na bochecha.

- Mas é claro que eu cheguei, minha princesinha! Não iria agüentar nem mais um minuto sem ver a menina mais linda de toda a Inglaterra?! – deu mais um beijo na bochecha da filha.

- Só da Inglaterra, papai? – a menina franziu levemente as sobrancelhas e fez um biquinho gracioso.

- A mais linda de todo o mundo! Não, do universo! – exclamou enfaticamente, vendo a garotinha abrir um largo sorriso que deixava em evidência suas covinhas. Ele abriu um sorriso bobo, sua filha era a jóia mais preciosa que tinha na vida.

- Certo, agora já chega, Sophie! – Gina se desencostou da parede que dividia o hall de entrada da sala, de onde esteve observando toda aquela cena entre os dois amores de sua vida, e foi até o marido, lhe dando um breve beijo e pegando a loirinha no colo – Vamos terminar o jantar pôr a mesa enquanto o seu pai toma um banho e descansa um pouco, tá bom?

- Mas eu quero ficar com o papai! – a menina choramingou, estendendo os braços na direção do loiro, que prontamente a pegou.

- Viu? Ela quer ficar comigo. – beijou novamente o rosto da filha.

- Você acabou de chegar do trabalho e ainda teve que fazer aquela cirurgia, deve estar muito cansado. Por que não deixam para matarem as saudades amanhã? – a ruiva sugeriu, embora soubesse que mesmo estando desmaiando de cansaço, Draco nunca negaria atenção para a filha, eles eram um grude, nem parecia que o loiro havia desejado fervorosamente que fosse um menino quando soube que a esposa estava grávida. Sophie era tudo para Draco e também pra ela.

- Nãaaooo.... – os dois loiros choramingaram em complô.

- Ok. – a ruiva suspirou sofridamente – Podem ir se divertirem sem mim... – fungou, falsamente magoada – Ninguém quer a minha companhia... ninguém me ama... ninguém me quer... – fez bico, olhando de soslaio para os loiros.

Draco cochichou alguma coisa no ouvido da filha, que deu uma risadinha enquanto olhava para a mãe e depois balançou a cabeça, concordando com o que quer que fosse que o loiro havia dito. Eles se aproximaram da ruiva “emburrada” e cada um deu vários beijos estalados nas bochechas dela, foi impossível para Gina manter a pose e não sorrir.

- Nós te amamos, mamãe! – a loirinha, ainda no colo do pai, se pendurou no pescoço da mãe e a abraçou forte. – Muito, muito, muito!

A ruiva se sentiu derreter com aquelas palavras da filha e abraçou tanto ela quanto ao marido, acabando por fazerem um sanduíche de Sophie.

- Eu também amo muito vocês, meus amores! – deu um beijo em cada um e desfez o abraço – Assim que o jantar ficar pronto eu chamo vocês, ok?

- Sim, senhora! – disse Draco batendo continência e roubando mais um beijo da esposa antes de subir as escadas para o segundo andar com a filha sorrindo divertida em seus braços.

Gina sorriu e balançou a cabeça de um lado a outro enquanto se dirigia à cozinha, Draco parecia uma criança quando estava junto de Sophie. Quando se conheceram, ela nunca poderia imaginar que ele seria um pai tão carinhoso e atencioso e nem um marido tão dedicado e amoroso. Aliás, quando se conheceram, jamais passou pela cabeça da ruiva que algum dia eles estariam casados, apaixonados e felizes, a mera perspectiva de passarem mais de cinco minutos no mesmo local, para eles era uma verdadeira tortura. Eles se detestaram logo de cara e tudo por que o dia deles não havia sido nada bom e para piorar, a forma como se conheceram também não havia sido nem um pouco agradável...

***

- Mas que merda! – o loiro praguejou enquanto freava bruscamente o carro. O pneu traseiro do lado direito havia acabado de furar, exatos dez minutos depois de o esquerdo ter furado.

Saiu do carro batendo a porta, estava com péssimo humor, logo de manhã tivera uma briga feia com o pai que simplesmente achava um absurdo ele querer ser médico ao invés de se interessar pelos negócios da família, os Malfoy eram um dos maiores e mais conhecidos fabricantes de aparelhos eletrônicos de toda a Europa e Ásia e já estavam com projetos para uma filial na América, mas Draco nunca se interessou por isso, seu desejo sempre foi se tornar médico e salvar vidas e desde que comunicara isso aos pais, vinha tendo inúmeras discussões com o pai e a dessa manhã havia sido a pior de todas. Pegou o carro e saiu de casa fulo da vida, quase atropelou duas pessoas e por pouco não se envolveu em um acidente, depois disso o primeiro pneu furou e ele o trocou, só para minutos depois ter que repetir o processo, felizmente sempre fora prevenido e ao invés de apenas um pneu reserva, como a maioria das pessoas tinha, ele sempre deixava dois no carro, afinal, nunca se sabe quando um pneu vai furar, não é? Para melhorar ainda mais a “maravilha” que estava sendo o seu dia até ali, assim que saiu do carro para pegar o segundo pneu reserva, começou a chover, no início apenas um chuvisco, então não se importou, mas de uma hora pra outra a chuva engrossou e ele ficou encharcado, o que só fez aumentar a irritação do loiro e dificultar bastante a tarefa de substituir o pneu furado pelo novo.

Depois de perder quase meia hora naquilo, finalmente conseguiu e voltou a entrar no carro, logo dando a partida e acelerando, acabando por passar dentro de uma poça d’água e sujar completamente uma garota que passava na calçada. Não deu atenção a isso e embora houvesse o barulho da chuva e os vidros do carro estarem fechados, deu pra ouvir que a garota o havia xingado bastante e até lhe jogou uma praga. Tsk. Como se ele fosse bater o carro num poste só por que ela havia dito!

*

A garota ruiva bateu a porta com força ao sair do apartamento do ex-namorado e apertou freneticamente o botão para chamar o elevador até que as portas deste se abrissem e ela entrasse, encostando-se à parede metálica e deslizando até o chão, finalmente deixando as lágrimas de pura raiva caírem livremente por seu rosto. Havia decidido fazer uma surpresa para o namorado e foi até o apartamento dele sem avisar, não teve problemas para entrar já que possuía uma cópia da chave, embora quase nunca a tivesse usado. A cena que presenciou a deixou completamente destruída, seu namorado, o homem que vivia dizendo que a amava, que ela era a única, estava na cama com outras duas mulheres, os três nus e se agarrando de forma tão desesperada que lhe deu ânsias ao mesmo tempo em que uma raiva enorme crescia dentro dela, que pegou o primeiro objeto que viu pela frente, o notebook dele, e o jogou com força na parede, finalmente chamando a atenção dos outros três. Ele nem tentou se explicar, disse simplesmente que cansou dela e estava tudo terminado. Nem é preciso dizer que a raiva dela só cresceu ainda mais e ela passou a arremessar tudo que encontrava no chão e contra a parede e só saindo de lá quando o apartamento ficou em estado deplorável. Havia sido bom para extravasar sua raiva, mas por outro lado, seu coração ainda doía.

Conseguiu controlar o choro antes de deixar o prédio e para melhorar ainda mais o seu dia, começou a chover. Que ótimo! Não se importou muito com isso e seguiu pela calçada, talvez aquela chuva levasse embora toda a dor e decepção que estava sentindo. Não tinha como as coisas ficarem piores...

- Seu cretino, filho da mãe! – xingou o infeliz que havia passado a toda velocidade dentro de uma poça de água suja, sujando-a de lama dos pés à cabeça – Tomara que acerte um poste! – bufou irritada e virou-se para continuar seu caminho. Mal deu dois passos e ouviu um barulho alto, virou-se novamente e viu que o carro que a havia sujado tinha se chocado violentamente contra um poste. – Oh, meu Deus! – exclamou, entre chocada, por sua praga ter realmente pegado, e preocupada por conta do acidente.

A ruiva correu até lá, tomando um certo cuidado para não escorregar por causa da chuva e parou ao lado da porta do motorista dando algumas batidas no vidro para saber se ele estava bem ou pelo menos consciente.

- Por favor, chamem uma ambulância! – disse para um casal que havia se aproximado para ver se estava tudo bem e continuou batendo no vidro.

Depois de alguns minutos a porta do carro se abriu, revelando um loiro bastante desorientado e com o rosto ensangüentado, pelo visto havia batido a cabeça com muita força.

- Você está bem? – perguntou preocupada.

- O que você acha? – disse em tom ríspido – Ai, minha cabeça.

- Não precisa ser grosso!

- Então não faça perguntas idiotas! – finalmente olhou para a garota – Ei, você é aquela garota que...

- Que você jogou lama encima!

- ... que me jogou uma praga!

Disseram em uníssono e ficaram se encarando, irritados, até que o barulho da sirene da ambulância que acabava de chegar ali chamou a atenção de ambos. Gina se afastou um pouco para dar espaço para que os paramédicos fizessem seu trabalho e quando teve certeza que o loiro ficaria bem, foi embora. A ruiva achou que jamais o veria novamente, mas qual não foi a sua surpresa quando na semana seguinte trombou com ele no campus da faculdade em que acabara de ingressar. Nem é preciso dizer que a cada vez se cruzavam pelos corredores começavam a discutir, às vezes por motivos ridiculamente bobos, até que no último ano – de Gina, que cursava jornalismo e terminaria um ano antes de Draco – os dois ficaram presos dentro de uma das salas de projeções que estava com um defeito na fechadura e tiveram que se aturar por quase três horas. Metade desse tempo passaram discutindo, mas depois que cansaram de tanto bater boca, tiveram uma conversa razoavelmente civilizada. Desde então as provocações diminuíram, mas ainda se fizeram presentes pelo resto do ano letivo.

Ficaram mais de dois anos sem se verem ou terem qualquer notícia um do outro, não que quisessem ter alguma, mas acabaram se encontrando novamente quando um dos irmãos da ruiva sofreu um grave acidente e precisou ser operado às pressas, foi Draco quem fez a cirurgia e salvou a vida dele. A ruiva fez um certo esforço e engoliu o próprio orgulho ao convidá-lo para tomar um café e agradecê-lo devidamente, e para a surpresa de ambos, eram companhias agradáveis quando não estavam se xingando. Depois disso, não demorou muito para que houvessem outros convites para um café, depois almoços, jantares... demorou um pouco mais de um ano para que estivessem em um namoro firme e mais um para que se casassem.

***

Assim que o jantar ficou pronto Gina foi chamar o marido e a filha, encontrou-os no quarto da menina brincando de festa do chá com as bonecas da loirinha. Sorriu e ficou um bom tempo encostada à porta, apenas observando os dois, até que Sophie a viu.

- Mamãe! – sorriu largamente para a mãe – Quer brincar com a gente?

- Quem sabe depois? Agora está na hora de jantar. Vamos, os dois lavando as mãos! – mandou.

- Sim senhora! – disseram em uníssono e foram lavar as mãos.

Logo desceram os três para jantarem, a ruiva havia feito lasanha, comida favorita de Draco. Comeram e logo em seguida foram para a sala assistir tv, Gina se sentou no meio e os outros dois se deitaram com a cabeça em seu colo para verem a um filme infantil que estava passando. Aquilo era quase um ritual, a ruiva ficava acariciando o cabelo de ambos até que pegassem no sono e então ficava os admirando até que o filme acabasse, sem que nenhum deles tivesse realmente prestado atenção.

Adorava ficar assim, junto com as duas pessoas que mais amava na vida. Era a melhor parte do seu dia, a fazia se sentir a pessoa mais feliz de todo o mundo. E talvez, ela realmente fosse.

Notas finais
Mereço comentários???? O.o ????
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!