O Amor Desumano

1 Capítulo Único


Eu vivia em um lugar onde eu podia amar, um lugar onde eu tinha a quem amar, mas infelizmente, nem todas as coisas vão para o mesmo lugar, mas isso é culpa dos homens, que fazem as coisas, sem pensar que todos são diferentes, mas lembre-se que por mais que você ache que as coisas durem, um dia elas vão acabar.

Eu consegui um emprego numa agencia, de. Não sei como descrever o que seria isso, mas simplesmente nós recolhemos os androides nas qual o tempo acabou, e caso haja algum crime envolvendo eles, nós temos que descobrir.

Aqui as pessoas trabalham em duplas, geralmente é um androide e um humano. Acho que não deveria chamar eles de androide afinal, eles são muito semelhante a nós, e todos aqui tem seu próprio nome, eu não sabia com quem iria fazer par ainda, a gerente está me apresentando o local.

Passando por uma sala percebo, uma garota, cabelos prateados, os cabelos dela chegavam a me cegar, de tão bonitos que eram, e seus olhos com um tom de azul avermelhado, apesar de eu nunca ter tido um sentimento assim antes, parece que foi o tal do amor a primeira vista, mas ela estava sozinha, fiquei com vergonha de perguntar quem era ela, e não dava para saber se era uma androide ou uma humana.

Fui colocado uma semana em observação, para saber como o local era e como se trabalhava, mas uma coisa ainda me deixava inquieto, aquela garota não interagia com ninguém, mas as pessoas já conheciam ela, então não podia ser nova. A gerente me viu olhando para ela e disse:

— ficou interessado? Logo logo você terá uma surpresa.

Não sabia o que aquilo significava mas, já estava na hora de eu começar meu estágio e até agora eu não sabia quem era meu parceiro, estava curioso.

Chegou o dia de apresentar os novos estagiários e os seus parceiros, conforme foi sendo anunciado os parceiros, chega a minha vez, apareceu um nome na qual eu não tinha ouvido antes Isla(aisla). Bom essa seria minha parceira, mas não lembrava de ter conhecido ninguém com esse nome, somente vi seus cabelos prateados na minha frente, se posicionando ao meu lado.

Ela não disse nenhuma palavra, simplesmente não disse nada, me parecia estar com raiva e infeliz ao mesmo tempo, mas havia algo que eu estava esquecendo, ela era uma androide, mas isso pouco importava naquele curto momento de felicidade que eu estava sentindo.

Depois que acabou a apresentação, tentei falar com ela, mas ela foi embora, com uma cara não muito agradável, segui-a para saber o motivo, acabo seguindo ela em uma sala onde está somente ela e a gerente, não entro, mas ouço ela gritando:
—Por que você está fazendo isso comigo, eu não quero ferir ninguém.

—Isso é para seu próprio bem Isla, você sabe que seu...

Fui interrompido por um colega meu, eu queria muito saber o resto da conversa, mas ele não podia saber que eu estava espiando.

No dia seguinte chegando ao trabalho, estava ela novamente na mesa, me sentei ao lado dela, mas sem dizer uma palavra. A gerente nesse momento estava passando a tarefa do dia, nossa tarefa de hoje era de recolhimento, Isla não estava com uma cara muito feliz quando nosso trabalho foi anunciado. Timidamente, disse:

—então, vamos lá?

Ela só respondeu com um balançar de cabeça, o trabalho de recolhimento era no outro lado da cidade, pegamos o carro e fomos, eu não sabia como puxar assunto naquele momento, mas achei que seria melhor não apressar as coisas.

Chegando na casa, ela estava tremendo.

—Você está bem?
— sim, eu só preciso de um minuto.

Toquei na casa, me atenderam um casal, acredito que eles já estavam bem cientes da situação. Acontece que quando o tempo de um androide acaba ele necessita ser recolhido pois, é possível que comece haver falhas.

Eu não sei descrever o sentimento exatamente, mas os androides tem seu tempo estimado de 10 anos, porém aqui os androides não são contratados como empregados, mas sim como uma peça que falta na família, no caso desse casal, a mulher não podia engravidar, então fizeram ele como seu filho, porém, não são meramente androides, seus comportamentos são humanos, seu sentimentos são explícitos, é impossível você saber que alguém é androide até que ele ou seu ‘’dono’’ diga.

Um casal praticamente acabou de perder o seu filho, eu não sei como reagir. Isla não parava de tremer, mas era necessário. Eu não conseguia dirigir palavras de consolo ao casal, simplesmente dei um pedido de desculpas, e recolhemos.
—você não acha isso triste? – disse Isla
—doloroso, e pensar que nós teremos de fazer isso mais vezes.
—não será por tanto tempo.

E estava tão abalado emocionalmente que não consegui continuar a conversa, e pensar que deixei passar algo tão importante.

Chegando ao escritório, ela me da um café.
—toma, é para você não se sentir tão só.
—obrigado.
Ela me dá um sorriso tímido e sai, por um momento eu havia esquecido, de como ela era linda.
—E então, como foi o primeiro dia.- Diz a gerente.
—Dolorido, mas não foi de tudo ruim.
—Sabe de um tempo para Isla, ela já passou por muita coisa, e eu te botei junto a ela pois, acredito que você dará um tempo feliz a ela.

Ao longo de duas semanas de trabalho, nossa amizade estava caminhando aos poucos, mas ela ainda se fechava em alguns momentos, apesar da curiosidade não queria que minha intromissão afetasse o pouco de progresso daquele momento.

Dia seguinte, chegando ao trabalho, lhe dou um bom dia, felizmente hoje era um dia de folga, dado para melhorar o relacionamento entre os parceiros, Isla estava indo embora, quando eu parei-a,
—aonde você está indo?
—para casa- respondeu friamente.
—mas hoje não é um dia para nós passarmos juntos?

Por um breve momento senti a vergonha subir pelo meu corpo. Mas eu não era o único, constrangidamente eu olho o rosto dela, que também está envergonhada.

Ela segurou a minha mão com lagrimas nos olhos.
—Então vamos.

Apesar de eu não saber o motivo dela estar chorando, ela me parecia feliz, era um rosto que eu não havia visto nela até então. “vamos ao parque’’ exclamou.

Chegando ao porque, começamos a ir em diversas atrações diferentes, o que na minha intenção era para ser um passeio romântico, acabou virando um passeio de diversão, mas ela estava muito feliz, não podia estragar esse momento dela.

A última atração era a roda gigante, entramos, mas dessa vez estava um clima diferente, e não mais aquele de diversão.
—Faz tanto tempo desde que eu não venho ao parque de diversão. Disse ela, tanto tempo que não me sinto assim, muito obrigada.
Eu não sabia o que falar para ela mas alguma coisa deveria ser feita.
—Eu também tenho que te agradecer, faz um tempo também que eu não passo tanto tempo assim com alguém.

Um momento de silencio reina, somente houve-se o parque e o som das engrenagens da roda gigante.
—sabe esses últimos dias com você... Eu não sei, acho q estou gostando de você.
Um cara triste e de pena ao mesmo tempo aparece no rosto dela, naquele momento eu já queria me tacar da roda gigante.
—Você sabe que eu sou uma androide... eeh Eu não sei, você me fez sentir tão viva hoje, que é como se eu fosse humana.
—Mas para mim você é humana.
Um rosto envergonhando e uma lagrima brota do rosto dela.
—Eu também gosto de você.

Aquelas palavras encheram meu rosto de alegria. Naquele dia depois de sairmos do parque, levei-a em casa, e timidamente me deu um beijo de despedida. Com aquela mesma lagrima no rosto, que até esse momento não entendia o por que dela.

Dia seguinte no trabalho, não acho ela na mesa de sempre, achei estranho pois ela sempre é uma das primeiras a chegar, dou uma procurada pelo escritório. Vejo a Isla gritando com a gerente.
—Ontem eu cometi o maior erro da minha vida, e isso é culpa sua, por sua causa vou ferir mais uma pessoa, e que eu amo.

Eu apareço na porta, ela me vê, eu não entendia o por que dela não se abrir comigo, eu vou em direção a ela e dou-lhe um abraço, tristemente eu falo.
—Se você não me disser o que está acontecendo, você vai continuar sofrendo, e desse jeito você me fará sofrer também.
Caindo aos prantos ela me responde:
—Me desculpa, me desculpa mesmo, eu não queria que isso acontecesse. Eu só tenho mais uma semana de vida.

Naquele momento meu mundo desaba, Isla sai correndo da sala chorando. Eu não sabia o que fazer, agora eu havia entendi o porque dela não querer se aproximar tanto assim de mim, e mesmo assim eu forcei ela a isso. A culpa desaba sobre meu corpo. Mas a gerente põe a mão em meus ombros e diz:

—vai atrás dela, eu coloquei vocês juntos, mas não para ver Isla sofrer, mas sim para ela ter um momento de paz e prazer, nessa vida dura que ela teve, Já faz 2 anos que ela não tem um parceiro.

Corri atrás dela o máximo que eu pude, procurei em todos os lugares, fui até ao parque e lá estava ela, chorando. Eu também chorando abracei-a.

—Vamos passar essa ultima semana, juntos, me desculpe te forçar a isso tudo, eu não queria feri-la.
—Pare a culpa foi minha, você não sabia de nada, mas por favor não me abandone.

A gerente nos concedeu uma folga nessa ultima semana, mas havia um trabalho faltando, a ruina.
—fique comigo essa noite, nós não podemos perder um tempo sequer.

Passamos os últimos 6 dias juntos, hoje é o dia que Isla será recolhida, Mas tínhamos um trabalho a fazer.

Tínhamos que recolher uma androide que matou seu dono, por motivos desconhecidos, pelo que me parecia seu dono era um fanático religioso, havia raríssimos casos de mortes por androides, no máximo umas 30 desde que foram feitos.

Mas era nosso trabalho, chegando a casa, deveríamos descobrir o porque do androide ter matado seu dono, uma coisa que me deixava intrigado é que o seu dono foi morto um dia antes de seu dia de recolha, Por que ele mataria seu dono logo hoje.

Chegando a casa, tocamos a campanhia, o androide atendeu, mas ele só queria deixar Isla entrar, certamente eu recusei imediatamente, mas Isla disse que aquele era o único jeito de fazer as coisas, era nosso ultimo dia, ela devia fazer seu último trabalho.

—Então você é minha recolhedora, provavelmente você quer saber o por que de eu matar meu dono.

—Por favor, explique-se,

—Meu dono era um homem muito culto, e acreditava no seu Deus, ele sempre falava que nós nunca iriamos nos separar, pois uma vida eterna nos aguarda no Céu. Me fale querida, quanto tempo de vida você ainda tem?

—Hoje é meu ultimo dia.

—você já parou para pensar que esse vai ser o ultimo dia que você verá quem você mais ama?

—como você sabe disso?

—Olhares nunca mentem. A partir de hoje quando vocês me recolherem eu vou me juntar ao meu amado eternamente no céu.

Isla voltou com a androide desativada. Ela estava com uma cara pensativa, mas não dava para definir seu humor naquele exato momento, pode ter sido uma conversa pesada, não vou me alongar muito nesse assunto com ela, quero que esse seja o melhor dia da vida dela.

—E então descobriu o motivo de ela ter matado seu dono?

—sim.... ehh, Você acredita no céu?

Apesar de eu ter estranhado a pergunta, respondi que sim, deve haver algo depois da morte.

Chegando ao escritório, entregamos a androide. Isla me chama para a casa dela, para termos nosso último momento junto.

Ao chegar em casa, ela me parecia estranha, mas era compreensível, afinal era seu último dia. Ela volta com a mão atrás das costas.

—Está tudo bem Isla?

—Agora não, mas irá ficar, nós iremos ficar para sempre juntos.

Ela me da um abraço firme, sinto uma tremenda dor afiada na minha barriga.

—Isla, O que você...

—Eu te amo, eu fiz isso por nós, daqui a pouco nós nos encontraremos no céu

Essa foi a ultima vez que eu vi ela.

Infelizmente, graças a incompetência humana, e suas inverdades e seus achismos. EU abomino deus e os humanos. Afinal somente pode entrar para o paraíso o que foi criado por deus.

Notas finais
essa foi minha primeira historia, obg.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!