O Amor Acontece
18 I'm falling for your eyes, but they don't know me yet
Notas iniciais
A notícia do pedido de casamento feito por Harry a Ginny, logo chegou aos ouvidos de toda a família e eles não poderiam estar mais felizes. Molly e Lily queriam que o casamento acontecesse o quanto antes, por elas o casamento poderia ser amanhã. Ginny e Harry não tinham pressa, queriam um casamento simples, apenas com a família.
–Oi, desculpa a demora... Hermione chegou apressada à sala de espera do consultório.
–Sem problemas, Harry também está atrasado. Ginny largou o livro que lia e cumprimentou a cunhada. –Ele sempre se atrasa.
–Espero que ele não se atrase no dia do casamento. Hermione brincou, estava tão feliz pelo casamento deles.
–Quer dizer que Harry te pediu em casamento? Emma também chegou para a consulta de Ginny. –Ele não poderia ter feito isso uns dias atrás? Assim teríamos aproveitado a mesma festa!
–Você não iria querer uma noiva grávida estragando o seu incrível casamento, senhora Lupin. Ginny respondeu alisando sua enorme barriga. –Além do mais, Harry e eu preferimos algo mais simples, estou pensando em um casamento no jardim da casa dos meus pais.
O casamento de Teddy e Emma foi tão elegante como o casamento de um membro da família real. Os pais de Emma alugaram um dos mais luxuosos hotéis de Londres para a festa e disponibilizou aos convidados quartos para passarem a noite, Ginny nunca havia dormido em uma cama tão confortável.
A consulta começou um pouco atrasada, pois a doutora Anne foi chamada para um parto de emergência. Por mais que estivessem ansiosas, o tempo na sala de espera passou rápido, Hermione contava como estava os preparativos para o chá de bebê que aconteceria nos próximos dias e Ginny pedia a opinião delas sobre o seu casamento. Harry chegou a tempo e ficou aguardando com elas.
–Hoje temos uma pequena plateia presente para ver os meninos? Anne perguntou quando os quatro entraram em seu consultório.
–Aparentemente, apenas as fotos não são suficientes. Respondeu Harry brincando, mas Emma e Hermione o lançaram um olhar mortal, ele achou melhor deixar as brincadeiras de lado. –Hermione e Emma são as madrinhas...
–Isso significa que houve um progresso desde a nossa última consulta? Anne pediu para Ginny ir vestir a camisola hospitalar, enquanto ela fazia algumas anotações sobre o peso e pressão sanguínea de Ginny.
–Não foi só isso, houve um grande progresso em tudo! Hermione comentou.
–Isso é verdade! Emma concordou e vendo que a médica ficou curiosa, completou. –Os bebês finalmente têm nomes e teremos um chá de bebê no sábado, e o mais incrível e chocante de tudo, Harry pediu Ginny em casamento!
–Sério? Anne não esperava por isso, ficou surpresa mas feliz pelo casal. –E porque não estou vendo um anel nesse dedo, futura senhora Potter?
–Ela não quis. Harry respondeu por Ginny. –E aprendi nesses últimos meses que não se deve contrariar uma mulher grávida.
–Não faço questão de um anel de noivado, afinal planejamos nos casar antes dos bebês nascerem. Ginny explicou voltando já vestida com a camisola e, com a ajuda de Harry, subiu na maca para o exame. –E você está convidada para o chá de bebê e para o futuro casamento, Anne.
Hermione e Emma começaram a argumentar que Ginny era tola por não querer um anel, até mesmo Anne e Harry tiveram que concordar, todas as mulheres sonham em serem pedidas em casamento com um belo anel.
–Eu já vou usar a aliança, porque preciso de um anel? Ginny argumentou. –Se estou casada é porque já estive noiva, não preciso de um anel!
–Ótimo argumento, você deveria ser o pesadelo de qualquer juiz no tribunal! Harry segurou a mão de Ginny, demonstrando seu apoio na decisão dela. E olhou suplicando para que Emma e Hermione não tocassem mais nesse assunto, pois ele que teria que escutar mais tarde. –Então, assunto encerrado. Podemos voltar à atenção para os meus filhos?
–Claro! As madrinhas responderam rindo do desespero dele, pois sabiam o quanto Ginny ficava brava quando discordavam dela.
A conversa e as vozes encerraram assim que os batimentos cardíacos dos bebês ecoaram alto pelo consultório. Sempre que Harry e Ginny escutavam esse som, era como se nada mais importasse, queriam apenas ficar ali escutando as batidas dos corações de seus filhos. Achavam que sentiam isso por serem os pais, mas ao ver que Hermione e Emma estavam tão emocionadas quanto eles, tiveram a certeza de que os bebês tinham o poder de mexer com qualquer um.
–Está tudo bem com eles? Harry perguntou durante o exame.
–Estamos no caminho certo, Harry. Anne respondeu, não queria mascar a situação. –O segundo bebê...
–Theo. Ginny a interrompeu, ficando nervosa ao pensar que algo estava errado com seu filho. –O nome dele é Theo.
–Theo cresceu, mas não o bastante como deveria. Para um bebê de quase oito meses, os pulmões de Theo estão pouco desenvolvidos.
–O que isso significa? Hermione não conseguiu disfarçar a sua preocupação.
–Que ele pode desenvolver problemas respiratórios ao nascer. Emma como pediatra, respondeu.
–E como evitamos isso? Harry estava preocupado. –Tem como evitar?
–Sim, nós vamos fazer de tudo para evitar quaisquer complicações futuras. Anne assegurou. –Ginny irá tomar duas doses de uma injeção que irá ajudar a fortalecer o pulmão de Theo. Essa injeção é dada quando temos a possibilidade de um parto prematuro.
–O que acontece se tivermos um parto prematuro? Ginny não queria que escondessem nada dela. –Parto prematuro é normal quando se trata de gêmeos, certo?
–É normal, nós já falamos sobre isso e eu acredito que esse não é o seu caso. A médica tranquilizou a todos. –Você está entrando no oitavo mês, Ginny. Se tivermos um parto nas próximas semanas, com as injeções que você irá começar a tomar, não temos com o que nos preocupar.
Anne explicou todo o procedimento da utilização das injeções e que esse medicamento não iria prejudicar em nada Nathan, mas poderia sim ajuda-lo em caso de um parto prematuro. Ginny iria tomar uma injeção a cada sete dias, depois a médica avaliaria novamente como estava o desenvolvimento dos bebês. Nesse período, Ginny teria que ficar de repouso absoluto, nada de trabalhar ou esforços físicos. Depois da consulta, Ginny tomou a primeira dose da injeção, quanto antes começassem o tratamento, menos riscos corriam.
Tentando melhorar o clima e animar Ginny e Harry, para que eles parassem de pensar nas coisas ruins que poderiam acontecer, Emma e Hermione, junto com Teddy e Ron, os levaram para jantar.
–Não vou mentir. Ron quebrou o silencio que permanecia durante o jantar. –Estou realmente ansioso para esse chá de bebê!
–Teremos que cancelar. Ginny disse desanimada, mexendo com a comida em seu prato, sem vontade de comer.
–Por quê? Todos perguntaram sem entender.
–Ginny tem razão. Harry falou tentando empurrar a comida para a sua boca. –Anne pediu que Ginny ficasse de repouso, não acho que o chá de bebê seja uma boa ideia.
–Eu falei com Anne. Emma não queria vê-los desse jeito, tristes e só esperando o pior. –Nós, como médicas, achamos que o chá de bebê fará bem para Ginny.
Harry e Ginny se olharam, os amigos tinham razão, a festa seria boa para anima-los.
–Vamos manter o chá de bebê. Harry respondeu, deixando um discreto sorriso surgir no seu rosto. –Mas vocês prometam que irão deixar Ginny sentada durante todo o tempo!
–Sim, Harry. Hermione e Emma concordaram sorrindo. –Nós tomaremos conta dela e dos nossos afilhados.
–Já que Ron está ansioso para passar a tarde cercado por mulheres babando com coisas de bebês. Teddy riu. –Nós podemos sair, ir a um jogo ou apenas ir a um pub, o que acha, Harry? Ou você também quer participar do chá?
–Cala a boca, Teddy! Ron fingiu estar bravo, mas acabou rindo também. –Só disse que estou ansioso pelo fato de ser o chá de bebê dos meus sobrinhos e a minha casa ter se transformado em um berçário!
–Parece um ótimo programa, Teddy. Harry sorriu e voltou a comer, todos os pensamentos ruins saíram de sua cabeça naquele momento.
–Mas vocês terão que aparecer no chá de bebê! Hermione disse autoritária. –Principalmente o Harry que é o pai! Você e Ginny serão o centro das atenções!
–Será que eu posso deixar o Ron no meu lugar? Ginny brincou.
No meio da madrugada, Harry acordou e não conseguiu voltar a dormir, mais um pesadelo o perturbava. Ginny dormia tranquilamente ao seu lado e antes que a acordasse, resolveu levantar e ir para a sala. O apartamento de Ginny ainda tinha algumas caixas espalhadas pelos cantos, Harry ainda se acostumava com a mudança. Para ajuda-la, ele começou a abrir algumas caixas e ver onde poderia guardar o seu conteúdo.
Em uma das caixas, Harry encontrou o vídeo de um ultrassom de Ginny, provavelmente era o vídeo da consulta em que descobriram que esperavam meninos. Ele não estava presente, teve que viajar. Harry ligou o DVD e começou a assistir, logo viu o quanto seus filhos haviam crescido. Pelo computador, Anne havia contornado o corpo dos bebês para que pudessem enxergar melhor. Nathan tinha o formato do nariz de Harry, assim como Theo. Harry ficou procurando nos bebês algo que lembrasse Ginny, depois de um longo tempo de procura, pois os meninos pareciam ser uma cópia dele, Harry percebeu que Theo tinha o mesmo formato da boca de Ginny, ficou feliz com isso, pois uma das coisas que mais amava em Ginny era o seu sorriso.
–Não sei explicar, mas foi nesse dia que eu percebi que a minha vida nunca mais seria completa sem esses dois. Ginny apareceu na sala, o assustando pela sua aparição repentina. –Desculpe, não queria te assustar. Ela sentou ao lado dele no sofá. –Não conseguiu dormir?
–É. Ele pausou o vídeo. –Achei melhor vir aqui e arrumar essa bagunça. E você?
–Três horas, hora de ir ao banheiro e comer qualquer coisa que eu encontre na geladeira. Ela respondeu. –E para a sua informação, essas caixas só estão aqui ainda porque você pediu, lembra?
–Sim, eu ainda acho que o melhor é nós morarmos um tempo com a minha mãe. O quarto dos meninos está pronto, teremos minha mãe e Olivia para nos ajudar. E agora que você precisa ficar de repouso, sempre terá alguém para lhe fazer companhia.
–Mas eu gosto de morar aqui e não quero dar trabalho a sua mãe.
–Eu sei, mas lá é mais seguro para você. Harry explicou mais uma vez. –Minha mãe está tão animada com a ideia de tê-la morando conosco, assim ela poderá ver os netos todos os dias! Não iremos morar para sempre com a minha mãe, eu definitivamente não quero isso, só por esse tempo em que iremos precisar de ajuda. Depois procuramos uma casa para nós, no lugar que você escolher.
–Irei pensar. Ela sorriu, sabia que Harry tinha razão, mas finalmente tinha um lugar para chamar de seu. –Talvez se você me trouxer um sorvete de morando, posso pensar melhor.
–Mas você detesta sorvete de morango! Ele não entendeu o pedido. –Até me proibiu de comer, porque não queria sentir o cheiro.
–Eu sei, mas agora eu estou com vontade de comer. Ginny sorriu, como se fosse uma boa explicação. –Por favor! Seus filhos e eu queremos sorvete de morango!
Harry caminhou lentamente para o quarto, trocou seu pijama pela primeira roupa que encontrou e foi atrás do sorvete de morando. Tinha um supermercado perto do apartamento de Ginny que ficava aberto 24 horas por dia e era lá que Harry ia sempre que tinha que atender algum desejo maluco de Ginny. Harry acabou se perdendo dentro do mercado e parou no departamento de vendas de roupas, e uma vitrine de joias, mais precisamente um anel o chamou atenção. Quando se decidia entre comprar ou não o anel, Ginny ligou pedindo que ele trouxesse batata frita também.
–O que? Ginny perguntou ao ver a cara de nojo que ele fazia enquanto ela comia o sorvete com batata frita. –É bom! Deveria experimentar antes de fazer essa cara de nojo!
–Não, eu estou bem. Ele recusou rindo, comendo um chocolate que trouxera do mercado.
–Tudo bem. Ela deu de ombros e roubou um pedaço do chocolate dele. –Quer continuar assistindo?
–Claro, estou sem sono mesmo. Harry ligou novamente o DVD.
Ginny tinha a cópia de quase todos os ultrassons que havia feito, eles ficaram assistindo e vendo o quanto os bebês haviam crescido desde a primeira até a que fizeram hoje.
–Se eu não estivesse carregando esses bebês, eu teria duvidas se eles realmente são meus filhos! Ela disse apontando para a televisão. –Eles são uma miniatura de você! Olha até o cabelo deles é bagunçado como o seu!
–Obrigado pelo elogio ao meu cabelo. Ele riu o que deixou Ginny ainda mais brava. –Talvez eles sejam ruivos...
–Do jeito que as coisas estão caminhando, a probabilidade é que isso não aconteça. Ginny riu, não estava brava pelos meninos se parecerem com Harry, ao contrario, estava feliz, afinal Harry era muito bonito. –Sabe o que eu desejei desde a primeira vez que Anne me mostrou os meninos?
–O que? Sorvete de morango com batata frita? Harry se ajeitou melhor no sofá e deixou que Ginny deitasse no seu colo.
–Que eles tivessem seus olhos verdes. Ela respondeu olhando para os olhos dele. –Sempre que olho para os seus olhos, eles de alguma forma me dizem que não importa o que aconteça, nós ficaremos bem.
–Nós iremos ficar bem. Harry a beijou, quando algumas lágrimas escorriam pelos olhos dela. –Sabe o que eu reparei? Ela negou, limpando as lágrimas. –Theo tem a boca igual a sua.
–Mentira! Ela riu do que ele disse. –Você só está dizendo isso para eu me sentir melhor.
–É verdade! Em um dos vídeos parece que ele está sorrindo e o sorriso é igual ao seu. Ele sorriu ao ver que Ginny estava sorrindo. –Esse sorriso que eu estou falando!
–E se... Ela começou a falar, mas Harry a calou com outro beijo, não deixando que ela completasse a frase.
–Theo William Potter. Harry começou a falar. –William significa forte e eu sei que ele será forte.
–Eu não irei conseguir... Ginny não conseguiu completar, começou a chorar só de pensar na possibilidade de perder um dos filhos.
–Nós vamos ficar bem! Harry a abraçou, afirmando não só a ela, mas a si mesmo. –Os meninos irão ficar bem, nós iremos ficar bem. Ele pegou a sacola do mercado que havia guardado o anel e ficou na dúvida se dava a ela ou não. –Eu sei que você não queria nada disso, mas hoje no mercado eu encontrei isso e comprei...
Ginny viu o anel que Harry segurava, não tinha nada demais, provavelmente era imitação de uma joia. Mas para ela, esse anel era o mais lindo que já vira.
–Esse anel deve ser de plástico ou de algum material ruim. Harry se arrependeu de ter mencionado o anel e tentou guarda-lo no bolso, mas Ginny o pegou e colocou no dedo. –Você não precisa aceitar, eu paguei quinze libras nisso...
–Nossa, muito romântico da sua parte me dizer quanto pagou no meu anel de noivado. Ela sorriu admirando o anel no seu dedo. –Já disse várias vezes que o dinheiro não importa, Harry, e era por isso que eu não queria que você comprasse um anel. Pois eu sei que você iria procurar pelo mais caro, estou certa?
–É, foi isso que eu fiz quando comprei o anel que daria a Cho. Ele confessou e não deixou de sorrir ao ter mais uma vez a certeza de que Ginny era a mulher certa. –Só que é vergonhoso dizer às pessoas que eu comprei seu anel no mercado! Aposto que essa imitação de joia não irá durar nem três dias!
–Quem liga para o que as pessoas irão dizer? Se estragar, é só você voltar ao mercado e comprar outro. Ela brincou. –Assim será como se você me pedisse em casamento a cada três dias!
–E se em um desses dias, você percebe que tudo não passou de um erro , fica arrependida e não aceita o meu pedido? Harry amava o senso de humor dela, muitas vezes ela usava em situações equivocadas, como quando eles estavam no meio de uma discussão.
–Então você deve me levar ao médico, pois estarei com algum problema mental se eu não aceitar. Ginny o beijou. –Nem mesmo no dia que eu estiver realmente brava com você, eu irei pensar que o nosso casamento ou tudo que tivemos foi um erro.
Quando Harry achava que não poderia amar mais Ginny, ela o surpreendia com algum gesto, palavra ou qualquer simples coisa. E então era como se Harry se apaixonasse novamente por ela, mostrando que ele poderia sim ama-la ainda mais.
–Promete que vai tirar esses pensamentos ruins da cabeça?
–Vou tentar. Ela respondeu. –Deveria fazer o mesmo, afinal acordar às três da manhã não é algo que costuma fazer quando não se tem preocupações e temores passando pela sua cabeça.
–Touché! Ele fez o gesto como se Ginny tivesse lhe acertado um golpe.
Já estava amanhecendo quando eles voltaram para a cama e conseguiram dormir. Não dormiram por muito tempo, pois logo Hermione ligou intimando Ginny a ir fazer compras para o chá de bebê.
A saúde de Theo era uma preocupação, mas doutora Anne já havia começado o tratamento e manter em mente pensamentos ruins, só iria fazer com que esses pensamentos se tornassem realidade. Harry e Ginny tinham que se preparar para o grande chá de bebê que Hermione estava planejando e pensar nos preparativos do casamento.
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