O Amor Acontece

2 I saw your face in a crowded place


Notas iniciais
Desculpa a demora, para compensar esse capítulo ficou maior!

Antes de embarcar, Harry ligou para o seu chefe e sem dar muitos detalhes, apenas informou que aceitava a proposta e que já estava a caminho de Londres. Ele ficou feliz por Harry ter aceitado, desejou sorte e avisou que teria alguns dias de folga antes de começar na nova função.

Depois de mais de vinte horas entre conexões e voos, finalmente estava em casa, mas não sabia para onde ir. Não queria incomodar sua mãe, também se voltasse para casa teria que explicar tudo o que aconteceu nos últimos anos e não estava afim deste tipo de conversa. A única pessoa que não iria lhe exigir explicações era Hermione.

Hermione morava em um pequeno apartamento perto do centro da cidade. Quando faziam faculdade chegaram a dividir este apartamento, tinha boas recordações do lugar.

–Quem é? Hermione foi acordada pela campainha tocando interruptamente. Quando abriu a porta, não acreditou que ele estava parado na sua porta. –Harry! É onze horas da noite, o que faz aqui?

–Olá, Hermione! Harry respondeu depois de um longo abraço. –Será que eu cheguei cedo demais para o seu casamento?

–Talvez... Ela não estava entendendo. –Você não veio apenas para o meu casamento, não é?

–Não, eu vim em definitivo. Terá que me aguentar!

–Eu não acredito! Hermione o abraçou novamente. –Eu encontrei sua mãe hoje e ela não me disse nada.

–Ela não sabe ainda, sinta-se especial por saber em primeira mão!

–O que aconteceu? Ela perguntou um pouco preocupada. –A última vez que nos falamos você não parecia ter planos de voltar.

–Eu sei, mas os planos mudam. Não era isso que Hermione esperava como resposta e ele percebeu, mas não queria conversar agora. –Amanhã eu prometo te contar tudo. Agora, será que eu posso dormir no seu sofá?

Hermione não insistiu, pois Harry sabia que quando estivesse pronto para conversar, ela estaria ali para escuta-lo e como sempre lhe dar conselhos. Hermione improvisou uma cama para que ele pudesse passar a noite no seu sofá.

Demorou até que Harry conseguisse dormir, ficou por horas relembrando a cena de Cho com outro homem e quando ela disse que já o traia há um ano, mas por fim o cansaço venceu e conseguiu fechar os olhos. Acordou no outro dia com um delicioso cheiro de torradas.

–Bom dia! Harry sentou-se a mesa pronta para tomarem café. –Suas torradas estão com um cheiro delicioso!

–Você e Ron adoram minhas torradas! Hermione serviu as torradas e o chá.

Ficaram em silêncio por um tempo, apenas escutando o barulho dos carros na rua e o barulho deles mastigando as torradas. Harry sabia que Hermione estava se segurando para não perguntar o que aconteceu, então resolveu começar.

–Tudo começou com uma indicação do meu chefe para eu ser o diretor financeiro da empresa, ou seja, voltaria para Londres... Harry contou toda a história. –E foi isso que aconteceu.

–Harry, eu... Eu não sei o que dizer, sinto muito. Hermione segurou nas mãos dele. –Confesso que nunca fui com a cara da sua namorada.

–Você só a conheceu por fotos! Ele riu. –Talvez não fosse para acontecer.

–Ei, você ainda vai encontrar a pessoa certa! Assim como eu encontrei a minha.

–Falando nele, quando irei conhecer pessoalmente o famoso Ronald Weasley? Harry a provocou. –Eu tenho que aprovar, afinal não é qualquer um que pode casar com a minha melhor amiga!

–Tudo bem ciumento, Ron está viajando a trabalho, deve voltar em algumas semanas.

–Huum... Então nosso Ronald Weasley é um cara importante!

–Sim, ele é engenheiro ambiental e está trabalhando em um grande projeto. Hermione lhe deu tapa no braço. –Chega de falar do meu noivo, vamos falar sobre você. O que irá fazer?

–Não sei. Ele tirou o sorriso do rosto e ficou com um semblante mais tenso. –Acho que antes de começar a trabalhar, devo avisar minha mãe que voltei.

–Tem razão, se quiser companhia até o metro. Estou saindo em vinte minutos!

Hermione e Harry foram andando até o metro e de lá seguiram direções diferentes. Harry agradeceu a amiga pela hospedagem e por escuta-lo, Hermione gostaria de acompanhar o amigo, mas tinha que trabalhar.

Após algumas estações, Harry chegou a Greenwich. A casa pertencia a família Potter desde que James e Lily se cassaram e após a morte do marido, Lily continuou morando ali. James morreu quando Harry ainda era adolescente.

–Harry? Olivia trabalhava na casa há anos e Harry a considerava sua segunda mãe. –Você voltou?

–Voltei! Ele a abraçou. –Minha mãe está em casa?

–Sim, sua mãe está no escritório. Olivia pegou a mala e antes que ele pudesse dizer algo e completou. –Irei deixa-la no seu quarto. Sua mãe não irá deixar você ir a lugar algum!

–Tudo bem, na verdade não há outro lugar que eu queira ficar!

Ao caminhar pela casa, Harry notou poucas mudanças desde que deixou de morar ali. Algumas paredes foram pintadas e moveis trocados, mas o que mais gostava ainda permanecia, as fotos. Sua mãe tinha pela casa várias fotos desde o namoro com o marido à formatura do filho.

–Posso entrar? Harry bateu na porta e ficou aguardando uma resposta.

–Entra! Lily estava tão concentrada no trabalho que não reconheceu a voz do filho.

–Não estou atrapalhando, não é?

–É claro que não! Ela deixou os papeis de lado e foi até ele, o abraçou forte. –Estava com tantas saudades de você!

–Eu também estava com saudades! Ele sentiu sua camisa ficar molhada. –Mãe, a senhora está chorando?

–Sabe que eu não gosto que me chame de senhora! Lily o repreendeu sem tirar o sorriso. –Estou chorando porque o meu filho desnaturado ficou anos sem me visitar! E falando nisso, o que devo a honra da sua visita, Harry James Potter?

–Não é uma visita, eu vim para ficar!

As próximas semanas seguiram assim, Harry sendo cuidado e mimado pela mãe. Lily não deixou que o filho fosse para um hotel ou que alugasse um apartamento, queria tirar o atraso dos últimos anos e o queria o mais perto possível.

–Aonde o senhor vai? Lily perguntou ao ver o filho se arrumando. –Algum encontro?

–Se você considera conhecer o noivo da Hermione um encontro... Harry vestiu o blazer. –Não devo voltar tarde.

–Você irá adorar o Ron. Ele é uma ótima pessoa! Ela conferiu a roupa dele. –Espero que um dia também encontre a pessoa certa.

–Sinceramente, não estou atrás dessa pessoa. Ele beijou a mãe, pegou o celular, a carteira e saiu.

Hermione avisou mais cedo que o noivo estava voltando de viagem e que a noite poderiam sair para jantar. Harry chegou ao restaurante marcado e ficou no bar tomando uma bebida. Depois de quarenta minutos de espera e várias mensagens enviadas para o celular de Hermione que ficaram sem resposta, ele resolveu ligar para ela.

–Alô? Hermione atendeu depois de vários toques e com a voz sonolenta.

–Não acredito que você esqueceu! Ele disse bravo. –Eu estou aqui no restaurante esperando vocês!

–Harry, eu sinto muito! Ron chegou de viagem e nós... Ela ficou sem graça. –Espere mais alguns minutos e estaremos aí!

–Está tudo bem! Harry começou a rir. –Vocês sabem que irão se casar em algumas semanas, não é? Não podem esperar?

–Eu te fiz ficar esperando quase uma hora em um restaurante, mas isso não lhe dá o direito de fazer piadas sobre a minha vida... Hermione ficou mais constrangida. –É, sobre a minha vida!

–Eu que estou constrangido por ficar pedindo para o garçom segurar a mesa! Ele adorava deixar a amiga sem graça. –Então aproveite bem a sua noite!

–Não enche, Harry! Ela desligou o telefone.

Ainda eram oito horas e Harry não queria voltar para casa e passar mais uma noite de sexta-feira assistindo algum documentário com a sua mãe. Saiu do restaurante e ficou perambulando pelo centro agitado de Londres até encontrar um pub. O pub estava cheio de amigos conversando e casais namorando, Harry pediu uma cerveja e sentou-se no fundo do bar. Estava tudo bem e Harry já até curtia esse momento de solidão, apenas observando as pessoas ao seu redor, até receber uma mensagem de Cho.

“Harry, nós não nos falamos desde aquele dia. Estou preocupada, fui até o seu escritório e me disseram que você não trabalha mais lá. Por favor, me responda, precisamos conversar. Te amo, Cho.”

Não conseguia acreditar na mensagem que leu. Cho não tinha o direito de se preocupar, ela o causou tudo isso. Só queria esquecer a mensagem e Cho , e mais uma cerveja era a ajuda que precisava. Levantou rapidamente do banco indo em direção ao barman e perdeu o equilíbrio caindo e derrubando alguém no chão.

–Desculpe! Ele tentou se levantar e ajudar a pessoa, mas acabou derrubando o resto da cerveja nele e na pessoa.

–Ei! A mulher conseguiu finalmente se levantar. –Você está bem?

–É, estou. Harry ficou sem jeito. –Olha o que eu fiz, derrubei cerveja em você! Sinto muito!

–Tudo bem. Ela respondeu despreocupada. –Sorte sua que não era a minha melhor blusa!

–O que posso fazer para você me desculpar? Ele viu o quanto à blusa dela ficou manchada.

–Talvez me pagar uma cerveja ou você estava de saída?

–Não, é o mínimo que posso fazer para me desculpar.

–Muito bem, estranho. Ela lhe estendeu a mão. –Prazer, Ginny!

–Prazer, Harry. Ele retribuiu o cumprimento.

Harry buscou as cervejas e foram sentar em uma mesa um pouco mais afastada das pessoas, assim poderiam conversar melhor. Ginny era uma mulher encantadora e muito bonita, em minutos fez com que Harry sentisse que era outra pessoa, mais alegre. Até conversar sobre o clima de Londres era divertido com ela.

–Então qual a sua história? Ela perguntou para se conhecerem melhor.

–Não tenho uma história que vale a pena ser contada, sou apenas um cara em um pub que está conversando com uma bela mulher. Ele tomou o último gole da sua cerveja. –E você?

–Todo mundo tem uma história que vale a pena ser contada. Antes que ele pudesse protestar, Ginny continuou. –O seu olhar diz que você não está bem, mas não se preocupe irá passar.

–Obrigado, eu acho. Harry ficou sem jeito, uma desconhecida queria ajuda-lo. –Quem sabe se continuar bebendo comigo, até o fim da noite eu conto a minha história.

–Parece ser uma ótima troca! Ela respondeu pegando o próximo copo de cerveja.

Depois de algumas cervejas estavam mais soltos e alegres. Ginny não tinha o costume de beber e com a conversa agradável passou do seu limite. Harry já estava bebendo há algum tempo e a alta quantidade de álcool já trazia os efeitos.

–Acho melhor ir para casa, está ficando tarde. Ginny procurou o casaco.

–Ainda é cedo. Harry segurou a mão dela. –Fique mais um pouco.

–Não posso, eu trabalho amanhã. Ela fez menção em pegar a carteira, mas Harry a impediu.

–É por minha conta. E eu te acompanho até a sua casa.

Mesmo com o frio que fazia, Ginny perguntou se poderiam ir andando, pois morava ali perto e adorava andar pela cidade quando ela estava tranquila. Harry concordou, a caminhada iria ajuda-lo a recuperar os sentidos e não chegar tão bêbado em casa.

–Chegamos. Gina parou em frente a uma floricultura. –Obrigada por me trazer.

–Posso estar bêbado, mas estamos em frente a uma floricultura.

–Sim, essa floricultura é minha e moro em um tipo de apartamento que fica em cima. Ela explicou pegando as chaves para abrir a porta. –Quer conhecer?

–Você não se importa? Ginny balançou a cabeça negando e o puxou para dentro. –Isso é realmente muito legal! Harry ficou impressionado com a quantidade e variedade de flores.

A floricultura não tinha nada demais, era simples e bem cuidado. Nos fundos uma escada dava acesso ao apartamento onde ela morava. O apartamento era pequeno, mas muito aconchegante. Tudo fazia parte do mesmo ambiente, o que deixava ainda mais único.

Ginny o deixou na sala que também era seu quarto e foi preparar o chá. Harry ficou sentado na cama a esperando. Ficaram sentados na cama apenas tomando o chá em completo silêncio.

–Antes de ir embora, tenho que fazer algo. Ele disse de repente. –Beijar você.

Ginny nada respondeu, também queria beija-lo desde o momento que o viu no pub. Harry aceitou o silêncio dela como resposta positiva e a beijou. Foram ficando mais próximos e o doce beijo tornou-se mais intenso. Não sabiam se era a quantidade absurda de álcool que haviam consumido ou apenas o desejo falando, mas ambos não queriam terminar a noite com apenas alguns beijos. Sem muita consciência dos atos, passaram a noite juntos.

Na manhã seguinte, foram acordados por um barulho irritante que Harry logo descobriu ser seu celular. Era Lily preocupada querendo saber onde o filho estava e porque ele não havia voltado para casa. Sem graça por Ginny estar escutando a conversa, Harry disse qualquer coisa e desligou o telefone.

–Desculpe sobre isso. Ele falou disfarçando com um sorriso. –Era minha mãe.

–É eu escutei, a mamãe estava preocupada? Ginny não perderia a chance de zomba-lo. –Espero que não fique de castigo por minha causa.

–Tudo bem, pode rir. Harry aceitou a piada. –Estava bêbado, mas acho que irá valer a pena ficar de castigo por essa noite e especialmente por você.

–Falando nisso, uma dor de cabeça começa a querer incomodar. Aceita um café ou sua mãe tem alguma receita caseira melhor?

–Café seria ótimo!

Depois de tomarem café, Harry achou melhor ir embora, Ginny teria que abrir a floricultura em pouco tempo e não queria atrapalha-la. Antes de se despedirem, trocaram os números de telefone, mas ambos sabiam que essa troca foi meramente formal do que um sinal para se encontrarem novamente.

–Então até mais, Ginny!

–Até mais, Harry!

E assim cada um seguiu seu caminho. Foi apenas uma noite.

Notas finais
É isso ai, até o próximo!