O Amor Acontece
26 Epilogo
Notas iniciais
Alguns anos depois
Férias. Era tudo que Harry e Ginny precisavam. Trabalhar durante o dia e ao chegar em casa, dois meninos com energia inesgotável os esperavam para brincar, não era uma jornada fácil. Desde que Theo e Nathan nasceram foram raros os momentos que Harry e Ginny tiveram como casal, então como presente de três anos de casamento, eles iriam passar alguns dias em Paris.
–Olá? Harry chegou em casa animado, estava oficialmente de férias. Deixou seu terno e pasta na sala e saiu à procura de alguém, mas estava sozinho em casa.
Horas depois Ginny chegou em casa, depois de trabalhar o dia inteiro na floricultura foi a casa de Hermione ajuda-la com os preparativos do chá-de-bebê que aconteceria amanhã. Ao ver as coisas do marido jogadas no sofá e escutar o barulho de pratos na cozinha, sabia que ele havia chego antes dela.
–Boa noite! Ela impediu o marido de derrubar um prato no chão. –Se aventurando na cozinha?
–Boa noite! Harry sorriu agradecendo a ajuda, pegou o prato e colocou uma fatia de pizza. –Servida? Não sabia se você ia demorar, então fiz o jantar.
–Muito obrigada! Ginny aceitou o prato e começou a comer rapidamente a pizza. –Estou morrendo de fome!
–Estou vendo. Ele olhou um pouco assustado com a velocidade que a esposa devorava aquela fatia de pizza e se encaminhava para a próxima. –Acho melhor pedir outra pizza...
–O que você quer dizer com isso? Ela falou com a boca cheia, seu apetite estava descontrolado nos últimos dias. –Eu estou comendo demais? Sinto muito, mas eu não irei parar e...
–Fique a vontade. Harry a interrompeu calando a esposa com um beijo e depois limpou o canto da boca dela que estava sujo com o molho da pizza.
–E você terá que se contentar com uma esposa chata e gorda. Ginny completou e voltou a comer a sua pizza.
A casa estava silenciosa demais sem a agitação e barulho de brinquedos dos filhos, até que dois pequeninos invadiram a sala com seus passos apresados em direção aos pais. Trazendo o natural barulho para a casa.
–Quem são vocês? Harry perguntou fazendo cócegas nas crianças.
–Sou o Theo, pai! O menino tentava responder em meio a risadas.
–E eu o Nate! O outro menino completou tentando fugir para o colo da mãe.
–Eles se comportaram? Ginny perguntou a sogra com Nathan no seu colo.
–Sim, foram bons meninos e obedeceram a vovó. Lily respondeu e os netos concordaram sorrindo.
–Obrigado, mãe, por ter ficado com os meninos. Harry agradeceu com um beijo.
–Não foi nada, é sempre um prazer cuidar dos meus netos. Lily piscou para Ginny, que ficou com o rosto corado com o gesto, e subiu para o seu quarto levando a sua mala.
Quando os meninos completaram seis meses, Ginny e Harry começaram a procurar uma casa para se mudar, não queriam mais incomodar Lily. Mas Lily não os deixou se mudar, era um prazer para ela ter o filho, a nora e os netos morando em sua casa que tinha espaço mais que suficiente para todos. E agora que estava aposentada tinha tempo para ajudar a cuidar dos meninos no que eles precisassem.
Foi difícil fazer Nathan e Theo dormirem, eles queriam contar tudo que fizeram na casa de praia com a vovó Lily e o vovô Sirius. Depois de escutar tudo o que eles tinham para falar e ler duas histórias para dormir, Harry e Ginny finalmente conseguiram fazer os filhos dormirem.
–Tudo que eu preciso agora é de um bom banho e... Ginny não conseguiu completar sua frase, pois Harry a interrompeu com vários beijos.
–Também preciso tomar banho. Harry murmurou enquanto distribuía beijos pelo pescoço da esposa, tentando tirar a sua blusa.
–E depois dormir. Ela o empurrou forte o suficiente para fazê-lo cair na cama, aproveitou essa rápida distancia e entrou no banheiro, antes de fechar a porta avisou a Harry. –Temos que dormir, pois prometi a Hermione que iriamos cedo ajuda-la com os preparativos do chá-de-bebê!
–Acordando cedo no meu primeiro dia de férias! Ele falou alto e frustrado para que Ginny pudesse escutar mesmo com a porta fechada. –Ótimo!
Ginny ficou longos minutos no banho, apenas pensando que sua suspeita não poderia ser verdade, não conseguiria passar mais uma noite com essa duvida a incomodando. Saiu do banho e procurou no armário de baixo da pia pelo teste de gravidez comprado ontem na hora do almoço na farmácia. Lá estava ele, escondido entre seus shampoos e cremes, lugar que Harry nunca iria mexer.
Ao fazer o teste, Ginny se lembrou da primeira e última vez que passou por isso. Estava aflita e com medo no banheiro de Hermione, sem saber o que fazer quando todos os testes deram o resultado que temia. Desta vez o sentimento não era diferente, estava com medo, pois seria mais uma gravidez não planejada e seus filhos eram tão novos e ainda precisavam da sua ajuda, como faria isso com mais um bebê?
Em meio aos seus pensamentos e temores, Ginny não percebeu o teste em cima da pia apontar o resultado. Dois tracinhos. Não tinha dúvidas, não era necessário fazer outro teste, pois o resultado não iria mudar. Mais um bebê estava a caminho. Ginny Potter estava grávida.
Harry dormia pesadamente quando Ginny finalmente saiu do banheiro. O cansaço a consumia e após tirar o peso da dúvida, Ginny se aconchegou em Harry e dormiu com a mão acariciando sua barriga, sem tirar um sorriso do rosto. Nada a deixaria mais feliz do que ser mãe novamente.
A manhã foi tão agitada que Ginny e Harry mal trocaram três palavras, tomaram café da manhã tentando empurrar qualquer coisa na boca dos meninos que estavam mais interessados em brincar com a comida, depois precisaram limpa-los antes de arruma-los, pois tinha mingau e bolacha por todo o corpo das crianças. Quando finalmente estavam todos prontos, Ginny teve uma crise de enjoo e ficou uns quarenta minutos no banheiro, colocando para fora tudo que comera no café da manhã.
–Posso deixar os meninos com mamãe na casa da Hermione e te levo para o hospital. Harry falou preocupado enquanto dirigia.
–Não precisa, já vai passar. Ginny estava pálida e o movimento do carro só fazia o enjoo aumentar.
–O desenho acabou! Theo interrompeu a conversa.
–Quero outro desenho! Nathan pediu.
–É a terceira vez essa semana que Ginny passa mal. Lily comentou enquanto colocava outro desenho no dvd portátil dos netos. –Pronto, querido.
–Por que você não me disse nada? Harry perguntou ainda mais preocupado. –Você é teimosa demais, Ginny!
–Eu estou bem! Ela respondeu cansada desse assunto e olhou aliviada para a casa do irmão que se aproximava, alguns minutos a mais no balanço do carro e vomitaria ali mesmo.
O carro mal parou e Ginny saltou correndo para dentro da casa, abriu a porta e passou direto pelo irmão que a olhou assustada, entrou no banheiro e vomitou o que ainda restava no seu estomago.
–Ela vai ficar bem, filho. Lily o tranquilizou, sua suspeita acabava de ser confirmada.
–Como pode ter certeza? Ele tirava os filhos da cadeirinha do carro com a ajuda da mãe.
–Confia na sua mãe. Ela sorriu com Theo no colo e caminhou para a casa.
O assunto não poderia ser outro durante toda a manhã e até mesmo durante a festa, agora todos sabiam que Ginny passou mal, mesmo que as fofocas não corressem, sua cara pálida e indisposição a denunciavam. Apenas no final da tarde quando uma refrescante brisa de verão chegou, Ginny começou a se sentir melhor, conseguiu até comer algumas coisas.
–Você está gravida, filha? Molly aproveitou um momento a sos com a filha para perguntar, mesmo tendo certeza.
–O que? Ginny se assustou com a indagação de sua mãe. –Está tão visível assim? Lily também fica me olhando desse jeito, ela apenas não perguntou.
–Mães sabem, minha filha. Molly a abraçou, feliz por mais um neto a caminho. –Harry já sabe?
–Sabe do que? Hermione entrou na cozinha e perguntou curiosa.
–Ginny está grávida! Molly respondeu.
–Mãe! Ginny a repreendeu em vão e Hermione a abraçou feliz pela novidade. –Não contem para mais ninguém!
–Está bem! Hermione falou animada. –Como pretende contar ao Harry?
–Não sei, fiz o teste de farmácia ontem. Ela contou feliz pelo modo como a sua gravidez foi recebida. –Pensei em contar quando estivéssemos em Paris, queria que fosse de um modo mais bonito do que foi na primeira vez.
–Não importa como ou onde, sei que Harry irá ficar feliz pela notícia! Molly a tranquilizou.
O chá-de-bebê foi uma grande festa, Ron e Hermione ganharam muitos presentes para a chegada do bebê. Ron não poderia estar mais feliz por saber que seria pai de um menino, Ginny ficou feliz pelo irmão, adorava ser mãe de dois meninos. Ao ver Rose, a primeira filha do casal, enchendo a barriga da Hermione com beijos e carinhos, Ginny ficou se imaginando naquela situação, será que Theo e Nathan iriam aceitar tão bem a chegada de mais um irmão ou irmã?
–Um beijo pelos seus pensamentos! Harry a trouxe para a realidade. –Está melhor?
–Estou. Ela sorriu e o beijou. –Apenas observando o quanto Hermione e Ron estão felizes.
–Uma loucura, não? Ele olhou para os amigos e balançou a cabeça como se os repreendessem. –Rose ainda é um bebê e ter mais um bebê para cuidar, boa sorte!
–Por quê? Ginny não entendeu as palavras dele. –Nós cuidamos de dois bebês, ao mesmo tempo. Acho que eles irão ficar bem, Rose já é bem grandinha, assim como Nate e Theo!
–Eu sei, mas... Bem... Harry coçou a cabeça sem jeito antes de continuar. –Nós não tivemos escolha, vieram dois de uma vez só!
Aquelas palavras ditas por ele fizeram Ginny ficar a ponto de explodir, mas se controlou para o bem de todos ou iria começar uma briga muito feia com o marido na frente da família inteira.
–Eles parecem bem felizes com as escolher que fizeram. Ela se limitou a dizer antes de levantar e deixa-lo sozinho. –Você está feliz com as suas?
Pelo resto da noite e até chegarem em casa, Harry e Ginny não se falaram. Harry tentou se explicar, tinha se expressado de forma equivocada, mas Ginny não deu ouvidos.
–Theo e Nathan estão animados para passar uns dias na casa dos seus pais. Harry tentou estabelecer uma conversa com a esposa antes de dormirem.
–Não será mais necessário. Ela falou friamente e deitou-se de costas para o marido.
–Como assim? Ele não entendeu. –Quem irá ficar com os meninos enquanto viajamos?
–Não terá mais viagem! Só se você quiser ir sozinho!
–O que está acontecendo? Harry fez Ginny sentar-se na cama e que a olhasse. –Eu sei que não deveria ter falado aquilo, mas é... Ginny se levantou e foi até o banheiro. –Volte aqui, Ginny! Ainda estamos conversando!
Ginny abriu uma porta do armário e voltou a passos rápidos para a cama, entregou com uma força exagerada nas mãos do marido o teste de gravidez que fizera noite anterior. Harry não entendeu nada até colocar os olhos no teste e, principalmente, no resultado que ele mostrava. Sabia o que aquilo significava, lembrou se da primeira vez que Ginny lhe entregara um desse, seria pai outra vez.
–Ginny, isso... Ele não sabia que palavras dizer. –Você está...
–É, Harry! Ginny tentava não demonstrar que chorava, não queria chorar na frente dele. –Eu estou grávida! Uma loucura, não?
Harry lembrou-se de todos os momentos felizes que viveu desde o dia que soube que seria pai até hoje, seus filhos eram a sua maior felicidade, junto com Ginny. Vê-los crescer, a cada dia eles sabiam e aprendiam mais coisas, chegar em casa e tê-los o esperando para brincar. Harry sorriu com lágrimas nos olhos, queria ter tudo isso com mais um bebê.
–Sim, uma loucura! Harry respondeu e limpou as lágrimas do rosto dela. –Mas uma loucura que me fará o homem mais feliz desse mundo!
–Você tem certeza? Ela perguntou com receio. –Você quer mesmo escolher acordar de madrugada com o choro do bebê, ficar sem dormir, trocar frauda...
–Quero. Ele a calou com um prolongado beijo. –Eu já te disse, Ginny, sabemos fazer filhos muito bem! É isso que eu quero, nós e vários filhos!
O casal ficou na cama fazendo planos para a chegada do bebê, Ginny aconchegada nos braços do marido e Harry acariciava a barriga da esposa, discutiram sobre decoração do quarto, nomes, como iriam contar a Theo e Nathan sobre a chegada do bebê e como eles iriam reagir, apostas sobre com quem o bebê iria se parecer mais ou se seria menino ou menina. Harry tentou convence-la a cancelar a viagem que fariam nos próximos dias, poderia ser perigoso para Ginny e o bebê, mas Ginny argumentou dizendo que esse seria o último momento que teriam sozinhos antes de toda a loucura começar. Ele concordou, sua esposa lhe daria mais um motivo de felicidade, era seu dever retribuir e faze-la feliz.
O relacionamento deles começou com a pretensão de apenas uma noite e depois cada um seguiria seu caminho em suas respectivas vidas, porém Harry e Ginny acreditaram nessa coisa chamada destino. E por que não acreditar? Talvez só dependa de nós fazermos acontecer, aparecermos e sermos o destino do outro. Pelo menos, desse jeito, você terá a certeza que foram feitos um para o outro. Assim, o amor deles simplesmente aconteceu.
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