O Amor Acontece
8 A little more
Harry guiou a moto com a mesma tranquilidade da ida, não queria traumatizar Ginny em seu primeiro passeio de moto, afinal pretendia ter muitos mais. Ginny não iria mentir, gostou muito do passeio noturno e de subir em uma moto pela primeira vez, mesmo não sendo muito confortável com o vestido que usava, mas nada disso importava. O que fez seu coração bater mais forte foi o momento em que Harry contou sobre o pai, o quanto aquele lugar era especial e por tê-la levado até lá.
–Finalmente voltaram! Lily ficou aliviada por vê-los entrando em casa, aparentemente, bem. –Onde foram?
–Ao observatório. Harry respondeu, sem esconder o quanto estava feliz.
Ninguém disse mais nada, sabiam o quanto aquele lugar era especial para Harry e ao leva-la lá era uma forma de demonstrar o quanto Ginny também era especial. Depois de um pouco mais de conversa, era a hora de ir embora. Se despediram prometendo, agora com a volta de Harry e a chegada dos bebês, se encontrarem com mais frequência. Sirius, em especial, ficou animado com a perspectiva de acompanhar a chegada dos bebês.
–Acho melhor ir também. Ginny falou depois que todos foram embora e ficaram apenas ela, Harry e Lily.
–Eu te levo. Harry sabia que ela iria dizer que não era necessário e completou. –Faço questão.
–Porque Ginny não dorme conosco? Lily sugeriu. –Está tarde para vocês ficarem andando por ai!
Ginny começou a pensar em vários motivos para não aceitar o convite. Tinha que abrir a floricultura amanhã de manhã, não trouxera pijama e seus pertences pessoais. Uma extensa lista começava a se formar, mas antes que falasse qualquer motivo, Lily repetiu a pergunta.
–Eu estou sem meu pijama. Ela tentou argumentar. –E tenho que abrir a floricultura...
–Podemos dar um jeito nisso. Lily sorriu.
Não havia mais desculpas que pudesse dar, pois Lily acharia uma solução. Antes que aceitasse o convite, Ginny olhou de relance para Harry, queria ver a expressão dele diante do que estava prestes a acontecer. E para sua surpresa, Harry estava tranquilo e não demonstrava estar desconfortável com o convite proposto por sua mãe. Percebendo que ela o olhava, Harry sorriu como forma de incentivo para que ela aceitasse.
–Se não for incomodo.
Lily carregou Ginny para o seu quarto atrás de um pijama que ela pudesse usar. Harry achou graça na animação de sua mãe, mesmo mais uma vez ela tomando a iniciativa no relacionamento deles, não poderia negar que a ideia foi boa.
Antes de ir para o seu quarto, Harry fez uma parada na cozinha e comeu mais um pouco da deliciosa torta de amora que Olivia havia feito. Subiu para segundo andar e do corredor conseguia escutar a conversa que elas estavam tendo no quarto de Lily. Harry não quis interromper o momento delas, foi para o seu quarto, tomou um rápido banho e ficou deitado em sua cama jogando um pouco de vídeo game.
–Posso entrar? Ginny bateu na porta do quarto dele.
–Claro. Harry interrompeu o jogo e a viu entrando. Ginny estava linda com uma camisola preta que Lily havia emprestado. –Não sabia que minha mãe usava esse tipo de camisola.
–O que? Ela não entendeu e fechou o roupão de ceda igualmente preto, mas não adiantou muito, era um tanto quanto transparente e ainda conseguia-se ver a camisola.
–Você está linda com essa camisola. Ele a elogiou.
–Obrigada. Ginny sentiu seu rosto corar ainda mais. –O que está jogando?
–Nada demais. O jogo não tinha mais importância se comparado a Ginny. –Cansada?
–Um pouco. Ela sentou-se na cama. –Você deve estar cansado. Chegou de viagem e encontrar tudo mundo em sua casa.
–É, mas eu gostei da surpresa, principalmente porque você estava aqui. Harry sentou ao lado dela e a beijou. –Obrigado por aguentar as maluquices da minha mãe.
–Lily é uma pessoa incrível, só está animada com a ideia de ser avó. Aposto que depois do susto, minha mãe irá ficar igual.
–Não contou aos seus pais ainda? Ele perguntou achando estranho. –Por quê?
–Não faz uma semana que descobri que estou grávida. Ginny justificou, também não achava certo ainda não ter contado aos seus pais. –Não é o tipo de coisa que você conta pelo telefone, por isso irei vê-los amanhã ou domingo.
Harry entendeu, também não sabia como contar a sua mãe. O sono começou a chegar com mais força e ele deitou-se e indicou para que ela deitasse ao seu lado.
–Eu posso ir junto, se quiser. Ele depositou um beijo no topo da cabeça dela. –Tenho certeza que seu pai irá querer conversar comigo depois que contar.
–Eu adoraria. Ginny fechou os olhos, quase dormindo, sorrindo feliz pelo apoio e pela noite.
Harry acordou, pensando que tudo não havia passado de um sonho, o passeio ao observatório, Ginny aparecendo no seu quarto com aquela linda camisola. Mas não foi um sonho, Ginny dormia ao seu lado.
Ginny logo acordou, por mais que quisesse dormir um pouco mais, tinha que abrir a floricultura.
–Posso usar o seu banheiro? Ginny perguntou a Harry. –Não terei tempo de tomar banho quando chegar.
–Claro. Harry ainda olhava encantado para ela com a camisola. –Fique a vontade.
–Pare de me olhar desse jeito!
–Que jeito? Ele sorriu divertido.
–Praticamente me comendo com os olhos! Ginny falou muito envergonhada e ficou ainda mais quando, Harry soltou uma gargalhada. –Não esquece que essa camisola é da sua mãe!
–Eu duvido que minha mãe a tenha usado. Harry fez uma careta só de imaginar sua mãe vestida naquilo e voltou a olhar para Ginny. –Você está incrivelmente sexy com essa camisola!
–Então se eu fosse você, guardava bem essa imagem, pois daqui a pouco eu estarei imensa e usarei apenas aquelas roupas de grávida que parecem cortinas! Ginny terminou de falar e entrou rapidamente no banheiro, encerrando o assunto.
Harry trocou de roupa e ficou esperando Ginny para que descessem juntos para tomar o café da manhã. Lily já estava na mesa, bebendo uma xicara de chá e lendo o jornal. Eles se juntaram à senhora Potter e desfrutaram de um delicioso café da manhã. Ginny agradeceu pelo jantar e a hospedagem. Lily a fez prometer que voltaria mais vezes e que não precisava de convite para isso, a casa estava de portas abertas.
–Vou pegar o carro da minha mãe emprestado. Harry abriu a porta de um Mini Cooper vermelho. –Tudo bem?
–Sim. Ela riu, brincando. –Só é engraçado que ontem você estava em cima de uma moto e agora irá dirigir um Mini Cooper, um carro típico de mulher.
–Muito engraçada. Harry riu também, mas Ginny tinha razão, era constrangedor usar o carro da mãe. –Ainda não tive tempo de comprar um carro e não gosto de usar o motorista.
Ginny chegou antes das nove horas a Londres, teria tempo de trocar o vestido preto que usara noite passada e abrir a floricultura. Harry a deixou na floricultura e foi para o seu escritório, uma semana longe, tinha muito trabalho atrasado e já que Ginny estaria trabalhando, ele também foi trabalhar. Combinaram de se encontrar no final da tarde.
–Você tem alguma coisa para fazer hoje à noite? Ginny perguntou meio indecisa do que iria propor.
–Não, por quê? Você vai vestir aquela camisola novamente? Ele ficou animado e não percebeu que não estavam sozinhos na floricultura.
–Nem nos seus sonhos, Harry! Ela acenou para o cliente que ria da conversa deles. –Hermione me ligou, meus pais irão jantar na casa dela hoje e ela me convidou, ou melhor, nos convidou.
–Claro! Assim todos ficam sabendo, certo?
–É, assim meu pai pode nos matar juntos. Isso não seria romântico? Ginny não escondia o nervosismo e o medo da reação que sua família teria.
Harry ainda não conhecia a residência de Ron e Hermione, sabia apenas que não ficava muito longe da sua casa, Ginny já estivera lá algumas vezes e guiou o namorado.
–Que bom que vieram! Ron os recebeu. –Entrem, Hermione está na cozinha terminando o jantar.
–Boa noite, irmãozinho! Ginny o abraçou, sentia falta dele. –Vou ajuda-la.
Ron buscou uma cerveja para Harry e eles ficaram na sala assistindo o canal de esportes e conversando. Ron poderia ser um pouco lento para perceber o que acontecia ao seu redor, mas sabia que algo estava acontecendo entre Harry e Ginny, o modo carinhoso e amoroso como se olhavam e se tratavam. Ron, no seu papel de irmão mais velho, tinha o dever de proteger sua irmãzinha.
–O que está acontecendo entre você e minha irmã? Ele falou diretamente. –E não tente me enrolar, senhor Harry Potter!
Harry foi pego de surpresa, engasgou-se com a cerveja, essa sua atitude praticamente entregava a sua culpa. Só esperava que Ginny não ficasse brava por ele contar sem ela, tudo o que estava acontecendo ao seu irmão.
–Eu e Ginny estamos namorando... E...
–Harry! Ron levantou do sofá num pulo e o abraçou. –Isso é ótimo! Sabe que Hermione e eu, no fundo, sempre torcemos para que isso acontecesse!
–Obrigado. Harry poderia deixar a outra parte da história para quando o senhor e a senhora Weasley chegasse.
Arthur e Molly Weasley chegaram pouco tempo depois da primeira revelação de Harry. O casal, muito carinhosos e atenciosos com os filhos e a nora, reconheceu Harry do casamento.
–Você é melhor amigo de Hermione e foi padrinho de Ron, certo rapaz? Arthur o cumprimentou.
–Sim. Harry o cumprimentou muito nervoso.
–Harry também é namorado de Ginny! Ron completou feliz, por dar a notícia.
Hermione não acreditou no que o marido acabara de fazer, ninguém acreditou. Ginny estava corada de vergonha, Harry tentava pensar em uma saída para essa situação e Arthur e Molly olhavam os dois esperando uma confirmação.
–O que seu irmão disse, é verdade? Molly perguntou antes do marido.
–É, nós estamos namorando... Ginny não sabia o que dizer.
–Eu pretendia conversar com o senhor primeiro, senhor Weasley. Mas como Ron se antecipou... Harry foi tomado por uma onda de coragem e começou a falar. –Eu e Ginny estamos namorando e Ginny está grávida.
A sala foi tomada por um silencio profundo. Ginny nunca tinha visto o pai com aquela expressão, Arthur estava sério, com o rosto totalmente vermelho como se fosse uma bexiga prestes a explodir.
–Ginevra Molly Weasley, isso é verdade? O senhor Weasley respirava irregularmente.
–Arthur, se acalme. Molly estava preocupada com o marido, ele estava prestes a ter um ataque cardíaco ou algo parecido.
–Eu estou calmo. Ele respondeu. –Me responda, Ginny!
–É verdade, pai. Ginny entrou em pânico e começou a chorava. –Desculpe por decepcionar o senhor e a mamãe...
–Eu não estou decepcionado, sua mãe também não está. É só que foi tudo de repente, não sabíamos nem que estava namorando. Arthur abraçou a filha para que ela se acalmasse.
–Um filho é sempre uma benção, querida. Molly abraçou a filha. –E um neto é uma benção maior ainda!
Antes que Harry e Ginny pudessem completar a informação, dizendo que seriam gêmeos, Hermione anunciou que o jantar estava pronto.
Durante o jantar, Arthur fez todas as perguntas possíveis para conhecer Harry. Queria saber tudo sobre ele, no que trabalhava, onde morava, com quem morava e principalmente, quais eram as suas pretensões com Ginny e a gravidez, se iria assumir suas responsabilidades casando-se com ela. Harry sentiu todo o nervosismo que Ginny sentiu noite passada com sua mãe e seus tios, fazendo perguntas que não tinha certeza das respostas. Ginny interrompeu o interrogatório que seu pai fazia e contou que seriam gêmeos e pediu que parasse com o isso, pois nenhum dos dois tinham respostas para dar.
Após o jantar, o clima já estava menos tenso, mas o assunto ainda era o mesmo. Molly queria saber tudo sobre as consultas, se a filha estava tendo enjoos e dava conselhos. O único que não demonstrava estar feliz com isso era Ron.
–Podemos conversar? Ele chamou Harry que conversava com Hermione e Arthur.
–Ron, por favor. Hermione pediu. –Não há necessidade disso.
–Tudo bem, Hermione. Harry aguentaria a fúria do seu novo cunhado.
Ron o levou para o escritório, ao lado da sala de estar. Fechou a porta e indicou para que Harry sentasse no sofá em frente à mesa do computador.
–Como isso foi acontecer? Você e minha irmã terão dois bebês? Um não era suficiente? Ron explodiu e começou a falar sem parar. –Por quê?
–Desculpe, Ron. Harry entedia o lado do amigo, por isso procurou um jeito de explicar tudo sem que o magoa-se. –Nada disso foi planejado, aconteceu. Mas quero que saiba que estou muito feliz por ter acontecido, por ter conhecido Ginny, pelos bebês.
–Vocês se conhecem, há não sei, três meses? E terão filhos? Eu e Hermione estamos juntos há três anos e ainda achamos que é cedo ter filhos! Vocês irão se casar, certo?
–Posso entrar? Arthur abriu a porta e Ron assentiu para que ele entrasse. –Desculpe, mas escutei um pouco da conversa, se importa se eu participar, filho?
–De modo algum, pai.
–O que Harry e Ginny fizeram, é sim, precipitado para não dizer irresponsável! Arthur disse firme. –Todos nós concordamos com isso, mas não adianta ficar nervoso ou obriga-los a se casarem, deixe que eles decidam sobre isso. Sua irmã será mãe, eu serei avô e você tio, vamos pensar nisso e apoia-los. No presente que será a chegada dos bebês. E que sua irmã não estará sozinha, ela tem a nós e Harry para ajuda-la. Harry é um bom homem, você sabe disso, afinal ele é o padrinho do seu casamento e melhor amigo da sua esposa. Harry não irá deixar sua irmã sozinha com os bebês, será um excelente pai, não é Harry?
–Sim, em momento algum desde que Ginny me contou que estava grávida, eu pensei eu deixa-la e fugir das minhas responsabilidades. Harry explicou. –Não se preocupem, não irei a lugar algum.
Ron compreendeu o que seu pai e Harry disseram, talvez tenha se preocupado além do necessário. Ginny, Harry e os bebês iriam ficar bem, tinham todo o apoio e amor de ambas às famílias. Era um começo promissor para que formassem a própria família.
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