O Amor Acontece
2 Diagnóstico
Notas iniciais
Muito obrigada mesmo! Isso me deixou muito contente, mas eu ainda espero mais leitores! Então por favor, me ajudem com a recomendação.
Nos vemos nas notas finais.
Consultei meu relógio pela milésima vez. É irônico como que quanto mais você olha o relógio e quer que o tempo passe rápido, mas devagar ele passa.
Talvez eu tenha me tornado uma pessoa muito impaciente nos últimos anos, ou talvez seja apenas o tédio no qual me encontro.
Tudo que eu mais quero nesse momento é pegar a minha bolsa e ir para a casa, mas parece que a hora quer me maltratar hoje, ela simplesmente não passa.
Levanto da cadeira e ando de um lado para o outro na minha sala muito bem decorada no Seattle’s Hospital.
Tornei-me médica aos 25 anos e logo me especializei em oncologia pediátrica, que sempre foi uma área da medicina que mais me interessou e sempre me dei muito bem com crianças. Embora que por uma ironia do destino, eu não possa tê-las.
Ser médica me faz me sentir uma pessoa melhor, como se eu pudesse tornar o mundo um lugar um pouco melhor para se viver.
Salvar vidas é tudo para mim. Atender crianças com câncer, acompanhar todo o seu sofrimento me parte o coração em todos os casos, sem exceção, mas em compensação quando as vejo sendo liberadas do hospital com um pouco mais de cor no rosto e me dizendo um: “Obrigado tia Bella”, me faz perceber que ser médica é a maior realização da minha vida.
Claro que em como todas as outras profissões tem os pontos ruins, que em minha opinião é perder um paciente. É horrível, a sensação é de inutilidade, ainda mais quando é uma criança que morre. Mas aí, outro paciente surge e é mais uma vida a ser curada. Não me imagino fazendo outra coisa a não ser isso.
E por mais que eu ame a minha profissão mais do que tudo nessa vida, tudo o que eu quero é ir para casa. Estou de plantão há mais de 38 horas e meu corpo clama por descanso e meu turno só acaba daqui a duas horas.
E para completar minha situação, nenhum paciente aparece. Ou seja, estou aqui para nada, apenas para marcar presença.
-Doutora Isabella Swan, compareça no quarto 306. – ouvi uma voz feminina dizendo no alto falante. Sorri, finalmente um paciente. – Repetindo, doutora Isabella Swan, compareça no quarto 306.
Levantei da cadeira e vesti novamente meu jaleco e logo em seguida saindo da sala para ir ao quarto onde fui solicitada.
Por sorte, minha sala é no mesmo andar do quarto, então apenas andei pelo longo corredor e assim que cheguei, dei duas batidas na porta.
-Entre. – disseram e logo reconheci a voz do Doutor Jacob Black, um dos melhores pediatras do estado.
Entrei na sala e vi uma menininha com cabelos curtos escuros e olhos verdes, aparentemente seis anos, deitada na maca hospitalar com uma carinha assustada, acompanhada de um homem com cabelos em um tom desconhecido por mim, talvez mel ou loiro, não sei definir, e os olhos também verdes, provavelmente o pai da menina.
-Bom dia. Eu sou a Doutora Isabella Swan. – me apresentei sorrindo para a menina.
-Bom dia. – o homem me respondeu com um leve sorriso. Seu rosto demonstrava cansaço e muita preocupação.
-Doutora Swan, essa é a Charlotte Cullen, tem cinco anos e deu entrada no hospital ontem à noite com vômito, perda de apetite, dores de cabeça, dores pelo corpo e febre. No exame físico notei sua palidez e um aumento no baço. – Dr. Black apresentou o caso.
Assenti.
-Começaram a fazer alguns tipos de exames? – perguntei analisando a ficha.
-Sim. Pedimos um hemograma. Que deu um resultado um pouco anormal. –Dr. Black respondeu.
-Posso ver o exame? – perguntei.
-Claro. Aqui está. – Dr. Black disse me estendendo algumas folhas.
Dei uma olhada nos exames, e como o Dr. Black disse, realmente os resultados estavam anormais, e apontavam para leucemia.
Tão pequena – pensei triste.
-Bom dia Charlotte. – eu disse me aproximando e alisando o cabelo dela.
-Bom dia. – ela sussurrou calma. – Pode me chamar de Charlie.
-Tudo bem Charlie. – eu disse sorrindo. – Eu sou a Dra. Isabella, mas pode me chamar de Bella se você preferir.
-Bella é melhor. – ela disse e eu concordei.
-Como se sente hoje? – perguntei.
-Aqui dói. – ela disse apontando para a barriga.
-Posso tocar? – perguntei apenas para transmitir mais confiança à ela, que apenas assentiu.
Fui tocando a barriga dela, que de vez em quando fazia uma carinha de dor. E confirmei, o que o Dr. Black havia dito. Realmente o baço estava ligeiramente aumentado.
-O que tem de errado com ela? – o homem disse pela primeira vez e a sua voz mostrava claramente dor, não física, mas emocional.
-Preciso de mais uns exames para confirmar, tudo bem? – pedi.
-Tudo bem, façam tudo o que for preciso. – ele disse e suspirou.
-Claro, faremos sim. Posso saber o seu nome? – perguntei por educação.
-Edward Cullen. – ele disse sem tirar os olhos da Charlie.
-Pai da Charlie, certo? – perguntei apenas para confirmar.
-Sim. – ele respondeu sem desviar os olhos para mim.
-Tudo bem. Vou pedir uma punção lombar, para confirmar o diagnóstico. – eu disse e ele apenas assentiu. – Dr. Black, assim que os exames ficarem prontos peça para que o entreguem em minha sala.
-Sim, pode deixar. – ele confirmou.
-Charlie, esse exame vai doer apenas um pouquinho, tudo bem? – ela apenas assentiu. – Mas me ajudará a te curar e você sair logo daqui. Qualquer coisa que precisar, peça a enfermeira para me chamar, que eu venho. – disse calmamente e com um sorriso sincero no rosto.
-Obrigada tia Bella. – ela disse e eu sorri para ela.
-De nada querida.
Sai da sala com o coração partido, por mais que eu seja acostumada a lidar com crianças com câncer, é sempre horrível as ver sofrendo, é de quebrar o meu coração. Mas farei o possível para ajudá-la e diminuir ao máximo a sua dor e quem sabe uma cura total de sua doença.
(...)
Meu turno já acabou há mais ou menos uma hora, mas resolvi esperar o resultado do exame da Charlotte e quem sabe liberá-la logo para casa. Sei como é um saco para as crianças permanecerem no hospital sem fazer nada, por isso sempre que é possível eu as mando para casa, até porque em minha opinião, muitas vezes ficar no hospital é inútil e não muda nada.
Assim que o resultado da punção lombar ficou pronto, eu abri e li imediatamente, e o resultado realmente apontava para que o que ela tem é leucemia.
Sai da minha sala e fui até o quarto da Charlotte dar a notícia ao Sr. Cullen e explicar para ele as formas de tratamento, que na verdade não são muito complicadas, e na idade da Charlie ela sairá por essa fácil, fácil. Muitas pessoas se assustam com o nome câncer, mas esse tipo de câncer até que é bem tranquilo de se curar e as chances da Charlie são mais de 80%.
Cheguei ao quarto 306 e bati na porta, após ouvir um entre fraco eu entrei.
Olhei para a cama e vi que a Charlotte dormia tranquilamente. Nem parecia estar doente, parece um anjinho agarrada com seu ursinho. Um doce de criança.
-E então? – o Sr. Cullen me perguntou ansioso.
-Sr. Cullen... – comecei, mas ele me interrompeu.
-Edward. – ele disse e eu assenti.
-Edward, o resultado do exame da Charlie saiu e confirmou o diagnóstico que eu já esperava. – eu disse e dei uma pausa. –A Charlie está com leucemia.
Edward olhou para mim assustado.
-O tipo de leucemia dela é a linfoide aguda. Ela é a mais comum em crianças pequenas, como a Charlie. E a chance de sobrevivência é altíssima. – eu expliquei calmamente para dar tempo de ele se acalmar.
-Mas... Como? Por quê? – ele me perguntou angustiado.
-Não dá para saber ao certo a causa da leucemia, pode ser fatores genéticos ou até mesmo ambientais. – respondi. – mas como eu disse, não se sabe ao certo a causa da doença.
-Existe uma cura, um tratamento? – era visível sua preocupação.
-Não há um tipo específico de remédio que cure a leucemia, mas hoje em dia existem tratamentos que chegam até a cura. – expliquei.
-Quais são as opções de tratamento? – ele me perguntou.
-A que mais tem resultados é a poliquimioterapia. – eu disse lhe expondo a mais eficaz forma de tratamento.
-Já ouvi falar. – ele disse e seu rosto transmitia dor.
-É feito em várias fases, visando destruir as células leucêmicas e para que a medula volte a produzir células normais. Após a destruição das células leucêmicas, é recomendado continuar o tratamento para que não haja uma recaída. – expliquei.
Ele apenas assentiu.
-Ela vai ficar bem? – ele me perguntou angustiado.
-Sim. Ela é forte e na idade dela, estamos tendo ótimos resultados. – eu disse e dei um sorriso para encorajá-lo.
-Ela precisará ficar aqui no hospital? – perguntou olhando para a filha dormindo.
-Não será necessário, ela poderá manter a rotina dela normalmente. Mas ela poderá se cansar com mais facilidade, e enjoos serão normais nesse processo. – eu lhe disse.
-Tudo bem. – ele disse de cabeça baixa.
-Não se preocupe, ela sairá dessa bem. – eu disse para reconfortá-lo.
-Sim, ela é forte. – ele disse e sorriu.
-Ela pode receber alta hoje mesmo e ela terá que vir ao hospital de 15 em 15 dias para receber a dose de poliquimioterapia, que até poderia ser feita em casa, mas eu gostaria de ter o cuidado de ir acompanhando aqui no hospital.
-Certo, eu prefiro que seja assim também.
-Ótimo. Eu farei uma punção lombar a cada mês para acompanhar o tratamento.
-Tudo bem.
-Aqui está a receita com alguns remédios para caso de enjoo ou dor. – eu disse estendendo a receita. – atrás da receita tem o número do meu escritório e um número pessoal para caso você tenha alguma dúvida, pode me ligar a qualquer momento.
-Obrigado. – ele disse e deu um leve sorriso.
-Ei, eu te prometo que a Charlie ficará bem.
Ele sorriu.
-Vou confiar em você então, Dr. Swan.
-Bella.
-Oi? – ele me perguntou confuso.
-Me chame de Bella.
-Como quiser. – ele disse sorrindo.
-Bom, então é isso. Diga a ela que mandei um beijo e nos vemos daqui a 15 dias.
-Digo sim. Até lá.
Sai do quarto e apenas passei em minha sala para pegar minha bolsa, e em seguida fui até o estacionamento para pegar meu carro e ir para casa, finalmente descanso.
Iria chegar em casa, tomar banho e dormir.
Narração por Edward Cullen:
Abri a porta do meu apartamento equilibrando Charlie no colo, que ainda ressonava tranquila.
Passei por seu quarto de princesa para deixá-la na cama, e sorri triste. Tão pequena e já com uma doença tão ruim.
Mas ela ficará bem, ela é uma lutadora.
Nunca me imaginei chegando aos 29 anos, sendo um pai solteiro, com uma filha doente e ainda tendo uma empresa para cuidar.
Mas não me arrependo de ter a Charlie, ela é uma luz na minha vida, sem ela eu provavelmente teria desistido de viver, depois da morte de Tânia.
Tânia morreu no parto da Charlie, e me deixou esse anjinho para que eu cuidasse. A Tânia faz muita falta.
Acho que a Charlie sente falta de uma presença feminina em nossas vidas, alguém para ser um exemplo de mãe para ela.
Mas não me sinto seguro em arranjar uma namorada qualquer para se tornar mãe da minha filha. Tem que ser alguém especial, alguém que cuide da Charlie e realmente a ame. E é claro que a Charlie também terá que gostar dela, se não nada feito.
Após sair do seu quarto, fui até o meu e entrei em minha suíte para tomar um banho, depois do susto que levei com a Charlie, preciso relaxar e depois ligar para a minha mãe e contar o que aconteceu.
Tirei a minha roupa e entrei embaixo da ducha e deixei a água escorrer pelo o meu corpo, relaxando meus músculos tensos, pelas horas de tensão que eu fiquei no hospital.
Depois de me banhar, sai do chuveiro e me sequei, colocando apenas uma cueca box.
Fui até o quarto da Charlie e ela já estava acordada assistindo um desenho de princesas na televisão.
-Oi filha, já acordou? – perguntei me aproximando dela e dando um beijo em seu rosto.
-Sim papai. – ela disse. – nem vi quando a gente saiu do hospital.
-É, você tava dormindo, mas a Doutora Swan te mandou um beijo.
-A tia Bella? – ela perguntou animada.
-Uhum. – concordei.
-Eu gostei dela, ela é legal.
-Sim, ela é muito legal.
-Papai, to com fominha. – ela disse manhosa.
-Vou lá fazer uma mamadeira bem gostosa para a minha princesa.
-Tá bom. – ela disse rindo animada voltando a prestar atenção ao desenho.
Fui até a cozinha e fiz um leite batido com maçã e banana e coloquei em uma mamadeira para ela beber na cama, sem se preocupar em entornar.
Voltei ao quarto e entreguei a ela.
-Vou lá para o meu quarto tá? – avisei a ela.
-Tá pai, vou ficar aqui vendo as plincesas.
-Princesas, filha. – corrigi.
-Isso. – ela disse concordando sem prestar atenção.
Ri.
Fui até o meu quarto e peguei o telefone residencial para ligar para a minha mãe, que atendeu ao terceiro toque.
-Oi, meu filho, já estava ficando preocupada. – ela disse com sua preocupação maternal de sempre.
-Oi mãe. Acabei de voltar do hospital com a Charlie.
-E o que ela tem?
-Leucemia, mãe. – eu disse arrasado.
-Oh meu Deus! Filho, isso é muito sério.
-Eu sei, fiquei arrasado quando soube, estou super preocupado, mas a médica me tranquilizou um pouco mais quando disse que o tratamento tem tido ótimos resultados em crianças como a Charlie.
-Ah, isso é bom meu filho! Mas será um processo triste, teremos que ter força. – ela disse.
-É, mãe. Não aguento a ver sofrendo desse jeito.
-Eu sei. Eu também não.
-Daqui a 15 dias começaremos o tratamento com poliquimioterapia lá no hospital.
-Me mantenha informada.
-Tudo bem, tenho que ir agora mãe, beijos.
-Beijos filho e manda um beijo para Charlotte.
-Pode deixar. – eu disse e desliguei o telefone.
Suspirei com exaustão.
Charlie ficará bem, ela precisa ficar, não sou nada sem ela e não teria um motivo para viver, não aguentaria perder mais alguém na minha vida de jeito algum.
Notas finais
Eu espero imensamente que vocês gostem da história.
Um grande beijo e nos vemos no sábado que vem!
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