O Amor Acontece
39 Conflitos
Notas iniciais
Quero dar boas-vindas as leitoras novas, é um prazer tê-las aqui.
Obrigada a todos que comentaram no capítulo anterior, os capítulos diminuíram novamente, mas...
Enfim...
Lá vai.
Pov. Edward.
Depois do episódio desagradável com meus ex-sogros, o clima não ficou lá muito bom. Dava para perceber a Charlie meio triste pelos cantos e a todo momento parecia que Bella queria dizer algo, mas desistia na última hora. Estamos em um momento tão bom, por que eles tinham que aparecer? E ainda, por que apareceram?
Primeiro disseram que queriam participar mais da vida da Charlie, mas no final disseram que ela não fazia falta alguma, bem contraditório. Simplesmente não consigo entender o motivo de terem vindo até aqui. Depois da morte de Tânia se mudaram para Irlanda e não tenho notícias deles há um bom tempo, e muito menos de uma vinda aos Estados Unidos. Não consigo pensar em nada que pudesse trazê-los até aqui. Da mesma forma que não acreditei da outra vez que eles estavam arrependidos, não acredito agora. Eles disseram que agiram daquela forma pois estavam de luto, pois bem, eu também estava de luto. De luto e completamente sem saber o que fazer com uma recém-nascida. Não fazia ideia de como preparar uma mamadeira ou como trocar fraldas. Tive muita ajuda dos meus pais, irmãos e cunhados, e só assim consegui cuidar do meu bebê, mas não quer dizer que também não precisei da ajuda dos meus sogros.
Para início de conversa, eles nunca foram muito a favor do meu relacionamento com Tânia, se opuseram durante todo o nosso namoro e noivado, e piorou ainda mais com o casamento. Eles sempre deixaram bem claro que não gostavam de mim ou de minha família, o que me faz pensar por que chegaram de forma tão simpática ou gentil. Milhares de perguntas rondam em minha cabeça nesse momento. E para completar, ainda destrataram a minha namorada. Quem eles pensam que são, afinal? Acham que eu deveria permanecer de luto até o fim dos meus dias? Em momento algum eu tentei substituir a imagem de Tânia para a Charlie, muito pelo contrário, sempre deixei bem claro o que aconteceu com a mãe biológica dela.
“Tânia é a mamãe do céu, e a Bella é a da terra papai.”
Foi o que a Charlie me disse quando a Bella entrou em nossa vida. Nunca quis que a minha filha deixasse para trás a Tânia, mesmo sem nunca a ter conhecido. E quanto a mim, eu mereço ser feliz com uma nova mulher, tenho certeza que minha ex-esposa está feliz por mim onde quer que ela esteja. Não tenho dúvidas quanto a isso.
-Amor? — ouvi a voz de Bella atrás do encosto do sofá e ela acariciou meus ombros tensos. – Vem pra nossa cama. — inclinei minha cabeça para trás e sorri para ela, ganhando um selinho em seguida.
-Vem cá, um pouquinho. – chamei-a para sentar-se em meu colo. Ela sentou-se de lado e acariciou meu cabelo. Beijei sua mão livre e rodeei sua cintura. — Não quero que o que aconteceu traga infelicidade para nós, não agora que estamos tão felizes. – falei olhando em seus olhos.
-Eu sei, amor. – afirmou. – Foi apenas um pouco tenso o que aconteceu, mas de modo algum irá interferir na nossa vida. — sorri a ela. Sempre tão compreensiva e companheira. Duas das coisas que mais amo nela.
-Obrigado. – agradeci e levantei-me a carregando em meu colo. – Charlie está dormindo? – perguntei um pouco antes de entrarmos em nosso quarto.
-Aham. – murmurou e acendeu a luz quando passamos pelo interruptor do nosso quarto.
Deitei-a na nossa cama e fiquei por cima de seu corpo, sem deixar meu peso cair sobre ela. Beijei seus lábios lentamente, saboreando e deliciando-me com seu gosto doce. Nossas línguas se tocaram e ela puxou meu cabelo, me fazendo gemer baixinho em sua boca. Nossas línguas se misturavam e se acariciavam, mordi seu lábio inferior e senti seu corpo estremecer debaixo do meu. Afastei meus lábios do dela e beijei seu pescoço, aspirando seu cheiro de morangos.
-Amo você. – afirmei a olhando intensamente. – Nada vai nos separar.
-Nada. Somos eu e você contra o mundo. – afirmou sorrindo.
Sem me conter, beijei-a novamente com todo amor e paixão que sinto por essa mulher maravilhosa. Minha vida. Nessa noite a amei intensamente, até bem de madrugada, nossos corpos suados e satisfeitos denunciavam o resultado de nossa paixão.
Pov. Bella.
Ao contrário do dia anterior acordei sozinha, dessa vez antes de todos. Não por enjoo, mas porque minha cabeça estava com coisas demais para conseguir dormir por mais algum tempo. A verdade é que estou intrigada com tudo que aconteceu, não sei o que pensar ou imaginar, e sei que não deveria ficar pensando muito no assunto, não fará bem ao bebê, por isso tento desviar meus pensamentos para qualquer outra coisa.
Me levantei da cama e fui fazer minha higiene matinal, aproveitei e tomei uma ducha também para despertar de vez. Ao sair do banho, vesti um vestido soltinho e calcei um par de rasteirinhas estilo chinelo. Penteei meu cabelo molhado e como não poderia faltar, usei um pouco de rímel. Sai do quarto da forma mais silenciosa possível para não acordar Edward e passei rapidamente no quarto da Charlotte para ver se a mesma já havia acordado, vi que a mesma dormia tranquilamente agarrada a sua boneca de pano. Normal, já que aos domingos minha filha e meu namorado acordam por volta das 10h, e são apenas 7h30min.
Preparei dois waffles para mim com calda de chocolate, e comi acompanhado de um suco natural de goiaba. Comi tudo calmamente, mastigando devagar cada pedaço e engoli o suco da mesma forma. Depois do café da manhã, tomei minhas vitaminas receitadas pelo meu obstetra e lavei as poucas louças que estavam na pia. Com toda a loucura do dia anterior, eu não terminei de lavar toda a louça do almoço, então aproveitei para lavar tudo agora.
-“This girl is on fire, this girl is on fire, she’s walking on fire...”* — cantarolei enquanto ensaboava alguns pratos.
Terminei de lavar a louça que estava na pia e sem ter mais o que fazer, fui até a lavanderia do próprio apartamento e coloquei as roupas sujas para lavar; regulei a máquina no programa certo e adicionei sabão liquido e amaciante. Após meu momento dona de casa, fui para a sala rever alguns relatórios dos meus pacientes. Os relatórios ficam a trabalho dos meus internos que estão fazendo residência na area de oncologia, por isso gosto sempre de revisar tudo para ver se não tem nenhum erro cometido, além é claro de ter a certeza que não deixei nada passar. Muitas vezes posso perder mínimos detalhes que fazem toda a diferença em alguns quadros de câncer.
Me perdi no tempo concentrada em meu trabalho e apenas despertei de toda a minha concentração quando ouvi o som do meu celular tocando. Peguei rapidamente para não acordar ninguém e me assustei ao ver o visor marcando 11h. Como a hora passou tão rápido assim? O som era o despertador do meu celular indicando que estava na hora de um dos medicamentos da Charlie. Peguei o medicamento na cozinha e me encaminhei até o seu quarto, onde abri a porta devagar e me sentei ao lado do seu corpinho dorminhoco na cama. Passei minha mão em seu cabelo e fiquei acariciando até que ela despertou com um bocejo e abriu seus lindos olhinhos para mim.
-Hora do remédio. – anunciei e dei em sua boca vendo seu estado de sonolência. – Bom dia, meu amor!
-Bom dia, mamãe. – mais um bocejo.
-Quer voltar a dormir? – indaguei.
-Não. – resmungou sem se levantar da cama.
-Ok. Café da manhã ou almoço? – perguntei já dobrando seu edredom usado para dormir e guardando dentro de seu guarda roupa.
-Leite e daqui a pouquinho almoço. – respondeu se levantando e indo para seu banheiro.
Finalizei a arrumação em sua cama e fui até a cozinha preparar seu leite batido com morango, do jeitinho que ela gosta. Coloquei o leite no seu copo com canudinho da cinderela e coloquei em cima da mesa. “O que irei fazer no almoço?”. Sinceramente, não estou com um pingo de vontade de ir para o fogão hoje. “Almoçar fora?”. Não é uma ideia totalmente ruim, meus enjoos parecem estar bem controlados hoje, e seria uma boa ir em um restaurante argentino que inaugurou na semana passada e provar uma picanha suculenta que todos tem elogiado por aí.
Charlie apareceu ainda de pijamas e pantufa coçando os olhinhos e andou desajeitada até a cadeira, morrendo de sono ainda. Uma fofa! Poucos minutos depois Edward também apareceu na cozinha com seu cabelo molhado, vestindo apenas calça de moletom e seus pés descalços, tão sonolento quanto a Charlie.
-Bom dia, filha. – deu um beijo em sua testa. – Bom dia, amor!
-Bom dia, dorminhoco. – disse rindo.
-Estava realmente cansado. – explicou e me deu um beijo rápido. – Que bagunça é aquela na sala?
-Papéis do hospital. – respondi simplesmente. – Café da manhã ou almoço? – perguntei da mesma forma que fiz com minha filha.
-Leite e depois almoço. – respondeu da mesma forma e eu ri da semelhança dos dois.
-Que foi? – indagou curioso.
-Igual a Charlie.
Sentou-se ao lado da filha e a acompanhou tomando o resto do leite que eu preparei para Charlie e havia sobrado um pouco no liquidificador. Apenas fiquei encostada na pia observando os dois. Lindos, sem dúvidas alguma.
-Podemos almoçar fora hoje? – pedi torcendo para que ele aceitasse. Definitivamente, a imagem da picanha me dá água na boca.
-Claro amor.
-Estou começando a ficar com fome, posso ir me arrumar? – perguntei.
Ele assentiu e eu andei até o meu quarto. Troquei meu vestido de ficar em casa por outro estampado, simples e bonitinho. Coloquei um par de salto alto amarelo bebê, coloquei uma pulseira e peguei meus óculos de sol. Dispensei o uso de muita maquiagem e apenas retoquei meu rímel e coloquei um gloss clarinho. Peguei uma bolsa bege e coloquei meu celular, carteira, chaves, maquiagem e todo o resto de coisas que qualquer mulher carrega na bolsa, ou seja, muita coisa.
Separei uma bermuda xadrez verde, azul e branca para o Edward, junto com uma blusa polo Lacoste* verde, que realça seus olhos. Peguei um par de tênis casual e deixei próximo a cama. Fui até o quarto da Charlie e separei um vestido verde com detalhes em azul e sapatos dourados, escolhi também um arquinho e uma bolsa apenas para ela guardar seu batom que ela tanto gosta.
Chamei a Charlie e ela veio correndo ofegando. Ri da sua carinha e pedi para ela ir tomar banho logo porque eu estava morrendo de fome. Chamei o Edward também e ele foi trocar de roupa. Aguardei os dois na sala e aproveitei para arrumar toda a bagunça que eu fiz. Havia papeis para todos os cantos daquela sala. Organizei tudo com clips e guardei uma pasta sanfonada, deixando em cima da mesinha.
(...)
Quase uma hora depois entramos no agradável restaurante argentino. O chão quase espelhado e as paredes em forte tom de vinho e preto. Sentamos em uma mesa no meio do restaurante e aguardamos a vinda de um garçom.
-Amanhã tem aula? – perguntou a Charlie enquanto brincava com o iPad de Edward.
-Sim, amor. – respondi calmamente escolhendo o que queria comer. – E ballet também.
-Eba! – comemorou animada. Ri de seu entusiasmo.
Deitei minha cabeça no ombro do meu namorado, enquanto ele acariciava meu cabelo em um carinho gostoso.
-Está tão linda. – elogiou ele. Apenas sorri e lhe dei um selinho.
Poucos minutos depois um garçom veio até nossa mesa e fizemos nosso pedido. Charlie pediu para ir nos brinquedos que tinham no interior do restaurante, nós deixamos ao vermos que tinham monitores tomando conta das crianças que brincavam ali. Enquanto isso, Edward e eu ficamos conversando sobre o que faríamos amanhã e nossa rotina do trabalho.
-Olha, olha quem está aqui. – reconheci a voz carregada de ironia da Sra. Miranda. Edward bufou ao meu lado.
-Posso ajudar? – perguntei sendo o mais educada que eu consegui ser.
-De forma alguma, queridinha. Acho que já ajudou o suficiente. – disse com sarcasmo.
-Quer saber? Ajudou sim. – confirmou Edward mais calmo do que eu esperava. – Ela que lutou para curar a leucemia da minha filha, ela que doou sangue a Charlie, ela que trouxe harmonia a nossa casa. Ao contrario de vocês que apenas sumiram. Afinal de contas, o que trouxe vocês até Seattle, hein?
-Leucemia? – ela perguntou fingindo espanto. – Por que não me avisou, querido? Edward riu com deboche.
-Vamos lá, Miranda. Por que não me diz logo o que tanto quer? – perguntou Edward perdendo a paciência. – É dinheiro? – indagou abrindo a carteira e pegando seu talão de cheques. – Me diz, quanto?
-100 mil dólares. – respondeu com calma.
Espera? Ela realmente vai pedir dinheiro depois de tudo isso? Não, não posso acreditar. Me surpreendi ainda mais ao ver Edward preenchendo o cheque e jogando em cima dela.
-Pronto. Faça bom aproveito e suma de nossas vidas. – respondeu com ódio.
Miranda abaixou para pegar o cheque que caiu no chão e saiu andando como se nada tivesse acontecido. Como assim? Acredito que a minha cara estava de puro assombro, pois Edward logo percebeu a minha surpresa.
-Eu sabia que o problema era dinheiro. Só isso os trariam até aqui. E se 100 mil dólares é o preço a se pagar para ter a minha paz de volta, eu pago sem culpa. – explicou ele e eu apenas assenti sem ter o que dizer.
É, quem disse que paz e felicidade não se compram, afinal?
*Música Girl on Fire — Alicia Keys.
Notas finais
Roupa da Charlie: http://www.polyvore.com/charlie/set?id=83548532
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Espero que tenham gostado do capítulo e que comentem bastante ;)
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Quero fazer uma pergunta a vocês e quero que me respondam nos reviews, pode ser? Então, eu estava pensando em escrever uma fanfic original, o que vocês acham? Mas só irei escrever se vocês me garantirem que irão acompanhar ou pelo menos dar uma chance a ela. Sei que a maioria não gosta de originais, mas é realmente uma história muito importante para mim, pois conta um momento da minha vida que foi o mais feliz/triste que já vivi. Por favor, prometem dar uma chance?
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Eu já até tenho o prólogo pronto... Para quem se interessar:
Meus dedos frios pela baixa temperatura da cidade fria do interior de Santa Catarina, continuaram dedilhando as cordas do violão, enquanto da minha boca saia os versos da música que tantas e tantas vezes eu cantei para ela. A música que eu compus para quem eu pensei que fosse o amor da minha vida, agora parece não fazer mais nenhum sentido, afinal o que ainda faz sentido em minha vida?
-But when I look upon your face, I can build one special place, that will never die and never will get old, and i would believe you could be there for me, but reality is so cold... And you still so far away. - cantei enquanto algumas lágrimas vieram aos meus olhos.
Por que tudo tem que ser assim? Por que tudo não passou de uma grande mentira?
Tantas promessas e planos em vão... Eu a amei e ela brincou comigo. E o pior, por que não consigo deixar de amá-la?
Tantas perguntas das quais nunca terei respostas, apenas a dor em meu peito me faz acreditar que tudo não passou de um sonho ruim.
Provavelmente eu sou apenas mais um cara que ela enganou, não devo significar nada para ela, mas por que ela insiste em dizer que me ama? Por que não acaba com isso de uma vez? Por que não me deixa sofrer em paz?
Eu a amei com todo meu coração e agora... Acabou.
Ouvi o som de aplausos e abri meus olhos contemplando a platéia de no máximo vinte pessoas. O que eu esperava, afinal? Sou apenas mais um cantor que canta de bar em bar, apenas mais um entre milhares. Apenas mais uma coisa na qual sou completamente insignificante.
* mas quando eu olho em seu rosto, eu posso construir um lugar especial, que nunca morrerá e nunca ficará velho e eu acreditaria que você poderia estar lá para mim, mas a realidade é tão fria... E você continua tão longe. * tradução da música.
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Beijos
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