No inverno de 1969, uma de minhas alunas, inteligentes e sensível, suicidou-se. Pertencia uma distinta família da classe média alta. Seu aproveitamento escolar era excelente. Era muito querida por todos e tinha sempre programas para fazer. Num determinado dia de janeiro, foi de carro para os penhascos de Pacific Palisades, em Los angeles, deixou o motor do carro funcionando, caminhou até a beira de um rochedo íngreme que se desbruçava sobre o mar e pulou para a morte. Não deixou qualquer bilhete, nem uma palavra de explicação. Tinha apenas 20 anos.

Jamais consegui esquecer seus olhos: vivos, ativos,suscetíveis e cheios de promessas. Consigo até me lembrar de seus ensaios e provas, que sempre lia com interesse. Em um de seus trabalhos,que nunca devolvi,escrevi: ‘ ótimo trabalho. perspicaz, inteligente e sensível. Indica sua capacidade de aplicar em sua vida real que você aprendeu. Parabêns!’’ O que eu sabia sobre sua ‘’ vida real’’?

Frequentemente me pergunto o que leria nos olhos ou documentos dela se pudesse vê-los hoje. Mas, assim como muitas pessoas e situações em nossa vida, nós os conhecemos superficialmente,eles passam e nunca mais podem ser conhecidos da mesma maneira.Não estou me responsabilizando pela morte da moça.Apenas imagino o que poderia ter feito; se poderia, mesmo momentaneamente, ter ajudado.

Mais do que qualquer coisa, foi essa questão que me levou a iniciar, naquele ano, um curso experimental. A idéia era de um grupo informal, com comparecimento voluntário, onde qualquer aluno pudesse estar presente ou se retirar, se assim o desejasse. Seria dedicado ao crescimento pessoal.Não queria que se transformasse numa psicoterapia de grupo nem num grupo de encontro.Eu era um educador e não um psicoterapeuta.Desejava que esse curso se tornasse uma experiência de aprendizado sem paralelos. Que tivesse uma estrutura definitiva, ainda sem rigor, e que fosse de grande interesse e importancia para os estudantes. Queria que estivesse relacionado com suas experiências imediatas.Os estudantes com os quais me relacionava tinham,mais do que nunca, interesse na vida,no viver,no sexo, no crescimento, na responsabilidade, na morte, na esperança ,no futuro. É claro que o único assunto que abarcava – e mais, que estava por detrás de todos esses interesses – era o amor.

Deime um nome ao curso: ‘’CURSO DO AMOR’’.

Uma aluna me falou : — acho que o amor é muito parecido com o espelho. Quando amo alguém, essa pessoa torna-se meu espelho e eu me torno o dela; e refletindo-se um no amor do outro,vemos o infinito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.