Notas iniciais
Essa história é dedicada a quatro pessoas muito especiais. *Natália, porque ela confiou em mim e assistiu OUAT, e desde então escreve coisas lindas nesse universo fantástico e fora dele. *Myllena, você é minha consultora de títulos e histórias, e sempre uma das primeiras a ler meus devaneios. *Letícia, ou Menina do Rio, porque você é a maior Outlaw Queen shipper do universo e merece um Happy Ending desse dois. E também a qualquer pessoa que tenha se atrevido a vir aqui ler. [Eu não possuo qualquer direito sobre a imagem do capítulo, a encontrei no PInterest, se alguém souber o autor, ficarei feliz em creditá-lo.]

“Mamãe?” Perguntou a garotinha erguendo o rostinho que se escondia atrás das madeixas cor de âmbar. Audrey lia um pesado exemplar ilustrado do Dicionário de Oxford.

“O que foi, Aud?” Respondeu Regina, docemente, enquanto deixava as planilhas da cidade de lado.

“Eu estava lendo esse dicionário,” Disse apontando para o livro embaixo de seu torso. “E fui pesquisar a palavra amor, mas eu não estou entendendo a definição que está aqui.” Finalizou com um biquinho, encarando as palavras como se elas fossem a coisa mais terrível do mundo.

“Deixe-me ver, Querida.” Disse a morena cruzando as pernas ao lado da filha no enorme tapete da sala. A garotinha empurrou o livro para a mãe e apontou para uma palavra circulada com tinta azul.

Amor (ô) sm 1. Afeição acentuada de uma pessoa por outra; 2. Objeto de afeição; 3. Sobrecumum pessoa amada; zelo, cuidado.

Regina leu atentamente o pequeno trecho e antes que pudesse voltar sua atenção para a menina, Audrey já tinha acomodado a cabeça no colo da mãe e a fitava com seus olhos azulados.

“Você viu, Mamãe? Essa definição é muito inespifica!”

“Inespecífica?”

“Sim. Eu não acredito que o melhor dicionário do mundo não tem uma resposta decente!” Reclamou a garota ao passo em que revirava os olhos. Ela até pode ter os olhos do pai, mas isso com certeza não é dele, pensou Regina segurando uma risada.

“E você quer a minha ajuda pra achar uma resposta?”

“Aham. Porque você é a segunda adulta mais inteligente que eu conheço.”

“A segunda?” Perguntou a mulher, fingindo estar ofendida.

“Não precisa ficar triste, Mãe.” Respondeu Audrey, fazendo carinho na bochecha esquerda da mãe, e com um tom de voz que parecia indicar que a criança da conversa era Regina e não a menininha. “Você é muito inteligente. É que o Henry é um pouquinho mais esperto que você, acho que é porque ele usa óculos! Mas ele não pode saber disso, senão ele vai sair por aí se achando o Albert Einstein.” A mais velha respondeu com um aceno enquanto deitava a cabeça na mão da pequena. “E então, Mamãe, o que é amor?”

Regina suspirou e disse. “Se eu tivesse que responder isso há alguns anos, você sabe que minha resposta seria que o amor é puramente fraqueza...”

“Por que seu coração estava machucado?” Interrompeu a garotinha.

“Uhum. Ele estava doendo muito para que eu deixasse alguém se aproximar, mas o amor... Ele juntou todos os pedaços quebrados do meu velho coração. Porque o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, ele não maltrata, não procura interesses, não se ira facilmente, nem guarda rancor. O amor não se alegra com injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece. O amor é tão simples e tão inerente a vida humana, que não encontramos palavras que o descrevessem. E ele aparece e ás vezes é devagar que ele preenche o seu coração, mas de vez em quando, ele simplesmente chacoalha a sua vida e vira as coisas de ponta cabeça, e cada parte do seu corpo corresponde ao amor arrebatador que você sente por essa pessoa. Amar significa deixar as necessidades da outra pessoa acima das suas, e a felicidade dela ou delas também, mesmo que você sacrifique muito pra isso.” Amar significa experimentar dos sentimentos mais arrebatadores do universo, significa ter sua existência explodindo e seu corpo pegando fogo ao reagir a essa pessoa. Significa um dia acordar e se maravilhar com pequenas coisas do cotidiano. Como definir o lado da cama em que cada um dorme, e isso significava que a direita era dela porque a janela incomodava ela pela manhã. Ou ter duas escovas de dente no armário e duas toalhas penduradas no suporte ao lado da banheira ao invés de uma e também um guarda roupa dividido em dois. Significa que alguém vai preparar uma xícara de chocolate quente ou de chá de camomila com gengibre, te cobrir e cancelar um dia de trabalho quando você estiver doente. Que alguém sempre irá espantar um sonho ruim, quando você o tiver. Significa que alguém vai segurar o seu cabelo e fazer círculos reconfortantes nas suas costas quando você não estiver se sentindo bem e for vomitar. E que essa pessoa vai dançar com você, mesmo quando estiver chovendo, porque aquela é ‘música de vocês’. Também significa que vocês vão discutir sempre o filme que irão assistir, e no final vão assistir mais um episódio de How I Met Your Mother abraçados. E sempre mandar uma mensagem ou telefonar perguntando se precisa levar alguma coisa. Significa que você vai conviver com uma pessoa pelo resto da sua vida, e que provavelmente vocês vão brigar muito, mas também que nenhum de vocês irá aguentar por muito tempo, então vocês vão acabar no sofá dividindo uma pizza. Regina pensou nisso tudo. E em como, mesmo depois de quase oito anos, ela ainda achava os olhos dele a coisa mais encantadora do mundo e em como as covinhas dele faziam do sorriso dele ainda mais bonito. “O amor não se aprende, nem se define, tampouco se mede, mas sente-se. E você deve aprender, Aud, que o melhor do mundo está em amar e ser amado em troca.” Finalizou com lágrimas nos olhos e um sorriso tenro direcionado à filha.

“Então, eu amo muito você, Mamãe!” Exclamou a pequena, afundando o rosto no pescoço da mãe.

“E eu você, minha bebê.”

“E você sente tudo isso pelo papai?” Perguntou encarando a mãe com olhos arregalados.

“Uhum. Tudo isso e muito mais! Tanto quanto amo você e seus irmãos.” E deixou escapar uma risada abafada ao ver a surpresa da garota.

Audrey levantou num pulo e saiu correndo. Regina balançou a cabeça algumas vezes e gritou.

“Aonde você vai?”

“Vou ligar para o papai. E pro Henry. E fazer o Roland sair do Video Game e tomar um banho. Depois vou decidir se vou usar minha fantasia de princesa ou a de ratinho. Nós precisamos comemorar!” A menininha desapareceu no corredor e Regina apenas encostou a cabeça no sofá enquanto ria e limpava as lágrimas teimosas que escorriam por seu rosto.

Fazia quase oito anos que a magia havia sido banida de Storybrooke. Desde então, além de paz, Regina havia estabelecido um relacionamento sem maldições com seu amor verdadeiro. Tinha uma relação amigável com sua irmã. Henry, seu filho mais velho, era professor de literatura e escritor de livros de ficção. Roland um adolescente na fase viciada em vídeo games, mas ainda sim um ótimo garoto. E Audrey, a caçula, era a princesinha do casal. A garota tinha acabado de fazer seis anos e era apaixonada por livros. Livros de qualquer coisa, desde biografias até romances. Ela tinha três anos quando Henry começou a apresentar letras e livros, e um dia, 2 meses depois, sem qualquer aviso, ela estava lendo. Ela tinha filhos lindos e um marido incrível.

Regina agradeceu mais uma vez, por tudo. Por sua família, pela paz e por todo o amor que a cercava.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado ;)Caso tenham curtido, deixem um review, e caso não, deixem um também.Essa fic é um teste pra um projeto futuro, então espero que dê certo. *O trecho que diz que o amor tudo sofre e etc, foi tirado de Coríntios 13, e é um dos meus trechos favoritos EVER, e enquanto eu escrevia o capítulo ele não abandonava minha cabeça, então tive de colocar. As outras definições de amor são basicamente um compilado de clichês bonitinhos que estamos acostumados a ver por aí, mas deixaram a história fofinha, por isso nem vou reclamar. É isso, bjs.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!