O Amor É Uma Farsa
7 Acabou
Mais um dia da minha talvez patética nova vida. Mas um dia para respirar e me lembrar de tanta coisa boa e ruim eu já passei. Como pude me enganar tanto com alguém assim? Por isso não podemos confiar no amor, ele chega e não te dá tempo nem de se defender. Se eu soubesse que aquele romance com Victor daria no que eu sou agora eu me defenderia, de todas as formas possíveis, até sem poder eu tentaria, faria de tudo para nunca ter tido ele na minha vida.
Eu não deveria ter me apaixonado, se eu não tivesse me apaixonado eu ainda estaria viva, e não teria que dedicar essa nova vida a fugir dele, nem sequer existiria uma nova vida, então de algum modo a culpada fui eu, é culpa minha que quis viver um grande amor, a culpa foi minha. Mas não adianta nada reclamar agora, não vai mudar nada do que aconteceu, eu estou by Browse to Save\">aqui, e essa infelizmente é minha nova vida, minha nova realidade, cercada por pessoas desconhecidas. Uma irmã que nem sequer eu conheço, mas amo e sinto que devo protegê-la sempre e um namorado que eu não gosto, mas que pelo menos é uma boa pessoa. E falando nele, ontem a noite pensei bastante nele, durante o meu momento de pensar antes de dormir, e tirar a conclusão de que não serei como Stella, não ficarei com ele sem gostar dele, eu prometi que eu faria essa vida de acordo comigo, essa vida pertence a mim agora, e isso não pode continuar assim. – Tem certeza que vai terminar com ele? – Megan me perguntou logo após o término de nossa primeira aula, apesar de conhecê-la há apenas um dia, já gosto muito dela, parece uma boa pessoa, acho que daria uma ótima amiga. – Sim, eu não gosto dele. – Falei sendo sincera com ela; Stella não tinha amigas, talvez por causa do seu jeito metido, então por isso resolvi arranjar-lhe uma amiga, que seria no caso, Megan. – E por que começou a namorar com ele? – Ela pareceu curiosa. – Não era eu. – Respondi em um tom de brincadeira, porém era verdade. – Estava meio perdida. – Entendo, já tive uns momentos desses. – Ela riu. – Quem nunca? – Correspondi a seu riso. – Eu nunca namorei com alguém por estar perdida. – Ela zombou de mim. – Não comece. – A empurrei de leve, brincando com a situação. Eu estava rindo, mas era sério, eu até gosto de Nohan, mas gosto como um amigo, ou alguém com que eu tive uma primeira impressão e acabei mudando de ideia, alguém que eu me surpreendi bastante. Ele não era o metido, riquinho e mimado que eu imaginava, na verdade quem era assim era Stella, ou eu agora, ele não, ele não estava nem perto de ser assim, ele era calmo, lindo e bom, ele gostava realmente de Stella, as vezes eu penso e sinto muito por ela ter morrido e eu entrado em seu lugar, mas as vezes penso também que ela não gostava dele, então ele merece coisa melhor, e espero que ele tenha algo melhor, mas para isso preciso deixa-lo livre. – Como acha que ele irá reagir a essa separação? – Megan me perguntou já dentro da sala de aula. – Não sei. – Respirei fundo imaginando o acontecimento. – Espero que reaja bem. – Você acha que ele gosta de você? – Sim. – Sorri. – Mas não deve me amar. – Como sabe? – Não sei. – Fiquei séria. – Acho que já fui tão ligada ao amor que sei tudo sobre ele. – Nossa. – Megan sorriu. – Poderosa. – Nem tanto. – Retribui, Megan realmente me fazia rir, e eu adorava isso nela. Fiquei a aula inteira conversando com Megan, sem nem sequer prestar atenção na aula. Ultimo ano estudando e eu nem presto atenção nas aulas, acho que alguém vai repetir, ou não. Apesar de Stella ser metida e popular, ela tirava boas notas, e eu não devo fazer diferente, preciso me recompor e voltar a ser como eu era nos estudos antes de morrer, inteligente e dedicada como Stella. Depois da aula fui para casa, me preparar para o término do meu namoro, como Nohan não havia ido ao colégio, teria que terminar com ele em outro lugar, mas não imagino qual ainda. – Ai que susto. – Gritei ao abrir a porta de casa depois de sair do colégio com Rachel, e me deparar com um homem de cabelo grisalho, aparentando uns 40 anos, parado na sala de estar. – Desculpe, não quis te assustar. – Ele sorriu e veio me abraçar junto com Rachel. – Como vocês estão minhas filhas? Eu senti saudade de vocês. – Estamos bem pai. – Respondi ao analisar bem seu rosto e ver que esse era o pai ausente de Stella, ou melhor, meu pai ausente. – Sentimos sua falta também papai. – Rachel completou logo depois de terminar o abraço em família. – Desculpe estar meio sumido, não pude vir antes, muito trabalho. – Entendemos pai, você tem que sustentar a casa. – Rachel disse sorrindo, enquanto eu fiquei calada. – Que bom que entende filha. – Ele beijou seu rosto. – Então, como estão as coisas por aqui? – Bem. – Respondi brevemente, Stella tinha uma certa magoa por ele aparecer pouco e deixa-la cuidando de sua irmã mais nova por tanto tempo, e como as mágoas de Stella são as minhas mágoas eu também me sentia mal.
– Você está com fome pai? – Rachel perguntou toda alegre pela presença dele. – Estou sim minha filha. – Ele respondeu. – Vocês já almoçaram? – Não. – Falei cruzando os braços. – Que bom, porque eu trouxe sua comida preferida. – Ele disse alegre. – Adivinha qual é? – Pai? – Fiz uma cara de tédio. – Minha comida preferida deixou de ser essa há anos, mas você não estava aqui para saber né? Tudo bem, pelo menos eu ainda gosto de Strogonoff. – Anna. – Rachel gritou comigo, me repreendendo, ela sabia que eu não me dava bem com ele – Por favor. Mas espera, por que estou agindo assim? Não sou eu que não me dou bem com ele, foi Stella. Ai droga, isso é tão complicado, tão difícil de lidar, eu tento fazer a vida ser minha e esquecer totalmente que algum dia pertenceu a Stella, mas é impossível, eu não consigo controlar meus sentimentos. Eu não odeio o pai dela, eu nem conheço ele, não devia agir assim, mas não consigo me controlar, é como se algo dentro de mim se revirasse e eu sentisse um ódio dele que transbordava tanto que eu mandava essas respostas rápidas. – Tudo bem querida. – Ele fez carinho no rosto de Rachel. – Sua irmã não está errada. – Está sim papai, ela não entende. – Rachel me olhou com uma cara de quem parecia que me mataria mais tarde. – Desculpe. – Me desculpei entendendo que apesar dele ser ausente, eu não tinha nada a ver com isso, não devo odiá-lo; e acabou que esse pedido surpreendeu a todos na sala. – Tudo bem filha. – Meu pai sorriu parecendo feliz e surpreso por eu ter me desculpado, e Rachel me olhou pasma, ambos sabem que Stella nunca pediu desculpas na vida. – Vamos comer? Sentei a mesa com meu pai e Rachel e começamos a almoçar juntos, novamente como uma família, todos estavam felizes. Rachel por meu pai estar ali, meu pai por ter sua família unida de novo e eu por demonstrar minha mudança ao me desculpar, um pequeno controle que eu tive da minha nova vida, mas eu teria de praticar muito ainda. Depois do almoço meu pai foi para a sala junto com Rachel. Rachel amava muito ele apesar de tudo, eles tinham muito papo para colocar em dia, e eu tinha um assunto pendente para resolver. Um assunto que não devia demorar, e hoje era o dia, ou melhor, agora, não esperaria mais, não com ele, ele merece coisa melhor. Não sei se estou me enganando novamente, achando que ele é bom e não é, mas pelas lembranças de Stella e pelos poucos momentos que passei com ele, ele parece ser do bem, espero não ter me enganado. Mas mesmo assim, o término é o melhor caminho, para os dois. – Podemos conversar? – Falei assim que cheguei à casa de Nohan, toquei a campainha e ele abriu a porta alegre ao me ver. – Claro meu amor. – Ele respondeu sorrindo. – Que surpresa você aqui, quer entrar? – Não, eu estava pensando se a gente poderia sair um instante. – Claro, aonde iremos? – Não sei, vamos só caminhar. – Sorri. – Ta, vou trocar de roupa e já volto. Esperei por ele alguns minutos, e logo ele apareceu vestindo uma calça jeans azul, e uma blusa polo rosada. Eu confesso, ele é extremamente lindo. – Vamos? – Ele disse assim que voltou. – Sim. – Falei analisando seu visual, além de lindo se vestia bem. – Estou feliz em te ver aqui. – Ele disse quando já estávamos caminhando. – Por que não foi a aula? – Não poderei te contar. – Ele sorriu. – Por que não? – Porque estive ocupado. – Com quem? – Perguntei imaginando com quem e com o que ele estava ocupado. – Ciúmes? – Ele riu. – Não. – Falei seca. – Eu estava preparando algo. – Ele segurou minhas mãos, ainda caminhando. – Sozinho. – Tudo bem. – Falei não me sentindo confortável com a mão dele, e logo soltei sua mão e apontei para um banco de pedra que tinha na praça próxima a nós – Vamos sentar ali? – Vamos. – Ele concordou e fomos juntos sentar no banco. – Desculpa. – Falei já sentada no banco, eu queria acabar o mais rápido possível, então pretendia ser direta. – Desculpar pelo que? – Por tudo. – Abaixei a cabeça. – Por ter feito você perder seu tempo. – Meu tempo com o que? – Comigo... com a gente. – Não é perda de tempo. – É sim, eu não sinto nada por você. – Fiz uma cara triste, eu realmente estava triste, por ele. – Nada? Nem um pouco? – Ele me olhou triste, de uma forma eu conseguia enxergar a dor em seus olhos, e isso fazia com que eu me sentisse mal. – Não. – Olhei fundo em seus olhos. – Eu sinto muito Nohan. – Não sinta. – Seus olhos encheram de lágrimas, mas ele repreendeu não permitindo que elas caíssem. – Você não tem obrigação de sentir algo por mim, eu entendo. – A gente terminar é o melhor para nós, o melhor para você, você é bom Nohan. – Segurei o seu rosto. – Merece alguém melhor – Por que será que todos dizem que merecêssemos algo melhor? – Ele olhou fundo em meus olhos, e eu desviei, eu não conseguia olhar nos olhos dele, era dor demais para mim, os olhos dele eram diferentes, deixava a mostra os seus sentimentos. – É verdade. – Tudo bem Anna. – Ele afastou seu rosto de minhas mãos. – Você está certa, não podemos continuar com algo sem sentimento não é? – Sim. – Senti um forte aperto no peito ao responder essa pergunta dele, não achei que seria tão difícil terminar, não porque eu gosto dele, apesar de gostar como um amigo, mas sim porque separação sempre é complicada, não importa se existe ou não sentimento, ainda mais quando vocês sabe que irá magoar uma pessoa que não merece. – Acho que irei embora agora. – Ele respirou fundo tentando se recompor, mas eu sabia que ele estava partido por dentro, eu já senti essa dor, a minha foi até mais forte, mas seria o melhor para ele, eu queria que Victor tivesse terminado comigo, dito que não me amava ou algo do tipo, preferia a verdade dele do que a mentira, e é isso que acabei de fazer com Nohan, eu o protegi. Eu apenas observei Nohan se levantar do banco e ir embora lentamente, aquilo doeu nele, eu tinha certeza, e isso me fazia tanto mal que chegava a doer em mim também. Eu cheguei ao ponto de olhar para o céu e pedir que ele conseguisse um futuro melhor do que o meu foi, pedi a Deus que ele fosse feliz. Eu sei, é estranho pedir isso a alguém que eu mal conheço, mas eu gosto dele, depois de Victor ele é quem eu mais gostei, mesmo sendo como apenas um amigo. Eu sei que eu pensei que poderia ser loucura, que eu poderia estar me enganado de novo, mas não, eu tenho total certeza que não estou, eu nunca senti isso, nem mesmo com Victor, eu vejo uma beleza em Nohan, algo bom que eu não vi em mais ninguém, não havia como eu me enganar de novo, era impossível, Nohan era bom demais, eu tenho certeza disso, e espero do fundo do coração que tenha feito algo bom pra ele, espero que esse término tenha sido bom tanto pra ele quanto para mim. Não estava certo, não havia amor, era um falso namoro, e agora acabou.
Notas finais
Mais um cap, dia sim e dia não :D
Enfim... Acabou o namoro do casal NohAnna, foi o certo?
Review *-*
Enfim... Acabou o namoro do casal NohAnna, foi o certo?
Review *-*
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