O Amor É Cego - Brittana
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Ela não sabia ao certo como havia chego lá. Ok, Santana havia a convidado para subir. Mas depois do elevador, ela não se lembrava de mais nada. A única coisa clara em sua mente era o momento em que passou os braços pela cintura de Santana e colou seus lábios nos dela.
E agora, elas estavam se batendo nos móveis, os corpos ainda juntos, caindo no sofá. Brittany estava com as mãos na cintura da morena, explorando a pele alva do seu estômago. Santana não sabia ao certo onde pôr as mãos, aquilo era tudo muito novo para ela. Mas ela estava disposta a tentar, por mais que seus medos fossem enormes.
- Santana? – Brittany quebrou o beijo, franzindo as sobrancelhas. – Você está bem? Está sentindo alguma coisa? E-eu machuquei você? Suas mãos estão tremendo!
- Não Britt. – Santana sorriu, buscando as mãos da loira e as segurando. – Você foi ótima. Em tudo. Eu só… eu estou um pouco nervosa, nada de mais.
- Por quê? – Brittany perguntou.
- E-eu nunca fiz isso antes. – ela gaguejou, sentindo o rosto corar.
- Com mulheres?
- Nem com homens.
O rosto de Santana não podia estar mais vermelho. Uma virgem de vinte e sete anos. Ela estava se sentindo uma piada. Esperou no mínimo uma risada de Brittany, mas nada aconteceu. A loira apenas saiu de cima dela, puxando as mãos de Santana e a ajudando a sentar no sofá. A morena franziu as sobrancelhas, confusa.
- Por que você parou? – ela perguntou.
- Não vai ter a sua primeira vez em um sofá. – Brittany aproximou-se e beijou a bochecha de Santana. – Você merece mais.
Santana não discutiu. Deixou que Brittany a puxasse e a envolvesse em um abraço, enquanto deitava a cabeça de Santana sobre seu peito. Ela poderia ficar naquela posição por muito mais tempo, se a casa de Santana não houvesse sido invadida por uma loira estressada.
- Santana? – Quinn chamou. – Você já chegou? Eu pedi pra você me ligar, sua vadia louca! Onde é que você… Brittany?
Ela não sabia onde enfiar a cara. Sabia que o rosto deveria estar em uma coloração extremamente vermelha, por mais que seu tom de pele escondesse um pouco. Enterrou-o, então, na curva do pescoço de Brittany, como se isso fosse fazer Quinn desaparecer.
- Hm, Quinn, certo? – Brittany cumprimentou, sentando-se no sofá, ainda com a morena escondendo o rosto em seu pescoço.
- É. – a loira respondeu, um sorriso pequeno nos lábios. – Bom, eu… é melhor eu ir. Só vim ver se estava tudo bem. Tchau, meninas.
- Tchau, Quinn. – Brittany despediu-se, enquanto a loura fechava a porta.
- Ela já foi? – Santana perguntou.
- Mhm. – Brittany riu. – Não precisa ficar com vergonha, San.
- Desculpe por isto. – Santana murmurou. – Quinn é um pouco… invasiva.
- Não tem problema, San. – Brittany a abraçou. – É engraçado.
Santana sorriu fracamente para ela. Arriscou iniciar um beijo, colando seus lábios nos de Brittany. Ela conduzia o beijo de maneira calma, apenas um suave roçar de lábios que mantinham Brittany presa em Santana.
- Eu acho melhor eu ir. – Brittany murmurou contra os lábios da latina.
- Tudo bem. – Santana concordou, mas nenhuma das duas fez menção de descolar as bocas.
- Tudo bem. – Brittany deu mais um beijo rápido em Santana antes de levantar do sofá. – Eu posso te ver amanhã?
- Claro que pode. – Santana respondeu um pouco apressada. – Onde está pensando em ir?
- Surpresa. – ela riu, e Santana fez bico. – Não vou contar, amanhã você vai ver. E leve o Scooby, ele vai gostar.
- Ok. – ela respondeu, ainda contrariada.
Brittany riu do bico formado nos lábios carnudos de Santana e aproximou-se, distribuindo vários selinhos até desfazê-lo.
- Boa noite, San.
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- Quando isto aconteceu?
Santana mal havia ouvido Quinn entrar no apartamento. Ela estava ocupando-se em terminar de cozinhar o seu almoço. Já tinha prática nisso, sua mãe havia a ensinado desde pequena a preparar a própria comida. Queria que Santana fosse independente, apesar da deficiência visual.
- Quinn, eu sou cega, não surda. – Santana falou. – Eu atenderei a porta se você tocar a campainha.
- Ainda não respondeu a minha pergunta! – Quinn exclamou.
- Beth está aqui? – ela ignorou.
- Oi, tia San. – a menina gritou, provavelmente da sala.
- Oi, meu amor. – Santana cumprimentou. – Você quer almoçar, B?
- Mhm! – ela confirmou, alegre.
- Ótimo. – Santana sorriu. – Fabray, vai almoçar aqui também?
- Vou. – a loura respondeu. – Como aconteceu?
Santana suspirou. Um sorriso involuntário surgiu no seu rosto ao lembrar-se dos lábios de Brittany tocando os seus, e de como ela a abraçara na noite anterior.
- Eu… nós saímos ontem à noite. – Santana explicou, o rosto começando a queimar.
- Essa parte eu já deduzi, Lopez. – Quinn apressou.
- Ela me levou para patinar, — tornou a sorrir. – E depois nós saímos para dançar. E ela disse que gostava de mim. Eu não sei, Q. Simplesmente aconteceu.
- E você gosta dela? – Quinn perguntou.
- Gosto. Gosto muito. – Santana respondeu. – Nós vamos sair hoje.
- BETH! – Quinn berrou. – Nós fomos trocadas!
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Não precisava ver para reconhecer o abraço em sua cintura. Um sorriso largo apareceu em seus lábios e ela girou o corpo, abraçando o pescoço de Brittany. A loura beijou os lábios de Santana carinhosamente, arrancando um suspiro da mesma.
- Pronta? – Brittany perguntou, enquanto se afastava.
- Mhm. – a latina concordou, segurando a mão de Santana.
As duas fizeram o caminho até o carro de Brittany, repetindo a rotina do dia anterior. A loura ligou o rádio e uma música da Beyonce começou a tocar. Um sorriso largo se espalhou por seu rosto e ela começou a cantar junto com o rádio.
- Vamos, Santana! – Ela incentivou. – Você não é professora de música? Cante comigo!
- Outro dia, Brittany. – a morena riu, concentrando-se na voz da loira.
- Who run the world? GIRLS! – Brittany cantava, às vezes mais gritando do que cantando, fazendo Santana gargalhar. – O quê? Aposto que você está louca para cantar comigo!
- Outro dia, Britt. – ela repetiu. – Prometo.
- Jura juradinho? – ela perguntou, com uma infantilidade que Santana adorava.
- Juro juradinho. – ela prometeu.
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- Onde estamos? – Santana perguntou, enquanto segurava a mão de Brittany.
- É um lugar que eu gosto muito. – ela respondeu, puxando Santana pela cintura. – É uma espécie de parque, San. E é muito bonito, mas praticamente ninguém vem aqui. Por exemplo, agora estamos só eu e você.
- Se é tão bonito, por que ninguém vem aqui? – Santana questionou, arqueando uma sobrancelha. – Desculpe, mas é que não faz sentido para mim.
- Por que está se desculpando? – Brittany riu. – E eu não sei, San. É complicado. Eu acho que é porque quase ninguém conhece esse lugar. Ou porque é um pouco longe do caos de Nova Iorque.
- Por que me trouxe aqui? – Brittany sorriu e beijou o rosto da morena.
- Porque eu queria ficar sozinha com você. – ela informou. – Sem todo aquele caos da cidade, sem horário das aulas, sem a Quinn, — Santana riu. – sem ninguém, basicamente. Só eu, você e o Scooby.
Ela levou Santana pela mão até uma árvore, sentando-se embaixo da mesma e puxando o corpo da morena contra o seu peito. Scooby deitou-se na grama, de barriga para cima.
- Eu gostei daqui. – Santana murmurou. – É calmo.
- Eu achei que você fosse gostar. – Brittany disse, contra os cabelos escuros.
Elas ficaram em silêncio mais algum tempo, apenas aproveitando a companhia uma da outra. Até que o corpo relaxado de Santana tencionou nos braços de Brittany.
- Brittany, — ela chamou, a voz falha. – T-t-tem uma coisa na minha perna.
A loira ergueu o olhar até as pernas torneadas da latina e não conteve o sorriso largo que se espalhou por seus lábios. Ela pegou o animal da perna de Santana com cuidado, para não assustá-lo.
- Abra a mão. – ela pediu.
- Hã? – a morena arqueou a sobrancelha. – Por quê?
- Confia em mim. – Brittany insistiu.
Santana suspirou e abriu as mãos, em formato de concha. Delicadamente, Brittany depositou o animal nas mãos de Santana.
- O que é isso? – ela perguntou, passando os dedos pela penugem do pequeno animal.
- Um passarinho. – Brittany contou. – Eu nunca havia conseguido pegar nenhum até agora. Olha, — segurou a mão da morena e passou o dedo pelo corpo do animal. – eles são tão…
- Pequenos. – Santana completou.
- Isso, — ela tornou a sorrir. – e frágeis. Erga as mãos, San. Com cuidado, senão ele vai se assustar.
Ela ergueu as mãos devagar, como Brittany havia pedido, e o passarinho voou de suas mãos. Uma expressão alegre tomou conta de seu rosto enquanto ela relaxava o corpo novamente contra o de Brittany.
- Eu queria poder voar. – ela murmurou.
- Eu também. – Brittany concordou. – Ia ser ótimo poder fugir de Nova Iorque de vez em quando.
Santana fechou os olhos. Há tempos não se sentia tão confortável com alguém como estava naquele momento.
- San, — Brittany cortou o silêncio. – Eu posso fazer uma pergunta? É meio pessoal.
- Pode. – ela concordou. – Pode me perguntar o que quiser.
- Você nunca tentou fazer uma cirurgia? – ela perguntou. – Nas córneas?
- Não. – ela sorriu. – Quer dizer, eu já entrei na fila para tentar umas duas vezes. Mas nunca deu certo. Tem muita gente, B. Eu meio que desisti.
- Mas você faria? – ela encostou a cabeça no peito de Brittany.
- Mhm. – ela confirmou. – Se a fila não fosse tão grande, eu faria. Mas eu tenho um pouco de medo.
- Do quê?
- De não dar certo. – ela respondeu. – De ter que esperar tanto tempo, criar expectativas de voltar a enxergar, e depois descobrir que é irreversível. Isso eu acho que eu não conseguiria lidar.
Ela apertou o corpo de Santana contra o seu. Ficaram abraçadas, trocando alguns beijos até que um barulho irrompeu do estômago de Brittany. Santana gargalhou, beijando os lábios da loura.
- Alguém está ficando com fome. – ela brincou, cutucando a barriga de Brittany. – Vem, B. Vamos achar alguma coisa para você comer.
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