O Amigo Importuno.

2 Capítulo 2 - Encontros.


Quando percebi já havia se passado um mês desde que as aulas tinham começado. Era sábado, dia de ligar para a família, eu não sentia tanta falta deles, já que todo sábado eu conversava com eles e fazíamos vídeos para enviar uns para os outros. O mesmo com meus amigos, que todo final de semana estavam esperando eu ligar para me contar o que havia acontecido durante a semana.

Neste mesmo sábado, quando eu já estava no meu quarto, tinha acabado de tomar banho, levei um susto quando sai do banheiro, ele estava sentado na minha cama, lendo uma de minhas cartas.

–- O que você acha que está fazendo aqui? — Não sei porque não gritei naquela hora. Por algum motivo estava muito calma.

–- Você demora muito tempo no banho, é um desperdício de água — Disse ele como se fosse meu melhor amigo e essa situação fosse a mais normal do mundo — Estava te esperando.

–- O que eu gasto é da minha conta... E como assim me esperando — Finalmente estava voltando ao normal e ficando nervosa com a situação.

–- Bom... É da minha conta também... Mas mudando de assunto, Tenho uma coisa para te falar — Ele estava mais calmo, e mais serio dessa vez.

–- Não podia esperar eu me trocar?

–- Não há necessidade, alias, isso faz parte do que eu tenho pra te dizer.

–- Como assim? Não estou entendendo.

–- Tudo bem, vou falar de uma vez. Eu não sou quem você está pensando... Quer dizer, sou quem você pensa, mas não sou quem você acha que sou.

–- Isso está me deixando confusa — E realmente eu já estava confusa nessa hora.

–- De um modo mais simples de explicar, eu sou uma imagem criada pelo seu subconsciente. Sou como se fosse seu amigo imaginário — Por algum motivo, quando ele disse isso, ele parece ter ficado feliz, e eu assustada.

–- Do que você está falando? Isso é algum tipo de brincadeira? Se você não parar com isso, vou chamar a inspetora — Eu já estava quase tremendo quando disse isso.

–- Não precisa fazer isso. Mesmo que chame alguém, só você pode me ver. Se quiser eu provo que sou só sua imaginação.

–- E como provaria algo assim?

–- Feche os olhos e conte até 3.

–- Você acha que eu iria fazer isso com um garoto que eu não conheço no meu quarto e eu só de toalha?

–- Quem quer provas é você. Eu sei muito bem que nem existo de verdade, quer dizer, não fisicamente, mas só em sua imaginação — Ele mantinha aquela expressão calma e seria ainda.

–- Ok... Mas só até 3, e se você encostar em mim, eu grito — Eu disse fixando os olhos e contando — 1, 2, 3. — Quando eu abri os olhos, ele já não estava lá. Fiquei confusa e com medo. Naquela noite não consegui dormir, e fiquei pensando no ocorrido.

No dia seguinte fiquei com medo de contar para minhas amigas sobre aquilo. Eu mesmo não estava acreditando direito no que tinha acontecido. Talvez fosse um sonho, ou algo do tipo. Então eu comecei a pensar sobre isso, queria ter certeza que aquilo era real. Estava tão concertada nisso, que nem percebi quando esbarrei em um garoto no corredor dos armários.

–- Desculpa. Eu estava distraída — Fiquei com muita vergonha naquele momento.

–- Não foi nada — Disse o garoto se levantando — Só tente se esbarrar com menos força na próxima — Falou em um tom suave e quase rindo. Então eu reparei em quem realmente era, este era o mesmo garoto que estava no meu quarto no dia anterior. O mesmo que me deixou tão assustada.

–- Como você fez aquilo ontem? — Foi a única coisa que saiu da minha boca depois de eu perceber que era ele.

–- Fiz o que? — Ele parecia confuso.

–- Você sabe. Sumir daquele jeito do meu quarto.

–- Não sei do que você está falando. Ontem eu nem estava na escola.

–- Que? Como assim? Não é proibido sair da escola? Então como você não estava aqui? Não tente disfarçar — Eu tinha começado a ficar nervosa e confusa, já que ele não parecia estar mentindo.

–- Bom... Não é que eu não estava na escola... Só não estava dentro dela, mas estava no terreno da escola... E eu não preciso disfarçar nada — Por algum motivo, ele parecia envergonhado. Então eu resolvi tentar saber se era porque ele estava mentindo.

–- Então onde você estava?

–- Uhn... Não sei se deveria te contar... Não é um lugar ontem todos possam ir sabe.

–- Fale logo senão eu falo para os inspetores que você invadiu meu quarto ontem.

Parece que ele não estava mentindo. Porque assim que eu disse isso, ele falou para mim seguir ele, e não parecia nada com o garoto de ontem, isso é, se era mesmo um garoto e não só um sonho meu, que parecia não ter nenhum medo dos inspetores.

Saímos pela porta da frente da escola e nos fomos por uma passagem que tinha perto do portão que levava a algum lugar no lado direito da escola. Seguimos por entre arbustos, que impediam a visão de qualquer coisa a mais de 1 metro de onde eu estava. Depois de um tempo, percebi que o caminho começava a mudar de direção, ia um pouco para a direita, para a esquerda, seguia reto, até que, enfim, saímos do arbusto.

Demorou um tempo para eu perceber onde eu estava, era um lugar incrível. Parecia um sonho, havia flores, uma arvore grande, um banco embaixo da arvore e o mais incrível, uma abertura em frente ao banco que proporcionava a vista mais incrível que eu já tinha visto. Dava pra ver a escola inteira e uma boa parte da ilha, e também dava para ver o mar, era incrível. E, também, um pouco mais adiante, havia um pequeno lago, com agua cristalina que dava até para ver o fundo. E por mais que aquele lugar não fosse grande, era o lugar mais lindo que eu já tinha ido.

–- Era aqui que eu estava ontem. Mas por favor, não fale pra ninguém, se mais alguém saber desse lugar, não vou ter nenhum lugar pra ficar em paz.

–- Como você achou esse lugar? — Eu estava tão impressionada com o lugar, que nem prestei tanta atenção no que ele disse, pelo menos até ele repetir.

–- Só se você me der sua palavra que não vai contar pra ninguém. — agora ele estava serio, cheguei até a pensar que ele estava me ameaçando, mas logo eu percebi que não: — Eu não gosto de ficar perto de muita gente sabe, por isso gosto daqui, aqui posso ficar tranquilo sem ninguém me perturbar.

–- Tudo bem, eu não falo, mas como você achou aqui?

–- Logo no primeiro dia de aula, eu vi a passagem perto do portão, e quando eu fui na diretoria, vi que aquele caminho não estava no mapa da escola, então vim checar. Depois eu fui procurar algo a respeito daqui, e parece que aqui era um lugar pra ser escondido mesmo, pelo que diz num livro da historia da escola, aqui era o lugar preferido do fundador da escola, e ele fez especialmente para passar os dias de folga longe de todos. — Por algum motivo, a expressão dele estava mais calma ainda, como se ele entendesse perfeitamente o que o fundador daqui tinha em mente.

–- Ual. Parece que esse lugar foi muito especial para ele... Mas e você, o que você fica fazendo quando vem até aqui?

–- Bem... Normalmente eu fico sem fazer nada demais... Só deitado ou nadando no lago...

–- Deve ser legal — Eu já nem lembrava mais o porquê de eu estar ali, só conseguia pensar em quão tranquilo e bonito era aquele lugar. E eu já estava me preparando pra ficar o resto da tarde ali, até que ele disse:

–- É melhor irmos agora. Não quero que ninguém suspeite que nós estamos aqui. — Agora a expressão dele estava mais seria, e um pouco mais confiante já que, antes disso, ele também parecia um pouco assustado comigo.

Fizemos o caminho todo de volta em silencio, e quando estávamos pra chegar no portão da escola, ele disse que sairia primeiro para ver se não tinha ninguém olhando. Ele demorou uns 2 minutos, e quando voltou, disse que tinha uns garotos conversando na porta da escola, e por isso não tinha me chamado antes.

–- Ah. Qual é o seu nome mesmo? — Eu perguntei mesmo sabendo que ele se chamava Bryan.

–- É Bryan. E o seu?

–- Gabriela. Sou da turma 02.

Depois disso eu não o vi muito, ele tinha feito eu dar minha palavra que não contaria a ninguém e nem voltasse lá por um tempo, e por alguma razão quando ele passava na minha frente fingia que nunca tinha me visto. Não que eu me importasse tanto, mas eu gostaria de voltar lá, o que parecia que não ia acontecer tão cedo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.