O Amigo Do Meu Pai
36 Surpresa...!?
Notas iniciais
POV Sam
Eu saia do banheiro direto para o quarto depois de um merecido banho. Eu passara o dia inteiro resolvendo problemas junto coma banda perante os últimos shows da turnê. O local onde seria o show em uma das cidades acabou tendo que passar por uma reforma de emergência e em outro a empresa que estava vendendo os ingressos teve um problema no site e na bilheteria. Um caos que só estressava a todos.
Troquei-me, vestindo só uma cueca e jeans e dispensado a camiseta. A calça que peguei, porém, estava com o celular no bolso traseiro. Não sei por que diabos, aquilo que fez lembrar-me de Anne. Não falara com ela o dia inteiro, e era estranho ela ainda não ter me ligado.
Dei de ombros, ignorando este fato, e peguei o celular. Porém, para a minha sorte, estava descarregado. "Droga!" pensei procurando o carregador. Procurei por ele em todas as minhas coisas, por cada canto do quarto, mas demorei para acha-lo. Eu não era bem o que se pode se chamar de arrumado, então achei o carregador dentro de uma meia em baixo da cama.
Assim que consegui ligar o celular, já na tomada carregando, eu notei três ligações perdidas de Michael e dez de Anne. Xinguei baixo, digitando o número de Anne, que deu sinais de ser a mais desesperada para falar comigo. Liguei umas três vezes, mas o celular dela só dava desligado. Eu então recorri a Michael, que também pareceu querer falar comigo.
–Alô – Ele atendeu após poucos toques.
–Desembucha. O que você queria comigo? – Perguntei direto.
–Nossa, que jeito de tratar seu maninho! Muita falta de educação, não acha? – Ele demostrou um tom de falso ofendido.
–Serio que você vai ocupar meu precioso tempo livre com enrolação?
–Se o seu tempo é precioso, imagina o de um cara que salva vidas... – Ele pontou.
–Esqueci-me que falava com o doutor da família... – Ironizei.
– Nossa, nem acredito que você trata seu irmão com ótimas noticias assim...! – Ele fez-se de coitado.
–Diga as suas noticias boas então... – Pedi cansado.
–Nossa, pensei que você ficaria mais animado em ter noticias de Anne... Ele disse suspirando e fazendo seu drama. Esse cara deveria ter sido ator, na boa.
–O que tem Anne? – Perguntei, parecendo claramente mais interessado.
Meu irmão riu de minha reação, sem me responder de imediato e me deixando mais curioso e um pouco mais irritado com ele.
–Sabia que você ia se interessar quando dissesse o nome de Anne... – Ele comentou animado – O exame saiu hoje e deu o resultado que vocês esperavam
–Você está brincando, né? – Perguntei me animando.
–Bem que gostaria de zuar com a sua cara, mas isso é verdade. Logo que saiu o resultado tentei te ligar, mas não consegui...
–A bateria acabou – Expliquei-o.
–...Então eu liguei para Anne e conversei bastante com ela. Aliás, descobri algumas coisas bem úteis... – Ele comentou despreocupado.
Mas eu sabia que sempre que ele falava assim, era porque tem sexo envolvido no meio, o que me irritou um pouco. Meu irmão conversando com minhas garotas sobre sexo com certeza era uma coisa a se preocupar. Acredite, ou eu parava no meio, ou ela parava na cama dele.
–E como ela reagiu? – Quis saber da reação dela ao resultado do exame.
Sempre que falava com ela nessas ultimas semanas, quase todos os dias, ela demonstrava ansiedade e nervosismo para saber o resultado.
–Ela quase teve um filho de felicidade, se te interessa – Ele respondeu-me desinteressado, e dessa vez de verdade – Mas não nós aprofundamos muito nisso não, falamos de coisas mais, digamos, quentes... – Ele confirmou minhas suspeitas.
–Sobre o que você falou com ela? – Perguntei já prevendo nada de bom vindo por aí.
–Nada de mais – Ele respondeu relaxado — Ela só me confessou algo e eu sugeri algo que com certeza beneficia você e ela...
–Qual foi o seu golpe dessa vez? – Perguntei levemente interessado.
– Começamos a falar de sexo, não sei como...
–Nem eu! – Murmurei irônico.
–... E então eu fiz uma pergunta inocente a ela, mas que ela se envergonhou toda na hora de responder. Você tinha até que ver como foi engraçado!
–Michael, o que você perguntou? – Questionei-o calmamente, tentando me controlar, pois sabia que fora algo nada agradável.
–Perguntei a ela a quanto tempo ela estava na seca e... — Ele começou a responder, normalmente.
–VOCÊ O QUE!? – Perguntei, interrompi-o incrédulo.
–Eu perguntei a ela quanto tempo ela não via... — Ele começou de novo, calmo.
–Eu não acredito! Michael, você é um caso de hospício! – Protestei incrédulo, cortando-o de novo, massageando as minhas têmporas.
–Cara relaxa... Você quer saber ou não o que eu descobri com essa história toda?
–Eu sei que eu vou me arrepender um dia, mas continua! – Pedi cansado, colocando-me de frente da janela e tendo uma bela vista do inicio de noite em Boston.
–Ok. Bom, eu descobri que nossa amiga...
–"Nossa"? — Interrompi-o, levantando uma sobrancelha.
–Caralho Sam, você vai me deixar terminar ou não a história? — Ele irritou-se.
–Vai fundo — Incentivei-o a prosseguir.
–Sua linda e gostosa amiga Anne está há OITO meses sem alguém na cama dela! — Ele continuou, dando ênfase ao oito e fazendo aquilo parecer uma grande novela mexicana.
–Cara, me lembra de te dar um belo de soco quando nos virmos... – Pedi-o – Não acredito que você me ligou para dizer isto! Isso é da conta dela, e não da nossa.
–Mas é lógico que é da sua conta também! – Ele protestou – Cara, amizade colorida! A chance dela sair da seca e de você pegar ela, que cá entre nós, eu sei que você quer isso a um bom tempo...
–Michael, eu me recuso a acreditar que você veio do mesmo útero que eu! Anne é só uma amiga e nada mais. Eu nunca encostaria o dedo nela. Além também de que ela é filha de meu amigo... – Defendi-me, lembrando-me mentalmente de outra hora pedir um teste de parentesco entre nós.
–Eu sei de quem ela é filha, mas você não pode negar que ela é bem gostosa...
–Michael, me lembre de depois lhe socar – Pedi de novo, tentando manter a paciência.
–Sam, sem brincadeiras agora. Vou tentar ser o irmão sério...
–Duvido... – Murmurei.
–... Eu sei que você gosta dela. Percebi isso naquela noite do jantar. Você está apaixonado, cara! Não tente negar, pois eu já vi você outras vezes desse jeito, só que com a Anne... Parece que a qualquer hora você vai abaixar lá e pedir ela em casamento e se acorrentar pra sempre – Michael continuou falando, sem dar importância a minha pequena interrupção, sem estar tirando sarro com a minha cara. Sério.
Suspirei, sem saber o que dizer. Anne era um mistério para mim. Eu realmente estava instigado quanto ao que sentia com ela. Algumas vezes ela era como uma irmã mais nova que você só quer proteger do mundo e outras era como se fosse a minha garota que eu não queria ver magoada.
–Michael, Anne é só uma boa amiga... – Respondi, por ora ouvindo a voz da razão.
Antes de tudo, Anne era filha de Chris. Ou seja, algo como o “fruto proibido”.
–Você que sabe mano. Mas olha, ela também está assim... Confusa. Notei isso no dia do jantar, quando eu lhe perguntei sobre o anel de nossa avó.
–Caraca! Não te disse que o dei a ela...
–Não esquenta – Ele pediu tranquilo, transparecendo não estra chateado quanto a isso – Você está falando com um cara que implanta marca passos, está esquecido? Achou que notar um anel daquele tipo num dedo de uma garota é difícil? Tentar achar o ponto G de uma mulher é mais difícil!
Eu ri, afinal, Michael sem sexo é igual deserto sem areia. Porém, uma batida na minha porta interrompeu o meu foco no celular e nas barbaridades que Michael continuou a dizer.
–Cara, estão batendo aqui na minha porta! Vou ter de desligar. Depois nos falamos... – Informei a Michael, que parou de falar suas merdas.
Ele concordou, dizendo um “ok”, e eu encerrei a ligação. Larguei o celular na cama e fui à porta atende-la. Assim que a abri e vi quem era sorri de canto a canto com a surpresa.
POV Anne
Era por volta das nove e meia da noite quando eu desembarquei em Boston. Sim baby, eu viera visitar Sam. Era insano, até porque eu tive essa ideia sem planejamento anterior nenhum e eu tive que improvisar legal. Eu queria comemorar com ele o fato de minhas deduções estarem certas, mesmo que isso não garantisse que a ultima e mais crucial parte do plano fosse ocorrer bem. Mas ainda assim eu estava feliz e queria estar ao lado de meu pateta favorito.
Eu me arrumei toda para isso. Um top preto com um saia de cintura alta preta, um salto preto básico, bolsa verde e um sobretudo preto que cobria-me e aquecia-me. Maquiagem era bastante rímel e cabelos soltos em cachos. Ah, e uma boca nude. Para dar um toque especial, botei o anel que Sam me dera, que fora de sua avó. Resolvi ser um pouco mais discreta dessa vez. Malas? Só minha bolsa com todos os meus documentos e itens necessários. Como eu estava em um apart-hotel, poderia ficar um pouco mais tranquila quanto esse assunto de partir para outro estado e deixar um quarto com minhas bagagens para trás.
Eu peguei o voo das sete em ponto e cheguei aqui as nove e pouco. Como só tinha bagagens de mãos, foi muito mais simples para deixar logo o aeroporto e pegar um táxi do lado de fora. Eu sabia o endereço do hotel de Sam, então passei ao taxista e ele entendeu. Fui a viagem inteira imaginando desde a reação de Sam até como seria depois que Chris me recebesse de volta como filha. Preferia não pensar na outra opção, mesmo sabendo que ela viria, ou não, ocorrer. A ida do aeroporto até o hotel foi rápida e logo eu estava dentro do elevador, subindo até o andar de Sam. Dessa vez eu anotara o numero certo, para não ocorrer o risco de eu bater na porta e dar de cara com uma vadia e achar que ela estava chupando Sam.
O elevador abriu as portas e eu saí, seguindo as placas que apontavam para que lado ficavam determinadas numeração. E não tardou para mim estar na frente da porta de Sam. Eu bati na porta e ela demorou um pouco para ser atendida. Eu sorria boba, esperando a reação de Sam ao me ver. Mas meu sorriso foi murchando assim que a porta se abriu.
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