O Amigo Do Meu Pai
30 Irmão tarado
Notas iniciais
Eram dez da manhã, eu esperava por Sam numa Starbucks. Tinha conseguido na noite passada as amostras com Ruth. Não conversei muito com ela, foi mais um encontro a negócios: eu peguei as amostras e ela o dinheiro. Simples e rápido. Minha vontade foi de na hora pegar um voo para Phoenix, onde Sam estava com a banda, para mostra a ele o que eu conseguira. Mas era tarde e eu estava exausta. Mas hoje, assim que o dia clareou, eu já estava num avião pra Phoenix. Bem, assim que desembarquei fui para uma Starbucks. Sim, eu estava numa Starbucks com quatro malas de viagem, mexendo no celular e esperando Sam. O que posso dizer: amo café! Eu trajava uma roupa bem linha dura, diríamos: uma camiseta curta que deixava minha barriga toda de fora com uma calça de couro, uma espécie de coturno preta de couro com salto, uma bolsa vermelha, casaco com estampa camuflada como de exercito, bracelete preto de acrílico, óculos escuro estilo hippie e um boné preto com tachas douradas. Meu batom era vermelho e meu cabelo estava solto. Bem bad girl, mas como estava cansada, eu tendo a ser meio dramática nas minhas roupas. Eu já estava começando a mofar ali, ficando impaciente. Posso amar café, mas também passar um tempão dentro de um, já tendo tomado dois capôs de café e mal aguentando um terceiro era dose! Mas, para minha alegria, finalmente a porta do café se abriu. Era Sam. Ele trajava suas habituais jeans e camiseta lisa (dessa vez vermelha), com um tênis preto de couro. Ele não me viu de primeira, acho que por conta do boné, então eu tive que me levantar e olha-lo fixamente, com as costas apoiadas na mesa. Assim que em viu, ele grudou os olhos em minha barriga. Ele sorriu malicioso e se aproximou.
–Será que é tão difícil achar alguém que acabo de desembarcar e está com quatro malas de viajem num café? — Perguntei beijando-lhe a face.
–Quando a pessoa está toda camuflada... – Ele respondeu beijando-me também; no rosto.
Quando pensei que ele ia se sentar em minha frente, ele fez algo inesperado: puxou-me de encontro á ele, pela cintura. Ele grudou sua boca na minha orelha e disse aos sussurros:
–Mas fica fácil achar a pessoa quando essa fica de frente e da para ver sua barriga e os seios rijos pela mini blusa.
Eu arfei. Ela estava pirando, no mínimo. Seios rijos? Que eu saiba a blusa ainda cobre meus seios! Eu afastei de Sam, um pouco corada. Ele só riu malicioso e se sentou no banco em frente ao que eu estava. Eu olhei então para meus seios, por cima da blusa. Droga, me esquecera de botar o sutiã! E digamos que minhas “amigas” estavam com frio. Eu sente-me de volta em meu lugar, um pouco constrangida, e me voltei a Sam.
–Então como foi ontem? — Ele questionou mais sério, deixando as brincadeiras de lado.
–Foi rápido e simples. Ela me deu as amostras e eu lhe dei o dinheiro.
–Nem rolou uma conversa?
–Não.
Ele levantou as sobrancelhas e chamou uma garçonete. Ela anotou o pedido de Sam e também o meu; meu terceiro cappuccino. Assim que ela saiu, eu sorri sugestiva á Sam.
–Bem, agora a parte dois é com você! – Lembrei-o sorrindo.
Ele bufou, revirando os olhos. Eu fiz cara de escandalizada e lhe dei um chute por debaixo da mesa. Ele fez cara de dor e depois sorriu.
–Eu estava brincando! – Ele levantou os braços como em redenção.
–Bom mesmo!
Sam pegou o celular no bolso. Deu uma olhada e em seguida ele botou na orelha, ligando para alguém. Bem estranho: uma hora está conversando comigo, na outra ligando pra alguém. Tudo bem, né!
–Bota no viva voz – Gesticulei com a boca, sem fazer som.
Ele entendeu, pois afastou da orelha e botou, ficando com o braço esticado na mesa com o celular em mãos.
–Alô – Atendeu uma voz desconhecida a mim.
–Michael? — Perguntou Sam.
–Sam? — Perguntou o tal de Michael desconfiado.
–Como vai mano? — Perguntou Sam sorrindo.
–Bem mano. Nossa, achei que você tivesse morrido! Só sei que não porque vejo noticia sua direto na mídia, porque senão já estava preparando o enterro! – Respondeu Michael com alegria na voz.
–Desculpe irmão, mas você sabe como é. Ultimamente nem tempo de respirar tenho... Desde um certo tormento moreno apareceu, sabe? — Ele desculpou-se, insinuando que o tormento seria eu.
Eu fiz pela segunda vez cara de escandalizada e dei um tapa no braço de Sam, por cima da mesa. Ele fez cara de dor, mas não emitiu nem um som.
–Sei, sei... E que tormenta ein irmão? Nossa! Quando você vai apresenta-la a sua família mesmo? — Michael perguntou malicioso fazendo-me ficar mais escandalizada. Sam conteve uma risada de minha reação.
–Com você falando assim dela... – Ele fez uma pausa, como se pensasse — Nunca. E ela é só uma amiga, para deixar bem claro.
–Uma amiga? Sei, sei... Você já teve muitas “amigas” dessas antes — Insinuou de novo Michael.
–Estou falando sério Michael. E ela também é filha de Chris! — Sam riu da minha cara de chocada pelas insinuações.
–Essa coisa de parentesco não impediu você de traçar a... – Rebateu Michael. Na hora que ele ia dizer o nome da menina, Sam tapou o celular. Eu olhei furiosa para ele. Cachorro! Não queria que eu soubesse.
–Ergh, Michael, ela é só uma amiga – Insistiu Sam, destapando o celular e voltando a falar.
–Tudo bem então. Mas me passa o telefone dela depois? Se você só quer amizade dela, garanto que eu não! — Ele disse todo assanhado. Deuses!
–Michael, que tal ela mesma te passar o telefone? Anne, diz um oi para meu irmão! – Pediu Sam rindo.
Eu fiquei um pouco passada. Michael era irmão de Sam? Ok, eles viviam dizendo mano e irmão, mas daí de sangue mesmo? UAU.
–Ela está aí? — Perguntou curioso Michael.
–Está sim. Diz oi Anne – Insistiu Sam. Eu fechei a cara para ele. Ele estava me tratando como se trata uma criança de um ano, que ainda não sabe falar.
–Sam, idiota, pare de me tratar assim – Disse a Sam, depois me voltei ao telefone, com um sorriso malicioso – Oi Michael. Sou Anne. Ainda quer meu telefone?
Michael não respondeu nada e Sam quase caiu ao chão de tanto rir. Ele não parava. Ele ria alto e todo o café nos observava. Jurava que até viu um cara na rua passando tirando foto.
–Ah, olá Anne. Desculpe, mas é que meu irmão é um viado, então nem apresenta-nos... Desculpe minha indelicadeza anterior – Pediu Michael formal ao telefone. Se eu não tivesse ouvido a conversa dele com o irmão antes, juraria que ele era assim pomposo.
–Sem problemas. Sei que Sam é bem idiota mesmo...! – Olhei mortífera á Sam.
–Bem, apresentações feitas, vamos ao que interessa: Michael, você, pelo que sei, ainda é médico, correto? — Perguntou Sam, recuperado do acesso de riso.
–Não, decidi virar traveco. Chamo-me Celine, aliás! — Disse Michael irônico, fazendo-me rir.
–Sempre soube... – Sam provou. Michael falou uns palavrões em resposta nada amigáveis — Mas é sério. Será que você poderia fazer um favor para mim? Você ainda tem contatos com laboratórios de exames? – Continuou sério Sam.
–Tenho sim. Por quê? — Michael perguntou intrigado.
–Porque eu preciso de um favor. Na realidade, Anne precisa de um favor.
–Ah é? — Ele perguntou curioso com uma pitada de malicia.
–Sim, eu preciso. Ficaria felicíssima se você me ajudasse – Respondi a Michael. Fazendo biquinho até. Sam riu baixo de minha cara e levou seu terceiro chute.
–Tudo bem. Que tipo de favor? — Concordou Michael indo ao ponto.
–Bem, precisamos que você faça analise de umas amostras de sangue – Respondeu Sam.
–Só isso?
Sam explicou melhor o plano a Michael, sem contar A ele que de fato era um plano. Michael concordou com o plano e fez algumas recomendações, como deixar o sangue na geladeira em determinada temperatura para não estragar. Ele também disse que buscaria as amostras conosco, naquela noite mesmo. Assim que Sam deligou, eu olhei-o sorridente.
–Conseguimos! – Comemorei animada.
Ele sorriu e concordou com a cabeça. Eu não me contive; levantei-me e fui até Sam, me jogando nele num abraço. Ele ficou um pouco surpreso, mas aceitou-me, apertando-me. Nos separamos e eu sorri tímida. Ele também ficou um pouco sem graça. Eu voltei ao meu lugar e apreciei meu cappuccino que a moça trouxera durante a conversa com Michael. Pelo resto da manhã eu e Sam rimos e zoamos uns aos outros. Eu realmente me sentia bem. Não me sentia cansada pelas mudanças frequentes de fusos horários que fiz na ultima semana, e sim me sentia alegre e revigorada. Era como se só existisse eu e ele dentro daquele café.
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