O Alvorecer de Uma Nova Era
2 Capítulo II - Um Novo Marcus
Ele chegaria em pouco tempo... Agora restavam, pelas nossas contas, no máximo algumas horas. Renesme e Rosalie conversavam alegremente e por vezes aos cochichos a um canto, Jacob e Emmett discutiam a época de acasalamento dos ursos polares que se aproximava, Carlisle e Esme jogavam xadrez silenciosamente. Alice, Jasper e eu ouvíamos Bella executar o segundo movimento de sua primeira composição própria que, a exemplo do que eu fizera no passado, era baseada nos seus últimos anos como humana, com especial desenvolvimento para os últimos quatro anos. Assim que a última nota esmaeceu, pudemos ouvir o motor de uma lancha se aproximando. Marcus havia chegado.
Todos nos levantamos e nos dirigimos para a porta, e logo vimos que Marcus realmente vira sozinho. Era uma das lanchas de aluguel do cais de Puerto Willians, algo como aquelas bicicletas com carroceria que se pode alugar para dar voltas pelas ruas de balneários turísticos. Ele dirigia e ninguém mais acompanhava. Assim que nos viu, dirigiu seus pensamentos a mim. Sua mente era antiga e, para efeito de comparação, poderia ser descrita como uma grande biblioteca, antiqüíssima, poeirenta e permeada de teias de aranha seculares. Um ambiente que poderia não ter sido tocado por mais de 300 anos.
“Saudações! Não temam, por favor, podem ver que estou sozinho, e eu reintero meu agrado em receberem-me”.
“Ele nos saúda e agradece por nós o recebermos” eu transmiti para a família.
“Vamos para o cais recebê-lo como manda a etiqueta, Edward. Por mais surpresos que possamos estar” Carlisle sentiu o desconforto em minha voz “a educação ainda é primordial em relações sociais”.
O cais ficava no lado norte de nossa ilha. Uma longa plataforma de madeira presa à praia rochosa, onde ondas negras quebravam. O negrume da água criava um intenso contraste com o branco das duas, agora três lanchas e o iate, que era reforçado pela luz da luz cheia. Marcus estava terminando de ancorar a lancha alugada. Ele saltou para a plataforma de madeira com mais agilidade e graça que qualquer vampiro poderia fazer, ainda mais um vampiro que vivia entediado.
Marcus tinha os cabelos meticulosamente arrumados para trás, como se a viajem de lancha tivesse sido feita numa bolha de vácuo. Trajava um terno de corte fino, de um roxo muito escuro e com miríades de pontos que brilhavam conforme a luz. Sua camisa por baixo era de cetim do mesmo tom do terno, e a gravata era preta, presa com um sutil prendedor de ouro com um diamante engastado no centro. Em suas mãos havia dois anéis; um, de prata, trazia o símbolo de um dragão (este estava na mão esquerda), enquanto o outro, de ouro, trazia um compasso sobreposto a um esquadro, ladeados por uma pirâmide com um olho central. Carregava ainda um bordão de madeira negra, com ponteira e castão de prata, daqueles que eram carregados nos séculos passados por qualquer homem que se prestasse. O que quer que tenha acontecido, havia mudado de forma consistente aquele que era um dos mais enigmáticos Volturi.
As apresentações foram feitas. Marcus não conhecia boa parte da família. Claro que sabia que Esme era o coração de Carlisle, e que Jasper, o de Alice. Foi apresentado a Rose e Emmett, reconheceu Renesme já que ela é essencialmente diferente de todos nós e surpreendeu-se com o forte vínculo que ligava ela a Jacob.
“Se ele é um humano, como sabe do segredo de todos nós?”.
“Não se lembra de mim Marcus?” Fiz nota mental para agradecer Jacob mais tarde em não chamá-lo de sanguessuga. Anos haviam se passado, mas para imortais o rancor é algo que não é medido em dias ou semanas.
“Deveria? Espere... seus olhos, e seu tom de pele... já vi isso em algum lugar... mas não pode ser! Você é o transmorfo da campina!”.
“Exatamente” Jacob disse cheio de si.
“Então vocês dois também se apaixonaram, como Edward e Bella? Devo pressupor que isso é algum efeito colateral ao sangue de animais?”.
“Não... tem mais a ver com um instinto de proteção infinito... algo bem parecido com o que aconteceu com Edward e Bella, já que nós dois também nos orientamos como imãs que atraem um ao outro”.
Não pude deixar de me sentir constrangido com essa definição de Jacob, tão parecida com aquela que Renné havia formulado daquela primeira vez que fomos Bella e eu a Jacksonville. Era como ter um parecer de um psicólogo sobre você sendo lido por outra pessoa pela qual se nutre, no mínimo, algum respeito.
“Bem, eu posso entender então o fato do porque você sabe de nosso segredo, mas como um, mesmo que de certa forma, humano pode viver entre tantos vampiros e não correr nenhum risco?”.
“Chegue mais perto dele Marcus” Rosalie disse com zombaria.
Jacob admitiu e Marcus se aproximou. Quando este deu dois passos à frente apenas, logo franziu levemente o nariz e se afastou.
“Entendo porque não corre nenhum risco, garoto”.
“Mudando de assunto, Marcus” Carlisle interrompeu a risada que seguiu o comentário de Marcus “afinal, qual é a finalidade dessa visita e a que se deve tal mudança em você mesmo? Afinal, em tanto tempo que te conheço, você nunca esboçou um sorriso que seja, e sempre que o vi você estava usando os mantos negros dos Volturi, e agora veja isso” Carlisle gesticulou largamente para a pessoa de Marcus.
“Podemos entrar?” Marcus disse olhando para mim com uma certa insegurança, muito bem velada “Há muito a ser dito, contado e explicado. Vamos demorar algumas horas nisso, e se estivermos confortáveis será muito menos maçante, eu acredito”.
“É claro. Estamos todos curiosos para saber do que se trata essa visita tão enigmática e inesperada. Vamos”
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