O Alvorecer
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Bernard era um homem tão culto, tão educado, diferente de muitos vários homens, a conversa era tão singela, e era exatamente o que a deixava tão interessante.
- Então, o que você faz exatamente, trabalha com o que?
Lembrei-me ligeiramente do que Robert me disse antes deu sair pela 1° vez do Camarilla, eu era acionista de uma empresa publicitária, com sede em Roma, e em Londres, bom na verdade era o Camarilla o acionista, sem contar nos negócios de turismo ao Castelo.
- Sou uma Empresaria. – soltei um suspiro e um pesado riso irônico.
- Mas vejam só, uma empresaria. E porque uma pessoa tão importante estava tão sozinha e tão triste? – ele me indagou olhando-me sombriamente.
- Não estava não, apenas preocupada com minha vida! – o encarei maliciosamente.
- E que preocupação a vida pode lhe trazer?
- Preocupações não relacionadas á matéria.- falei num tom divertido.
- Insisto, que preocupações a vida pode trazer para alguém como você?– ele me olhava agora com um olhar de tristeza, acho ate que ele sentia que rumo esta conversa teria.
- O destino brincou comigo Bernard, tirou-me o que eu tinha de mais valioso, porém já me adaptei com isto, já chorei o que tinha para chorar, amadureci da forma mais difícil e não reclamo foi o melhor que me ocorreu diante das circunstancias. – notei o tom de minhas palavras, elas saíram duras, frias, indiferentes...
- Mas saiba que nunca é o bastante o que choramos, sempre devemos lavar a alma.
- Minha alma é meio durona para com estas coisas! Na verdade acho que nem tenho uma. – ri ao falar metaforicamente de Lestat. Bernard nem imaginava...
- Como não tens alma? Não é humana? – ele rio com a verdadeira falsa pisada.
- Humana, Inumana, meio humana, não sei ao certo te explicar! – tentei descontrair.
- Você me parece mais humana do que qualquer um, dando uma de durona, a coisa mais humana do ser Humano.
- Será mesmo que estou mesmo dando uma de durona?
- Tenho a absoluta certeza! — em seu olhar pura ternura e emoção.
Comemos e bebemos, riamos de tudo, tínhamos muita coisa em comum, ele era engraçado, mas minha felicidade logo tomou uma reprovação.
-“Vamos embora, já é hora!” – agora não Lestat.
Desde o começo da tarde, Lestat não falara comigo, agora que eu estava tão feliz, tão entretida, tão enamorada ele queria retirar-me dali, mas eu não o questionaria.
- Algum problema Jess? – perguntou-me Bernard ao perceber minha confusão mental.
- Infelizmente... — olhei rapidamente para o relógio, e vi que marcava 1h: 55 min da manhã. – Tenho de ir embora, já é tarde!
- Não é não, fique mais... – ele me mirou com intensidade.
- E — eu preciso... – ele acariciou meu rosto.
- Fique comigo...
- Preciso ir. – fui firme, levantei-me as pressas da mesa, antes que mudasse de idéia.
- Espere! – ele segurou firme em meu braço. – Te espero aqui amanha, as 17h00 esta bom para você?
- Esta perfeito! – abri um largo sorriso.
Não nos beijamos apesar de sua boca ser convidativa, me contive, agora só havia a ternura e o desejo controlado.
O ambiente ainda estava cheio, muitas pessoas se divertindo na madrugada da cidade
Não esperei pelo cavalheirismo de Bernard, realmente estava muito tarde, sai correndo na direção de onde havia deixado o carro, a noite era fria, até demais eu diria, Podia ser loucura minha, mas eu sentia como se alguma coisa estivesse atrás de mim, como se algo me observasse, o frio que eu sentia, era mais um arrepio na espinha.
Enfim, agora era saber como eu iria achar o caminho de volta, E o mais importante como eu iria entrar sem ser ouvida?
Dei retorno e logo estava na rodovia.
-“Eu vou te guiar!”
- Que bom, você me deixou perdida, sem orientação nenhuma, muito bem mestre! – falei num tom de gozação, confesso que meio irônica.
-“Você encontrou o seu caminho!”
- Encontrei sim! – a recordação de Bernard.
Lestat me guiou de volta, e pediu para que eu apenas diminuísse a velocidade ao adentrar a floresta, e chegando ao local, tive uma surpresa, visualizei meio ao longe, a caverna por onde eu e Alicia entramos, estavam paradas ali algumas pessoas.
- “Dê ré imediatamente, e adentre a floresta novamente agora, o mais rápido que puder!”
Não questionei, virei o carro na direção oposta e acelerei, era difícil porque estava um breu, e os vidros do carro tinham película, muitos galhos e gigantescas arvores, o farol iluminava muito bem, mas eu não era uma boa motorista.
- Lestat o que esta acontecendo! – senti uma pontada de adrenalina.
- “Asmodai!”
- Porque, o que? Não entendi! – eu dirigia muito rápido, nesta hora, quase Bati de frente com uma arvore.
- “Ele deu a pista de sua localização, a floresta mais para trás, esta cheia de vampiros a sua caça, por isto temos que chegar rapidamente na rodovia.”
- Minha caça, não entendo!
- “Se te encontrarem aqui iram dizer que você estava conspirando contra a ordem dos vampiros, e vão querer te matar, sendo você líder deles ou não!” – lestat claramente estava impaciente, eu diria irritado.
- Mas porque Asmodai deu minha “suposta” localização?
- “Por causa de Bernard!”
De repente um estrondo balançou a terra, eu vi algo saltando por cima de meu carro, parei bruscamente quando vi que era alguém, só poderia ser um vampiro!
Desliguei o farol rapidamente, depois o liguei com a luz fraca, eu podia ouvir o barulho dos carros bem á frente, eu estava quase na rodovia. O vampiro que vi a frente me alegrou.
- FOI IRRESPONSAVEL, ELES JÁ ESTAVAM NA FLORESTA QUANDO VOCÊ SAIU, NÃO ERA PARA TER IDO Á LUGAR ALGUM! – alicia estava desvairada.
Ela abriu a porta do carro, e praticamente me empurrou para o banco do carona — Mas assumo que até que fez a coisa certa, eles iriam te encontrar se estivesse aqui, apenas sentiram seu cheiro, mas isto não prova nada! – ela se acalmava.
- Sim, agora vamos mudar meu cheiro, ai não terão provas de que aquele era meu cheiro! – tentei descontrair.
- Onde você estava? – ela ignorou minha brincadeira.
- Fui passear. – sorri com minhas lembranças.
Alicia me mirou sem entender.
- Eles vieram em missão de paz, não queriam lutar, falaram que estavam atrás de uma vampira que lhes pertencia, pediram licença para adentrar esta área, porém sabemos que a quilômetros de distancia sentiriam seu cheiro, ouviriam sua respiração.
- E agora para onde estamos indo?
- Você vai voltar para a Camarilla, devolverei seus poderes.
- E o treinamento?
- Sua resistência física humana, e suas habilidades com luta estão ótimas, teremos de apenas treinar você com suas disciplinas, desenvolver você.
Alicia dirigia muito rápido, eu me segurava apertando o banco, o carro balançava de um lado para o outro, enquanto ela desviava dos demais carros, paramos bruscamente em um acostamento.
- Desça. – ela disse ríspida.
Obedeci.
Alicia ficou alguns instantes quieta, concentrada, logo, senti meu coração mais rápido novamente, algo subindo pela garganta, aquilo foi horrível.
- Coloque tudo para fora, essa é praticamente toda a comida que você comeu nestes 3 meses.
Eu vomitava muito, senti a mão gélida de alicia suspender meus cabelos ao alto, para que não ficassem sujos com toda aquela nojeira.
Não sei exatamente quanto tempo durou aquela imundice toda, mas pude ouvir em alguns momentos Alicia rindo baixinho.
Pronto estava terminado.
- Tome, limpe-se! – ela me jogou um pano.
- Que nojo! – eu disse com a voz abafada, rouca.
- Os humanos são meio nojentos! – ela não conseguiu reprimir o riso.
Eu imediatamente, sentia minhas pernas mais firmes, minhas mãos tinham mais forças, minha visão voltara a ver até a poeira pairando no ar, meus ouvidos escutavam vozes distantes, vindas dos veículos na rodovia?
Minhas percepções voltaram.
- Volte para o Camarilla, eu entrarei em contato com você, agora eu tenho que ir, sinto que alguma coisa mudou, posso sentir o tecido da realidade terrestre e do sobrenatural mais fino, a guerra fora acelerada. Preciso entender o que esta havendo! Agora vá, e tome cuidado minha aluna! – ela sorriu e acariciou meu rosto.
E Alicia entrou no carro e se foi.
Olhei ao redor, e reconheci aquele lugar da rodovia, eu já havia passado por ali. O Camarilla estava próximo. Entrei na floresta e comecei a andar, notei depois de alguns minutos que eu estava tão rápida quanto antes, senti minha garganta arder, queimar, meus olhos queimavam também.
Eu era vampira novamente.
Não demorei muito para avistar o Camarilla, o grandioso castelo, virado ao oposto do por do sol, o castelo maldito, mas que agora era o único lugar conhecido por mim como casa.
Em instantes entrei na linha de visão dos soldados, mas tenho certeza que já haviam sentido minha aproximação e meu cheiro há algum tempo.
Assim que estava próxima do portão, o mesmo grandioso fora aberto.
Tudo estava exatamente igual, a diferença é que todos os vampiros estavam a me mirar. Alguns sérios demais, alguns com tímidos sorrisos, outros me olhando como verdadeiros vampiros, maliciosos e sombrios.
Aquilo não me intimidava.
Fui seguindo em direção aos dormitórios, porém uma voz logo atrás de mim me parou imediatamente.
- Onde você estava?
Virei-me já louca de ódio, Brangnon.
- Creio que não é de sua conta! Mas para explicar a meus irmãos, eu estava resolvendo assuntos de nosso interesse, garantindo nossa sobrevivência para o que estar por vir! – sorri maliciosamente.
- Eu sei onde você estava, mas por hora não tenho como provar, mas uma coisa te garanto vampira maldita, você vai cair, eu irei derrubá-la. – Agamenon
- Pois eu digo o mesmo, a sua corte fingida ira cair, eu mesma com minhas mãos vou derrubá-los. – meu sangue ardia em ódio.
- O maior erro de sua existência medíocre foi ter retornado para cá, você vai conhecer o significado de inferno. – Nicolas.
- Engana-se eu já conheci, e garanto que isto não é nada.
Fui andando lentamente em direção a meu quarto, mirei-me rapidamente em um espelho do corredor, meu olhar era diabólico. Era eu mesma?
Adentrei o meu quarto, e lá novamente estava ele. Com um suspiro falei seu nome.
- Asmodai.
Notas finais
bjussss
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