O Alvorecer
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Esta meio confuso para quem nao acompanha o convento de minha amiga Khrys, mas fiz o possivel para que voces entendam.(só para constar, fizemos uma junção das histórias.)
Asmodai.
Vê-lo ali me subiu o sangue, eu ainda não havia esquecido o incidente em meu quarto.
- Ora... Minha maldita favorita ALICIA! O tempo realmente só faze-te bem. Esta encantadora. – disse ele irônico.
-Não digo o mesmo meu maldito mais detestável... – alicia arregalou seus enormes e claros olhos, que rapidamente me deu a impressão de estarem com a atmosfera avermelhada.
- Bom, vou ignorá-la, não tenho assuntos por hora para tratar com você – ele revirou os olhos e abriu um sorriso malicioso. Novamente tornou a me olhar, só que agora com um olhar de desdém, chegava a dar pena. – Minha Jess, você não entende, eles querem te confundir, vão te maltratar, judiar de você, eles não tem a menor noção de seu poder, é verdade que existe uma fusão de você e Lestat, porém minha cara, até a alma de Lestat aprendeu a te amar, vocês já estão juntos, ele jamais a deixará, eles querem te confundir, essa guerra não é sua, não vá com Alicia a lugar algum, você não tem a mínima noção do que esta prestes a enfrentar, você conhecera o inferno!
Eu o mirei incrédula, virei-me rapidamente para olhar Alicia, ela, no entanto mal parecia notar minha presença ali.
- Seu maldito, asqueroso, esse assunto não é seu. – suas palavras eram rosnados.
- Jess, Uriel disse-lhe que você terá um filho, e que não será meu, minha querida você não é a única peça chave nesta história, não faça besteiras! – eu não estava ouvindo aquilo, ele implorava para que eu não transasse com ninguém?
- Já chega, vamos Jéssica, antes que eu arranque a cabeça do demônio!- alicia deu de ombros.
- Espere até que eu diga tudo que você tem direito de saber... – ele puxou-me pelo braço com força. – Brangnon quer destronar você, meu amor, porem você conta com uma quantidade de aliados que nem mesmo Brangnon imagina. Este inutilmente esta evocando demônios miseráveis na tentativa de algo, mas é inútil, você esta entre o céu e o inferno, eles nada podem fazer, porém tentaram fazer você cair, se atrapalhar morrer pela boca, e os que você pensa ser aliados, hãn... — ele revirou os olhos – Eles te Odeiam, te desprezam, Alicia e os seus sempre viveram nas migalhas, nunca tiveram brilho, agora que a batalha dos vampiros, dos vampiros de casta aproxima-se, esses miseráveis querem tirar proveito de uma gloria que não lhes pertencem. Você é descartável para eles, me escute ma belle...
-... Miserável, maldito, o que sabe de casta? Demônio caído, asqueroso, quem pensas que é? Durante todos estes anos lutamos para derrubar esta corte fingida que é o Camarilla... E você me vem falar que estamos atrás de brilho, filho da... – alicia já se lançava a frente para montar em seu pescoço, mas parou no meio do trajeto. – Pensando bem, não vale a pena destruir você agora, esse momento terá de ter uma platéia, uma calorosa platéia. – ela deu de ombros. – Vamos Jéssica.
Eu me sentia uma marionete, “vamos Jéssica” “ Faça isto” “Não acredite naquilo” sinceramente aquilo estava me estressando profundamente.
Alicia praticamente me arrastava pela rua em direção ao carro, mas eu não queria ir, eu fiquei olhando Asmodai, lá parado, ele tinha mais coisas a me dizer, mesmo sendo um demônio, poderia haver algumas respostas e verdades que eu precisava, mas me contive. Alicia praticamente me enfiou dentro de seu automóvel, meus pensamentos eram insolentes, eu estava em estado de ira, mas que inferno tudo se misturava dentro de mim, até que senti algo quente escorrendo em meu rosto, mas vampiros choravam?
Seguimos em silêncio por uma longa rodovia, logo adentramos em uma estrada não asfaltada, o silêncio era perturbador, as poucas vezes em que mirei pelo canto dos olhos o rosto de Alicia, foi ainda mais perturbador, ela estava enlouquecida, creio eu que a ânsia de arrancar o pescoço de Asmodai lhe dava água na boca... Porém mantinha o olhar fixo na estrada, o que a entregava era a aura avermelhada que emergia em torno dos seus olhos. Ela com certeza ouvia meus pensamentos, e eu não os media, em que estado estavam as duas vampiras daquele carro? Sedentas? Cada uma com seus motivos...
De repente paramos em uma floresta muito distante da estradinha que nos conduziu até ali.
- Desça do carro.
- Por quê? – questionei.
- Por que eu estou mandado.
Aquilo já me dava nos nervos, mas que infernos, então Asmodai estava certo? Havia muito mais do que eu pensava... Eu não agüentava mais... Respostas, era o que eu queria.
- Eu não vou. – fui direta, eu comecei a senti meus olhos flamejarem.
Comecei a questionar, a perguntar, o porquê daquela reação, o que estava acontecendo? O que foi que o tal do Uriel quis me dizer, eu exigia respostas, porém Alicia parecia um demônio, em questão de segundos eu me vi fora daquele automóvel, sendo erguida pelo pescoço, sentido as unhas dela adentrarem minha carne, então ela sussurrou de forma sombria em meus ouvidos:
- Presta atenção sua pirralha mimada... Você não é nada aqui ouviu bem, seus poderes isso não representa nada pra mim, se eu realmente quiser posse transformá-la em poeira em menos de segundos. — ela sorriu de forma sádica — Não acredite que você é uma vampira poderosa porque você não é! Lestat era poderoso, isso é verdade, mas eu sou uma das vampiras mais antigas que existem, bebi diretamente do sangue de Caim não queira me desafiar, pois até mesmo ele pensaria duas vezes antes de fazer isso!
Em questão de segundos me vi sendo arremessada como uma bola baseball, meu corpo bateu, partindo três arvores ao meio, meu sangue subiu na hora, eu já estava preste a me levantar e ataca-la, porém, uma voz na minha cabeça me fez parar imediatamente.
-“Não se mova nem mais um centímetro, obedeça-a Jess. E acima de tudo calma e paciência.” – era a voz de um homem.
Alicia lentamente se aproximou de mim, eu estava confusa agora, mas meus olhos provavelmente fumegavam de ódio.
- Quando eu mandar você fazer algo Jess, você abaixa a cabeça e obedece como um cão obedece ao seu dono. – filha de uma puta, vampira maldita.
Eu estava pronta á ataca-la mais a voz insistia em me parar.
“-Eu já disse, não se mova, me obedeça a sua insolente, mimada, entenda que tudo isto não se trata só de você.” – novamente meus sentidos me bloquearam, mas que raio de voz era esta.?
De repente a desgraçada mirou-me intensamente. Comecei a me sentir fraca, era como se eu estivesse desmaiando, perdendo as forças de uma vez só.
Foi então que ela iniciou seu discurso.
- Você só vai ter suas habilidades de volta quando o treinamento terminar – ela sorriu de uma forma calma e paciente — E não se preocupe o fogo não pode te matar sua tola, caso ainda não tenha notado você não morreu para virar vampira, quando Liu te mordeu ela apenas despertou a alma de Lestat, a alma da Jess continua dentro de você, e você continua sendo a Jess por isso pode tomar sol entre outras coisas, quando o Lestat cumprir a missão dele você voltará a ser apenas uma simples humana.
Eu não estava ouvindo aquilo, então eu ainda era humana? Mas... Então o que foi tudo isto? Minha imaginação?
-Como isso pode... – diante da onda de emoções e surpresa que me atingia, foi á única coisa que consegui pronunciar.
-Jess querida á única chance de você tornar-se uma vampira é se alguém lhe der o abraço e para isto precisaria matá-la e depois te dar o sangue. Nathi era uma vampira de verdade, você não é e nunca será. Entenda, isso tudo é como um jogo de xadrez e você é apenas uma peça no jogo, Nathi era um simples peão, você seria... Vejamos… acho que um cavalo ou talvez uma dama. Estamos apenas te usando independente do lado que você fique, ainda assim será apenas uma peça no tabuleiro que mais cedo ou mais tarde será eliminada.
- “Acalme-se, não é tão simples e tão descartável como ela diz, o lado em que ficaremos importa sim, e muito, siga as ordens dela, você Vera que isso vai ajudá-la, minha menina estamos juntos agora siga meus comandos daqui por diante, siga em silêncio, e só obedeça.” – agora eu entendia perfeitamente quem me guiava. Lestat. Chegara á hora das coisas mudarem, estávamos mais do que nunca conectados, duas almas em um só corpo.
Baixei minha cabeça, com um sorriso melancólico e malicioso ao mesmo tempo. Seguimos em silencio, eu estava sem poder sobre humano algum, eu era temporariamente humana novamente, sentia fome, cansaço, Alicia era muita antiga, habilidade adquirida. Eu não tinha como contestar isto, eu até poderia ter o poder de neutralizar isto, mas não sabia como, não tinha habilidade alguma, e Lestat disse-me que a partir de agora seria isto o que eu iria aprender, “habilidades”.
Chegamos a uma caverna, eu estava exausta, o caminho todo eu só pensava em meu futuro, no ligeiro encontro com o anjo Uriel, nas palavras de Asmodai, e principalmente nas palavras e atitudes de Alicia, mas agora, a partir do momento das duras palavras desta, eu não me sentia mais sozinha e frágil, eu sentia Lestat, e por algum motivo ele queria que eu passa se por aquilo, então, eu iria obedecer a ele, não a Alicia.
A caverna era escura, úmida, eu estava louca para descansar, não agüentava com minhas pernas, o cansaço era demais. Alicia encostou sua mão em um símbolo, mais precisamente no olho direito de uma figura aterrorizante, um dragão com olhos flamejantes. Logo, um buraco apareceu a nossa frente, revelando uma longa escadaria em caracol descendo as profundezas daquela caverna.
Descíamos a mais complexa e silenciosa escuridão, até que logo terminamos, e chegamos a um corredor fracamente iluminado, eu já não agüentava mais.
Alicia empurrou uma larga e grande porta, onde lá duas caras pálidas, rostos gélidos, nos encaravam.
- O que ela faz aqui? – uma vampira de longos cabelos castanhos me mirava com nojo e desprezo.
-Ela vai treinar aqui Trace. – respondeu alicia sem animo algum.
-Alicia, eu entendo que você tenha feito parte da Camarilla, que tenha fundado o Sabbat, entendo até que você tenha tido um romance com Lestat e que esteja tendo um imprint com o Leviatã, mas treinar uma humana?
-Ela é reencarnação do Lestat – alicia revirou os olhos. Confesso que até a mim mesma esta conversa já havia irritado.
-Sabemos disso - o menino de aparência infantil, de cabelos loiros falou — No entanto não muda o fato dela ser humana.
Certo, eu fui mordida, matei e senti a vontade desesperada de beber sangue, e fiquei dentro de um covil de vampiros, agora eu sou humana?
“-Acalme-se Jess” – Lestat.
-Vocês dois, por favor, ela precisa ser forte para poder usar a alma de Lestat e aqui é afastado o suficiente da Camarilla. – alicia se esforçava para convencê-los.
-Certo! – a vampira cuspiu rispidamente — Farei isso por você, mas a mantenha perto de você não me responsabilizo se por acaso ela virar meu jantar.
Vai esperando vampira vadia.
O vampiro louro veio lentamente em nossa direção, ele usava um moletom, e uma regata branca, chegou muito perto de nós duas, sorriu gentilmente para mim, era bom ter a simpatia de alguém ali.
-Os quartos ficam no fim do corredor á esquerda, a cozinha fica ao final das escadas e ao fim, virem á esquerda pelo corredor, para área de treinamento, basta descer as mesmas escadas, seguir por completo o corredor e virar a direita.
Ele sussurrou algo para Alicia, mas eu estava tão exausta que nem consegui ouvir.
Seguimos pelo caminho indicado pelo vampiro, Logo Alicia e eu, estávamos em um luxuoso e aconchegante quarto, meu desejo era desabar em cima daquela fofa cama, porém o sangue seco em mim me incomodava. Fiquei por volta de 30 min no banho, lavei lentamente meus longos e engranhados cabelos.
- “Peço a você minha linda, que entenda Alicia, ela será sua mestra, esta história chegou a um ponto em que apenas seus poderes subdesenvolvidos já não são o bastante, Alicia conseguiu neutralizar seus poderes porque ela tem pratica nisto, ela soube desenvolver suas forças, com a ajuda de um mestre, por isto entenda que não será todo o tempo em que ela a tratará com ternura, não, ela será rígida, mas ao final, você Vera que valerá a pena, você aprendera a se desenvolver e a controlar suas emoções. Agora relaxe, eu vou estar com você...” — Lestat, sua voz em minha mente era tão calma, doce, ele me acalmava, fazendo despertar em mim, novamente meus sentimentos mais humanos. Medo.
Ao sair do banheiro, Alicia, pediu para que eu me sentasse a seu lado, eu queria dizer não, senti este impulso de garota chata e mimada, porém o cansaço, e as incertezas eram maiores. Lestat me disse, ela esta do meu lado.
-Sinto se fui muito dura com você mais cedo, mas era necessário — ela começou a acariciar meus cabelos.
-Eu entendo você esta aqui como minha mestra e não como minha amiga. – Eu soltei um longo suspiro. Por que aquilo tudo simplesmente não acabava? Minhas emoções novamente...
-Jess qual o seu maior desejo? – essa pergunta inesperada, não me pegou tanto assim de surpresa, a resposta era simples e pratica.
-Ser normal – respondi melancolicamente. Na verdade saiu mais por impulso do que pelo meu próprio desejo. Minhas emoções...
-Eu prometo que farei tudo o que estiver ao meu alcance para que seu desejo se realize Jess. – ela me pareceu sincera, eu me sentia no colo de minha mãe, sendo protegida, porque não podia mesmo ser? As coisas não são bem o que parecem ser.
Quando me dei conta, meus olhos já caiam sobre as pálpebras, a escuridão de minhas lembranças, me embalaram. Ao menos eu estava tendo uma rara oportunidade, dormir, como uma humana, eu estava fora daquela loucura, éramos apenas eu e eu mesma.
O sonho foi conturbado, vários rostos apareciam a minha frente, Alicia, Uriel, Agamenon, Brangnon, Nicolas, Robert, Lucius, Luca, Catharina, Asmodai, vampiros que vi rapidamente pelo Camarilla, outros que nem conheço, os dois que me foram apresentados hoje...
Ás imagens eram borrões, porém algumas ficavam bem nítidas, como meu corpo sangrando, minhas caretas de dor, eu mirava machucados profundos em minha carne, era uma espécie de treinamento, meus gritos eram ensurdecedores até para mim mesma, Logo a imagem mudou, para uma Jess mais seria, eu estava diferente, sem algo que era meu... Minha doçura, havia ido embora, eu tinha a face de uma mulher, uma mulher dura, sem emoção alguma. Aquilo seria o resultado do treinamento? Logo estas sumiram, deixando espaço para uma cena confusa, Uma criança, um menino, pequenino, chorava sendo erguido por meus braços, ele estava ensangüentado e despido, seus olhos estavam bem fechadinhos, eu estava com os cabelos presos, sendo amparada por Alicia e Catharina, minha camisola Branca estava ensangüentada na parte de baixo, eu chorava de emoção ao erguer aquele anjinho em meus braços. No quarto ainda estavam Uriel, Asmodai, e a figura de outro homem que não consegui distinguir, Mas tinha as vestes muito parecidas com as de Uriel, era alto e elegante um, sobretudo, cobria um volume em suas costas. Mas o que era aquilo? Meu parto?
A confusão logo fora interrompida, um jato de água gelada me atingiu em cheio, mirei assustada para os lados, até visualizar de onde vinha, Alicia me mirava com um sorriso alegre.
- Vamos levante-se tem cinco minutos para estar pronta.
Aquilo era o inferno.
Notas finais
bjussss
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