O Aluno Torna-se O Professor
1 Capítulo Único
Notas iniciais
– Eu quero que você me treine — falou Sakura quando Sasuke sentou no banco ao seu lado. Ela o viu franzir o cenho e olhá-la com um olhar interrogativo. Suspirou, então. Ela sabia que Sasuke estranharia o seu estranho pedido repentino e sem sentido, afinal, ela havia se tornado forte e reconhecida no mundo ninja depois da grande guerra e não precisava ser treinada por ninguém. Era a pupila de Tsunade, uma ninja médica renomada; tinha um controle de chakra excepcional e era ótima em genjutsu; não precisava mais de professores. Porém, pensou com cansaço, estava cansada de evitar Sasuke.
Estava cansada de fingir que não o conhecia.
Estava cansada de fingir que não o amava.
Desde a vitória sofrida contra Kaguya e a restauração da vila, Sakura não falara com Sasuke além do necessário, e isso, de certa forma, deixava-a insegura sobre ser ela a dar o passo para a reconciliação. Ela havia esperado tanto por ele, tanto, e ele não tinha feito nada. Nem uma tentativa.
Isso a intimidava. Fazia-a pensar se valeria a pena ela finalmente tomar a iniciativa e tentar alguma reaproximação. Fazia-a pensar se Sasuke merecia isso.
Porém Naruto, como sempre, convenceu-a a tentar, não importando as consequências, não importando o modo com que conseguiria isso. Então lá estava ela, Haruno Sakura, uma das heroínas da grande guerra, sujeitando-se a um plano tendenciado ao fracasso para reaproximar-se de Sasuke.
Era estranho para ela. E pelo visto, até para Sasuke, já que ainda a olhava com uma expressão questionadora no rosto.
– Treinar? Comigo? — ela o viu entrecerrar os olhos quando disse isso e engoliu em seco, muito seco, antes de acenar com a cabeça.
– Sim, Sasuke. Quero que você me ajude com alguns ninjutsus de luta — falou a primeira coisa que veio a sua cabeça, arrependendo-se logo em seguida. Sasuke estreitou ainda mais os olhos.
– Ninjutsus? De luta? — ela estava começando a ficar irritada.
– Você vai ficar aí só fazendo perguntas ou vai me ajudar? Não tenho todo o tempo do mundo. — Sakura acabou falando alto demais, e observou, com uma leve pitada de satisfação e arrependimento, Sasuke arregalar os olhos. Ele suspirou e esperou alguns segundos antes de falar.
– Tudo bem. Onde vamos? — Sakura sentiu seu coração acelerar de uma forma que há tempos não fazia quando ele falou isso e uma leve faísca de esperança foi tomando espaço no coração da rosada. Será que ela conseguiria o que queria?
Com um sorriso involuntário, ela olhou para Sasuke, que havia desviado o olhar e ostentava agora uma expressão neutra.
– Vamos para o lugar que treinávamos com o Time 7. Não fica muito longe, então levará apenas alguns minutos para chegarmos. — com um acenos da parte dele, eles levantaram do banco e foram em direção ao local destinado.
A caminhada foi silenciosa e tensa, com uma Sakura muito nervosa pela parte do plano que estava prestes a executar, e um Sasuke levemente hostil, como já era característico.
Quando chegaram ao local, Sakura logo foi tratando de colocar suas luvas enquanto Sasuke posicionava-se a sua frente e analisava-a com um os olhos curiosos.
– Com o que você quer começar? — sua voz baixa e rouca causou arrepios na rosada e ela precisou de toda a sua força de vontade para permanecer calma quando falou.
– Com o que você achar que é apropriado para mim — ela também estava com a voz um pouco baixa. Estava nervosa e isso estava começando a ficar evidente por conta das mãos suadas e do leve tremor em seus joelhos. Sasuke pareceu perceber sua situação e franziu de leve as sobrancelhas.
– Você tem certeza que quer treinar hoje? Não parece estar muito bem — sua voz sem emoção fez Sakura sentir uma pontada de dor em seu peito. Porém, estranhamente, isso a fez ficar mais determinada ainda a obter êxito em seu plano. Ela levantou o olhar e encarou-o de forma firme.
– Estou mais que bem, Sasuke, então não pense que se livrará de mim hoje. Quero essa aula. Quero ela com você - falou friamente, porém logo arrependeu-se das últimas palavras no momento que viu Sasuke afastar-se alguns passos e olhá-la com algo próximo a desconfiança.
– O que é isso afinal, Sakura? — sua voz estava estranhamente rude, como se estivesse lutando para deixá-la dessa forma. Seus olhos eram como dois buracos negros: perigosos e magnéticos. Sakura soltou um arquejo leve quando viu que estavam transbordando raiva — Que tipo de brincadeira é essa? — Sakura não sabia do que ele estava falando, por isso permaneceu em silêncio. Ele aproximou-se um passo e baixou mais ainda o tom de voz. — Você estava me evitando desde a minha volta à vila como se eu fosse algum tipo de praga. Por que essa mudança repentina? Qual o motivo por trás dessa palhaçada de treino? — ele terminou gritando. Sakura nunca havia o visto direcionar tanta fúria para ela. Suas mãos tremiam quando falou.
– Nenhum, Sasuke. Eu só queria... — ele a interrompeu com uma gargalhada.
– Você não me engana, Sakura. Nunca conseguiu e nunca vai conseguir. Sei que tem alguma coisa por trás disso e você vai me falar o que é — ele agarrou seu pulso em um aperto firme e a puxou para perto de si, fazendo-a olhá-lo nos olhos. Seu respiração era pesada e fazia cócegas no rosto de Sakura quando completou. — Agora.
Sakura estava encurralada. Ela sabia muito bem do que Sasuke era capaz de fazer quando queria alguma coisa, e isso não mudaria agora só porque era com ela que ele estava falando.
Com a voz trêmula e com o coração a mil, ela finalmente tomou coragem e fôlego para falar.
– Eu só queria passar um tempo com você, Sasuke-kun. — a humilhação era tanta que ela não conseguiu conter as lágrimas. Sua voz saiu embargada quando prosseguiu. — Não sabia como fazer isso sem parecer desesperada, por isso pensei no treino. — ela fungou — Mas pelo visto eu não consigo fazer nada direito, já que até assim você percebeu — as lágrimas rolavam livremente pelo rosto macio e Sakura perguntou-se se algum dia já havia se sentido mais humilhada. Ela sabia que não deveria que não deveria falar mais nada para não afundar-se ainda mais no buraco, porém as palavras saíram sem controle por seus lábios — Tudo o que eu queria era que as coisas voltassem a ser como antes, Sasuke-kun. Era só o que eu queria. Porém eu não sabia se você estava preparado para isso, então te dei tempo. O tempo que fosse necessário. Mas os anos passaram e você NUNCA veio até mim! Nem uma vez fez algum tipo de esforço para que as coisas normalizassem. Nunca. — ela estava ofegante e Sasuke a olhava com assombro, porém isso não a impediu de continuar — Eu fiquei desesperada. Pensei que se eu não fizesse nada, nunca teria você de volta. — ela levantou os olhos para encarar os dele — Tem noção de como eu me senti? Tem noção, Sasuke? — ela respirou pesadamente algumas vezes para acalmar-se, e quando voltou a falar, sua voz já estava bem mais baixa — Então tive essa porcaria de plano. Meu objetivo era pressioná-lo a pedir desculpas por ter sido um imbecil todo esse tempo e finalmente fazer você ver que deveríamos ficar juntos. Mas isso deu certo? Claro que não. Nada do que eu faço dá certo. Nada do que eu tento sai como eu planejo. Não deu certo da vez em que eu pedi pra você ficar na vila; não deu certo quando eu tentei te matar — ela inspirou ruidosamente — E não deu certo agora. — as lágrimas voltaram com força e sua voz era quase um sussurro quando concluiu — Já estava preparada para a rejeição, mas nunca esperei que ela doesse tanto e nem que fosse vir tão rapidamente. — e ela se entregou ao choro. Chorou, chorou e chorou até a garganta doer e as lágrimas não virem mais. Chorou até os pulmões protestarem. Chorou o equivalente a uma vida. E Sasuke não saiu de seu lado em momento nenhum.
Sakura não sabia quanto tempo havia passado, mas quando tomou coragem para olhar para Sasuke, a expressão dele estava muito diferente da de anteriormente. Quando viu que ela já estava recomposta, Sasuke respirou fundo e piscou demoradamente antes de falar.
– Você não foi rejeitada. — ele disse. E Sakura paralisou, congelou, ficou em choque. Seu coração era o único em movimento dentre todos os órgãos de seu corpo. — Eu... — ele hesitou. Sakura ainda não conseguia se mexer — Eu não sabia o que fazer com você. — ele suspirou — Quando voltei para a vila, já esperava a rejeição. Estava preparado para isso e para todos os julgamentos que fariam sobre mim pelos meus atos. E, acima de tudo, eu esperava sua rejeição. Eu sabia que, dentre todas as pessoas da vila, você deveria me odiar mais que qualquer um. E eu estava certo. Quer dizer, pensei que estava certo. Você não falava comigo, nem olhava para mim direito, então acreditei que me odiasse. E aceitei isso. — sua voz falhou um pouco — Doía, Sakura. Muito. Mas eu aceitei porque eu merecia seu ódio. E mereço. Mereço tudo de ruim nesse mundo — Sasuke parou e olhou-a muito intensamente — Mas eu não consigo aceitar mais. Não consigo me obrigar a parar de pensar nos e ses que me rodeiam. E se você ainda me amasse? E se você aceitasse meu perdão? E se as coisas realmente pudessem dar certo entre a gente... ? — ele suspirou e passou uma mão pelo rosto. — Então você vem aqui e me diz que quer que as coisas voltem a ser como antes. Mas, Sakura, eu não quero que as coisas sejam como antes — ele fez uma pausa para colocar suas mãos em ambos os lados do rosto de Sakura. Ela finalmente soltou um arfar incrédulo. Sasuke a olhava de uma forma que ela nunca imaginou que olharia algum dia — Eu quero que sejam melhores. — ele resfolegou — Eu quero você, Sakura. Muito — e, dito isso, ainda a olhando intensamente, Sasuke foi aproximando seus rostos. Sakura ainda não sabia o que estava acontecendo, mas o que quer que fosse, era a melhor coisa que já havia acontecido na sua vida. As mãos de Sasuke que estavam nas suas bochechas tremiam levemente e ela sentiu vontade de gritar de êxtase.
Sasuke estava tremendo por causa dela.
Ela não poderia estar mais feliz.
Por isso, quando tudo o que restava entre os dois eram míseros centímetros e Sasuke, hesitante, olhou para Sakura pedindo permissão; ela deu um imenso sorriso para ele, finalmente, finalmente, sentindo os lábios de Sasuke nos seus.
Ele tinha gosto de menta e felicidade, sendo essas, naquele momento, as coisas mais saborosas do mundo.
Seu coração parecia que ia explodir e seus sentidos ficaram todos entorpecidos quando, alguns segundos depois, Sasuke pediu passagem para aprofundar o beijo.
Os movimentos eram um tanto desajeitados, e esse fato, essa contastação, fez o coração de Sakura inflar. Sasuke nunca havia beijado alguém antes.
Ela era a primeira.
A felicidade era tanta que ela não teve que se afastar dele para poder gargalhar. Sasuke a olhou com o cenho franzido. Ele estava ofegante e levemente, muito levemente, corado. Isso fez Sakura rir ainda mais. Sasuke soltou um granhido.
– O que foi? — perguntou ele na defensiva — Eu não fiz direito? — Sakura aproximou dele ainda rindo e, rapidamente, abraçou-o. Ela esperou ele acalmar-se um pouco para inclinar-se para trás e olhá-lo nos olhos.
– Em uma escala de 0 à 10, Uchiha? Você fica com 5 — ele lançou-lhe um olhar indignado e Sakura riu ainda mais — Você precisa de um professor — falou ostentando uma falsa expressão de seriedade.
Sasuke caiu na brincadeira rapidamente e, com um leve sorriso lateral, apertou-a um pouco mais contra si.
– Então você poderia começar as aulas agora, sensei. Acha que fico bom rapidamente? — Sakura tinha um enorme sorriso quando falou:
– Só praticando para saber, Uchiha. Só a prática leva à perfeição.
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