O Altarneiro Sombrio.
4 Capítulo 4 - recebo um convite para a morte certa
Notas iniciais
Eu ainda estava paralisado.
– Quem é você ? — Somente os meus lábios se mechiam.
– Ora ora — Falou com ironia, gaguejando — Isso não são modos de devidas apresentações.
Tentei controlar meu medo e ser o mais ameaçador possível.
– Você me lembra Hera, Maldito.
O menino pensou por um segundo.
– Sim ela se entupiu de dúvidas quando me viu, não sabia quem eu era.- Disse ele, sério ou não. — Parece que Zeus não contou para ela. Deve ter ficado uma fúria encarnada.
De primeira, me espantei. Hera já o tinha visto, e ela se entupiu de dúvidas ?... Só que ela era uma deusa. Como deuses tinham dúvidas ?
Fiquei lisonjeado só de pensar que ela poderia estar planejando outro plano dominical para me colocar em recesso e apagar minha memória.
Eu tinha que pensar.
Apesar de eu não sabe oque ele falava, eu não podia deixar levar pelos ataques de incerteza, entre sobreviver ou não. A aventura até as portas da morte o tinha ensinado muita coisa, mas nada que o pudesse ajudar agora.
Sua cara irônica fez minhas pupilas dilatarem. Eu tinha que me controlar... mas eu não tava... conseguindo ?
Minha raiva eclodiu, a fúria me deixou desnorteado, e os trilhões de litros d'água que banhavam a praia de Long Island responderam ao meu chamado.
Uma onda de 3 metros avançou em uma velocidade que nem um maremoto ousasse chegar, atingindo o garoto da espada em cheio. O impacto o impulsionou para frente, caindo nos meus pés.
Eu não estava fazendo aquilo. Alguém estava me possuindo.
Alguém estava tentando matá-lo.
– Menos um. — Eu disse, pondo um sorriso no canto da boca.
Saquei incontrolavelmente Contracorrente e tentei estocá-lo.
Não foi possível. Ele se dividiu em sombras, reaparecendo atrás de mim. Sacou sua espada lendária e a colocou em sua forma real, me fazendo tremer. Tentei outro golpe, e foi bloqueado
pelo guerreiro agilidoso.
Tudo estava acontecendo muito rápido. E logicamente, Percy estava assistindo seu próprio corpo agir sozinho.
Talvez seria isso que os chineses inventariam em 2040.
Ele me olhava totalmente parado. Ainda com ironia no rosto. Fiquei pensando no que as parcas estariam falando no Olimpo agora:
"Um ponto para o garoto primordial. Reduza a linha de Percy em um centímetro."
Olhando pela altura da onda, Quíron já devia ter percebido.
Eu tentei novamente estocá-lo, sem sucesso. A água do estreito da praia recuava, ele não podia alcançá-la, mas era teimoso demais para saber disso.
Com o seu máximo, tentou puxá-la para si.
– Olha, eu estou aqui para debater. — Disse o garoto, estranhamente calmo. — Parece que você está fora de si. Não sou um bicho papão.
Percy girou a mão e tentou acertá-lo, mas nada aconteceu. Quando se deu conta, viu que a água que até então era pra estar ao seu comando, pareceu mais baixa. Ela estava...sumindo ?
O silencio dominava a área.
De repente Percy conseguiu perceber, pois agora chovia.
Quando ele em uma pausa estendeu a mão para contemplar a água, percebeu que ela então não mais caia. Ele ergueu a cabeça e olhou em volta, não dando à minima a um tal samurai negro que descansava seu peso em um único pé a sua frente. Viu apenas gotas em sua volta totalmente paralisadas que podiam ser desmanchadas facilmente. Ele estava totalmente imóvel, somente seus olhos e seu raciocínio conseguiam fazer algum serviço.
Então caiu a ficha.
"Dominadores do Tempo" dissera Quíron.
Seu rosto empalideceu. Percy olhou para às colinas, que agora estava com Quíron e Grover no alto de uma pedra, totalmente parados. Annabeth tentava desesperadamente descer a montanha, com sua espada de osso de Drakon na mão.
"Eles tentaram." pensou ele.
Os dois se entre-olharam, ambos com fúria no rosto.
– Idiota.
Tentou certamente não rir, e começou :
– Hmm, deixe me ver... como vou direto ao ponto ?
Percy imaginou que ele só podia estar brincando. A história era tão importante que tinha pontos ?
– Esquece, é tudo a mesma coisa. — Falou ele. — Isso aqui está parecendo uma novela.
Ele não entendeu.
– Garotos demoníacos assistem televisão ?
O garoto ignorou.
– Bem, depois dos ataques às portas da morte, Urano resolveu dar seu útimo esforçou...
– Cara você vai começar sem mais nem menos ? E as apresentações ? — Perguntou Percy.
– Não temos tempo pra isso. — Falou ele com tédio nos nervos.
– Mais é legal antes de contar qualquer história, seria legal de refletir com quem está le dando e tudo mais..
– EU ODEIO APRESENTAÇÕES!
Percy tentou fingir que não saltou seu coração pela boca.
– Aonde estávamos mesmo ?
– Dele, — Continuou. — não tenha restado nada que possa ser reformado, mas sua essência ainda caminha pelas espirais de Caos. As trevas tinham dado dádivas à ele enquanto era criado. Ele tinha um exército de incontáveis guerreiros, cada um deles com uma força inimáginavel, sendo assim o tal general mais poderoso que pudesse se encontrar. Generais, soldados, titãs, tudo oque se compõe uma civilização perfeita e eficaz.
Ele ainda tentava não falar em apocalipse total, novamente.
– Com isso, depois de sua morte, Gaia os aprisionou no canto mais escuro de todo o tártaro, impedindo-os de vir a terra, de proclamar algo para si. Mas é claro que, um dia isso tinha que dar errado.
– E como deu errado ? — Perguntei.
– Bom, é simples. Os guerreiros primordiais são feitos de diversas coisas, principalmente os lacaios de urano. Eles tem em sua essência as matérias-primas que fazem as coisas. São elementais, você sabe. E eles pensam, seguindo a lógica. Com um lugar só pra eles, mesmo que aprisionados, eles podem forjar coisas, construir lugares e realizar outros planos diabólicos.
Ele hesitou por um instante.
– Segundo isso, recebi informações seguras que construiram uma criatura primordial, um golem, um ser todo-poderoso, mais resistente que o quartzo branco de Gaia, mas forte que Atlaz, tão poderoso quanto o raio mestre do cara elétrico. E para fazer ela viver, colocaram a ultima parte da essência de urano nela, e o pior, é que com a imaginável força e determinação desta criatura, estão prestes a ser liberados.
– Você tem a melhor espada do universo, e caminha com tranquilidade por todo o tártaro. Por que simplesmente não vai lá e impede eles ? — Eu falei, questionando-o.
– Se fosse tão simples, eu já o faria. — Disse por fim — Percy, Urano só foi morto por provar seu amor à gaia, descendo-o para a terra. Se fosse por combate real, desconsiderando o fato de ele ser imortal, Gaia ou qualquer outro teria sido feito em pedaços. Foi preciso que quatro titãs o segurassem, para conter sua fúria sem limites... É lógico que não vai acontecer duas vezes. Um exército que tem um general poderoso, se torna poderoso. Cada um de seus guerreiros compartilham seus pensamentos, lutam com vontade de ferro, não controlam sua raiva...
– Mais um... — comentava Percy.
Ele bagunçou o cabelo.
– Eu diria que o último. — Indagou.
– E oque você vai fazer, então ?
Ele sorriu.
– Nós vamos fazer.
Fale com o autor