O Agente
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Notas iniciais
Coral Way 11:25am
Os olhos verdes da loira vagavam na imensa parede branca, esperando que sua criatividade batesse sua porta o quanto antes para se ver livre de Flynn, que pintava outra parede de azul escuro.
— Você ainda nem pintou? — Indaga o moreno jogando um pano em um balde, o qual acabara de limpar suas mãos sujas pela tinta — Qual é, eu já tô na segunda parede e você nem começou — Com passos rápidos, Flynn se aproximou da loira com um ar de indignação.
— O que você quer que eu faça? — Esbraveja Rapunzel encarando-o com irritação em sua voz.
— Eu não sei, você que é a pintora aqui, não eu — Rebate Flynn da mesma forma.
— Não pode me dar uma dica do que você quer? — Pergunta ela se sentando nos jornais, postos pelo moreno mais cedo.
— Pinta...os cartões postais do mundo — Sugere Flynn.
— Todos? — Pergunta Punzie incrédula.
— Não, pinta os mais famosos como a Torre Eiffel, Ponte do Brooklyn...e assim por diante — Rapunzel visualizou a parede com a mão no queixo e um semblante pensativo.
— Acho que já sei o que fazer — Flynn abre um sorriso e a ajuda a levantar — Cadê as tintas? — Pergunta ela procurando os baldes, Flynn os aponta e Rapunzel caminha até eles com um olhar sério.
— O que você vai fazer? — Pergunta Flynn observando os movimentos da loira.
— Minha arte — Rapunzel mergulha suas mãos e as leva até a parede, as precionando logo depois, causando em Flynn uma certa dificuldade para respirar.
— Por que você fez isso, por quê? — Ele vê as marcas das mãos de Punzie na parede branca recém pintada.
— Para de chorar e vem me ajudar — Flynn pareceu reprovar mentalmente a atitude da garota, mas deu os ombros e fez o que foi pedido, mergulhando as mãos e as colando na parede.
12:30am
Com as mãos coloridas, Rapunzel se afasta da parede que pintou com um pequeno sorriso orgulhoso de seu trabalho. Uma parede cheia de mãos representando os países do mundo.
— É, até que ficou legal — A voz calma de Flynn a fez dá um pequeno pulo surpreso, deixando-a envergonhada.
— Obrigada — Fala ela sem encara-lo.
— Eu trouxe nosso almoço — Fala ele carregando uma bandeja com sacolas de papel e latas de refrigerantes — Espero que você goste de hambúrguer — Com movimentos calmos, o moreno se sentou nos jornais e colocou a bandeja em cima dos mesmos.
— Quem não gosta de hambúrguer? — Pergunta ela sarcástica — É minha segunda comida preferida — Rapunzel se senta de frente ao moreno com o mesmo sorriso, fitando a bandeja vermelha.
— E o qual é a primeira? — Flynn pergunta enquanto retirava os hambúrgueres das sacolas.
— Pizza — Ambos riem e começam a comer em silêncio.
O silêncio era agradável. Os sons dos carros passando pela rua, os pássaros cantando, os raios de sol passando pelas vidraças fornecendo calor e iluminação apropriada, e a música que ecoava a sala vazia, lhes traziam uma certa paz, porque afinal, passaram a metade da manhã discutindo por besteira e esse silêncio chegava a ser estranho para ambos.
— Então...por que o orfanato? — Pergunta Rapunzel bebericando seu refrigerante.
— Vou te poupar a história do jovem Flynn, okay? É que ela é meu dreprê, sacou? — Rapunzel não se convenceu da resposta adquirida, então se aproximou centímetros do moreno e esperou suas primeiras falas, fazendo-o ceder com um sorriso — Havia um livro, que eu contava todos os dias para as criancinhas. Ele é sobre um cara cheio de marra, fanfarrão, se dava bem com a mulherada — Rapunzel riu do último "adjetivo" — Ele tinha dinheiro para fazer o que ele quiser e ir a qualquer lugar do mundo — Os olhos castanhos do moreno despertaram um sentimento novo em Rapunzel, mas ao ver um sorriso triste nos lábios do rapaz, ela se bateu por ter perguntado sobre o passado dele — Sabe? Depois que ninguém me adotou e o orfanato fechou, eu fiquei desesperado e não sabia o que fazer, e isso para um adolescente sem nada...bom, a melhor opção era...
— Roubar — Completa Punzie o encarando — Mas, como você conseguiu entrar pra UM?
— Depois de passar uns meses no reformatório, o diretor me deu a oportunidade de estudar aqui, mas com uma condição, eu não posso lhe trazer problemas, porque se não...não vai ser um reformatório que eu vou está — Rapunzel morde o lábio inferior sem saber o que dizer — Pelo menos eu recomecei e reformar o orfanato, vai ser uma das minhas conquistas — Rapunzel sorriu ao ouvir tais palavras e desviou o olhar — Não conta pra ninguém o que eu disse, vai arruinar minha reputação — Rapunzel rir sem som algum e encara Flynn pelo canto do olho.
— E isso te preocupa?
— Uma reputação falsa é tudo na vida — Ambos riem e tornam a voltar seus olhos para a parede.
— Vamos tirar uma self? — Pergunta Rapunzel posicionando seu celular.
— Tá — Rapunzel tira uma ou duas fotos com a parede atrás, mas mesmo com as fotos já armazenada na memória do aparelho, ela continua na mesma posição, notando que Flynn a olhava com o rosto próximo. Ela se virou para encarar aquele rosto lindo, que tanto admirava e se aproximou como se estivesse sendo puxada por uma magnetização e quando viu, já estava com seus lábios nos dele.
Flynn levou sua mão na nuca da loira e puxou mais seu rosto para si com um movimento calmo, tornando assim um beijo mais profundo e apaixonado.
— Posso te contar uma coisa loirinha? — Pergunta Flynn ofegante após se separar em poucos centímetros.
— O que?
— Eu esperei isso por muito tempo — Rapunzel rir e dá um selinho em Flynn.
— Posso te contar um segredo? — Flynn assente sorrindo — Eu não sou loira de nascimento — Parecia que o mundo havia parado para Rider.
— Sério? Mas você é o que?
— Morena — Flynn esticou o beiço.
— Sabe? Eu não te contei isso, mas eu tenho uma queda por morenas — Rapunzel rir mais ainda e beija novamente Flynn, que apenas correspondeu.
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Biblioteca da UM 03:45pm
O nosso agente passou praticamente a manhã toda na biblioteca, vigiando Anna, e quando finalmente ela e outros alunos começaram a se preparar pra sair do amplo cômodo, ele foi o primeiro a se retirar se ser percebido.
Logo após atravessar a enorme porta de madeira, Jack deu apressados passos até um banco mais afastado se sentando nele assim que viu Anna sair.
Ao ver a loira dando passos lentos, sendo acompanhada por suas colegas de curso, Jack desisti de segui-la, por mais que queira. Mas pressentia que Anna estará salva o resto do dia e terá uma companhia agradável, afinal, hoje Kristoff chegará mais tarde por conta do treino, dando lhe a oportunidade perfeita para ter um tempo de descanso.
O albino assistiu a loira caminhando com as outras garotas até sumir de seu campo de visão.
Seu celular vibra em seu bolso e Jack apanha o aparelho, desbloqueando a tela do mesmo. Ele vizualiza a notificação e viu que se tratava do Instagram, fazendo-o tocar na tela, abrindo o aplicativo. Lá estava escrito "@Lilyth_$_$ segui você" Jack abre o perfil da garota vizualizando suas fotos. "Hum, ela é bem bonita" pensa Jack enquanto arrastava seu dedo na tela vendo foto por foto.
— Legal saber que você fica futucando meu instagram — Jack se assusta e se vira para trás, se deparando com a morena sorrindo.
— Menina não faz isso comigo não, quase que tive um ataque — Fala Jack pondo uma mão em seu peito com o intuito de acalmar o coração, que batia freneticamente.
— Não foi minha intensão assusta-lo, mas...que flagra hein? — Comenta a morena rindo mais ainda.
— Não pode mais vizualizar o perfil da pessoa que acabou se seguir você? — Explica Jack sarcástico — E também foi a primeira vez que eu vizualizei seu perfil.
— Não estou brigando — Lily levanta as mãos em sinal de defesa — Por mim, pode fazer oque você quiser, o celular é seu — Fala Lily rodeando o banco ficando de frente a Jack, que permanecia sentado.
— Ainda bem que não preciso de permissão pra isso — Fala Jack lançando um sorriso de lado, fazendo com que as maçãs do rosto da morena ficassem levemente vermelhas, não despercebidas pelo albino.
— Oi sumido — Uma voz pairou entre eles, e não demorou muito para que Jack sentisse braços finos e macios o envolvendo em um abraço.
— Oi — Fala Jack, após se virar e encarar a dona daquela voz que o deixava arrepiado.
— Oi Elsa — Fala Lily sorrindo ao ver Elsa, que apenas forçou uma careta de deboche, mas logo riu.
— Oi Lily — Fala Elsa se levantando do banco dando um abraço em Lily que retribui sem excitação.
— Espera aí — Se pronuncia Jack observando a cena. As duas garotas fitam o albino — Vocês se conhecem? — Questiona Jack após ganhar a atenção de ambas a sua frente.
— Sim — As duas respondem quase ao mesmo tempo.
— Desde quando? Nunca vi vocês conversando — Fala Jack.
— Desde o ano passado, nós duas éramos bem próximas. — Responde Elsa, voltando a se sentar ao lado de Jack.
— Hum...legal — Fala Jack guardando seu celular. Um pequeno barulho vindo da bolsa de Lily chama a atenção do albino, e logo a morena apanha seu celular vizualizando o aparelho.
— Gente eu já vou indo — Fala Lily guardando o aparelho em seu bolso, causando uma curiosidade em Jack.
— Pra onde? — Pergunta Jack.
— Vou encontrar um amigo — Ela simplesmente diz.
— Um amigo...sei... — Fala Elsa maliciosa, fazendo a morena sorrir tímida.
— Tchau — Fala Lily se afastando. Jack acompanha a morena com os olhos, até ser interrompido por um pigarreio do seu lado.
— Então... O que achou da festa? — Pergunta Elsa, Jack sorrir de lado, sabia onde ela queria chegar com essa conversa.
— Foi muito legal, gostei muito. Principalmente do selinho — Fala Jack sem cerimônias, deixando Elsa corada.
— Oh...am...legal — Fala Elsa virando o rosto para que Jack não a visse corada. Nesse momento ela queria gritar de felicidade, igual aquelas fanáticas de seus específico ídolos, que dão aqueles gritinhos agudos.
— Ei, não precisa ficar tímida — Fala Jack segurando o queixo da loira, fazendo ela olha-lo nos olhos.
Eles se encaram por breves segundos, os narizes se tocaram levemente, e os labios se encontraram em um beijo calmo. Enquanto se beijavam pela segunda vez, Jack olha Lily sobre os cílios, ela adentra a um jipe preto, dando a concluir que ela irá para a praia. Mas ao sentir que Elsa quebrou o beijo, ele volta a prestar atenção na garota a sua frente.
— Esta tudo bem? — Pergunta Elsa encarando Jack.
— Esta tudo ótimo — Jack a responde e uma de suas mãos repousa na nuca, e a puxa para um beijo, não demorou muito até Jack aprofundar o beijo. Sorrateiramente Elsa leva sua mão no rosto do albino sentindo sua pele que possuía um pouco de pelos que estavam crescendo em sua face.
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Campus 04:15pm
Andando pela calçada da praça principal do campus, com uma quantidade aceitável de papéis e livros em mãos, estava Anna. A loira encontrava-se cansada, pois ficara a tarde inteira na biblioteca estudando para os testes que o professor comunicou naquela manhã ensolarada.
Anna trajava uma calça jeans justa a suas pernas, uma regata branca de tecido fino com uma frase de Best friend, em seus pés uma bota de cano médio com um pequeno salto e de assessórios a loira optou por uma touca de croché e pulseiras e braceletes em seu pulso.
Seus passos estavam ficando lentos e duvidosos a respeito do destino, onde a loira pudesse se distrair a essa hora? Em que lugar ela poderia se perder em devaneios e relaxar seu interior? Gritos e vozes esganiçadas a responderam de súbito a seus pensamentos. O campo de futebol da universidade, onde, é bem provável, que Kristoff encontrava-se em treinamento.
Após entrar no enorme espaço verde, Anna sobe as escadas que a leva para a arquibancada, onde poderia vizualizar os garotos que possuíam vários protetores em seus corpos correndo atrás de uma bola, entre eles, Anna reconhece Kristoff.
A garota se senta na superfície lisa enquanto apanhava o celular em sua bolsa. Os finos e delicados dedos deslizavam na tela sensível do aparelho enquanto os grandes olhos azuis liam as mensagens que recebera. Porém, gritos chamando Kristoff a fizeram levar seus olhos até o loiro, que estava prestes a fazer um touchdown.
— Vai, vai, vai — Murmurava para si mesma enquanto seus olhos acompanhavam a corrida do rapaz, mas quando estava prestes a atravessar a linha branca, um jogador levou Kristoff ao chão, fazendo com que os jogadores reservas ganhassem — Isso foi falta! Que palhaçada é essa?! — Indignada, Anna bufou e cruzou seus braços de frente ao corpo, mas essa raiva que lhe atingiu não era por conta do time de seu namorado ter perdido, e sim por conta do choque que Kristoff levou propositadamente.
05:15pm
Com o passar dos longos minutos Anna se encontra exatamente como antes. Nem percebeu como o tempo passara tão rápido, mas um barulho agudo envade seus ouvidos, fazendo com que prestasse atenção no lugar de origem, e viu que era o apito do treinador que anunciava o fim do treino. Com um sorriso, Anna guarda o aparelho em sua bolsa e se levanta indo em direção a entrada para o vestiário.
Ao descer o último degrau, a garota espera por Kristoff com um sorriso de deixar seus dentes à mostra. Mas ao ver o garoto que empurrou Kristoff, ele se desmancha e forma um sorriso sarcástico e ameaçador.
— Oi Annita — Fala ele — Gostou do treino? — O moreno de porte médio e de olhos verdes escuros se aproximou segurando seu capacete em uma das mãos.
— Se você empurrar o Kristoff daquela forma outra vez...- O moreno a interrompeu com um sorriso torto.
— Calma aí estressadinha, eu só fiz o meu trabalho — Fala ele com as mãos erguidas enquanto Anna as esmurra levemente, rindo.
— Meu punho vai fazer seu trabalho, acertando bem aqui — Ela bateu de leve no queixo do rapaz.
— Okay, okay...vou tentar evitar — Ambos riem — Tchau — Ela acena desviando o olhar para Kristoff, que chegava com o capacete em mãos e a roupa ligeiramente suja de terra e grama, mas isso não impediu Anna de correr até o loiro e lhe tomar seus lábios para si em um beijo apaixonado.
— Oi — Fala Kristoff, com seus rostos próximos, com seus lábios quase se colando.
— Oi — Susurra Anna ofegante, causando cócegas no amado — Ual você está suado — Fala Anna se separando com um expressão de nojo.
— Foi mal — Fala Kristoff sorrindo pelo nariz — Você vai me esperar tomar banho?
— Okay, vai rápido — Após ter dito, Kristoff sai correndo para o vestiário enquanto Anna volta a se sentar na arquibancada, só que na primeira fileira.
Ela ficou observando o extenso gramado, enquanto esperava o namorado. Suas mãos balançavam sobre seu joelho como um ritmo de música, e essa música era uma de suas preferidas.
Lambeu os lábios para aumentar a facilidade de seu canto e soltou sua doce e afinada voz.
You should it out
But I can't hear a world you say
I'm talking loud not saying much
I'm criticised but all your bullets.
We could see
You shoot me down, but I get up
I'm bulletproof, nothing to lose
Fire away, fire away
Ricochet, you take your aim
Fire away, fire away
You shoot me down but I won't
Fall
I am titanium
You shoot me down but I won't
Fall
I am titanium
I am titanium
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Alguns minutos se passaram e um cheiro a tira de seus devaneios, "sabonete" pensa enquanto duas pernas ficam ao seu redor e dois braços a abraçando por trás.
— Demorei? — Pergunta o loiro no ouvido da garota mordendo o lóbulo da orelha causando um arrepio na espinha de Anna.
— Não, até que foi rápido — Anna se levanta e vizualiza o corpo esbelto que o namorado possuía. O loiro trajava uma calça jeans escura, uma camiseta branca, uma jaqueta da universidade, e em seus pés um tênis esportivo — Vamos lá pra cima — Anna segura a mão do loiro e o conduz para a última fileira da arquibancada, onde era possível ver o campus, as casas das fraternidades e uma coisa que Anna adorava, que era o por-do-sol.
Ambos se sentaram, Kristoff se encosta na mureta da arquibancada separando as pernas para que Anna se encostasse nele.
— Hum...você tá quente — Comenta Anna se alinhando ao corpo do namorado.
— E isso é bom? — Pergunta Kristoff sorrindo.
— É, porque eu tô com frio — Responde Anna rindo. Após sua resposta, Kristoff abre sua jaqueta fazendo com que o contato dos corpos fosse maior, Anna geme de satisfação após sentir os braços dele a envolvendo.
— E agora está com frio? — Pergunta Kristoff, com aquela voz rouca, que arrepiava seu corpo todo. Anna balança a cabeça em sinal de negação, fechando os olhos com um sorriso satisfatório.
Passa alguns segundos em silêncio e Kristoff se manifesta — Olha oque eu trouxe — Kristoff apanha um pequeno pacote de M&M's no bolso da jaqueta, fazendo com que os olhos de Anna brilhassem.
— Hum...- Fala Anna pegando o pacote amarelo e o abrindo, ela apanha o pequeno chocolate e o coloca na boca de Kristoff, que rir do seu ato.
Anna aprendeu que tais pessoas podem mudar sua vida da maneira mais complicada e prazerosa.
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