Richard Joelson, um dos confiáveis cavaleiros da guarda real, fora enviado em uma missão diplomática ao pequeno Reino da Cerejeira. Em épocas de guerras, alianças como essa eram fundamentais. O cavaleiro viajou durante semanas com seu cavalo, tivera que atravessar rios e montanhas para chegar em seu destino, mas tudo valeria a pena se ele conseguisse fechar o acordo com esse pequeno, porém poderoso, reino.

Ao entrar no reino, a vista que ele teve foi impressionante, incontáveis cerejeiras florindo estavam espalhadas por todo o lugar. Quanto mais se aproximava da capital mais o número delas aumentava, o que não era surpresa, considerando que a fruta é a principal fonte de renda do lugar. Nos arredores dela, parecia que um grande mar cor-de-rosa havia se formado. Mesmo dentro da cidade, diversas dessas árvores poderiam ser encontradas. Foi apenas ao entrar no castelo que aquela cor saiu de sua vista.

O rei já estava ciente da vinda do cavaleiro, parecia interessado em formar essa aliança, pois entrar na guerra poderia trazer muitos benefícios para o seu país. Ele preparou uma reunião com Sir Joelson e com seus conselheiros para discutir os acordos da aliança. Richard entrou na sala de reunião, a mesa que lá havia era retangular, com o rei sentado em uma das postas, os conselheiros nas laterais e a outra ponta reservada para o visitante.

A reunião durou horas, a sala estava rodeada de guardas. As exigências do rei eram altas de mais, muito acima do que o representante foi permitido a aceitar. O clima do local havia ficado extremamente tenso e o rei visivelmente irritado.
— Sir Joelson, quer que eu mande meus homens arriscaram suas vidas pelo seu país e é só isso que vocês tem a nos oferecer? – Gritou o rei – Saia daqui! Não farei meu reino entrar em sua estúpida guerra!
Sem poder fazer nada, o cavaleiro se retirou. Quando estava saindo do castelo, um dos servos parou em sua frente com um leve sorriso no rosto e entregando-o um pequeno saco de pano.

— Cortesia de nosso reino, – disse o servo – são as melhores da região.

Richard abriu o saco e viu que havia algumas cerejas nele, agradeceu, foi ao estábulo pegar seu cavalo e saiu pelo portão. Utilizando o pombo que havia trazido, o cavaleiro enviou uma mensagem para seu país reportando a falha no acordo. Agora tudo que restava era voltar para casa e se preparar para as batalhas que aproximavam.

Poucas horas tinham se passado desde que ele saiu da capital. Então se lembrou das cerejas que recebera. Sem o acordo de aliança, ele não podia confiar em nada que vinha daquele lugar, então jogou-as no chão. Ao ver isso, o cavalo parou e comeu as frutas que haviam caído em sua frente.

Pouco depois de comer a cereja, o cavalo se deitou, seu corpo ficou mole e sua visão não se focava no que estava a sua frente. Richard percebeu o havia ocorrido, implantaram drogas naquelas frutas, pretendiam viciá-lo para conseguir informações.

“Parece que não fomos os únicos a tentar formar uma aliança.” Ele pensou.

Vendo que não havia mais esperanças para o cavalo, Sir Joelson o abandonou, pegou tudo que conseguia carregar e seguiu em rumo à cidade mais próxima.

Não demorou para todo o prazer que o cavalo sentia passar. No lugar disso, surgiu uma necessidade torturante de consumir mais. Rapidamente ele se levantou, de longe podia-se ouvir seu relincho. De repente ele começou a correr, a insaciedade gerou desespero.

Galopando, ele chegou a um vilarejo. Lá dentro ele pôde ver pessoas carregando bacias cheias daquela fruta vermelha que tanto desejava. Por um momento surgiu um alívio em sua mente, mas isso pouco durou. Rapidamente ele avançou em uma mulher derrubando-a, as cerejas que ela carregava caíram no chão e o cavalo devorou-as furiosamente. Porém, mesmo que o sabor fosse o mesmo, o prazer que necessitava não estava ali.

Sua ansiedade aumentou, a insaciedade ficava cada vez pior. Continuava a correr atrás daquela fruta, derrubando tudo ao redor e devorando todas que encontrava. Uma forquilha atravessou seu corpo enquanto comia, porém já não era nem capaz de sentir a dor. Logo após vieram pás, enxadas e foices, mas nada o fazia parar de comer as cerejas. Mesmo caído e sangrando ele continuava. E então veio um machado, atingindo-o direto na cabeça, e sua tortura terminou.

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