O Acordo

35 Uma nova mãe para Alice


Notas iniciais
Fic chegando na reta final :(

— Eu mandei colocar algumas blitz em pontos estratégicos da cidade, e já avisei aeroportos e as fronteiras, assim ela não pode sair do país.

— Sair do país? — Falei assustada.

—Calma, ela não poderia fazer isso, não legalmente. E também dei fotos aos policiais que ficam nas ruas e as fotos dela nos noticiários vai ajudar, se alguém ver ela pode fazer uma denuncia.

— Ta, vamos esperar então? — Disse girando a cadeira do escritório de Gabriel nervosa.

— Não há muito o que fazer, coloquei algumas pessoas de olho na câmeras das vias, a ultima vez que o carro dela foi flagrado foi em um posto de gasolina, mandei um grupo de policiais pra lá, mas nada. — Gabriel me olhava preocupado.

— Ta, tudo bem! Eu sei que ta fazendo o seu melhor e eu agradeço, sei que estava em um caso muito importante e se afastou dele só pra me ajudar.

— Esse caso ta indo bem devagar mesmo, o mais importante é encontrar Alice agora, ok? — Ele disse dando um leve sorriso confiante.

—Obrigada! — disse dando o melhor sorriso que eu conseguia e não era muito.

—Eu vou te ajudar sempre, Bianca. Você é importante pra mim. -Ele disse se aproximando e fugi de seus olhos nervosa.

—Calma, eu não estou mais apaixonado por você. -Ele disse rindo da minha atitude — Acontece que você é também é muito importante para a Isa e ela não me perdoaria se eu não a ajudasse.

—Espera, você e a Isa? -Disse boquiaberta.

— É, engraçado aonde o destino nos leva não é? Pretendo pedi-la em casamento quando voltar de Paris, mas isso é o nosso segredo.

— Eu estou muito feliz por vocês; — Disse levantando da cadeira e o abraçando.

—As voltas que o mundo dá... Você era apaixonada por mim, e eu investigava você e sua familia, mas aí eu me apaixonei por você, porem você se apaixonou pelo seu marido falso e bom, aqui estamos agora, eu mais uma vez envolvido com sua família, casar com sua prima me fará seu primo, eu acho. — Ele disse rindo

— Ei, eu não era apaixonada por você! — Disse corando e rindo.

— Sei, eu via você caidinha por mim naquele bar todas as sextas.

— É talvez, um pouco. — Disse rindo.

— Eu vou pegar algo pra você comer. — Ele disse indo em direção a porta do escritório.

— Não precisa, estou sem fome.

—Precisa se alimentar, está sem comer o dia todo e já está quase escurecendo...

— E nenhuma noticia de Alice.

— Eu sei, mas preciso de você forte para ela quando voltar. Então, espere que já volto.
***


Narração de Dylan

Já anoitecia e chovia forte, a noite era tão fria como a dor que sufocava meu peito. Tudo estava desabando, Ísis estava surtada e com minha filha em algum lugar, e eu me sentia impotente em relação a isso, pois não tinha nada a ser feito a não ser esperar.

Acendi um cigarro, o observei queimá-lo por alguns minutos, há muito tempo eu já não fumava, o levei direto a boca e soprei a fumaça para cima, depois levei minha atenção para as gotas fortes da chuva se chocando com a água da piscina, eu estava sozinha na área externa da casa, a mansão estava uma confusão, enfermeiros, empregados, família, policia, seguranças... Mas nada, nada ajudou a trazer Alice de volta.

Nenhuma noticia até então de Bianca e Gabriel, eu não tolerava muito aquele delegado, mas confesso que tinha esperança de Bianca estar certa e ele trazer de volta nossa filha, mas nada. Bebi o restante de uísque que tinha na garrafa e a joguei para o fundo da piscina depois.

— Fazia bastante tempo que eu não via você com um cigarro. — Ouvi a voz de Daniel atras de mim e seus passos se aproximando.

— Fazia bastante tempo em que eu não me sentia perdido assim. — Respondi com a voz um pouco embargada.

— Vamos encontrá-la, meu amigo. Não perca a fé. — Daniel sentou ao meu lado e colocou a mão sobre o meu ombro direito.

— Desculpa, senhor. — Um cara alto vestido de terno preto apareceu na varanda — Os jornalistas insistem por alguma nota da família.

— Eu cuido disso. — Daniel disse se levantando e me deixando sozinho ali de novo com meus pensamentos.

Senti meu celular vibrar no bolso esquerdo da calça, um número desconhecido na tela:

— Alô?

— Oi meu amor, sentiu saudades? — Aquela voz era inconfundível.

— Cadê ela, Ísis? O que fez com ela? Eu juro que se fizer algo, eu irei ...

— Calma, love! Eu estou cuidando muito bem dessa princesinha. -Ouvi alguns grunhidos de Alice na linha — Ela adorou a tia Ísis, não foi?

—Você é maluca, onde vocês estão?

—Calma, eu vou explicar tudo o que eu venho pensado sobre o futuro de Alice, ela é adorável, my love! — Ísis dizia com seu tom de cinismo de sempre.

— Ísis, pelo amor de Deus, vamos acabar com esse joguinho.

—Olha, eu estava acompanhando os noticiários e vi que tudo que está ligado a vida daquela princesinha mimada da Bianca se espalha rápido no país, não é? Eu fiquei furiosa.

— O que você esperava? Você sequestrou nossa filha.

—Odeio quando você defende ela. -Ísis estava mesmo surtada — Mas, enfim, eu não quero ninguem se metendo no nosso relacionamento, Dylan.

— O que?

— Então nada de jornalistas, policiais e amigos.. Eu quero só você, tipo aquelas férias proibidas e escondidas que tiramos no inicio do nosso namoro lembra?

— Ísis, você enlouqueceu!

—Aguardo você! — Ela disse desligando e dando fim a nossa conversa.

—Férias proibida? — repeti pra mim mesmo tentando matar a charada e eu já sabia onde ela estava com Alice.
...


Entrei dentro da mansão, tentava passar despercebido entre minha mãe, minha irmã e Daniel que conversavam com a policia. Peguei as chaves do carro e fui em direção a garagem.

— Ei, a onde ta indo com essa cara de que "eu tenho uma missão"? — Caroline perguntou antes que eu entrasse no carro.

— Eu..Eu não demoro, loirinha. Só cuida dos meus pais aí pra mim, tudo bem? — Ela me olhou curiosa.

— como assim, Dylan? Eu posso ir com você? — Ela perguntou nervosa.

—Não, eu tenho que ir sozinho. Me desculpe, é uma exigência. — Disse entrando no carro e deixando a loirinha insatisfeita para traz.
....

O lugar era um hotel fazenda que ficava na cidade vizinha no interior, era perto de umas montanhas turísticas, Ísis e eu no incio de nosso namoro em Londres decidimos vim ao Brasil e contar aos meus pais pessoalmente que estávamos juntos, mas meu pai pirou e proibiu nosso namoro e expulsou Ísis de nossa casa e exigiu que voltasse para Londres, invés disso a convidei para passar um final de semana nesse lugar, eram nossas férias proibidas.

Olhei ao relógio do carro, já eram as 4 da manhã, eu tinha feito duas horas de viagem, e meu celular estava fora de área, era alguma vantagem na época para um casal fugindo dos pais.
Estacionei na entrada do hotel fazenda, entrei no local e não tinha ninguém, tudo silencioso e calmo. Até o recepcionista aparecer, era diferente do cara que nos atendeu na época:

— Senhor Dylan? — Ele perguntou e afirmei que sim desconfiado.

— A senhorita o aguarda nesse quarto. — Ele me deu a chave com um numero 15.

Passei pelo um corredor preenchidos de plantas e flores, e depois por um pátio aberto, era um lugar lindo.

Enfim, cheguei ao quarto, bati na porta apenas uma vez e ela abriu, primeiro me olhou e certificou que eu realmente estava sozinho.

— Espero que não tenha avisado a ninguem. — Ela disse ainda desconfiada.

— Sozinho, como me pediu. — Disse sério e ela atracou seus braços em volta do meu pescoço e me abraçou.

A empurrei para dentro do quarto e para bem longe de mim.

— Cade minha filha, sua surtada? Você nunca devia ter saído daquele hospício , sabia?

— Primeiro, era um recanto para pessoas com estresse. — Ela disse como se eu tivesse a ofendido.

— Tanto faz como você queira chamar. — A segurei pelo braço bem forte e a sacudi — O que pensa que ta fazendo?

— Eu só queria ter sua atenção.

—Ahh, você tem, a minha e da policia também. Isso é crime, Ísis. Ela é só um bebê, vamos, diga onde ela ta.

— Em um lugar confortável, não muito longe. Mas antes temos que negociar. — Ela disse passando as mãos em meu rosto de forma carinhosa.

A joguei na cama do quarto com nojo, eu não podia perder a cabeça, mas eu estava bem perto disso.

— Lembra de quando eu estava gravida?

— Sim, lembro também de quando você aceitou dinheiro do meu pai para abortá-lo.

— José Alfredo é um monstro.
— Nosso

pai é um monstro? — Disse dando uma risada sarcástica — E você? A mãe da criança é o quê? Um anjo? Você não foi coagida pelo nosso pai, você foi comprada e fez isso bem certo do que faria.

— Nosso pai? Acredita mesmo que somos irmãos? É outra historia daquele monstro, irmãos não se apaixonam como nos apaixonamos. — Ela disse se aproximando — irmãos não fazem sexo como fazíamos.

— Eu sinto nojo de mim a cada lembrança e pena de você ao ver o que a mentira do meu causou. Você precisa se tratar. — Disse a olhando como pena.

— Não me olha assim, eu não preciso de tratamento, eu preciso de você. Eu ... Eu tentei seguir em frente, ta? — Ela dizia chorando e andando de um lado para o outro — Mas em tudo que eu fazia eu lembrava de você. E eu não consigo viver sem você. Eu te amo.

— Isso é obsessão, não é amor.

— Dylan, me escuta — Ela dizia limpando as lágrima e se tremendo, ela estava em um estado horrível, olheiras, e sinais lógicos de que não estava com a mente bem — Eu fiquei pensando o que aquela princesinha fez pra você escolher ela e não a mim.

— Para, Ísis. — Falei incomodado.

— ME escuta... — Ela disse colocando a mão na minha boca e me impedindo de falar e depois voltou a andar para o lado e pro outro d=gesticulando — Aí quando eu descobri que ela tava gravida, eu lembrei do nosso filho... Você estava com raiva de mim porque eu matei meu bebezinho . — Ela se sentou na cama e começou a chorar — Eu matei meu bebezinho — Ela chorava muito.

— Mas foi culpa dele! — Ela levantou da cama de repente e cessou o choro — José Alfredo... Então continuei a pensar... E se.. se pudéssemos ter uma chance novamente, você, eu e o nosso bebê.

— Ísis, isso é loucura... Olha, vamos para casa. Eu posso ligar para sua mãe, em Londres tem vários lugares em que podem te ajudar, eu juro que não vão te machucar, essa historia da policia gente pode contornar. Só me diga a onde Alice está.

— Ela.. Alice. O nosso bebê podia ser ela. Ela tem seus olhos, é linda. Podemos viver em outro país, longe de todos, longe do monstro do seu pai. Pensei em Tóquio, o que você acha? Eu acho que seria um ótimo lugar pra você arranjar um emprego.

— O que? — Falei agora realmente assustado.

— Alemanha, lá eles tem ótima escola, Alice seria uma otima estudante. Eu poderia levá-la nas escolas todos os dias.

— Não, não..

— Não gosta de Alemanha? Talvez Itália?

— Cala boca! Cala a boca! — Gritei — Cansei das suas loucuras, cadê ela?

— Esse é meu acordo, Dylan. Você só verá ela se formos juntos, se formos uma familia.

— Você não é a mãe dela, sua maluca! A mãe dela é Bianca.

—Está enganado, eu sou a mãe dela e você é o pai dela. Vamos ser uma familia feliz.

— Ah meu Deus! — disse levando minha mãos ao rosto.

— Lembra das nossas ferias aqui, tinha um aeroporto pequeno, você me levou para voar em um jatinho? Então, está tudo pronto é aqui perto, quando amanhecer, vamos voar para longe daqui, você pilota. Você, Alice e eu, felizes! — Ela disse rodopiando e comemorando.

— Eu..Eu ..- estava ofegante e assustado com tudo com que Ísis dizia, aquilo era um absurdo total. — Deus do céu, essa menina ta louca demais. — Disse me sentando em um banco atordoado.

—Sei que não fez as malas, mas compramos roupas quando chegar lá.

—Eu não vou lugar nenhum, devolve a minha filha agora sua surtada; — Disse segurando ela pelo pescoço e pressionando contra a parede.

—Esse é meu acordo, Dylan. Só assim poderá vê-la de novo!- Ela disse convicta e a larguei e ela respirava ofegante agora.

—Pego as malas, então? — Ela levantou do chão sorrindo.

—Vamos! -disse vencido.
...

O sol nascia perto das montanhas, Ísis cantarola no carro feliz, discretamente tentava achar meu celular que havia deixado no carro precisava avisar alguém quando chegássemos em algum lugar com sinal, talvez no aeroporto.

—Procurando isso? — Ela disse balançando o celular na mão e eu arregalei os olhos surpreso -Aqui não tem sinal, bobo — ela abriu a janela do carro e jogou o aparelho fora — Não vai precisar dele.

—Louca, doida de pedra. — sussurei.

— O que?- Ela perguntou sorridente.

— Nada, só acho que escolhi a Alemanha.

— serio? Porque?

—Sei lá, os nazistas vieram de lá, eles foram tão loucos como você.

— Louca de amor. -Ela disse sorridente.

Eu só precisava ter Alice em minhas mãos e poderia me manda dali e chamar a policia, e me livrar de Ísis de uma vez por todas.

—Fez uma ótima escolha, amor. Pensei em ter novas identidades, assim depois casaremos- Ela dizia animada eu revirei os olhos com os planos insanos dela.

O pequeno aeroporto ficava a meia hora do hotel fazenda, finalmente, chegamos. O local era bem precário e poucos funcionários e todos pareciam bem pagos para ficar em silencio e obedeciam apenas a Ísis.

— Cadê minha filha? -perguntei pela centésima vez a Ísis.

— Bem confortável como disse. -Ela apontou para o jatinho.

Corri para dentro da aeronave e a encontrei la´em um bebê conforto dormindo tranquilamente, ao lado de uma mulher vestida de branco. Quando fui pegá-la, a mulher a afastou de mim e um homem armado se colocou a minha frente.

— O que é isso, Ísis? -perguntei assustado.

—Desculpa, my love. Mas o nosso relacionamento esta meio abalado, precisamo reconstruir o nosso circulo de confiança.

— Aí você coloca uma muralha armada entre mim e minha filha e quer que eu viaje com você? -Perguntei chocado

— Luke é legal, mas desde que não o ofendam e paguem bem. Você não faz ideia do que podemos achar na intenet hoje, desde a fast food ao contrato de Mercenários. — Ela dizia calma.

Desci da aeronave atordoado, eu precisava pensar em algo.

—Ei, my love, já já faremos nossa viagem, estamos só abastecendo o avião, vamos entre, meu comandante.

— Eu não vou, devolve minha filha, chega dessa palhaçada — gritei.

A mulher de branco desceu com Alice do colo da aeronave juntamente com o Mercenário alto.

— Algum problema, madame? — Luke perguntou.

— Nenhum, apenas uma dr. Dylan esta confuso sobre voo, talvez tenhamos que viajar sem ele.

— E a bebê? — A mulher perguntou.

— Irá conosco é claro, não seja burra. Não me afastarei da minha filha.

— Você não vai levá-la. — Disse tentando passar por Luke e me aproximar de Alice, mas fui logo derrubado no chão.

—Ta, essa não foi uma ideia inteligente. — Disse sentindo uma forte dor nas costas e ainda me mantia caído no chão.

—Qual é cara?Quanto ela ta te pagando? Você está aqui por dinheiro e eu sou um cara milionário, isso já nos faz melhores amigos; — Dizia para Luke tentando o trazer para o meu lado.

Então uma camionete invadiu a pista chamando a atenção de todos, fui levantando aos poucos e de lá vi Gabriel e Bianca saindo.

— Não era pra eles estarem aqui, você contou? — Ísis disse me fuzilando com os olhos.

— Eu não contei nada.

— Atira neles, Luke. — Ísis ordenou como uma patricinha emburrada.

— O que ? Não — Gritei ao ver Luke pegar uma arma e apontar em direção de Gabriel e Bianca que se aproximavam.
P

ulei nas costas de Luke que atirou para cima umas duas vezes, até sua arma cair, Gabriel pulou com Bianca em direção ao chão ao ouvir os tiros. E ao me distrair em me certificar que eles estavam bem, um soco foi bem dado em minha cara por Luke que me levou ao chão, e comecei a revidar.

— Ei, amigo. Eu já falei que posso pagar o triplo que a doidinha ali está te dando, vamos fazer as pazes. — Falei entre um intervalo e mais um soco ele distribuiu em minha face, então o empurrei no chão e foi a minha vez de dar socos em sua cara.

Cuspi um pouco de sangue no chão:

— Até que você bate bem forte! — Falei e levei um chute no meio do abdome me fazendo cair bem mais longe de Luke.

— Eu não posso ser preso, amigo. O seu dinheiro dentro da cadeia não me servirá de nada, não devia ter os chamados. — Luke disse se aproximando com os punho fechados.

— Claro que servirá, sabe o sistema penitenciário brasileiro é uma bagunça. — Disse risonho.

— E o cemitério? Você certamente irá pra lá. — Luke disse se aproximando.

— Ei calminha, amigo. — Gabriel disse apontando uma arma atras da cabeça de Luke e suspirei aliviado.

— Nunca fiquei tão feliz em ver seu sorriso branco, delegado. — Disse a Gabriel que revirou os olhos.

Ouvi o pneu do carro gritar no asfalto e vi Ísis no meu carro junto com a Alice.

— Ela ta levando Alice. — Bianca disse desesperada.

— E a minha Ferrari. — Falei ofegante.

—O que? — Bianca exclamou indgnada.

— Só uma observação! — Disse mordendo os lábios e correndo para em direção a caminhonete de Gabriel.

— Ei, espera, Dylan! — Ouvi Gabriel gritar enquanto algemava Luke.

É claro que eu não podia esperar, Bianca correu atras de mim e entrou no carro junto comigo, liguei o carro imediatamente e tentava alcançar Ísis.

— Como posso alcançar ? Ela ta com minha ferrari e eu ... como posso chamar isso de carro?

— Cala a boca, Dylan. Dirige mais rápido. — Bianca ordenou.

— É exatamente isso que eu to falando, querida.

Ela dirigia completamente maluca na estrada, eu não conseguia mais achar sinônimos em relação a loucura de Ísis para nomear tudo o que ela havia fazendo.

— O que deu em você? Por que não nos avisou que havia achado Ísis? — Bianca perguntou atordoada.

— Era uma exigência.

— Exigência? Aquela vadia não pode exigir nada.- Bianca disse raivosa.

— Ah ela podia, ela tinha nossa filha e um mercenário armado do seu lado, Bianca. E ela está completamente fora da casinha.

— Ela sempre foi louca, Dylan. — Bianca disse irritada.

— Não, ela ta completamente louca. Ela acha que Alice é filha dela agora e que eu, ela e a bebê podemos ser uma família linda e feliz.

— O que? — Bianca disse assustada

— Ela planejava mudar nossas identidades, nos levar para outro país e nos manter em carcere em privado até eu aceitar a ideia de sermos felizes juntos. — Dizia atordoado enquanto tentava mante o foco na estrada e seguia o carro de Ísis.

Ísis dirigiu a ferrari para fora da estrada e eu assim a segui, a poeira levantada pelo carro me impedia de enxergar muita coisa. Até ela descer do carro, Bianca e eu corremos em direção, e paramos ao perceber que ela estava na beira de um precipício com Alice em seu colo.

— O que ta fazendo, sua doida? — Algumas lágrimas saiam do rosto de Bianca.

— Parem de me chamar de doida, eu já estou cansado desses apelidos. -Isis disse irritada e Bianca me olhou atordoada.

— Lembra desse precipício, Dylan. Gritou " Eu te amo" pela primeira vez pra mim aqui naquelas férias.

— Pois é, acho que era eu que não estava muito sã naquela época. — Disse coçando a cabeça impaciente.

— Lembra de quando me amava? — Ela continuava com a ilusão romântica e me enchia o saco.

— Não, Ísis! Para, PARA! Chega, pelo amor de Deus. — Gritei estressado

— Você precisa me amar! — Ísis dizia chorosa.

Logo Gabriel saiu de um dos carros e apontou sua arma em direção a Ísis.

— Acabou o jogo, loirinha. Quero que ande bem devagar e traga a bebê de volta para mãe. — Gabriel disse cauteloso.

—Vai atirar em mim, bonitão? Eu caio para traz e levo essa fofura junto comigo. — Ísis disse rindo e balançando Alice em seu colo que chorava.

— Ela ta com medo, me devolve ela, Ísis. Por favor, eu te imploro. — Bianca disse desesperada.

— Ela ta se acostumando com a nova mãe dela. — Ísis continuou a balançar Alice.

— Eu sou a mãe dela! — Bianca gritou — Eu sou a mãe dela, eu sou casada com o Dylan! Para de querer roubar a minha vida!

— Você roubou minha vida primeiro, sua vaca. — Ísis gritou irritada.

Respirei fundo e soltei o ar pesado e caminhei devagar para perto de Ísis que me olhava cauteloso.

— Eu viajo com você, só eu e você. Porém devolve a Alice para Bianca, aí fugimos, você e eu, nova identidade, nova vida, ninguém por perto, Tóquio, Alemanha, Itália... onde você preferir. — Ísis soltou um sorriso meio bobo e olhou para Bianca que estava boquiaberta e chorosa.

— Mas e a bebê? Precisamos dela, perdemos o nosso, lembra? — Ísis dizia tremendo e balançando Alice compulsivamente, estava insana.

— Não, não.. A bebê é dela, de Bianca. — Falei me aproximando devagar — Podemos ter outros filhos, o que acha? — Falei e ela soltou um sorriso largo e balançava a cabeça freneticamente afirmando.

— Gostou da ideia não é? Então que tal devolver o bebê pra ela, em? — Ísis olhou desconfiada ao me ver estender os braços para pegar Alice.

— Como saberei que fala a verdade?

— Então, entrega ela aqui pra mim. — Gabriel disse se aproximando — Aí vocês fogem, entrem no carro, juro que ninguém seguirá vocês.- Gabriel disse entrando no jogo junto comigo.

— Pode ser. Mas ela não pode seguir a gente. — Ela disse apontando para Bianca.

— Não vai, eu prometo, Maricota. — Disse a chamando pelo apelido dela de infância.

— Maricota? Adorava quando me chamava assim.

— Pois é tudo vai ser como antes, só precisa devolver Alice.- Disse cauteloso, e Ísis foi entregando a bebe para Gabriel.

— Ah meu Deus! Obrigada!- Bianca disse chorosa e Gabriel logo entregou Alice para Bia que a abraçava e a beijava muito, Alice foi ficando calma e parando de chorar sorri com a cena.

— Vamos, my love! — Ísis disse pulando para um abraço, não a correspondi, ela se afastou e me olhou desconfiada, logo troquei olhares com Gabriel.

— Você mentiu! — Ísis gritou — Vamos ficar juntos, temos que ficar juntos, nem que seja na morte. — Ela disse pulando em cima de mim e me agarrando com seus braços e nos empurrou, meus pés tropeçavam um sobre o outro tentando o equilíbrio, até não mais sentir o chão firme, seus cabelos loiros voavam sobre o meu rosto e atrapalhavam a vista do céu, mas a sensação de queda era comum e real...

— DYLAN! — Bianca gritou.

Notas finais
E aí o que acharam do retorno da bitch surtada da Ísis?? bjs