O Acordo
8 Sinais
Notas iniciais
Eu estava na sala de informática da ONG e editava as fotos da sessão de fantasia do dia anterior, tinham ficado ótimas e a campanha seria um sucesso. Caroline estava ocupada com as papeladas de doações e o banco, Marcelo e Gabriel estavam envolvidos em um tipo de aula de educação física com as crianças e os restantes dos voluntários ajudavam em outras aulas; o que me garantia um silêncio perfeito para me concentrar naquilo.
Passei a manhã toda trabalhando na edição daquelas fotos, mas ainda estava distante de terminar, meu estômago roncava de fome e o relógio soava quase meio dia, tentei me empenhar mais um pouco nas edições, mas ouvi a porta da sala abrir e ao observar vi Dylan entrar.
_ Oi, o que ta fazendo aqui? – perguntei surpresa.
_ Eu vim te chamar pra almoçar. – Ele disse sentando em uma cadeira ao lado e rodando nela feito um bobo.
_ Então resolveu fazer um papel perfeito de bom marido é isso? – Soltei uma risada.
_ Também, mas vim te contar que eu to trabalhando em uma grande empresa de aviação, vou projetar aviões e fazer manutenções. – Ele disse contente.
_ Que bom, temos que comemorar. – Disse feliz por ele.
_ Foi exatamente o que pensei. – Ele disse sorridente e finalmente parando de rodar naquela cadeira.
_ Deixa só eu salvar isso aqui. – Disse teclando em algumas coisas no computador e terminando.
Saímos da sala e pude ver Marcelo e Gabriel encerrando a aula com a criançada, Os dois estavam suados e cansados, bebiam água e conversavam distraídos perto de algumas arvores no local. Gabriel estava em uma camisa regata branca e um short preto, incrivelmente lindo como sempre. Ele acenou a me ver e com aquele sorriso que me contagiava.
_ O babaca ta afim de você. – Dylan sussurrou no meu ouvido debochado.
_ Para de ser bobo. – Disse o repreendendo. – Devia parar com isso, eu sou uma mulher casada e não vou flertar com qualquer delegado bonito por aí. – Disse o fazendo rir.
_ Eu acho bom mesmo. – Ele disse me segurando na cintura e colando nossos corpos – Afinal, não quero pagar de corno para mídia. – Ele disse me fazendo lembrar exatamente do que havia dito para ele uma vez em relação à Ísis.
_ Não vai, eu garanto. E Gabriel sabe que sou casada, sem possibilidade. – Falei pousando a mão em seus ombros enquanto nossos corpos ainda estavam juntos.
_ Você acha isso? – Dylan disse rindo e balançando a cabeça.
_ Acho, mas pelo visto você discorda. – Falei.
_ Veja bem, observemos aos sinais então. – Ele disse colando meu corpo em uma coluna que tinha ali.
_ Sinais? O que? – Disse confusa e ele colocou os dedos na minha boca me impedindo de falar.
_ Sinal 1: Se ele for embora e parar de olhar é porque ta incomodado, mas não o suficiente para querer você a qualquer custo. – Dylan disse passando as mãos em meu cabelo. – Sinal 2 : Se ele não olhar e continuar conversando com o amigo, ele realmente não liga para você.
_ O que ta fazendo? – Eu disse enquanto ele aproximava seu rosto do meu.
_ Testando o sinal 3. – Ele disse me puxando colando mais nossos corpos e me beijando.
O seu gosto de menta invadiu a minha boca e me deixei levar pelo seu beijo incrivelmente bom mais uma vez, eu dei passagem para sua língua e ele passava as mãos pela minha cintura carinhosamente e por fim quando já não tinha ar se afastou.
_ Não olha agora. – Ele falou, mas nem entendi ainda o que ele queria dizer estava perdida ainda em alguma parte de seu beijo.
Ele olhava para o lado disfarçadamente e então falou :
_ Sinal 3 : Ele olhou e está vindo na nossa direção, ou seja, ele esta muito afim de você, sabe que é casada, mas viu você com o marido e ficou tão louco de ciúmes que vem interrom... – Ele continuaria a falar, mas Gabriel chegou ao nosso lado fazendo Dylan se afastar para o meu lado com um sorriso cínico no rosto.
_ Oi Bia, como estão as fotos da campanha? – Gabriel chegou perguntando.
_ Estão ótimas, estão dando um pouco de trabalho, mas acho que vai sair perfeito. – Eu respondi.
_ Oi, Gabriel. Que bom revê-lo. – Dylan disse dando um aperto de mão em Gabriel e pensei como o meu esposo era um cínico de categoria maior.
_ Eu digo o mesmo, Dylan. – Ele cumprimentou Dylan não tão satisfeito.
_Eu poderia ajudar nas fotos se quiser, Bia. – Gabriel sugeriu.
_Ah você entende de edição de fotos? – Dylan perguntou.
_ Não muito, mas posso ajudar a opinar. – Ele disse sem graça e pude ver Dylan segurar o riso, mentira, Dylan riu descaradamente.
_ Tudo bem então, mas agora temos que ir. Até mais. – Falei despedindo de Gabriel queria levar Dylan para o mais longe possível dele.
_ Eu não acredito que fez isso. – Disse ao sair da ONG e entrando no carro de Dylan.
_ Eu estou certo e sabe disso. E não sei o que viu naquele cara. – Ele disse dando partida no carro.
_ Por favor não quero falar disso, não vai rolar nada com Gabriel ok ? Eu respeito o nosso acordo. – Eu disse.
_ O nosso casamento. – Dylan corrigiu e de certa forma fiquei feliz por ele me corrigir.
...
_ Além do mais, acho que você tem implicado demais com Gabriel, isso tudo é ciúmes da sua esposa? — Perguntei provocando Gabriel que logo parou o carro no estacionamento
_ Bia, por favor. De todos os efeitos que você causa em mim, o menos provável é ciúmes. – Ele disse piscando para mim e revirei os olhos.
_ Então causo efeitos em você?- Retruquei ainda o provocando.
_ Muitos, irritação é o principal deles. Mas não posso negar que fico bem excitado quando você vai só de toalha ao banheiro. – Ele disse mordendo os lábios e me afastei dele, novamente o sorriso provocador estava em seu rosto.
_ Idiota, você tem me espiado no banheiro ? – perguntei boquiaberta.
_Você é uma garota irritante, mas convenhamos bem gostosa. – Ele disse me puxando pelo braço e aproximando nossos rostos.
_ O que ta fazendo? – indaguei.
_ Devo lhe confessar uma coisa, ser fiel a você tem me custado uma abstinência de sexo torturante. Você bem que poderia me compensar como uma boa esposa. – Ele disse me beijando de surpreso.
Dylan soltou-se do cinto de segurança e movimentou-se seu corpo sobre o meu, continuando a me beijar, de inicio tentava recusar seu beijo, mas depois fui me entregando. Quando notei suas intenções o empurrei imediatamente e o sorriso brotou em seus lábios.
_ Você ta louco?
_ Ah Bia,vai dizer que você não quer..
_Não me toca novamente, ta entendido? – Falei abrindo a porta do carro e o olhei novamente.
_ Qual é? Volta aqui e me da só mais um beijinho. – Ele disse ainda dentro do carro.
_ Dylan recomponha-se e vamos almoçar, antes que eu fique viúva. – Disse ameaçadora e ele saiu do carro rindo.
...
Fiquei surpresa com a escolha do restaurante de Dylan, pois era um dos meus preferidos também. Mas era algo entre um e um milhão de possibilidade de termos algo realmente em comum, mas já era um bom começo..
_ Sejam bem vindos, aqui esta o cardápio de hoje. – A garçonete nos atendia com os olhos em cima de Dylan, eu não podia negar que tinha um esposo muito bonito e que isso chamava atenção.
Fiz o meu pedido, pedi um bife à parmegiana com molho e Dylan pediu Rosbife com molho tártaro.
_ Ótima escolha. – A garçonete disse anotando o pedido de Dylan e o mesmo sorriu, é claro que ele notava que a garota estava caidinha por ele.
Pigarreei e a garota me olhou com cara de tédio e logo sumiu para cozinha do restaurante.
_ Ciúmes do seu esposo aqui ? – Dylan falou erguendo as sobrancelhas e com um sorriso provocador no rosto e eu revirei os olhos.
_ Que foi? Ainda esta chateada por causa do lance no carro? – Ele perguntou.
O encarei mais uma vez e retirei o meu celular da bolsa, visualizando as mensagens e ignorando Dylan.
_ Nunca te falaram que misturar negócios com prazer é bem divertido. – Ele disse descarado.
O ignorei novamente e bebi um gole de água da taça sobre a mesa. E Dylan ainda tinha seu olhar irritante para mim.
_Sabia que quando fica com esse olhar furioso, eu tenho a vontade de arrancar sua roupa. – Ele disse me provocando novamente.
_ Qual é Dylan ? Não vai rolar nenhum sexo casual entre nós dois, nunca. – Disse fazendo cara de nojo. Dylan era um safado de categoria maior e hoje estava mais saidinho e provocador que o normal.
_Nunca diga nunca.
_ Nunca acontecerá, Dylan. – Afirmei novamente.
_ Você não sabe o que ta perdendo. – Ele piscou
Olhava ao redor do restaurante fugindo dos olhos de Dylan que me encaravam, o nosso prato logo foi servido e comemos em silêncio. Depois pedimos uma sobremesa, eu pedi uma torta de limão com sorvete de creme,estava realmente delicioso, antes de sair, Dylan acertou a conta e a garçonete deu seu telefone escrito em um cartãozinho para ele, disfarçadamente, mas nada como uma esposa observadora não poderia notar. Sorri com atitude da garota, mas fingi não ver a cena.
Saímos do restaurante, Dylan abriu a porta do carro para eu entrar, mas antes algo me chamou atenção na frente do restaurante, um grupo de jovens em um bar e entre um deles é familiar.
_ Pra onde você vai? – Dylan me olhou confuso ainda segurando a porta.
_ Tenho que matar a saudade de certo irmão caçula. – Disse furiosa e Dylan logo fechou a porta do carro e me seguiu.
Lucas estava sentado em uma das mesas bebendo cerveja com uma turma de garotos estranhos, isso não seria nada anormal se não fosse a uma hora da tarde, horário em que ele devia esta na faculdade.
_ Lucas, o que faz aqui ? – perguntei logo que cheguei ao seu lado e o mesmo se engasgou com a cerveja, entrando em uma crise de tosse.
_ Bia? – Ele me olhava com os olhos arregalados. – Que saudade. — Ele disse me abraçando e seu cheiro alem de álcool era de cigarro.
_ Andou fumando? – perguntei me afastando.
_Ah, não vai dar uma de careta não é? Só estou me divertindo. – Ele disse se sentando na cadeira novamente.
_ você não devia ta na faculdade? – perguntei.
_ Hoje não teve aula. — Ele disse cínico.
_ Ah, por favor, quer que eu acredite nisso? – Eu disse e ele ergue os ombros e bebeu a cerveja me ignorando.
_Bia, ele só esta se divertindo. É normal isso na idade dele. – Dylan interviu, sentando-se à mesa e pegando uma das garrafas de cerveja também.
_ Talvez para você que é o rei da confusão, mas Lucas, já pensou no que o pai vai fazer se ele descobrir que esta aqui, quando devia esta na faculdade. – Falei e Lucas fugiu de me olhar e bebeu mais uma cerveja.
_ Que foi? – perguntei para ele que continuou a fugir de meus olhos.
_ Falando em faculdade, aumentando o risco de colocar mais uma ruga em seu rosto preocupado... – Lucas respirou fundo e continuou – Eu tranquei.
_ O quê? – Soltei em um só grito de indignação.
_ Quem é o rei da confusão agora, baby? – Dylan disse rindo, parando quando viu meu olhar furioso sobre ele.
_ Por que fez isso? – perguntei a Lucas;
_ Não era o curso que eu queria, estava entediante. – Ele explicava.
_ Ta então porque não transferiu para outro curso? – perguntei impaciente.
_ Vem cá Bianca, você agora que esta casada, não tem nada para fazer alem de pegar no meu pé ? – Lucas respondeu irônico revirando os olhos.
_ Mulheres são sempre controladoras, meu caro. Principalmente irmãs mais velhas extremamente responsáveis e certinhas, o que caracteriza bem sua irmã;- Dylan disse tomando sua cerveja na cadeira a frente da de Lucas.
_ Dylan porque não vai ver se eu to na esquina ? — Disse irônica para o projeto de marido em minha frente.
_ Ah não.. Isso ta bem mais divertido. Continuem por favor, adoro um bom drama familiar. –Dylan disse rindo.
_ Maninha vai para casa e leva seu ... é .. como devo dizer, leva esse mané que chama de marido junto com você. – Lucas falou grosseiro novamente.
_ Ah ta bom, eu não queria me meter, ma s ele me chamou de “esse mané”? – Dylan disse levantando.
_ O que vai fazer?-perguntei.
_ Levar o meu cunhadinho bêbado para casa. – Dylan respondeu como se fosse obvio.
_ Obrigada. – murmurei.
_ Eu não vou Mané. – Lucas disse rindo da cara de Dylan.
_ Dylan. – O Sherman retrucou.
_ Eu sei o seu nome. — Lucas disse irônico.
_ Então me chame por ele, porque eu não to muito paciente hoje. – Dylan disse sério agarrando Lucas pelo casaco o fazendo levantar da cadeira.
_ O que foi ? Bianca tem lhe dado uma dose de caretice? – Lucas perguntou.
Dylan revirou os olhos, chamou o garçom e pagou a conta de Lucas e mandou todos os amigos dele ir embora. E colocou meu irmão a força dentro do carro. Eu estava decepcionada com as atitudes de Lucas, em parte do meu sacrifício de me casar foi para garantir que ele continuasse com a faculdade e o ver daquele estado, era uma falta de respeito com o que me obriguei a fazer para o bem dele e da minha família.
_Pensei que fosse mais divertido, Dylan, mas é um chato que nem sua família. – Lucas disse sentado no banco
_ E pensei que você fosse mais sensato que nem sua família, mas é o mais divertido. – Dylan respondeu nos fazendo rir.
_Lucas não pode fazer essas coisas, sabe o quanto me custou para manter os negócios do papai e do Sherman a salvo, temos que restabelecer a boa imagem da empresa, você não pode... – Comecei a conversar com Lucas, mas ele logo dormiu no banco de trás.
_ Ele dormiu? – perguntei indignada, olhando pelo retrovisor Lucas de olhos fechados tirando uma boa soneca.
_ Ah qualquer um dormiria com o seu sermão. – Dylan disse rindo e revirei os olhos – Não leve a mal,ele esta bêbado , melhor dormindo do que vomitando no meu precioso carro. – Dylan disse acariciando o carro com a mão, ri com a cena ridícula.
Encarei Lucas dormindo mais uma vez pelo retrovisor. Eu sempre soube que meu irmão estava com problemas, ele ultimamente não vinha se dado bem com meus pais, mas nunca pensei que tinha problemas com a faculdade e com outras coisas que obviamente ele não me conta. E o que mais me preocupa, é que com a minha nova vida de casada, não posso ficar perto o suficiente para ajudá-lo.
_ Ele vai ficar bem, é só um garoto tentando esquecer os muitos problemas que tem. Ele não vai se entregar ao mundo das drogas, se é com isso que esta preocupada. – Dylan falou me encarando pelo canto de seus olhos enquanto dirigia.
_Eu sei, só me sinto culpada por não saber esses problemas. – Suspirei.
_ Você não pode salvar todo o mundo, Bianca. Tem a sua vida, a ONG, sua carreira, esse acordo que seus pais lhe meteram. Não da para controlar tudo.
_Você não entende.. – Falei, mas ele interrompeu.
_Talvez.. Mas eu sei muito bem o que esse garoto ta sentindo e nem preciso saber dos problemas dele. Um garoto da idade dele procurando nas bebidas um esquecimento de tudo, ou é mulher ou é família.
Dylan estacionou na garagem da nossa casa, concordamos que seria bom Lucas passar o restante do dia por lá. Tentei liga para os nossos pais avisando, mas nenhum dos dois estavam desocupados para atender uma ligação minha, revoltante e já era o esperado.
***
Dividia um pote de sorvete de chocolate com Lucas na cozinha, relembrávamos alguns momentos divertidos da nossa infância e gargalhávamos enquanto ele tentava se recompor da ressaca, era bom ter o meu irmão por perto.
_E a vida de casada?- Lucas perguntou colocando na boca mais uma grande colher de sorvete na boca.
_ Diferente. Às vezes complicada, principalmente quando Dylan esta atacado e mais idiota que o normal. – Falei bufando somente de lembrar.
_ Ele não me parece tão ruim , mas ainda o acho um mané. – Ele disse me fazendo rir.
_Se continuar me chamando assim. Juro que terá que arranjar outro lugar para passar a noite. – Dylan disse descendo as escadas todo arrumado.
_ A onde vai? – perguntei.
_ Vou dar uma volta, não me espere acordada. – Dylan disse piscando e pegando as chaves do carro, sumindo pela saída da casa.
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