O Acordo
27 Quero um futuro com você
Notas iniciais
Narração Bianca
Acordei e nem precisava abrir os olhos para ter certeza que eu ainda estava no hospital, o cheiro de éter me confirmava isso. Abri os olhos e sorri com a cena, Dylan dormia desajeitado na poltrona ao lado e Caroline tentava desenhar algo na cara dele com um pincel.
_Caroline? – A chamei rindo e ela me olhou com cara de quem foi pega no flagra.
_Desculpa, eu não resisti. – Disse olhando para o rosto de Dylan que tinha um desenho de um pênis na bochecha.
_ Você ê é má. – Falei ainda risos.
_ Eu trouxe algumas roupas suas. Dylan me ligou ontem dizendo que ia ter alta hoje pela manhã. – Ela disse colocando uma sacola em cima da cômoda ao lado da minha cama.
_ Como foi sua festa? –perguntei curiosa.
_ tire suas próprias conclusões – Ela disse me mostrando um cheque – E isso é apenas 20 % do lucro.
_ Daniel deve está muito satisfeito. – Disse feliz.
Daniel e Carol combinavam muito, só ela não conseguia admitir, juntos eles seriam ótimos nos negócios e melhores no amor.
_ E eu que trabalhei mais que os dois não ganho nada. – Dylan disse olhando o cheque, nem tinha percebido quando ele acordara.
_ Você só impôs uma condição. Não é ambicioso o bastante. – Caroline piscou para Daniel e guardou o cheque.
_ Eu não preciso de dinheiro, só preciso ver Daniel se borrando nas alturas. – Dylan disse rindo e eu ia ria também, mas não do que ele falava mais do desenho em seu rosto.
_ Do que ta rindo tanto? – Dylan perguntou, mas não deu tempo de responder e a médica entrou no quarto.
_ Pronta para ir para casa, senhorita? – A Dr. Emily perguntou simpática se aproximando de nós na cama.
_ Mais do que pronta. – Falei levantando.
_ Ótimo, pois está liberada. – Ela disse sorrindo e depois olhou para Dylan reprimindo um sorriso.
A doutora se caminhou para porta, mas com a metade do corpo fora comentou;
_ Ah senhor Sherman, gostaria de ressaltar que a ala ao lado é das crianças com câncer, por favor, antes de sair lave o rosto. – Ela completou fazendo Caroline e eu gargalhar.
_ Do que ela tava falando? – Dylan perguntou nos olhando confuso.
...
Entrei em casa e logo os olhares atentos de Lucas, Julia e Isabelle me cercaram, Dylan vinha logo atrás segurando minha bolsa e brigando com Caroline sobre ela pintar figuras obcenas em seu rosto.
_ Quer dizer então que vou ser tia? –Julia falou animada.
_ Vai sim. – Falei recebendo seu abraço.
_ Bia, agora você deveria subir descansar um pouco. – Caroline falou assim que me sentei no sofá ao lado de Lucas.
_ Ah não, foi só o que eu fiz naquele hospital. – Reclamei.
_ Mas é melhor... — Dylan começaria falar até Lucas interromper
_Gente, ela tá grávida não doente. – Ele disse me apoiando.
_Tudo bem, mas... – Dylan falaria algo a mais até o seu celular tocar – Desculpa, tenho que atender. – Ele disse olhando o celular.
_João, eu estou de férias e de jeito nenhum eu vou na empresa hoje. – Dylan falou irritado e Caroline e eu olhávamos atentas a ele, enquanto Lucas, Julia e Isa conversavam outro assunto aleatório.
_ Ta bom! Estou indo. – Dylan disse enfim desligando o celular.
_ Eu vou ter que ir à empresa, depois eu passo aqui pra gente conversar ,Bia. – Dylan disse guardando o celular no bolso da calça, ele ainda estava com a roupa da festa e aparentava está cansado.
_ Vai trabalhar? Você mal dormiu essa noite. – Caroline comentou.
_ Ah que bonitinho, está preocupada comigo. – Dylan disse sarcástico provocando Caroline.
_ Claro que não! – Ela disse revirando os olhos.
_ Que tal você dirigir pra mim até o hotel de Daniel? – Ele perguntou para Caroline.
_Ta me achando com cara de motorista? E nem pensar que vou ao hotel daquele tarado. – Ela disse mordendo aos lábios tentando resistir à ideia.
_ Não se faz de difícil, preciso passar lá no hotel antes de ir à empresa e você até que não dirige tão mal enquanto eu tiro uma soneca. – Ele disse rindo e erguendo uma sobrancelha.
_ Ah ta bom, mas só porque vou dirigir aquela linda Ferrari. — Ela disse pegando as chaves do carro da mão dele.
_Ta ok e nós fingimos que a ideia de ver Daniel não te agrada... – Ele disse a provocando e os dois saíram pela porta discutindo ainda sobre isso.
Dylan estava roubando minha melhor amiga de baixo do meu nariz, era isso? Que absurdo!
...
Restaram apenas Lucas e eu na sala, assistindo um filme qualquer na TV, ele tinha pedido uma pizza e o clima estava ótimo, até mamãe chegar com seu advogado discutindo coisas sobre o papai em voz alta, agradeci mentalmente quando o advogado se despediu e restou apenas a mulher com olhos claros, mas cansados, nos observando.
_ Vocês não vão me perguntar nada sobre como anda o caso do pai de vocês? – Ela disse desligando a TV e jogando o controle de volta em algum canto do sofá e nos olhava reprovadora.
_ Não, obrigado. – Lucas pegou o controle de volta e ligou a TV a ignorando.
_ Isso é um absurdo! – Ela disse desligando a tomada da TV agora.
_ Não precisamos saber nada desse homem. – Lucas disse indiferente e me acolhi mais em seus braços o acalmando.
_ Ele ainda é o pai de vocês, deviam visitá-los. – Ela disse se sentando na mesinha de centro de frente do sofá e nos olhou com os olhos marejados e cansados, ela estava tão envolvida no caso do papai, acho que ela não reservava mais tempo nem para se cuidar, seus cabelos estavam embaraços presos em um rabo de cavalo mal feito, e estava claramente mais magra.
_ Mãe, para com isso, o deixe pagar pelo o crime que comentou, eu sei que o ama e é difícil aceitar isso, mas ele nos enganou. Por que não sai com suas amigas, vai ao shopping compre novas roupas, você adora isso, lembra? – Falei segurando suas mãos e a olhando com cuidado.
_ É tão triste o modo como vocês desistiram dele. – Ela disse relutante – Eu vou marcar uma visita amanhã na cadeia, vocês precisam ir vê-lo. – Ela disse autoritária.
_ Bianca não pisa naquele lugar de jeito nenhum, ela acabou de voltar do hospital não vai passar por essa emoção. – Lucas disse irritado.
_ Hospital? – Ela me encarou confusa.
_ Não contou pra ela? – Lucas me olhou confusa.
_ Como? Se ela nunca para em casa, sempre está em um escritório de advocacia. – Disse bufando.
_Contar o quê? – Ela nos olhou confusa.
_Bianca está grávida, mãe. – Lucas disse irritado.
Minha mãe me olhou surpresa, depois sorriu, ah meu Deus, como era bom vê-la sorrir, há tanto tempo não a via sorrir. Ela me abraçou logo em seguida e começou a chorar.
***
Narração Dylan
Voltei da empresa depois resolver um problema urgente que tinha surgido sobre uma aeronave que passou por um susto em voo, não teve vitimas, o piloto conseguiu um poso de emergência e a empresa estava responsável de investigar o avião.
Cheguei em casa, estava tudo bagunçado, a casa sem empregados e sem Bianca estava quase afundando. Várias garrafas de bebidas vazias, poeira sobre os móveis e a pia cheia de louças sujas, nunca fui lá muito organizado.
A campainha tocou me distraindo de uma tentativa de arrumar um pouco a sala, logo fui atender quando o segundo toque soou, abri a porta e era Alfredo Sherman.
_ O que faz aqui? – perguntei nada satisfeito.
_ Posso entrar? – Ele perguntou e eu dei passagem – Um furacão passou por aqui?
_ A casa é minha, os incomodados que se retirem. – Disse grosso e sentei no sofá.
_ Eu vim aqui em paz, não está nada curioso depois da revelação que te disse ontem? – Ele perguntou se dando a liberdade de se servir um uísque que tinha ao frigobar no canto da sala.
_ Fiquei pensando sobre isso a noite toda, você deve ter pulado a cerca obviamente para Ísis nascer...
_ É, foi uma infeliz noite em que eu e sua mãe brigamos e fiquei bêbado conheci uma mulher em um bar ...
_ Me poupe dos detalhes. – Disse fazendo cara de nojo.
_ Detalhes esse que você já conhece por demais, você quando fica na fossa é bem pior.- Ele disse apontando para as garrafas vazias e rindo – E não pense que to falando só dessa vez.
_ Não estamos falando sobre mim, não é? – Disse o cortando antes que eles começassem citar todos os meus mal feitos.
_Enfim, depois de semanas que já tinha feitos pazes com sua mãe, eu reencontro essa mulher grávida de mim, eu fiquei com medo da sua mãe descobrir tudo, mas também não a abandonei, dei todo aparato financeiro a ela, mas ela morreu no parto e a criança sobreviveu. – Ele disse com a voz embargada e coçou os olhos – Ela não tinha parentes, a mulher era sozinha e deixou a criança sozinha, eu não podia abandoná-la, mas não queria perder sua mãe, então minha irmã me ajudou e adotou a criança, criou ela como se fosse filha dela e todo mundo acreditou em sua historia, que Ísis foi adotada por ela em um orfanato.
_ Você poderia ter me contado, antes de tudo, antes de você tentar de tudo para nos separarmos. Não era obvio que quanto mais o senhor tentasse me separar de Ísis, mas eu tentaria ficar com ela, não porque eu amava, porque eu me apaixonei por ela, mas eu nunca a amei, pai. Ísis só era um desafio, ela era algo proibido pelo senhor...
_ Era uma tentativa de me desafiar? – Ele perguntou incrédulo – Não acredito nisso, você sempre foi assim não é? Sempre questionava as minhas ordens, porque você me odeia tanto, filho? – Meu pai perguntou com os olhos marejados.
_ Não era pra te desafiar, era para chamar a droga da sua atenção – Gritei e ele me olhou perplexo – Pra vê se você me olhava mais do que olhava para aquela maldita empresa, você sempre colocou aquela maldita empresa na frente da sua família.
_ Eu nunca imaginei dessa forma... Eu só estava nervoso demais para não acontecer algo insano que...
_ Você poderia ter falado pra mim, “Se afasta dela porque ela é sua irmã” O que custava dizer a verdade? – Falei quase em choro, eu me sentia culpado, cansado... Eu estava arrasado, aquela verdade me afundava mais.
_ Eu amo sua mãe demais e...
_ Ela sempre perdoou você, pai. É claro que te perdoaria. Ah meu Deus do céu, que droga é essa... Você não conhece a sua esposa, você não conhece sua família. – Disse chorando.
_ Me perdoa, Dylan?
_ A sua mentira por todo esse tempo só está me trazendo desgraça... Primeiro o aborto, agora isso... Eu me sinto... – Disse afundando minha cabeça sobre os joelhos.
_ Não se tortura desse modo, só eu tenho a culpa disso, Dylan. – Ele disse ao me ver chorar – Para de pensar que cometeu um erro, eu fico com essa culpa. – Ele disse se sentando ao meu lado e segurando em meus ombros.
_Você agora tem a Bianca e vai ter um filho, um filho saudável e só vai te trazer alegrias.
...
_ E você já contou pra Ísis? – perguntei deixando o copo de bebida sobre a mesa.
_ Não, mas eu pretendo. – Meu pai disse mordendo seu pedaço de pizza.
_Talvez com ela sabendo que somos irmão pare com essa obcessão por mim e siga em frente. – Disse suspirando.
_ É, vai ser difícil de contar, aquela ali me detesta. – Meu pai disse enrugando a testa – Ela sempre me viu como o empata da vida dela.
_ Tenta convencê-la de voltar para Londres, Bia ta passando por uma gravidez difícil em um momento da vida dela que está bastante estável, não quero que ela se estresse.
_Ta, eu vou tentar. – Ele falou devorando outro pedaço de pizza e sorri da cena. – que foi?
_ Nunca pensei que presenciaria uma cena dessa um dia, Alfredo Sherman comendo pizza com cerveja e dividindo uma deprê comigo. – Falei e ele riu.
_ Você acha que somos muitos diferentes, Dylan. Mas é engano seu. – Ele disse rindo.
***
Alguns dias depois...
O som do celular tocando era irritante demais e acabei acordando, sem abrir os olhos comecei a tatear a cama até encontrá-lo e atendê-lo sem mesmo consultar o visor do mesmo:
_ Alô.. – Falei com a voz roca do sono
_ Dylan, preciso que venha aqui, Bianca não está se sentindo bem. – A voz era familiar, mas não pude reconhecer, talvez o meu consciente estivesse embaçado ainda pelo sono, mas logo despertei quando ouvi o que ela me disse.
_ Estou indo pra aí. – Disse correndo para closet, olhei ao relógio era 15 h da tarde, o que era pra ser uma soneca da tarde me fez dormir mais do que o esperado.
...
Ainda dirigindo o carro liguei para o numero do topo do registro de chamadas, era a mãe de Bianca que tinha ligado.
_ Você chegou? – Ela perguntou ansiosa.
_Não, to a caminho, como ela está? – perguntei nervoso.
_ Ela teve enjoos a manhã inteira e agora há pouco teve um pequeno desmaio, mas já ta consciente e tonta. – Ela descrevia os sintomas.
_ Chego em 10 minutos... Ou menos. – Disse acelerando o carro mais do que era permitido.
...
Entrei no quarto e Bianca estava deitada na cama, pálida e com a cara de que poderia vomitar a qualquer estante.
_ Vamos ao hospital. – Falei preocupado e me aproximando dela na cama.
_ Não precisa desse alarde todo, é só um enjoo. – Ela disse teimosa.
_ Você já foi fazer o pré-natal? – perguntei.
_ Não! – Bianca disse tentando levantar e caiu na cama de novo
_ Já tinha que ter ido, gravidez é algo que precisa ser acompanhado. – A mãe de Bianca falou reprovadora.
_ Chega, vamos ao hospital. – Falei a pegando no colo e ela passou suas mãos pelo meu pescoço e encostou sua cabeça em meu ombro.
...
A médica já tinha examinado Bianca e tinha dado uma saída do quarto, mas logo apareceu na porta nos conduzindo para o seu escritório:
_ Você não vem, mãe? – Bianca perguntou para a mãe que se sentou na sala de espera.
_Não, essa conversa é para os pais do bebê, eu espero aqui. – Ela disse sorrindo e pegando uma revista.
O escritório era bem decorado e era bem frio, sentei na cadeira ao lado de Bianca e fiquei um pouco nervoso quando a médica se sentou na cadeira atrás da mesa, mas em frente de nós.
_Bianca, a criança está evoluindo bem saudável, está no inicio, você ainda vai fazer três meses e precisamos acompanhar mais.
_ E todos esses enjoos e tonturas são normais? – Bia perguntou tão nervosa como eu estava.
_ É normal, mas digamos que estão bem mais presentes em você. – A doutora disse com uma cara não muito boa – Vou te passar alguns medicamentos, podem ajudar.
_Ah obrigada. – Bia disse suspirando.
_Mas precisa fazer o seu pré-natal sempre, pelo o pouco que examinei sua gravidez aparenta ser de risco. – A doutora falou cautelosa.
_ Risco? – silabei as palavras nervoso.
_ Tudo bem, com um bom acompanhamento vai ficar tudo bem. – A doutora disse confiante.
_Tem mais dicas e precações? – Bia perguntou nervosa e atenta.
_ Precisa procurar um nutricionista, é importante ter uma alimentação saudável agora. Vai surgir outros sintomas, talvez a variância de humor, tudo vai ficar bem mais intenso, vai chorar mais, vai se estressar mais... Por isso é bom ter cuidado com isso, devido a sua pressão.
_ É, eu estou chorando tanto esses dias, me emociono até com a morte de uma formiga. – Bia disse bufando e sorri.
_Tenho uma dica pessoal para essa mudança de humor e controle. – A médica disse nos olhando.
_ O quê? –Bia perguntou ansiosa.
_ Sexo, ajuda bastante.
Bia e eu nos entreolhamos e pude a ver corar, olhamos para a médica que nos olhava confusa.
_ Que foi? Falei algo errado? – A doutora perguntou.
_ É que não estamos... – Falei apontando pra Bianca e pra mim e negando com a cabeça.
_ É ... Nós não estamos juntos, não exatamente... Enfim... – Bianca disse sem graça mordendo os lábios;
_ Mas se o sexo for algo importante, é claro que eu posso fazer isso. – Falei rindo e Bianca ficou vermelha feito um tomate e a médica reprimia um riso.
_ Dylan Sherman! – Bianca me reprovou furiosa e a médica soltou uma risada.
...
No carro estava silencioso, a mãe de Bianca disse que ia pra outro lugar e pegou um taxi, então só restava eu e Bia no carro, ela não falava nada, mas de vez em quando sentia seus olhos sobre mim.
Dirigi algumas ruas a mais ainda com o silencio no carro me incomodando até encontrar um engarrafamento enorme na avenida principal.
_ Ai que droga! – Bufei e vi Bianca fazer o mesmo.
_ Será que vai demorar? Estou morrendo de fome. – Ela falou mordendo a ponta do dedão e olhando os carro a frente.
_ Acho que sim. – Disse tentando enxergar o inicio daquela fila de carros.
_Não tem outra rua? Outro retorno? – Ela perguntou.
_ Não para o caminho da sua casa, só aquela rua que vai parar na praia. – Falei me acomodando mais na poltrona do carro.
_ Ótimo, lá tem um quiosque que serve um sanduiche delicioso. – Ela falou animada, acho que já se imaginava saboreando o sanduiche.
_ Já vai anoitecer, Bia. – Falei desanimado com a ideia.
_ E daí? Vamos, eu estou faminta. – Ela disse me olhando com carinha de pidona e então dei o retorno com o carro e entrei na rua em direção à praia.
Chegamos ao quiosque na praia, vi Bianca tirar a sandália rasteira que usava e a carregar na mão enquanto andava pela areia, ela usava um vestido azul longo que cobria os seus pés, ela fechou os olhos quando o vento balançou seus cabelos, logo senti seu cheiro suave trazido pelo vento chegar em mim que estava atrás dela.
Também retirei o meu tênis e dobrei a barra da calça um pouco acima dos pés e a segui até o quiosque que tinha até um bom movimento, considerando que era uma quinta feira e estava anoitecendo.
_ Oi Lu! – Bianca cumprimentou um cara mais velho que arrumava algumas mesas- Isso aqui ta movimentando hoje em?
_ Bianquinha? – Ele a olhou surpreso — Como você está linda! – ele disse com um sotaque nordestino bem fiel e depois a abraçou e logo puxou uma cadeira para ela se sentar perto de uma das mesas.
_ Vai ter tipo um luau hoje, banda ao vivo e tudo, fiquem a vontade. – Ele disse puxando uma cadeira pra mim também e dando o cardápio para Bianca.
_ Adoro esse lugar. – Ela disse animada e sorri ao vê-la assim.
O local começou a chamar atenção das pessoas que faziam um passeio noturno pela praia e começou a ficar mais cheio, a banda era ótima e fazia covers ótimos de musicas que eu gostava. Bia já estava em seu segundo sanduiche enquanto eu só tomava uma vitamina de morangos.
Luiz, o cara com que Bianca havia cumprimentado mais cedo, passou na mesa bastante animado nos entregando cordão havaiano e nos obrigando a ficar mais, mesmo com Bianca e eu já terminado a refeição.
A música que a tocava agora era Stay ( http://www.youtube.com/watch?v=hNFw0WKrwPE ) e o cantor era realmente bom, olhei para Bianca que olhava para o céu concentrada, o vento levava seus cabelos, seu rosto estava tão calmo, seus olhos tão instigantes e lindos me faziam querer ficar ali a admirando para sempre.
_ O que você está pensando? – perguntei e ela sorriu sem graça.
_ No futuro... — Ela disse olhando para mim dessa vez – Eu nunca pensei em ter um filho agora, mas essa ideia vem me agradando tanto agora e me surpreendendo.
_ É porque você já o ama. – Eu disse e ela colocou um leve e um lindo sorriso no rosto.
_ Isso é tão surreal. – Ela disse assustada e encantada.
_ Quer dançar comigo? — perguntei enquanto ela observava a banda.
_ Mas não tem ninguém dançando. – Ela falou envergonhada.
_ E daí? A gente pode ser os primeiros. – Disse levantando e estendo a mão pra ela.
Ela segura minha mão e a conduzo para um local um pouco mais afastado das mesas e perto do palco, eu a seguro pela cintura e ela coloca sua mão direita em meu ombro e a sua mão esquerda eu seguro com minha mão direita, e nós começamos a dançar encaixados em uma perfeita sincronia, nem os pés enterrados na areia de vez em quando por causa dos movimentos atrapalhavam sua graciosidade, ela era bom naquilo, ela era boa em dançar e ficava linda dançando comigo.
A giro e depois a puxo de volta pra mim e ela arfa quando nossos corpos se encaixam novamente colados em um movimento lento de acordo com o ritmo da música, ela apoia sua cabeça em meus ombros e não posso ver seu rosto, mas sinto sua risada quente em meu pescoço e fecho os meus olhos com a boa sensação.
"Something in the way you move
Makes me feel like I can't live without you"
Abro os meus olhos e vejo pessoas nos olhando e sorrindo, outras gostam da ideia e se juntam à nós para dançar também.
A música terminou e começou outra ( http://www.youtube.com/watch?v=fvEZUbzqqyM ) ela sorriu.
_ Eu adoro essa música. – ela disse me mostrando o sorriso perfeito que tinha de novo.
A segurei firme pela cintura e a levantei um pouco do chão e seu rosto acima um pouco do meu, ela soltou uma risada surpresa e a rodopiei, ela parou de rir depois que a coloquei no chão e continuamos a dançar.
_ Não se rodopia uma grávida assim depois dela comer dois sanduíches enormes. – Ela disse brincalhona e sorri.
Ela tinha seus olhos conectados no meu e me peguei prestando atenção na letra daquela música e em seus olhos:
_Cause I don't wanna lose you now...
Ela me olhou surpresa e sei que ela entendia o inglês da musica perfeitamente como eu, mas ela agora me olhava confusa e se afastou de mim e caminhou para longe do quiosque pela areia, me deixando para trás.
Corri atrás dela na areia e acho que ela estava chorando, mas só tive essa certeza quando a vi virar pra mim:
_Está chorando? — perguntei mesmo já sendo obvio e ela enxugou os olhos.
_É a gravidez afetando meu emocional. — Ela disse com a risada misturada de choro.
_O futuro do qual estava pensando... – Falei e ela me olhou confusa.
_ O que tem?
_Eu quero fazer parte dele. — Falei e ela ainda me olhava confusa .
_Por causa do bebê? Dylan ele é seu filho, eu nunca afastaria ele de você. – ela dizia nervosa.
_ Não, eu sei que não. Mas é por causa de você, é porque eu quero ficar com você. – Falei e ela me olhou boquiaberta.
_ E o divorcio? – Ela perguntou com os marejados.
_Eu não assinei nada ainda, você já assinou? –perguntei com os lábios tremendo.
_Não, eu não tive coragem. Mas pensei que era isso que você queria.
_Não era isso que eu queria, na verdade, eu só estava preocupado com o que você queria. Então decidi te deixar livre.
_Nunca quis isso, Dylan. Eu só estava passando por um momento ruim. –Ela dizia e lágrimas saiam pelos seus olhos. – Eu devia ter confiado em você, mas eu estava com medo e acabei afastando você de mim.
_ Eu fui um otário. — Disse me aproximando dela e segurando seu rosto.
_Eu também. –Ela falou se aproximando de mim mais um pouco.
_Um casal de otários. -Falei colando nossas testas e ela sorriu.
_Sr. e Sra. Otários. –Ela falou soltando uma risada.
Passei minha mão pela sua cintura e senti sua respiração quente se misturar com a minha naquele pequeno espaço que separavam nossos lábios.
_Eu te amo! –Ela sussurrou.
_Eu também te amo. – Falei por fim tomando seus lábios, nos beijamos intensamente, matando qualquer resto de saudade e destruindo qualquer vestígio de duvidas de que o nosso amor era real.
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