O Acordo

5 Casamento de fachada?


Notas iniciais
Oiii gente!! Postando mais um capitulo novo pra vcs e agradecendo a todas que vem acompanhando e comentando.

_ Ei acorda!! – Ouvi uma voz no fundo me chamar enquanto sacudia o meu corpo – Ei, a princesinha não quer mesmo que eu a carregue no colo que nem manda a tradição não é ? – Abri os meus olhos e vi Dylan sorrir sarcasticamente.

_ Francamente. Vamos, já chegamos. – Ele disse rindo e descendo do carro.

Desci do carro e um funcionário do hotel tirava as malas do porta-malas, o lugar era um paraíso. Todas as pessoas por perto nos olhavam e foi quando notei que ainda estava de noiva.

_ Droga, custava ter atrasado um pouco para eu tirar essa fantasia. – Disse incômoda com todos os olhares e ouvi a risada de Dylan.

_ Não se preocupe, daqui a pouco arrancarei esse vestido – Ele piscou maliciosamente e eu revirei os olhos e entrei no hotel, mas ainda pude ouvi sua risada atrás – Com os dentes. – Ele gritou e continuou com sua risada irritante.

Dylan logo me acompanhou ate a recepção e a recepcionista entregou a chaves da nossa suíte presidencial, o que eu achei um exagero. Ouvimos um “Felicidades ao casal” e logo entramos no elevador. Enquanto subíamos para o décimo andar, Dylan me olhava de canto de olho e ria da minha impaciência querendo chegar logo ao quarto e eu o ignorava.

Entramos na suíte e o lugar era perfeito. Nossas malas já estavam lá em um canto e tinham pétalas de flores em cima da cama e velas perfumadas por todo o quarto, tratei de apagá-la todas assim que entrei. Dylan sacudia a colcha de cama e tirava as rosas de cima enquanto cantarolava uma música qualquer.

Entrei no banheiro e tranquei, ouvi uma risada do lado de fora e sabia que Dylan havia percebido. Soltei os meus cabelos do penteado e os mesmo caíram sobre os meus ombros em cachos definidos, abri o vestido e o tirei o jogando por uma bancada ali próxima e me olhei no espelho. Talvez eu pudesse me divertir aquele fim de semana, talvez eu e Dylan ficássemos amigos e ele entendesse que aquilo era só uma fachada e que eu iria querer divorcio depois de dois anos, ou não talvez tudo só piorasse — suspirei pesado ao pensar nisso.

Peguei um roupão e me vesti, teria que voltar ao quarto e pegar minha mala que havia deixado em cima da cama. Então saí do quarto distraída e fui surpreendida pelos braços de Dylan em minha cintura, ele me puxou unidos nossos corpos e me beijou, fechei os olhos e senti sua língua pedindo passagem e eu concedi – O que estava acontecendo comigo? – meus pensamentos estavam embaralhados demais para entender e meu corpo estava todo arrepiado com os toques de Dylan que me beijava intensamente.

Aquilo era loucura, ele me beijava e me prendia na parede, seu beijo era surpreendentemente bom, tinha gosto de menta e eu não conseguia me livrar dos meus impulsos de correspondê-lo, porque por mais que tivesse contras, aquilo realmente era bom, o seu beijo era muito bom.

O que eu estava pensando? Aquilo não era um casamento real, Dylan não se importava comigo, ele achava que eu era apenas um filhinha de papai interessada em seus milhões, se eu levasse aquilo à diante, eu me arrependeria por saber que ele não seria o mesmo no outro dia.

Sua mão acariciava minhas costas, então percebi que meu roupão já estava aberto e eu não conseguia resisti-lo, seu beijo era dominador e incrível.

_ Dylan! – Eu disse em um fio de voz o empurrando para longe.

_ Que foi? – Ele perguntou um pouco confuso com o meu afastamento, e mordeu os lábios inchados e vermelhos ao me ver de calcinha e sutiã, então fechei o roupão imediatamente. – Vamos nos divertir um pouco. – Ele disse se aproximando e beijando meu pescoço.

_ Para, por... – Eu tentava dizer, mas seus lábios se encontraram com o meu novamente.

_Somos casados e seu pai já recebeu por isso, então não temos nada a perder. – Ele disse enquanto beijava meu ombro, abaixando uma alça do roupão.

_ Você é um idiota. – Disse o empurrando com mais força dessa vez.

_ Tudo bem, calma... – Ele disse rindo. – Vou tomar um banho então, esfriar as coisas por aqui. – Ele disse tirando a camisa e me fitando de longe, eu ainda permanecia parada onde estava.

Ele se aproximou do banheiro e eu me afastei da porta, ele riu com minha reação e então entrou.

***

Acordei com a luz do sol entrando no quarto pela janela que tinha a cortina aberta, bufei incomodada – ainda não queria acordar- me virei na cama e encontrei com o rosto de Dylan que dormia tranquilo, ele parecia ser tão inofensivo durante o sono, eu não entendia como alguém tão bonito podia ser tão rebelde e arrogante, sem tirar o seu sarcasmo que me irritava profundamente.

_ Bom dia, princesinha! – Ele disse ainda com os olhos fechados e sorrindo mostrando todos os dentes alinhados e brancos, e lá estava o seu sorriso provocador de sempre.

Me afastei assustada e ele abriu os olhos, imaginei o quanto eu estava vermelha de vergonha ao ver ele me analisar sem dizer nada. Passei a mão em meus cabelos e depois nos olhos, tentando ter uma aparência melhor.

_ Não se preocupe, você não fica feia nem mesmo quando acorda com os cabelos embaralhados e com essa cara de sono. – Ele disse sorrindo e me surpreendi com a sua primeira gentileza comigo.

_ Obrigada! Você também não fica tão mal. – Disse rindo.

_ Sabe, eu estava pensando... – Ele disse se sentando na cama deixando seu peitoral nu do lado de fora das cobertas e tentei não parecer tão feliz com a cena.

_ Nossa, você pensa? — perguntei irônica rindo em seguida.

_ Engraçadinha. – Ele disse imitando uma gargalhada falsa. – Como eu dizia... eu estava pensando, estamos casados...

_ Que novidade! – Disse irônica novamente e ele virou os olhos.

_ Posso falar? O sarcástico daqui sou eu. – Ele disse indignado e sorri.

_ Ta bom. – Disse me espreguiçando.

_ Estamos casados e não podemos fugir disso, mas pelo menos temos a liberdade que sempre quisemos. – Ele disse animado.

_ Liberdade? Do que ta falando? – perguntei confusa me virando na cama para encontrar o seu rosto para ver se ele realmente falava sério ou era apenas mais uma de suas piadas.

_ Tipo, nessa ultima semana, percebi o quão controladora sua mãe é, assim como o meu pai. Mas agora que já fizemos a vontade deles, estamos casados e temos a nossa própria casa, então não devemos mais nenhuma satisfação para eles. – Ele falava animado.

_ Isso é verdade! – concordei com ele e ficando feliz por me livrar dos chiliques da minha mãe.

_ Podemos fazer isso dar certo ok? – Ele se moveu na cama e ficou de frente pra mim, e percebi que ele havia dormido apenas de cueca Box preta e eu quase me desconcentrava do que ele falava.

_ Dar certo como? – Falei tentando olhar só para o seu rosto.

_Podemos tentar ser amigos e fazer essa união civil aqui dar certo. E podemos ter a nossa tão sonhada liberdade; — Sorrir ao ver que Dylan podia ser maduro e tirei o peso dos ombros que carregava por semanas.

_ Eu concordo, a gente pode fazer isso dar certo. – Falei e ele sorriu animado. – Isso se você parar com essas provocações irritantes.

_ Eu vou tentar! – Ele disse rindo.

_ Então, o que tem para comer nesse hotel, eu estou morrendo de fome. – Disse animada.

_ Pensei que modelos não tivessem fome. – Ele disse levantando e rindo.

_ Somos modelos, não robôs. – Disse rindo.

_ Eu vou tomar um banho e a gente desce no restaurante, quer conhecer as praias depois?

_ Ah claro, você já veio aqui? – perguntei.

_Várias vezes, você vai adorar o local. – Ele disse entrando no banheiro.

...

Caminhava pela praia, sentia a areia em meus pés descalços, o vento balançava os meus cabelos e o sol queimava minha pele. Observava Dylan jogar futebol com um garotinho que aparentava ter 10 anos, mas jogava muito melhor que o Sherman.

_ Ei, você não vai se molhar? – Dylan gritou correndo em direção ao mar;

Apenas fiz negativo com a cabeça e continuei a observar-lo dessa vez se jogando no mar. O dia estava lindo e Búzios era um lugar perfeito, eu estava tranqüila finalmente depois de semanas, ter me casado com um desconhecido era ruim ontem, mas já não era mais a pior coisa do mundo depois de Dylan e eu conversarmos e tentarmos fazer isso dar certo para nós dois. E uma coisa ele tinha razão, eu estava livre de certa forma.

Mesmo depois de ter completado meus dezoitos anos, eu nunca fui uma garota livre para tomar minhas próprias escolhas, sempre por trás de “minhas decisões” minha mãe e meu pai estiveram presentes, quando tinha 16 anos, minha mãe fez eu conciliar a escola com um curso de moda e me fez modelar em grandes publicidades, o que me tornou uma grande modelo hoje, e isso não é ruim, é algo que eu gosto, mas não foi uma escolha minha.

Quando terminei o ensino médio, meu pai decidiu que eu faria engenharia de computação. O curso foi ótimo, eu cresci com o meu pai sendo dono das maiores empresas de softwares, eu adorava tecnologia, mas mesmo assim não foi uma escolha minha.

E agora, fui obrigada a me casar para salvar minha família. Também não foi uma escolha minha, mas aceitei essa decisão e já era tarde demais para voltar atrás. Entretanto, agora eu já estava casada e viveria minha vida sem os ‘porém’ de ninguém.

Me distrai de todos os meus pensamentos e de toda a tranqüilidade quando o celular ao lado da minha bolsa começou a tocar, era o de Dylan. Ignorei nas primeiras tentativas, mas como Dylan não saía da água e o celular me incomodava, olhei no visor e piscava o nome de “Ísis”, deixei o celular no mesmo lugar a continuar tocar até desistir, mas era no mínimo estranha a madrinha do meu casamento ligar para o noivo no primeiro dia de lua de mel.

...

Sentamos em um quiosque, pedimos dois sucos e ficamos aproveitando o sol maravilhoso que fazia aquele dia.

_Então, você sabe tudo sobre mim e eu não sei nada de você. – Falei quebrando o silêncio.

_ Tudo sobre você? – ele repetiu enfático e sorriu.

_ Pelo menos tudo que é o suficiente para o seu pai. – Eu disse rindo – Ele baixou uma ficha completa minha para saber se eu era uma noiva ideal para o Sherman Junior.

_Os negócios funcionam assim. – Ele disse e riu. Senti-me ofendida novamente, Dylan sempre que tinha oportunidade lembrava que eu tinha me submetido aquele casamento por dinheiro.

Isso me chateava, afinal eu fui obrigada aquilo para ajudar minha família, fui obrigada a me casar que nem ele, mas por mais que concordássemos em fazer aquilo dar certo, ele sempre me julgaria como uma princesinha interessada em seus milhões. Que ridículo!

_Desculpa! – Ele disse percebendo que não fiquei a vontade com seu comentário.

_ Não importa não é? Não importa tentarmos nos conhecer e fazer dar certo esse casamento, porque você já formou uma opinião sobre mim. – Disse me levantando da mesa, mas ele me puxou imediatamente me fazendo sentar novamente.

_ Desculpa, eu sou um idiota às vezes. Não te falaram isso antes do “ Aceita ele como seu esposo” ? – Ele disse me fazendo rir e o vi sorrir por me fazer sorrir.

_ Eu quero te conhecer melhor, eu quero fazer isso dar certo, afinal não temos escolha, temos seguir com esse “casamento”. – Ele fez sinal de aspas com as mãos na parte do ‘casamento’, afinal este era só uma fachada para nós dois, apesar de todos acreditarem ser real e de nossa família pensar que o casamento planejado daria realmente certo.

_ Ta! – bufei desistindo de ficar com raiva – O que você faz da vida, além de muita confusão? – perguntei e ele riu novamente.

_ Fiz faculdade de engenharia aeronáutica no Brasil, antes de me mudar para Londres. – Ele disse me surpreendendo e fiz questão de ficar boquiaberta para enfatizar minha surpresa – Fecha esse bocão, eu sou um cara muito inteligente que adora confusão, qual o problema ? – Ele perguntou rindo e erguendo os braços para o alto.

_ Um rebelde sem causa que é inteligente, ou melhor, é engenheiro aeronáutico ? Interessante, conte-me mais. – Disse sarcástica, rindo logo depois.

_ Depois que terminei, fui para Londres fazer algumas especializações e também para me livrar dos meus pais.

_ Por que voltou? Não conseguiu emprego em Londres ou descobriu que não era isso o que queria fazer ? – perguntei, tomando meu suco.

_ Eu adoro aeronáutica, esse não é o problema. – Ele disse.

_ Então qual é o problema ? – perguntei.

_ Você ta me perguntando o porquê de eu me meter em confusões ? — ele perguntou e eu assenti afirmando.

_ Sei lá, é só um dom, ou ta no DNA ou por diversão... não sei, considere qualquer uma dessas opções, até mesmo por eu ser filho de milionários, um riquinho querendo chamar atenção. – Ele disse rindo e bebendo seu suco também.

_ Eu não acho que essa ultima seja a opção certa. – Afirmei.

_ Por que? Afinal, você deveria formar a pior opinião de mim pelo jeito que te tratei até hoje.

_ Eu não sou boa em formar opiniões sem antes conhecer. – Eu disse rindo – Mas você não tem cara de que quer chamar atenção.

_ Então considere a alternativa da diversão, eu faço confusão porque é divertido, as pessoas são sempre tão sérias com seus ternos, gravatas e relógios, eu acho que a vida não deve ser tão séria. – Ele afirmou novamente e essa era a justificativa que mais parecia com ele, mas eu sabia que também não era a única, mas eu aceitaria essa por enquanto.

_ O que vai fazer agora que não ta mais em Londres e não pode fazer mais confusão? – Perguntei novamente, aquilo tinha virado quase um interrogatório.

_ Não pode fazer mais confusão? — Ele perguntou encenando um grande susto e depois sorriu. – Calma, eu vou me comportar, afinal esse casamento não pode ter sido em vão. – Ele me tranquilizou.

_ Eu vou arrumar algum emprego na minha área de formação e bem longe de qualquer negócios dos meus pais e sei lá.. Como é a vida de casado? Porque alguns amigos meus me falaram para eu tentar o suicídio antes. – Ele disse me fazendo ri.

_ Então, acabou o interrogatório ou tem algo a mais que a senhorita queira saber? – Ele perguntou dessa vez.

_ Só mais uma pergunta. – Falei e ele assentiu esperando. – O que você tem com aquelas Ísis?

Ele me olhava surpreso e antes de qualquer vestígio de resposta ele tomou o restante de suco em seu copo e me fitava.

_ Você viu as chamadas no meu celular, eu suponho. – Ele falou passando a mão pelos cabelos.

_Desculpa, mas eu acho que eu preciso saber disso, não to pagando o papel de recém casada ciumenta, é só que o nosso casamento tende a aparecer muito na impressa agora e eu não quero pagar de corna por ai. – Disse rindo, seu ombro enrijeceu mais e ele soltou uma risada.

_ Não se preocupe, entre Ísis e eu não existe mais nada. Foi algo que rolou no inicio da minha temporada em Londres.

_ Pra ela existe. – Afirmei.

_ Por que acha isso? – perguntou ele.

_ Por que ela ligaria no seu primeiro dia de lua de mel insistentemente ? – Eu disse e ele ficou pensativo, mas aquela conversa sobre a loira encerrou ali.

Notas finais
O que acharam ??? Quero saber muito do que vocês estão achando da historia.. Espero os comentários de vcs. Beijoos!!