O Acordo
3 Adeus vida de solteira
Faltavam apenas três dias para o casamento, eu estava em pânico. Caroline tentava me distrair o máximo que podia e quando não tinha ela eu me virava com a fotografia, mas não adiantava minha cabeça estava afundada no desastre que aconteceria em minha vida, eu já nem conseguia esconder de todos o quanto estava triste e desanimada com aquele casamento, mas fazia o meu melhor na frente de meu pai.
Hoje, seria mais um dia atrás de uma casa para o mais novo casal, eu nunca me acostumaria na idéia de sermos definidos como um casal, mas infelizmente nós éramos de um jeito estranho e falso. Infelizmente, minha mãe estaria ocupada com a mãe de Dylan na escolha da decoração para o casamento, tudo estava corrido devido o casamento ser marcado para uma semana depois do pedido, o que era uma loucura, mas tudo aquilo já era louco o suficiente não importava as datas. Então, seria apenas o corretor de imóveis, Dylan e eu, a procura de uma mansão perfeita para o casal perfeito da impressa.
Já estávamos na quinta casa e nenhuma parecia agradar a mim e Dylan ao mesmo tempo, na verdade implicávamos um com o outro o tempo todo, o corretor já estava ficando louco até chegarmos na quinta casa.
A entrada do lugar era lindo, duas garagens, o que seria ótimo para o meu carro e o carro de Dylan; tinha uma piscina e um jardim lindo na área externa. No interior da casa fiquei mais encantada ainda, a sala era toda preenchida por enormes janelas de vidro deixando a luz solar iluminar o local, tinha um escada que levava a suíte principal e tinha mais três quarto de hospedes.
Entramos na suíte principal e tinha uma cama king Box de casal e o quarto tinha dois closets, mas somente um banheiro, mas fiquei feliz já por encontrar um closet só pra mim e nem teria que colocar as roupas de Dylan junta das minhas.
_ Eu gostei dessa. – Ele disse antes de mim.
_ Eu também. – Concordei e ouvi o suspiro de alivio do corretor.
_ Então é essa com certeza. – Dylan afirmou se sentando na cama.
_ Então já posso preparar as papeladas? – O corretor perguntou contente e aliviado.
_ Sim, por favor. – Dylan disse e o corretor saiu nos deixando a sós.
_ Um closet só pra você, princesinha, achou perfeito não é? – Ele disse irônico.
_ Então tudo certo por aqui, eu já vou indo. – Disse ameaçando sair pelo quarto, mas ele se colocou em minha frente.
_ Vai as compras ? – ele perguntou rindo.
_ Não lhe interessa. – Disse grosseira o empurrando.
_ Eu sou o seu noivo me deve satisfações. – Ele disse rindo.
_ Vai sonhando! – Pisquei pra ele.
_ Você devia me tratar um pouco melhor, ainda nem assinamos nada, vai que eu desista e você perde toda a grana. – Ele disse ameaçador e depois riu.
_ O quê ? – Disse rindo – Você que devia me tratar melhor, você não vai desistir porque seu pai não permitiria. Sua família precisa desse casamento tanto quanto a minha.
_ Ah claro, precisamos de uma boa imagem e a princesinha descendente da madre Teresa de Calcutá é a solução – Ele disse revirando os olhos.
_ Ao contrário do que pensa, eu posso desistir disso. Eu não tenho interesse em sua fortuna. – Disse o empurrando para trás apontando o dedo em seu peito — Não tenho interesse nessa mansão e não tenho interesse em você. – Disse por fim me livrando dele e caminhando até a porta.
_Então por que não desiste ? – Ele gritou me fazendo parar – Facilitaria minha vida.- Ele ergueu as mãos para cima rindo.
_ A princesinha aqui não vai facilitar em nada para você. – Disse ameaçadora e saí do cômodo rindo.
***
Depois de enfrentar um tremendo trânsito, cheguei ao bar para encontrar com Caroline, ela estava lá reunida com todo pessoal que trabalhava na ONG, era aniversário de Marcelo um dos sócios da ONG.
_ Desculpa o atraso pessoal! – Disse me sentando ao lado de Caroline.
_ Finalmente!! – Duda disse ao me ver.
Olhei para todos na mesa e a grande maioria já estavam bêbados e ainda não era nem 20 hrs, mas a minha grande surpresa foi encontrar o carinha misterioso das sextas feiras conversando com Marcelo .
_ Hoje não é Domingo ? – Perguntei para Caroline que logo sacou o que eu observava.
_ Sabia que ia ficar surpresa. Não é sexta, mas ele ainda pede o mesmo uísque duplo. – Ela disse rindo.
_ O que ele ta fazendo na nossa mesa? – perguntei animada.
_ Ele se chama Gabriel e é amigo do Marcelo, trabalham juntos. Ele é delegado federal. – Caroline contava tudo bastante empolgada enquanto eu o observava disfarçadamente.
_ Bianca! – Marcelo me gritou do outro lado da mesa e então me aproximei dele.
_ Feliz aniversário, Marcelo. – Disse o abraçando e puxando o presente da minha bolsa e o entregando.
_ Não precisava.. – Ele disse abrindo – Espera, claro que precisava esse Smarthphone ainda nem foi lançado oficialmente. – Marcelo disse feliz com o presente e eu fiquei feliz também, mas quase esqueci sua empolgação ao encontrar com os olhos de Gabriel em minha direção.
_ Vantagens de quase trabalhar em uma multinacional de tecnologia. – Disse rindo.
_Então já começou a trabalhar na nova empresa de seu pai e dos Shermans? Entranho falar isso agora que só é uma.
_Não, você sabe que a minha vida esta bem complicada no momento. – Marcelo apenas assentiu.
_ Ah deixa eu te apresentar meu amigo quase irmão. – Marcelo deu espaço e o homem dos meus sonhos pegou na minha mão e pela primeira vez pude ouvir sua voz.
_ Gabriel Sampaio, prazer. – Ele disse ainda segurando minha mão.
_ Bianca Hamilton, o prazer é meu. – Disse corando ao ver que ele ainda segurava minha mão.
_ Acho que conheço você de algum lugar. – Ele disse soltando minha mão para a minha infelicidade.
_ Ela trabalha como modelo, já deve ter visto ela em alguma publicidade. – Marcelo supôs.
_ Não... – Gabriel disse com os seus lindos olhos verde em mim e eu sentia borboletas no estômago, me sentia como uma adolescente no primeiro encontro. – Você vem muito aqui as sextas ? – Ele perguntou rindo.
_ Na verdade, sim. – Disse envergonhada – Eu e Caroline.
_Sabia que já tinha visto esses olhos azuis em outra ocasião.
...
Depois do bar combinamos de ir a uma boate nova, o dono era de um amigo de Gabriel e então não nos preocuparíamos com convites da inauguração. O local era incrível, a pista de dança estava lotada e Caroline e eu dançávamos bastante e riamos muito, depois da semana que tive com toda aquela historia de casamento eu merecia aquela festa.
_ Eu to morrendo de sede, vou ao bar pedir algo. Você vai querer ? – perguntei para Caroline que observava Marcelo.
_ Não, obrigada. – Ela disse ainda distraída.
_ Por que não vai chamá-lo pra dançar? – perguntei.
_ Não seria estranho? Digo ele é sócio também da ONG agora não seria bom eu me envolver... – Ela disse indecisa;
_Ele olhou para você a noite toda, vai agora, Caroline. – Ordenei e ela foi.
Fui até o bar e pedi uma caipirinha, o garçom logo me entregou e quando ia dar a meia volta e ir para a pista de dança, alguém se chocou comigo e derrubando as bebidas.
_Ah cuidado! – Falei encharcada.
_ Você não olha pra onde anda? – Ele falou irritado e logo mudou a feição ao me ver.
_ Você? – Dissemos juntos e Dylan logo riu.
_ O que a bonequinha de luxo faz aqui ? – Ele perguntou encostando-se ao bar e eu tentava me secar com guardanapos.
_ O que se faz em uma boate, idiota? – perguntei irônica.
_ Meu pai iria ficar tão decepcionado se descobrisse que a senhorita perfeita esta madrugando em uma boate. – Ele disse sarcástico como sempre.
_ Você quer que eu ligue e avise? – Disse pegando o celular e piscando pra ele.
_É sério, nenhuma impressa pode ver você andando sozinha em festas. – Ele disse me puxando pelo braço de maneira grosseira.
_E quer dizer que você pode ? – perguntei irritada.
_Ninguém me viu entrar. – Ele explicou.
_ E ninguém me viu também! Agora me solta. – Exigi.
_ Não, vou te levar pra casa! – Ele disse ainda me segurando forte e colando nossos corpos.
_Eu não vou agora, me larga! – Gritei e ele riu.
_ Algum problema, Bia ? – Gabriel apareceu olhando confuso a cena.
_ Nenhum, sai fora, otário. – Dylan disse grosseiro.
_ Tem, esse idiota esta estragando minha noite... – Disse pisando no pé de Dylan com meu salto agulha, ele me soltou e começou a pular como saci gritando de dor. – Mas tudo resolvido. – Sorri para Gabriel e ele gargalhava.
_ Vem, pessoal ta sentindo nossa falta. – Gabriel segurou minha mão ainda rindo da cena.
_ Volta aqui, você não vai a lugar nenhum. – Dylan disse me puxando novamente.
_ Cara, acho que se não parar de incomodá-la, eu que irei resolver esse problema. – Gabriel disse ameaçador e eu corei com a forma em que ele ficou em minha frente para me defender.
_ Eu acho melhor você resolver problemas de outras pessoas, seu babaca. – Dylan disse empurrando Gabriel que partiria pra cima de Dylan com toda certeza, mas parou quando o Sherman continuou a falar – Eu me resolvo com a minha noiva! – Dylan disse pegando minha mão e mostrando o enorme anel de diamante na minha mão esquerda.
_ Noiva ? – Gabriel repetiu surpreso, se afastando para trás e tive a enorme vontade de matar Dylan naquele momento.
_ Me desculpa, Gabriel. – Disse saindo daquele lugar no mesmo instante.
A minha ficha tinha caído, eu sonhando com Gabriel e me divertindo como se ainda tivesse a minha vida de antes, mas tudo tinha mudado, eu estava preste a me casar com o maior babaca que conheci em toda a minha vida.
Cheguei ao estacionamento da boate, comecei a procurar o meu carro eu não me lembrava onde tinha estacionada ou estava nervosa demais para achá-lo. Comecei a chorar, não pelo carro, mas por tudo.
_ Pode me explicar aquilo? – Dylan apareceu na minha frente, eu estava sentada na calçada ainda me recuperando. – Nem casamos e já sou corno é isso ? – Ele disse rindo e tirou a face séria que tinha antes.
_ Me esquece! Por que não some esses dias? Já não basta ter que ficarmos juntos “ até que a morte nos separe” – Disse sarcástica, levantei e comecei a caminhar entre os carros apertando o alarme para identificar o meu carro e nem sinal dele.
_Perdeu seu carro? – Ele disse rindo.
_Eu acho que até posso acelerar o processo do até que a morte nos separe, vai embora garoto. – Disse ameaçadora.
_Nossa, você é tão assustadora. – Ele continuava com o seu sarcasmo para me irritar, andando atrás de mim com as mãos nos bolsos de forma tranquila.
Finalmente, achei o meu carro escondido na ultima fila. Entrei no mesmo e acelerei passando perto do Sherman, calculando que alguns centímetros para direita eu o acertaria, fiquei tentada a tentar, mas eu ainda precisava do meu noivo falso vivo.
***
Os dias se passaram mais rápidos do que eu queria e hoje era o meu ultimo dia de solteira, pelo menos era o que Caroline enfatizava durante o dia todo, ela estava organizando uma despedida de solteira e mesmo sabendo que o meu casamento amanhã era mais um sinal de luto pra mim, ela insistia em dizer que eu tinha que comemorar do mesmo jeito e com grande estilo.
_ O que ta planejando tanto? – perguntei receosa para Caroline pelo celular e acompanhava todo o movimento de funcionários carregando flores.
_Tudo vai ser surpresa, você só tem que se vestir incrivelmente linda hoje à noite e eu irei buscá-la. – Ela disse animada.
_ Ok, mas Caroline.. – Disse antes dela desligar – Não faça nada muito grande, por favor. – Pedi como se isso fosse realmente possível, estava falando de Caroline, ela é empolgada e neurótica é o seu sobrenome.
Desliguei o celular e observei por mais alguns minutos toda aquela decoração boba, branca e florida demais para amanhã. O casamento aconteceria na área externa da mansão dos Shermans mesmo, com muita insistência e acordo, meu pai e eu conseguimos convencer o José Alfredo de fazer uma festa mais discreta.
O total de convidados era trezentos e por mim seria bem menos, apenas com familiares e amigos próximos, mas esse não era a discrição dos Sherman.
_ Querida, venha! Vamos fazer a ultima prova do vestido. – Minha mãe gritou.
....
_ Acho que precisamos reajustar um pouco mais na cintura, não acha? – Minha mãe perguntou para a estilista que tratou logo de me enfiar alfinetes para ajustar o vestido branco em mim.
_ Pronto, agora ela está deslumbrante. – A minha futura sogra disse me puxando e rodopiando o vestido que com todo o seu volume e peso quase me desequilibrava.
_Eu amei! – Minha mãe disse animada quase perfurando meus tímpanos- O que você achou, filha ?
_ O que eu achei ? – balbuciei – Achei exagerado, esse casamento está sendo a cara do exagero. – Disse me sentando e bufando.
_ Querida, exagero é o nome do meio do seu futuro sogro. – Sandra, a mãe de Dylan disse rindo ao meu lado. – mas você ficará linda de qualquer jeito.
Sandra era de longe a melhor pessoa daquela família, ela compreendia e também não era a favor daquele casamento forçado, mas aceitava qualquer coisa que o marido impunha. Porém ela tentava ver o lado positivo de tudo isso, ela acreditava que alem da imagem do filho na impressa mudaria, Dylan poderia realmente mudar.
Minha mãe e Sandra acompanharam a estilista que tinha saído e levado o vestido para ajuste. Logo depois coloquei minha roupa normal e saí do quarto de hospedes e encontrei Dylan entrando por uma janela que ficava no corredor do segundo andar da casa, ele estava suado e um pouco sujo, ele fazia cada movimento calmamente para não fazer barulho, mal imaginava ele que já tinha sido descoberto.
Ele fechou a janela e deu um suspiro como se fosse de alívio, então pigarreei para que ele me notasse, assim que notou ele virou imediatamente como um susto e me olhava pálido.
_Quer me matar do coração, garota? – Ele dizia irritado, mas sussurrando. – Pensei que fosse minha mãe.
_ O que você tava aprontando ? – Perguntei.
_ Nada. – Ele disse rapidamente e fazendo uma cara de cínico.
_ Essas marcas vermelhas no seu rosto e essa roupa suja, e você não tava fazendo nada? – Perguntei erguendo as sobrancelhas e tinha um sorriso satisfatório no rosto por pega-lo no flagra.
De repente ouvimos sons vindo da escada, eram minha mãe e Sandra que voltavam. Olhei para Dylan com um sorriso largo, ele estava ferrado. Então, antes mesmo que as duas aparecessem no fim do corredor, Dylan segurou nos meus braços e me empurrou para dentro de uma das portas que tinha no corredor, com uma mão ele tampava minha boca e com a outra segurava meu braço com força.
_Você não pode falar nada ok? – Ele disse liberando minha boca com cuidado.
_ Olha todo esse casamento bizarro é pra limpar o nome da sua família de suas confusões, mas se você continuar aprontando por ai, eu só vou estragar o meu sobrenome com “Sherman” em vão. – Eu disse brava.
_ Da pra falar baixo? – Ele disse me empurrando me fazendo cair sentada em uma cama, assim percebi que estávamos em seu quarto – E Sherman é um sobrenome legal ok ? – Ele disse me fazendo, surpreendentemente, rir.
_ Não, não é. Parece nome de marca de queijo. – Disse rindo e ele riu também.
_ Olha foi só uma diversãosinha ta? Nada demais. – Ele disse tirando a camisa suja na minha frente e eu virei o rosto. – Tipo despedida de solteiro. – Ele disse rindo e ouvi o barulho da porta do banheiro bater quando ele entrou.
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