O Acordar Do Faraó

9 Capítulo 9 - Conquistado Parte II


Notas iniciais
Ahlan wa sahlan! :3 Não tem muito o que dizer sobre este capítulo, é um pouco da continuação do primeiro dia no principio e outras coisas.Explicando que várias coisas aqui são fantasia, caso haja alguém que fique confuso pensando que é tudo fato kkk alguns são fatos misturados.Tem um motivo para Khan e Rouge não fazerem sexo 24h por dia, mas acho que ninguém sabe onde eu quero chegar kkkBoa leitura! ♥

Apreciando o tão almejado e necessitado banho, na piscina de pedra coberta por mosaicos verde-escuros. Sobre a piscina oito arcadas eram suportadas por colunas cilíndricas, capitel decorado com flores cravadas na própria pedra, fuste estriado e base anelada com três círculos.

Lamparinas acesas ocupavam a borda da piscina, incensos e velas de óleos perfumados ardiam nos seus suportes de prata. Sahib insistia em lavar os cabelos rubros e massageando por quatro vezes, deixando Rouge tão relaxado que todo o cansaço que tinha havia-se transformado em sonolência quase pecaminosa.

Uma solução chamada bed foi-lhe entregue num pequeno copo. Bebeu o líquido salgado iniciando o gargarejar, fazendo isso estava substituindo a escova de dentes e pasta, era raro aparecerem caries nos egípcios.

O sabor salgado já não incomodava tanto Rouge, repetir o processo todas as manhãs tornara-se um hábito. A higiene e aparência pessoais eram tidas em grande valor a bem como uma necessidade básica. A maioria banhava-se no Nilo por causa a inexistência de banheiros nas casas, e usava um sabão pastoso, o suabu, feito de gordura e giz.

Os homens raspavam todo o corpo para limpeza, e usavam perfumes, óleos aromáticos e pomadas para ocultar maus odores e manter a pele suave. Os óleos eram feitos com gordura vegetal ou animal e eram aromatizados com mirra, incenso ou terebintina.

As mulheres da corte passavam por um processo mais completo: depilavam-se, massageavam rosto e braços com pomada de mirra, colocavam um creme verde de malaquita nas pálpebras, desenhavam uma linha de kohl preto para alongar os olhos, colocavam também pó de ocre nas bochechas e lábios. Pintavam as palmas das mãos e a sola dos pés com hena. A extrema vaidade era exclusiva da nobreza e realeza.

Enrolou-se na toalha e seguiu com a criada para o seu quarto de hóspede, Khan não estava presente, fora tomar o seu banho em outro sítio, dando privacidade ao ruivo. Dessa vez Rouge quis escolher a sua própria roupa, enquanto Sahib dispunha os conjuntos sobre a cama, retirados com cuidado de dentro do baú.

A seleção que as costureiras fizeram podia-se chamar autênticas roupas de férias, as paletes de cores e tecidos de cores claras às mais vibrantes. Havia túnicas mais longas, ou por dizer mais concretamente eram vestidos, calças, saris, túnicas de mangas compridas e curtas era a variedade de escolhas que havia.

Rouge realmente pensava que as costureiras não se importavam com ele ser um homem, faziam roupas que apelavam à sensualidade, medidas curtas mostrando a pele e muito mais, com um toque sublime a feminilidade. Podia dizer que todas as roupas que usara até ali eram pedaços de pano de chão luxuosos comparados com a exuberância das novas peças.

Pegou na peça de roupa mais simples que encontrou, uma túnica longa em azul-turquesa, mas simplicidade ali era relativa, o tecido era muito bem trabalhado e suave. Seria a primeira vez que usaria uma túnica comprida, a saia era plissada, esse detalhe enriquecia cortando a falta de textura do tecido, tanto o decote frontal e traseiro formavam um ‘V’ cruzado.

Porém a acentuação era maior na parte detrás, indo até ao fundo das costas, as mangas curtas descaiam sobre os ombros folgadamente.

Mas claro que as senhoras não iriam fazer só os decotes ousados, uma grande abertura dividia o tecido sobre a coxa esquerda. Quando Rouge o colocou, o tecido fluido deslizou pelos contornos do seu corpo emoldurando as curvas androgênias, um cintinho dourado marcava a sua cintura delgada ficando desse jeito contrastando as cores azul-turquesa e dourado. – Isto é demais Sahib! – Rouge queixou-se ao ver o seu reflexo no espelho.

– Não é. É perfeito! – Animada a mulher colocava um par de sandálias douradas de uma única tira grossa na frente e no tornozelo. – Mas isto é um vestido! Homens não devem usar vestidos! – Continuou os protestos, em parte porque ele pensava que as pessoas poderiam acha-lo ridículo por usar tais roupas.

– Isso é roupa. Pedaços de tecidos não têm distinção entre gêneros. – Sahib omitira o fato de que ela ajudara a escolher as roupas para a viagem, queria que o seu amo fosse ainda mais lindo onde quer que estivesse.

– Venha. – Sorriu para o ruivo, indicou que se sentasse na cadeira de madeira de mogno negro. – Ainda falta alguma coisa? – Rouge inquiriu ao ser mandado sentar-se. Sabih pousara umas caixinhas de madeira decoradas com madrepérola incrustadas na tampa; um pente curvo de dentes largo; pontinhos redondos e pinceis de diferentes tamanhos e um espelho redondo emoldurado com joias semipreciosas.

Pegou no pente e começou a pentear os cabelos úmidos do ruivo, puxando-os para trás, trançou um mecha de cabelo lateral começando na raiz da testa, amarrou o resto do cabelo com essa trança num rabo-de-cavalo desfiado, deixando alguns fios de cabelo propositadamente soltos. Um adereço de cabelo com a forma de um passarinho dourado foi usado para prender os cabelos.

Esse penteado realçava o pescoço torneado e alvo, a sua maçã-de-Adão pouco se notava.

Destapou um dos pontinhos, mergulhou a ponta de um pincel com extremidade plana. – Feche os olhos. – Vendo a intenção dela, prontificou-se a reclamar, mas conteve-se e deixou-a traçar o khol nos seus olhos. No Egito sê egípcio, como na máxima, de em Roma sê romano.

Quando terminou, Sahib colocou o espelho na frente de Rouge. Refletindo uma imagem que nunca antes vira, o khol preto desenhava o traço felino egípcio na perfeição, o azul-cristalino dos olhos sobressaiam intensamente, transformando os seus olhos no centro das atenções do rosto, rejeitou o pó vermelho nas bochechas e batom, isso ele não queria, ser transformado numa quase mulher.

Ainda não terminando de arrumar o seu amo, Sahib perguntou se ele gostaria de ter decoração de henna na pele. Á parte de ter a sua tatuagem do Olho d’Hórus no seu tornozelo, Rouge nunca experimentara a henna, por isso assentiu.

A dor era inexistente, a utilização de um pincel com a extremidade extrafina permitia traços finos sem borrar. Sahib fizera um padrão um pouco abstrato incorporado com umas flores nas costas da sua mão até ao seu pulso, era um desenho discreto ocupando apenas a área entre o indicador e polegar, esses dedos incluídos. Tatuagens de henna grandes que preenchiam mãos e pés seriam apenas feitas no dia do casamento.

– Sahib, tu és perfeita! – Rouge sentia-se um pouco mais à vontade graças à companhia dela, recentemente os dois começaram a conversar um pouco sobre tudo, depois de muita insistência da parte do ruivo para ser tratado com humildade sem fazer grande alarido a formalidades, formando-se uma amizade entre os dois.

– Nisu vai adorar vê-lo assim, seduzir o grande rei só pela aparência, só você é capaz de faze-lo ajoelhar-se a seus pés. – Muito satisfeita com o resultado, prontificou-se a dar o retoque final, um frasco de cristal com um líquido rosado com uma pequena pega redonda ligada por um tubinho, quando ela apertou fez o perfume expelir-se na direção de Rouge.

– O rei já está babando sem eu ter esta produção toda. – De fato Rouge sentia-se bem com aquela imagem produzida, a sua autoestima estava num nível bem alto, ficou um pouco convencido ao afirmar que Khan estava babando aos seus pés, mas não se importou. Era a verdade.

Foram interrompidos por alguém batendo na porta, Sahib fora atender, um dos serventes do palácio fora enviado para levar Rouge até onde o banquete iria ser servido. A autoconfiança que o ruivo sentira momentos antes ficou um pouco tremida.

Olhou apreensivo para Sahib, que sorriu-lhe como uma irmã mais velha. – Boa sorte!

Quase esteve para dizer para apertar-lhe a sua mão e ir com ele, não entendia o por quê de estar nervoso a ponto de tremer, e seguiu o criado.

Inspirou e expirou lentamente tentado acalmar-se quando avistou as portas duplas se abrindo para ele entrar.

Os primeiros sons que captou foram as risadas e vozes masculinas. O servo indicou-lhe que entrasse, a imensa mesa de madeira escura e envernizada, retangular e baixa para refeições informais, almofadões de padrões coloridos eram os assentos, um tapete de padrão vermelho-escuro e dourado estava cobrindo o chão por baixo da mesa.

Como cenário de fundo estava um pedaço do jardim verde, bastava dar um passo através das arcadas cobertas com cortinas de véus brancos para colocar o pé na grama, as cortinas balançavam com a pouca brisa que roçasse nelas, o tecido serviam para proteção aos insetos incômodos e dos raios solares, e para decoração.

As pessoas pararam de falar quando a presença de Rouge foi notada, todos os homens viraram a cabeça na sua direção. Então ai o ruivo sentiu-se uma ave rara, ainda mais do que normalmente se sentia, com a combinação de azul-turquesa, dourado e o seu cabelo vermelho era um pouco berrante, devia parecer um autêntico pavão.

O primeiro a reagir obviamente foi Khan, mas isso não o fez ficar menos impressionado, quando se levantou quase tropeçou em Ramses. – Sai da minha frente Ramses!

Ramsés estava sentado ao seu lado, nem havia-se mexido. – Sai tu detrás de mim!

Ignorando tudo, praticamente tropeçando para chegar à criatura mais linda existente de todos os impérios.

Khan segurou nas mãos do ruivo, sentiu a diferença, estavam muito mais macias e a pele estava perfumada por um aroma doce e fresco, levou-as aos lábios nunca desviando o seu olhar dos olhos azuis. – Perfeito!

Tendo que apreciar bem todo o conjunto, os olhos dourados deslizaram pelo corpo de Rouge, demorando mais na enorme abertura que havia no seu vestido mostrando toda a coxa dele. Rouge sentiu-se queimando por dentro, ficar sob o olhar avaliador do egípcio era perturbador, todavia parecia que estava aprovado pela sua aparência, isso fê-lo ficar um pouco mais aliviado. Um sorriso suspeito brotou dos lábios do moreno, voltando a erguer o rosto para o ruivo.

Não fora apenas o rei que observara o ruivo, Rouge também estava olhando para o corpo viril usando apenas um saiote em azul-escuro, e um colar de contas negro com um pendente em forma de um falcão em perfil no pescoço, o pendente era feito de ouro com uma pedrinha preta no olho do falcão, um bracelete de couro revestia o seu pulso direito.

O peito musculado e firme estava sem túnica, como sempre. O cabelo estava amarrado num rabo-de-cavalo alto, esse estilo dava-lhe uma imagem de guerreiro. Rouge não pôde evitar ficar com o friozinho no estomago. Passadas as primeiras impressões, Khan conduziu-o até à mesa, onde os restantes os observavam em silêncio.

Até o tio do rei cedeu o seu lugar como anfitrião na mesa para Rouge se sentar, ficar no centro não era algo que ele queria, todos os olhos postos em si era desconfortável. Quando se sentou, o simpático tio acomodou-se ao seu lado esquerdo, fazendo o seu filho e filha mudarem de almofadas.

Não contendo a curiosidade começou a fazer-lhe as perguntas básicas. – Ismak eh? – Sem conseguir evitar, Heqet encarava os olhos e rosto do amante do sobrinho. – Ismi Rouge Klein. – A sensação de ser o centro das atenções aumentava, parecia-lhe que estava encarando uma plateia de um Talk Show.

Na hora de pronunciar o ‘Kl’ a sua língua enrolava-se na típica pronúncia britânica, dando um toque engraçado para os estrangeiros. – Por Amon-Rá! Ele é adorável! Os seus olhos são feitos por Nut! – O homem referia-se à Deusa do Céu, o azul-claríssimo sobressaia com intensidade devido aos traços negros de khol. – Perdoem-me o entusiasmo, vamos nos satisfazer com a comida e cerveja.

Os presentes não se fizeram rogados e atacaram as travessas fartas. Carnes de aves; cabrito e porco regados com vinho de uvas brancas, dispunham-se em pequenos amontoados empilhados num equilibro duvidoso. Verduras frescas laminadas regadas com vinagre e outras com mel; legumes cozidos temperados com azeite e alho.

Frutas inteiras ou fatiadas estavam espalhadas pela mesa, assim como pequenos pães brancos; taças redondas de sobremesa continham uvas e figos cortados em cubos banhados em calda de melaço, cobertos por amêndoas e cajus triturados no topo.

Melão e melancia fatiados estavam servidos na sua forma natural. Cerveja de cevada e vinhos enchiam os copos.

Vendo somente adultos na mesa, Rouge franziu a testa, inclinou-se um pouco para Khan que estava ao seu lado direito, rebaixando o seu tom para que apenas ele ouvisse. – Onde estão as crianças?

Khan que acabava de esvaziar o seu primeiro copo de cerveja, sorriu e respondeu no mesmo tom baixo. – É impossível para-las agora, estão excitadas demais por ai brincando, quando estiverem fome elas voltarão. E por que estás usando esse tom de ladrão?

O encantamento de Rouge ao observar o rosto do rei enquanto falava sobre os filhos era notório, ele sempre saberia onde e o que é que os pequenos estavam fazendo, mesmo que por vezes dava ideia que não. – Tom de ladrão? Jerk! – A frase foi dita com o volume um pouco alto.

Dessa vez Rouge não esquecera de insultar o Faraó na sua língua, ele sabia que era covardia insultar as pessoas na sua frente em uma língua desconhecida por elas, mas o seu instinto de sobrevivência era mais forte que o orgulho. Khan riu, fizera a sua joia ficar com as bochechas rosadas.

Quem não sabia como eles eram diariamente, ficaram espantados por ver alguém levantar a voz a Khan e ele rir.

– Então voltando à minha curiosidade, diga-me Rouge quantos anos você tem? – Heqet estava fascinado pela relação entre o sobrinho e a pessoa com a beleza dos Deuses, pelo pouco que pôde observar parecia que tinham uma ligação forte.

Deixando de olhar para Khan que sorria e piscava-lhe o olho para se virar para o tio dele e sorrir com gentileza. – Eu tenho vinte e um anos, senhor.

– Senhor não, trate-me por Aamm. De onde você veio, quem são os seus pais? – O role de perguntas entretinha a todos, muito interessados querendo saber mais sobre o estrangeiro. Mesmo Rai estava atento, admirado por Rouge ser realmente uma pessoa muito inteligente.

Quem não parecia compartilhar do mesmo entusiasmo era a filha mais velha de Heqet, Ankhesenamom. Bonita e jovem, a frescura dos dezoito anos fazia de Ankhesenamom exalar beleza, com rosto oval, nariz pequeno e afilado, lábios cheios, maçãs do rosto prominentes harmonizavam em um rosto lindo e muito delicado sendo emoldurados por uns cabelos castanhos-claros ondulados.

A sua pele era clara, ficando morenada quando exposta ao sol, e isso Ankhesenamom evitava a todo o custo, não gostava de peles escuras, por isso evitava sair, ficando apenas dentro da proteção do palácio.

A única coisa que a ela odiava em si eram os seus olhos, castanhos-escuros quase negros, herdados do seu pai. Odiava com tanta intensidade que todos os espelhos do seu quarto tinham uma tira de pano tapando-os na altura dos olhos, desse jeito conseguia ver o resto do seu rosto, menos os olhos.

Considerava-os tão normais e sem beleza. O seu desgosto aumentou quando vira a pessoa que o seu amado primo trouxera com ele, a criatura fora desenhada pela mão da Deusa Hátor, achou injusto que a Deusa da beleza e amor o tivesse favorecido com uma pele perfeitamente branca como as nuvens ou linho, olhos claros e brilhantes como o céu e a cor de cabelo que não existia em mais ninguém, um vermelho fogoso.

Ciúmes e inveja chegaram ao extremo quando soube que era um homem. Um homem mais bonito que qualquer mulher. Guardando e acumulando a inveja para si, recusava-se olhar diretamente para tal pessoa, até o seu irmão parecia vidrado nele.

– O meu país se chama Reino Unido, Hector e Camille Klein são os meus pais. – Rouge falava e comia pausadamente, quando na verdade queria devorar tudo existente no seu prato como um porco, a sua fome era surreal. Pensava que a mudança de cenário abrira-lhe mais o seu apetite, mas conteve-se, elegância e boas maneiras era a educação essencial para se estar como convidado na casa de outras pessoas.

Khan escutava tudo com atenção, em poucos minutos de conversa o seu tio ficara a saber mais sobre a sua joia que ele em todos aqueles meses, se bem que não podia se culpar, já que a mente dele estava sempre ocupada com outras coisas mais interessantes que o ruivo provocava na sua mente.

– Nunca ouvi falar, onde fica? Como chegou a Kemet? Quem é o vosso rei? Quais são os vossos Deuses?

Mastigando tudo o que tinha na boca e engolindo com dificuldade, serviu-se de um pouco de cerveja, coisa que não gostava. Amargando a sua boca uma expressão desagradada foi inevitável, a sua careta foi motivo de risada alheia. Pois nunca viram um homem fazer tal cara ao beber cerveja, crianças quando completavam dez anos começavam a ingerir e aprender a degustar a bebida. Mais corado apressou-se a responder às perguntas.

– Ah, não é muito conhecido por estes tempos… Temos uma rainha, Elizabeth II, as pessoas prestam culto a um único Deus. – Como dizer que essa religião trouxera a extinção da cultura do Egito? Como se pudesse explicar aqueles homens ali presentes que uma rainha egípcia ia envolver-se com o império de Roma, através de manipulação, sexo, filhos e casamentos com imperadores romanos?

Dizer que Cleópatra por mais inteligente que fosse deixara Roma entrar lentamente no Egito para o dominar?

Vários reis com má governação transformaram o glorioso império egípcio em decadência, ficando debilitado contra os invasores exteriores sempre ambiciosos pela prosperidade e riqueza daquelas terras nascidas na beira do Nilo.

Mas quem ditara o fim da cultura tradicional egípcia fora o Cristianismo, cujo êxito se deveu em larga medida ao facto de não ser romano, constituindo assim um símbolo da luta contra a opressão de Roma. O fim da história egípcia antiga acontece em 395 depois de cristo, data da separação final do Império Romano, por essa altura já fortemente cristão.

Os antigos templos egípcios eram considerados objeto de paganismo, e eram vandalizados, os deuses foram apagados das inscrições monumentais. A cultura criada pelos faraós do Egito desintegra-se por volta desta altura. Os últimos hieróglifos conhecidos são escritos no ano 394, no templo da Ilha de Philae no sul do Egito, um dos últimos redutos da civilização e religião egípcias.

Então dizer para o rei Khan El Khalil que todo e império que ele estava construindo iria desaparecer no futuro, devido a maus governantes e invasões, iria no mínino ser chocante ver o trabalho esforçando dele sucumbir.

Pensando assim, talvez ele preferisse ser mumificado mais cedo a ouvir notícias trágicas como aquela.

Divagando novamente, Rouge apressou-se a responder à ultima questão. Um sorriso irônico se abriu nos lábios do ruivo. O seu olhar centrou-se em Khan, que sustinha os olhos nele durante todo o tempo. – Como é que eu cheguei aqui? Eu fui um pouco forçado a vir sem ser perguntado se queria, certo Nisu?

Heqet arqueou os supercílios, espantado e interessado, pensando que o seu sobrinho tivesse-se apaixonado perdidamente por Rouge assim que colocara os olhos nele, e o tivesse sequestrado. – Como assim Khan?

Calmamente bebendo a sua cerveja como se naquele momento não lhe estivessem acusando de sequestro. – Não sei do que ele está falando, estava destinado, meu amor.

A risada de Rouge foi a mais alta, achara hilário o lado mentiroso de Khan. Muito poucas pessoas sabiam que ele havia sido mandado por Jafir para outra dimensão.

– E eu só sei que tempo depois o meu irmão estava querendo montar Rouge nos estábulos, o clima entre cavalos deixou o rei selvagem, como um garanhão. – Ramses estava divertido com o lado idiota do irmão, ainda se lembrara de como interrompera a cena, nunca antes tinha o visto em cenas peculiares. Fazer o que não fazia antes não fazia era sinal que algo estava mudando.

A explosão de gargalhadas provindas do seu tio e primo eram surreais, os dois homens limpavam as lágrimas formadas pelo riso. Rouge corava violentamente, ele também não se esquecera dessa cena, ser apanhado num pré-coito, era ainda mais vergonhoso quando Ramses disse em voz alta.

Rai não se conteve e colocou a mão na frente da boca para disfarçar o riso, não era bem visto um servo rir de alguém da nobreza. Quem não achava piada era Khan, porque eles não entendiam como era frustrante querer ter sexo com Rouge e não conseguir devido às constantes interrupções.

Não contendo o seu mau humor dentro de si, Ankhesenamom incapaz de tolerar que o estranho do cabelo de fogo fosse o centro das atenções, deixou o seu veneno se dirigir ao mais fraco presente na mesa, e na sua frente Rai era a vítima perfeita para descarregar a sua fúria.

Achando nojento e indigno que um servo estivesse na mesma mesa que eles, classe mais alta da nobreza, até o próprio rei estava presente. Malévola não conteve a rudez, deixando a sua voz bem clara, acabando com os risos.

– Eu não sei o que esse escravo com cara defeituosa está fazendo na minha frente. – As risadas cessaram de forma abrupta, o seu pai e irmão foram os que fecharam mais o rosto.

Repreendendo a sua irmã mais nova, Tathenen detonava uma voz carregada de censura. Sabia como a sua irmã era tirana e opressora em relação às pessoas de nível inferior a ela. – Ankhesenamom, não nos envergonhes, contém-te ou vais ficar no teu quarto sem sair durante a toda a estadia dos convidados aqui. Primeiro e único aviso .

Tathenen era o extremo inverso da irmã, com os vinte anos recém-feitos a obediência, caráter forte e senso de humildade fazia equilibrar o prato da balança entre os filhos mais velhos de Heqet. Apenas fisicamente os dois irmãos mais velhos eram parecidos, Tath usava apenas cabelo no cimo da cabeça repuxado para trás, as laterais estavam raspadas com motivos tribais decorados, rosto no tamanho certo nem longo nem curto.

Olhos cinza-claro era o gene que herdara da mãe e motivo de inveja da irmã, sobrancelhas de expressão severa, lábios carnudos e bem desenhados, nariz e queixo afilados enquadravam-no no jovem mais cobiçado por todas as mulheres de Mênfis.

Adepto de decorações, Tathenen usava constantemente brincos de penas, pequenas argolas, colares e pulseiras tribais e coloridas. Dono de um corpo bem desenvolvido pelo tempo que passava em treinos, para aliviar a tensão, era algo que gostava de fazer, puxar pelo seu corpo até ao limite, já que o seu futuro estava traçado, assumir o lugar do seu pai e cuidar da família e dos negócios.

A garota retraiu-se um pouco, o seu irmão não costumava falhar com o que dizia que faria. Heqet apenas olhava tristemente para o seu prato, conhecia muito bem a personalidade mimada da sua filha, a sua mãe fora do mesmo jeito, a nobreza e luxos taparam o bom senso e humildade da sua mulher, ficando realmente triste quando esses defeitos começaram a aparecer na sua filha quando ainda era uma criança.

Apenas isso ficara mais grave com o passar dos anos, Ankhesenamom tornara-se mais agressiva, amarga e desprezando as pessoas menos afortunadas.

Incapaz de lidar com mão de ferro, deixara esse cargo para Tathenen e estava fazendo um bom trabalho, dando-lhe rédea curta no seu comportamento.

Nada chocado com o que a jovem lhe acabara de dizer, Rai não respondeu, não podia responder, embora a sua vontade fosse grande conteve-se. Ser humilhado por ser um servo era ossos do ofício que estava acostumado desde que começara a trabalhar nas casas da nobreza. Mas chamarem-lhe defeituoso por ter uma cicatriz traçando o seu olho esquerdo, era novidade ser chamado assim. Apenas permaneceu calado e de olhar baixo.

A ideia de ele estar ali fora de Ramses, incapaz de contrariar a sua ordem sentara-se ao seu lado silencioso, sem intenção de tocar na comida dos nobres. Todavia o príncipe parecia ter adivinhado a intenção dele, e nada exagerado puxara uma travessa apilhada com suculentos pedaços de cabrito regado com vinho e alecrim para a sua frente. Ramses sorrira para ele dizendo para comer tudo, e que era uma ordem real.

A segunda pessoa a olhar com desprezo para a garota fora Ramses, quando as palavras indecentes e repugnantes chegaram até si o seu sangue ferveu, lançou um olhar impiedoso à sua prima, falando cautelosamente. – Cuidado com as palavras venenosas prima. Somos família mas eu ainda sou o príncipe. Falta de respeito ainda custa a língua cortada. Rai não é um escravo, é o meu servo pessoal.

A garota baixou o olhar fervendo com a humilhação de ser chamada à atenção severamente. Inconscientemente Ramses procurou a mão de Rai pousada na almofada, cobriu-a e apertou-a, transformando o contato em algo que queria dizer que ele não era nada daquilo que a sua prima dissera, confortando-o.

Khan ficara silencioso observando, defender a pessoa de quem se gostava era o dever do homem, Ramses estava amadurecendo. Apercebeu-se que Ankhesenamom era uma mimada, sempre fora assim, ficou com pena do seu tio, o homem ficara cabisbaixo e transtornado com a atitude da filha.

– Peço desculpa em nome da minha filha, eu sou o responsável, como pai pelas ações menos corretas dela. – O homem terminou com um sorriso triste.

– Estamos em tua casa Aamm, não precisamos que te desculpes pela tua filha, ela já é crescida o suficiente para ser responsável pelos seus próprios atos. – Khan foi rígido mesmo sendo família, ele não conseguia tolerar as personalidades mimadas e tiranas que algumas mulheres tinham.

Heqet assentiu, mas em nada a sua culpa diminuiu. Quem ficou realmente chocado foi Rouge, quando a viu calada pensara que ela era uma filha submissa e quieta, como era de se esperar, a rudez e desrespeito em nada combinavam com uma garota tão linda.

Aparências enganavam sem piedade, a boca era o espelho do caracter de cada pessoa, eram as palavras e o modo como eram ditas que ditava como seria a pessoa. – Ti-kanis Rai? – Como ninguém ali lhe proibia de falar, perguntou diretamente se Rai estava bem.

Rai surpreendeu-se por o amante do rei perguntar-lhe algo daquele tipo. Remexeu um pouco a sua mão presa, Ramses apenas apertou-a um pouco mais a fim de evitar que ele conseguisse liberta-se dele. – Ne, Efharisto. — Respondeu não contendo um pequeno sorriso ao responder.

O clima amenizava aos poucos, a súbita conversa em palavras estrangeiras entre Rouge e Rai deixando o resto de fora, o interesse dos restantes voltara a ligar-se. – Elinikí glóssa? Que sabedoria soberba. – Elogiara Heqet.

– Eu me pergunto quantas mais línguas se esconde atrás desses lábios carnosos.- Khan perdera a conta de quantos copos de cerveja já tomara, começava a ficar mais quente. O aroma emanado do ruivo estava embriagando-o mais que a bebida, mentalmente imaginava-se tirando o adereço dos cabelos vermelhos e as mechas descaindo pelo rosto.

– Depende do nível da tua alcoolemia, podes ver uma, duas, cinco ou dez línguas. – Ofereceu um sorriso meigo com o toque sublime de sarcasmo. Outras risadas provocadas pela forma como Rouge e Khan interagiam ressoaram no salão.

Ankhesenamom remoía-se e bufava por dentro mas permanecendo quieta. Risadas mais agudas e infantis provinham do lado de fora, de repente Kanope e Nadhirra adentravam no salão pelas arcadas, arrastando as cortinas atrás deles.

Corados pelo sol e pelas brincadeiras, as crianças estavam sem roupas e ficavam mais frescas assim. Era costume as crianças até aos doze anos andarem nuas, mas essa prática não era muito aplicada aos filhos do rei, só exceções como aquela.

Kanope aproveitara que o seu pai estava sentando de costas para se pendurar nele, rodeou os bracinhos no pescoço dele e as pernas no tronco. –! Ab! Ab! Vamos brincar! Vamos pescar! Pescar!

O garoto estava ansioso por fazer essas coisas com o seu pai, e depois apontou para os demais. – Tio, Tio, Tio e Tio também! Pescar! – Não sabendo diferenciar os familiares e nem descriminar apontou para Ramses, Heqet, Tathenen e Rai. Kanope admirava o seu pai e os guerreiros fortes, complexo de criança pequena de cinco anos querer seguir os passos dos heróis que admirava. E aqueles homens mais velhors para ele eram heróis.

Com extrema facilidade Khan pegou nos braços do filho e fê-lo eleva-lo no ar, passando pela sua cabeça e coloca-lo no colo, o garoto gostava da sensação de ser elevado no ar. – Primeiro vamos comer e esperar que o sol seja movido por Khepri, não queremos que o nosso cérebro derreta e saia pelas nossas narinas devido ao calor, certo?

Khan explicava tudo sempre de maneira mais estranha que conseguia, Kanope sempre ria ao ouvir essas coisas dizendo que era impossível. Khepri, o Deus escaravelho estava encarregue de empurrar a barca de Rá, fazendo o sol mexer-se no céu dando início ao nascer e pôr-do-sol.

Se o irmão só tinha olhos para o pai, Nadhirra só tinha os seus vidrados em Rouge, trepando para o colo dele começou a tocar no rosto, notando que estava diferente que o habitual devido ao khol nos olhos, e os cabelos ruivos presos daquele jeito. A menina analisou alheia à existência dos outros, começou a cutucar as bochechas do ruivo com a pontinha dos dedinhos infantis. – Umm! Bonita, bonita.

– Bonita, eu? Shukran, meu amor. – Acariciou o rosto da menina, mesmo com o corpinho nu ela devia sentir calor com a farta cabeleira negra, e a incomoda franja.

Retirou a presilha dourada em forma de pássaro que prendia o seu cabelo, assim que o fez os fios rubros lisos caíram com leveza, mesmo a parte trançada desfazia-se. Prendeu a franja da menina no alto, retirando os fios do rosto.

A cena maternal fora apreciada agradavelmente pelo tio .– Rouge tem filhos? – Fora a vez de o ruivo ficar com cara de quem via um alien. – N-não, não tenho filhos.

– Realmente esse seu jeito maternal, parece demonstrar experiencia com crianças. – Heqet olhou para o sobrinho mais velho em busca da confirmação. – Pode não parecer, mas Rouge é tão homem quanto eu. – Khan piscou um olho e sorriu sedutoramente para o ruivo, que não reagiu, de fato ele achava que o egípcio estava piscando o olho demasiadas vezes para o seu gosto. Teve a leve impressão que o outro ia aprontar alguma.

– Que pena, adoraria ver mais filhos teus, e com a cor singular do cabelo de Rouge iriam ser crianças de causar inveja aos Deuses pela perfeição.

De fato Heqet entristecia-se por ainda não ter nenhum neto, os seus filhos mais velhos relutavam em se casar, teriam que depositar essa esperança nas duas filhas mais nova.

– Impossível de isso acontecer Aamm, nós não temos essa relação que todos pensam que temos, e só de cara em questões biológicas acaba com essa ideia de ter filhos. E eu espero voltar para casa. – Cada palavra fora como uma adaga cravando em Khan, e para rematar o ruivo deixara bem claro que esperava ir embora.

Ficando um pouco ácido e arreliado, Khan inclinou-se um pouco, segurou o rosto delicado suavemente para alcançar o ouvido do ruivo e sussurrou em tom lento e aprazível. – Esta noite vamos fazer amor, de forma tão intensa que o teu corpo não vai ser capaz de se mover, mesmo se abrisse um portal de volta para casa na tua frente tu não conseguirás mover-te.

Rouge ficou com a sua espinha arrepiada, a ameaça sexual provocou uma sensação mista de deleite e temor, tinha que admitir que ouvi-lo dizer essas coisas era excitante e como era. Sem ter muita coragem para olha-lo nos olhos ou responder permaneceu calado, pelo canto do olho o viu a voltar a concentrar-se em Kanope no seu colo.

Depois disso o resto do almoço terminava em harmonia sem mais incidentes desagradáveis. A refeição era terminada quando bebiam o Karkadeh, chá natural e tradicional à base de pétalas secas da flor de hibiscos.

O anfitrião guiou-os para fora do palácio, uma tapeçaria azulão decorado com flores geométricas com dois tons de azul-claro e fio de prata estava esperando por eles, uma mesa de chá estava centrada já pronta com o Karkadeh; suco de framboesa; limonada e água mentolada. De petiscos doces estavam servidos; tâmaras recheadas com amêndoas picadas; biscoitos de canela com passas, queijo de cabra com mel.

Rodeado de várias almofadas em cima do tapete, o sítio do chá encontrava-se protegido pela farfalhuda copa de uma árvore de tronco com aspeto muito seco, contrastando com a secura do tronco as folhas verdes brilhavam saudáveis sob o sol impiedoso. Sendo uma árvore centenária, alguns ramos estavam bastante mais crescidos, pendendo para os lados quase que formando uma espécie de cortina.

Enquanto caminham para o local, Rouge trazia a pequena princesa no colo, relembrando que ela estava nuzinha, e se a natureza aliada com euforia de estar como veio ao mundo podia descuidar-se nos seus braços, como toda a criança de dois anos. – Nadhirra, meyah?

A garota negou com a cabeça, enquanto mexia as mechas do cabelo que caia nos ombros dele. – Não Nadhirra não tem xixi.

E se ela tivesse, estava em plena grama era só coloca-la no chão, a crianças tudo é permitido. Rouge sentiu uma enorme vontade de apertar a garota, e de morde-la, de fato as bundinhas dos bebês eram suaves.

A garota no meio de tantos homens, a sua família era basicamente só pessoas do sexo masculino, a menina apegara-se a alguém que aos seus olhos lhe parecia uma mulher, procurava um colinho macio, umas mãos delicadas que lhe acarinhasse mais suavemente do que as mãos ásperas do seu pai e tio.

Chegados ao tapete, cada um sentou-se relaxadamente, Ramses e Rai pareciam num mundinho só eles, Rá conversava com o servo entre risadas e gestos exagerados com as mãos, dando enfânse ao que estava dizendo. Rai ria e fazia pequenos comentários, parecendo desse jeito como os dois adolescentes que eram.

Ankhesenamom não se juntara a eles, com a dignidade ferida a jovem retirara-se. Khan, Heqet e Tathenen estavam envolvidos em uma conversa sobre vários assuntos, politica, religião e as últimas novidades dos países estrangeiros.

Kanope bebia cada palavra dita pelos três homens, mas como criança irrequieta, logo a conversa o aborreceu, procurando uma nova fonte de entretenimento, logo encontrou isso na pessoa bonita e na sua irmã.

Os dois estavam bebendo o chá à vez pelo mesmo copo, e Nadhirra estava comendo os cubos do queijo e querendo besuntar um biscoito no resto do mel do fundo do prato, se lambuzando toda.

Kanope também queria ser mimado, sentou-se em frente a Rouge sem dizer nada, apenas olhando com olhinhos de carente. O inglês podia ser frio com o pai das crianças mas derretia-se com eles, o garotinho de cabelos negros e franja caída sobre os olhos de ouro, pele morena, magricela e energético iria ser um autêntico Ali Baba quando crescesse, iria roubar muitos corações de jovens, e quem sabe de garotos também.

Pegou no pires dos biscoitos e entregou-lhe junto com uma limonada. O menino recebeu timidamente mas feliz pela atenção. Rouge tinha os pequenos na sua frente se lambuzando com os doces, isso fê-lo ficar com o coração encolhido, um amor fraternal nascido à primeira vista.

Era tão estranho ficar afeiçoado a duas crianças desconhecidas tão depressa. Quando deu por isso Kanope estava ajoelhado dando pulinhos, apertando as mãozinhas no meio das pernas muito aflito. – O que foi Kanope?

– Meyah! Banheiro! Xixi. – O garoto dava pulinhos com mais força. Rouge ficara aflito, o banheiro estava longe então uma emergência podia ser resolvida atrás de um arbusto ou árvores. – Depressa ali, atrás da árvore!

O garotinho obedecendo levantou-se, mas quando estava passando por trás de Rouge não aguentou mais, o alívio deu-se ali mesmo nas costas ruivo. O menino suspirou aliviado, mas todo molhado nas pernas. A agitação tirara os homens das conversas para assistir à cena.

Envergonhado demais para pedir à sua nova Umm para leva-lo a lavar-se, andou até ao seu pai, de cabeça baixa como se tivesse cometido um delito, fazendo biquinho de choro. – Pai, eu fiz xixi...

Khan bagunceou os cabelos do filho com o carinho, levantou-se e foi com o filho. – Vamos lá garoto. – Dando-lhe um chute leve no rabo dele para faze-lo andar na sua frente, o garoto começou a correr e rindo até à fonte do jardim.

.OoO.

Os seus cafunes no cabelo de Nadhirra estavam deixando a menina sonolenta, com a cabeça deitada na sua coxa o soninho apoderava-se dela, devia estar cansada com tanta brincadeira. azia apenas quatro ou cinco horas que haviam chegado, até Rouge estava ficando sonolento, um belo cochilo depois do almoço era bem-vindo. – Eu acho que vou leva-la para deita-la.

– Tathenen irá acompanha-lo. – O dono da casa ofereceu o acompanhamento, deixar um convidado no qual era a sua primeira vez ali sozinho seria rude.

– Obrigado Aamm. – Com cuidado pegou na menina adormecida e aconchegou-a nos seus braços.

A distância de onde eles estavam e o palácio era relativamente curta. Tathenen ordenou para um dos servos que levasse o ruivo para o seu quarto, mas Sahib apareceu, curvou a cabeça para Rouge e para o dono da casa, ficando levemente corada.

Não foi difícil para Rouge ver que a pele de canela da sua acompanhante ficar levemente vermelha, um sorrisinho de quem observa algo interessante brotou nos lábios do ruivo. Ás vezes observar a vida alheia era interessante. Tathenen fez uma leve menção de cabeça e foi embora.

Sem dizer nada que envergonhasse a mulher, intrigado perguntou a idade dela enquanto caminhavam para o quarto. – Sahib qual é a tua idade?

– Eu tenho vinte e três anos, senhor.

– Somente dois anos mais velha que eu, não pensas em casar? Ou algo do gênero… – Sahib ficara pensativa por uns momentos, ter uma família era fundamental, mas conseguira algum dinheiro antes para poder construir família também era importante, criar filhos na pobreza só torná-los-ia infelizes. – Claro que sim, quando eu e a pessoa ideal cruzarmos os nossos caminhos.

– Escolha romântica. – Rouge sorriu, ele sequer pensaria assim, como sendo uma pessoa lógica não conseguia entender muito dos contos de fada. O seu trabalho era baseado em fatos e suposições, ele deveria ser capaz de acreditar no pote de ouro no final do arco iris, ou devia aceitar que estava preso num pedaço de uma das mais importantes épocas da história da humanidade. Mas era cético demais, relutando a acreditar nas coisas.

.OoO.

– Irmão, parece que a sorte não está a teu favor, e ainda é só o primeiro dia. – Ramses implicou com irmão, vendo a frustração estampada no seu rosto.

Quando Khan regressara com Kanope, não vira o ruivo, ele estava esperando um momento para ficar a sós com a sua joia e aproveitar de uma vez por todas aquele corpo.

Acabaram por fazer a vontade do menino e todos os homens foram pescar, usaram duas das barcas de fácil manuseamento pertencentes ao seu tio e navegaram um pouco pelo Nilo, atirando as redes para capturar os peixes.

Khan não respondeu ao seu irmão, o desgraçado era mais afortunado que ele, podia ter Rai perto de si o tempo todo, sem interrupções.

Mudou um pouco a expressão sisuda do rosto, o seu filho era a prioridade ali, não ele, o garoto regozijava-se quando puxava a rede trazendo os peixes agitados para dentro do barco, depois atirava alguns de volta à água.

Metendo-se na conversa por estarem com as barcas próximas, o seu tio foi mais perspicaz. – Será que a vinda de Rouge aqui tem algo a ver com um certo lugar especial?

Khan abriu um sorriso, relevando um brilho denunciador no olhar. – Sim.

– E esperas que tudo dê como deu no passado, que vai ajudar com o que queres fazer? – Heqet acertara.

– Claro, vai tudo ser como foi nesse dia. – Khan estava convicto.

– Nem preciso perguntar em que dia vai ser, presente de aniversário. Mandarei preparar tudo para esse dia. – Heqet sabia desse plano desde que Khan falava vez ou outra, aquela história tocara profundamente no sobrinho.

– Shukran Aamm! – Mais animado com as probabilidades dedicou-se exclusivamente ao filho.

Sentindo a água deslizar pelos dedos Rai sentia-se feliz, como servente no palácio nunca tinha dias livres para o lazer, por isso iria aproveitar pelo menos um pouquinho, o príncipe estava proporcionando-lhe isso.

Contudo sendo precavido e desconfiado, não sabia se Ramses estava fazendo coisas gentis por ele por que queria ou por que tinha intenções ocultas. Rai temia o preço de tal gentileza, se realmente tivesse que compensar o príncipe. Quando o mais velho lhe tocava, ele não desgostava da sensação do seu toque, não era obsceno como costumava fazer com os outros que fodia. Era algo parecido com gentileza?

Tais lembranças faziam o seu estomago revirar-se, pelo canto do olho via o perfil do príncipe, os cabelos ondulados mexiam-se com a brisa, a túnica branca de corte simples assentava bem no corpo magro, mas bem desenvolvido.

Sentindo um olhar cravado em si, Ramses virou o rosto e sorriu para Rai, que virou o rosto pego de surpresa por estar encarando-o. Rai nunca fora de encarar as pessoas, ele não fazia isso, quando começou a observar mais intensamente o príncipe o outro notava sempre.

.OoO.

Os dias foram preenchidos pelos mais variados entretenimentos, jogos de tabuleiros, lutas corporais amigáveis, caça e pesca. Todos os momentos em que Khan podia ficar a sós com Rouge eram determinadamente interrompidos, apenas algumas caricias nem a um beijo decente conseguira arrancar dos lábios cheios.

Depois dos jantares Khan e o grupo ficavam sempre para mais uma bebida e conversa, arrastando-se pela noite ou até madrugada, em todas as vezes Rouge já se encontrava dormindo. A promessa feita no primeiro dia de fazer sexo com ele até não conseguir andar não fora cumprida.

Dormiam na mesma cama mas Khan não tocava desonestamente nele, apenas de leve, devorando as partes do corpo que ficavam a descoberto. A chegada das suas primas mais novas monopolizando Rouge, levando-o com elas e tratando-o como uma boneca, piorou a situação.

Numa manhã, o grupo saiu para as margens do Nilo, a vegetação era o ideal para camuflar animais de grande e pequeno porte. Vegetação composta por jacintos; juncos; papiro e por palmeiras e tamareiras. Caçada fora o passatempo escolhido para a manhã, armados com arcos e flechas, lanças e adagas.

Rouge não estava muito agradado com esse passatempo, não estava muito feliz em ver animais sendo caçados e mortos para divertimento da realeza. Caminhando por entre a vegetação densa com a visão limitada, Rouge acabara perdido, trilhou um caminho até à borda do Nilo. A transpiração deixava os cabelos grudados na testa e pescoço, mesmo com o cabelo trançado ficava colado.

''Pelo menos perdi-me perto do rio...''Era uma sorte ter-se perdido ali, assim podia ir refrescar-se e beber água enquanto esperava que alguém desse pela sua falta.

A lama negra e mole afundava-se nos seus pés, abaixou-se em cócoras e atirou a água fresca para o rosto, o que trouxera vestido não era muito apropriado para proteger do forte sol, uma túnica de linho branco até pouco acima dos joelhos, de mangas em alças grossas, não levara véu ou outro tecido para tapar a cabeça.

Sentia a pele dos seus ombros queimando, apanhar uma insulação não era boa ideia para ele, era bastante doloroso sentir a sua pele ardendo. Peles leitosas não tinham espessura o suficiente para aguentar os raios solares como uma pele morena tinha.

Um barulho de farfalhar das ervas alertara-o para a realidade, ele estava na margem do rio, onde animais selvagens bebiam água, incluindo crocodilos e hipopótamos, e ele ali descuidado colocando as mãos na água e a sua retaguarda desprotegida.

O estalido seco tornara-se mais próximo, Rouge congelou, um arrepio de temor percorreu-o dos pés à cabeça, suava fazendo o seu corpo expelir toda a água através dos suores frios.

Levantou-se rapidamente, um erro grotesco, assim atiçaria mais o animal selvagem com movimentos bruscos, recuava lentamente sentido os seus pés enterrando-se na lama.

Fazendo jus ao seu nome de rio traiçoeiro que era num passo Rouge estava com os pés estáveis no baixio e no outro afundavam, caindo de bunda e ficando coberto por água e lama até pouco acima do peito.

O causador do barulho saíra do meio da vegetação, Nuri aparecia como uma predadora, os olhos amarelos fixos no ruivo que caíra pateticamente na água devido ao susto. Arreganhando os dentes e cheirando o arredor captando os odores. – Nuri, sua gata malvada.

Apesar de Rouge não estar completamente à vontade com a tigresa, ficara feliz por ter sido ela a aparecer em vez que outro animal. Molhado e coberto pela lama preta, Rouge levantou-se, alertado por um segundo barulho de ervas secas, Khan saíra do mesmo caminho que Nuri.

A visão que teve do ruivo naquele momento era de algo mágico saído das águas sagradas do Nilo. Um pouco da aflição que tinha quando ele desaparecera do seu lado evaporara-se.

O seu auto-controlo fora testado mais uma vez, a cor branca nunca fora mais bonita ou ficara tão bem em Rouge, o tecido estava todo ensopado colando ao corpo, a cor rosada dos mamilos eretos estavam visíveis sob o tecido transparente.

Largando o seu arco e flecha no chão, Khan avançava para Rouge. Outro tipo de tremores percorreu o corpo de Rouge, ele sentia os seus mamilos endurecerem-se, a fricção do tecido molhado roçando os mamilos fazia-os endurecer. A aproximação do egípcio transformando-o desse jeito em algo mais perigoso que um animal selvagem, a expressão dourada estava densa e imperturbável.

Sem aviso prévio os braços fortes enlaçaram-se na sua cintura e com violência puxando-o contra o seu corpo maciço. Khan estava no seu limite, subiu as costas com uma mão até chegar à nuca de Rouge e puxa-lo para um beijo desesperado, violando a língua pequena com a sua vigorosamente.

Para faze-lo entender no estado em que se encontrava, roçou o seu membro excitado contra o ventre do ruivo. Khan não passava vinte e quatro horas do dia excitado, mas a privação de sexo que antes era frequente, a constante sedução inocente do ruivo, o seu corpo provocativo, e o não poder satisfazer-se transformara o rei em um desesperado que ficava ereto com qualquer coisa mais sugestiva que Rouge fizesse.

Parou o beijo quando Rouge se debatia contra ele precisando de oxigênio. – Vou possuir-te aqui e agora Rouge. – A ronquidão de Khan surtiu um efeito de catalisador, o corpo pálido arrepiou-se ao sentir o pênis endurecido contra a sua pele.

Buscou apoio rodeando os seus braços no pescoço do mais velho. As mãos entusiastas desesperam-se tocando nas nádegas molhadas, cobriu as nádegas redondinhas e apertou-as, preparando-se para roubar outro beijo avassalador e possuir Rouge bem ali na beira do rio. Vozes cortaram o silêncio que os rodeava.

Havia pessoas que ficavam extremamente excitadas com o pensamento de poderem ser apanhadas fazendo sexo, mas para Rouge isso surtiu o efeito contrário, o que tirava a sua excitação era precisamente o poder aparecer alguém, ele não conseguia relaxar.

Empurrou Khan que recusava-se a descolar as bocas, até que o inglês não teve outro remêdio senão beliscar o membro do rei com alguma força e força-lo a solta-lo. – Ai!

– Eu não consigo fazer isso com pessoas por perto, desculpa. – Olhando confuso para Rouge e a sua atitude agressiva. – Pessoas? Que pessoas? Quê?

Claramente esquecera-se que a sua família ainda andava por ali, fechou os olhos e deixou cair o seu rosto no ombro do ruivo, não contendo um longo suspiro de frustração. Ficando com pena dele, a pressão dura contra a sua barriga não diminuíra, devia ser muito doloroso ter uma ereção tão potente e não alivia-la.

– Eu posso ajudar-te com isso. – Tirando a ideia de nem sabia de onde ou a coragem para tal coisa, Rouge nem se reconhecia, queria chupa-lo. Para dar enfâse às palavras caso Khan não soubesse o que ele queria dizer, tocou mais delicadamente no volume alto que tinha no meio das pernas, e que o tecido de linho parecia não segurar mais.

Eles dormiam até na mesma cama, e mesmo assim andavam desencontrados, Rouge ia para o quarto sempre mais cedo que Khan. O rei de manhã levantava-se mais cedo que ele, ou quando ainda dormiam as crianças entravam no quarto como mini tempestades de energia impossibilitando algo mais intimo.

Tais palavras despertaram Khan da frustração, pegou na mão de Rouge e puxou-o para fora de água, ali perto uma palmeira erguia-se rodeada por vegetação alta. Khan sentou-se e escorou-se no tronco da palmeira, desenrolando as faixas do saiote libertando o membro necessitado. – Não posso recusar essa oferta.

Engolindo em seco, Rouge observava estático a rapidez do outro, os seus olhos desceram para o pênis de Khan, era a primeira vez que o via assim de frente e à luz do dia. O primeiro impacto, fora pensar que era bem grande e grosso, podia até comparar com o tronco em que ele estava encostado.

''Santo deus, isso esteve dentro de mim?'' Segundo ele era circuncidado, terceiro a coloração era um pouco mais escura que o seu tom da sua pele acastanhada, era bem bonito e viril.

Parando de analisar o membro ereto, e não voltando atrás do que dissera, Rouge ajoelhou-se, inclinou-se até ficar a milímetros do pênis, fechou uma mão no comprimento levantando-o em direção à boca.

Sem saber muito bem como se fazia sexo oral, lambeu a pontinha da glande fazendo movimentos circulares, tentou enfiar o que conseguiu na boca desajeitadamente, engasgando-se de imediato. Retirou a sua boca pronto a desistir quando ousou olhar para o dono daquele potente pênis.

Khan respirava pela boca, só ter a língua tocando na ponta fê-lo estar a ponto de estourar. Desistiu de desistir e voltou a abocanha-lo, dessa vez com mais cuidado, envolvendo o pênis com a sua língua e lábios, os movimentos de sobe e desce ficaram mais intensos. Para adicionar um pouco mais de prazer a sua mão massageava o membro no ritmo em que chupava.

Rouge não estava enojado como pensaria que ficaria, o sabor não era ruim e a carne daquela região era macia, o pênis de Khan respondia ao tocamento com espasmos. Lambendo o pré-sêmen como se fosse calda derretida de um sorvete, Rouge definitivamente não detestava isso. Sem querer roçou os dentes fazendo Khan gemer, e entrelaçar os dedos no seu cabelo e pressiona-lo a enterrar a sua boca mais fundo.

Não se segurando mais e quase com pena por terminar com a delícia que era ter a boquinha de Rouge chupando-o, o seu orgasmo chegou, sentiu que uma grande quantidade de esperma foi expelida para a boca da sua joia.

Despreparado para receber o sêmen dentro da sua boca daquele jeito, tossiu e cuspiu o líquido viscoso e quente para o chão, limpando a boca com as costas da mão. Não conseguindo limpar bem a textura gosmenta escorrendo pelo queixo, nunca na vida ele iria conseguir engolir sêmen logo na primeira vez em que fez oral.

Um grande suspiro de alívio escapuliu-se da boca de Khan, fazia tempos que ele que não tinha um orgasmo. Amarrou de novo as faixas de tecido na sua cintura, e segurou as mãos de Rouge entre as suas.

– Eu tinha a certeza que essa linda boca escondia uma língua voluptuosa. – Khan não se importou em beijar Rouge fogosamente mesmo com o sabor do seu esperma na boca dele.

Jamais iria forçar o ruivo a algo que ele não quisesse, se fosse com outro havia muito tempo que já teria-o fodido, e descartado por desinteresse.

.OoO.

Mais uma noite cobria o céu, outro jantar animado com o excelente convívio dos presentes transformava cada momento em um deleito, que só família podia proporcionar. Rouge era monopolizado por Rabiyah e Shameelah, as duas filhas mais novas de Heqet, com catorze e quinze anos as garotas eram muito atiçadas.

Cada uma delas sentara-se ao lado do ruivo, a fascinação do primeiro dia em que Rouge as conheceu ainda dava-lhe vontade de rir. ‘’Isso é uma pessoa real?’’, ‘’Será que posso tocar-lhe não se vai quebrar se tocar?’’

A atenção delas depressa voltara-se para Rai, que não ficara muito confortável por tê-las tocando no seu cabelo e rosto. Dizendo que ele era tão lindo que não sabiam se haveriam ter inveja da beleza dele ou se queriam que ele fosse delas. Ramses teve que enxotar as suas primas descaradas.

Só Ankhesenamom em nada mudara, os olhares cheios de desprezo continuavam ali, apenas não expressava o seu veneno como no primeiro dia. Não conseguia monopolizar Khan uma vez sequer remetendo-se a ficar na inveja e raiva do ser vermelho.

Vendo a sua Umm sendo ‘’roubada’’ Nadhirra tomou o controle, desistira de brincar para se sentar no colo de Rouge como se ali fosse o seu trono particular, e exigindo que ele lhe desse a sua comida à boca. Sendo manipulado pela bebé sem se aperceber, Rouge fazia o que a pequena queria e ainda achando ela extremamente fofa.

Ankhesenamom ruia-se de ciúmes pela filha do primo ver uma mãe substituta naquela pessoa, ela odiava crianças mas faria um esforço com aquelas crianças, que a repeliam todas as vezes que ela tentava aproximar-se deles.

Mais leve e com o humor mais animoso, o rei discutiam os detalhes do banquete do seu aniversário com o tio, no dia seguinte os convites para os restantes familiares iriam ser entregues pelos servos, dali a dois dias esperava que não só o seu número de anos de vida aumentasse mas que a sua vida mudasse.

Depois de cansar-se de ficar sentada sem fazer nada e completamente cheia, a pequena princesa resolvera que queria ir brincar, andou no colo das suas primas que fizeram as delícias da menina com as suas brincadeiras infantis.

Aproveitando que Nadhirra tinha saído pensou que seria hora de ir para o quarto, a sua cabeça estava-lhe matando, devido ao excesso de sol apanhado naquela manhã e ao seu leve escaldão só lhe apetecia ir dormir. – Peço perdão mas eu iriei retirar-me agora. – Desculpou-se e meio que evitou olhar para Khan durante todo o jantar.

Impossível olha-lo nos olhos e não lembrar de ter andado com a boca no seu monstro. – Está sentindo-se mal? Quer que chame o médico? – Heqet olhou-o com preocupação pois a pele dele estava vermelha e irritada desde que voltaram da caçada.

– La’a, Shukran! Não precisa, amanhã estarei melhor. – Sahib já se encontrava ao seu lado para o acompanhar ao seu quarto.

Rouge curvou a cabeça em vénia e despediu-se. – Tesbah ala kheir.

Na intenção de ir com ele, Khan levantava-se também mas fora segurado por Ankhesenamom, segurando no seu braço fora impedido de seguir Rouge, a garota ronronava e colara-se a ele. – Fica aqui primo, nós não conversamos decentemente ainda.

Não querendo ser rude com ela para não faltar respeito para com o seu tio, Khan deixara-se ficar por ali em vez de dizer para ela o largar. Nunca gostara dos olhares que a sua prima lhe dava, não apreciava de forma alguma o jeito como Ankhesenamom o desejava.

Khan sempre se apercebera disso, só um cego não poderia ver os movimentos exuberantes e lascivos que ela dirigia para ele. Mantinha a distância e não lhe dava qualquer esperança.

O alívio que Rouge sentia ao passar a pomada pela pele escaldada era incomparável. Antes de partirem Saludja dera-lhe um boião com uma pomada de cor verde claro, dizendo que fizera essa pomada para ele.

Prevendo que a sua pele jamais poderia ser exposta tanto tempo ao sol abrasador, não era um protetor solar mas um regenerador para aliviar o queimado. O ocupado sacerdote encontrara tempo para lhe fazer algo assim, aquele homem multifuncional era sensacional.

O aroma da pomada era agradável, Rouge conseguiu identificar o perfume de aloé vera, camomila e flor de laranjeira. Entregou o pote para Sahib guarda-lo e depois poderia ir embora.

No momento em que afastara o lençol de seda para enfiar-se na confortável cama, paralisou. – Mas o que… — A capacidade de verbalização era nula com o tamanho da surpresa.

Sahib aprontava-se para sair do quarto quando se apercebeu que o seu amo estava olhando para a cama sem se mexer, aproximou-se e não conteve o grito.

Rouge largou o lençol, e fora puxado para trás por Sahib. No momento do grito Khan entrava no quarto, franzindo a testa ao ver os dois estranhamente olhando para a cama.

Aproximou-se, no momento que apercebera-se do que era pegou em Rouge ao colo. – Medjays! – Gritou para os guerreiros sombra, estrategicamente bem colocados em sítios que davam uma boa resposta de ataque e defesa ao rei. Os cinco guerreiros não demoraram a entrar no quarto.

– Tirem isso e queimem tudo! – Ordenou o soberano.

Rápidos os homens enrolaram o lençol cheio de escorpiões negros atiçando os espigões gotejando veneno, cerca cinco dezenas de escorpiões estavam em baixo de uma marca de mão negra impressa no lençol.

Khan apertava Rouge em seus braços, a sua reação fora rápida e precisa, preferia ser ele o picado pelos escorpiões em vez de Rouge. Saíram do quarto, não iriam dormir ali.

– Como é que foram parar ali? Devia haver pelo menos três colônias de escorpiões. – Não entendia como é que tantos escorpiões foram parar na sua cama.

– Foi alguém com um senso de humor distorcido. – Khan fora para uma das salas de lazer, decorada com tapeçarias, pufes, almofadas, plantas tropicais e outros objetos e mobiliário de luxo. Rouge fora depositado na cama de almofadas perto das arcadas da janelas, a brisa fraca fazia as cortinas de véu balançarem, a falta de luz do interior do comodo era agradável, apenas a luz dos archotes do exterior serviam para iluminar junto com a lua.

O moreno sentara-se no degrau que ligava o interior para o exterior.

Nessa posição o ruivo não conseguia vê-lo só ouvi-lo. – Khan? – Sentira uma necessidade de ouvi-lo, a sua voz chamou-o quase num tom de suspiro.

– Dorme. – Khan acariciou os cabelos fazendo movimentos meigos, nesse embalar de caricias fez o ruivo adormecer, seria sempre assim que ele queria que Rouge dormisse, pacificamente sem nada a atormenta-lo. Perdido em pensamentos não enxergara que o seu tio estava ali ao seu lado.

– Essa expressão é de alguém que vai enfrentar e aniquilar quem quer que ameace o seu bem mais precioso. – Heqet observava o jovem que roubara o coração do seu sobrinho.

Suspirando sentou-se perto de Khan. Esse em nada mudou a sua expressão grave, os seus olhos rolaram para a figura adormecida, ele era tão indefeso e frágil que isso duplicava quando ele dormia.

Algo violento apertava dentro do seu peito, fazia-o ficar enraivecido. – Eu não vou desistir de Rouge nem nesta vida nem na próxima reencarnação.

– Eu sei que não. – Os poucos dias deram para observa-los, ambos pareciam ser como uma abelha e uma flor, um precisa do outro para sobreviver, por mais ferroadas que a abelha deia na flor, ambos os seres vivos se completam.

– Eu vou mata-lo. – Khan continuava falando como se estivesse sozinho em vez com seu tio, os olhos de ouro encontravam-se fixos em Rouge. ''Jafir eu vou matar-te.''

– Eu sei que vais, Khan. – Colocou a mão no ombro do sobrinho confortando-o. Mecanicamente Khan abriu a gaveta da pequena mesinha de apoio, que estava ao seu lado e tirou um pedaço de pergaminho, pincel de escrita e tinta.

– Medjay! Envia isso para o palácio. – Khan esticou a sua mão para trás com o pedaço do pergaminho entre os dedos, sem olhar para o homem. Um falcão chegaria a Saludja pelo raiar do sol.

Notas finais
Quem quiser ver o vestido do Rouge, amo o travestismo dele, antes só usava roupinha discreta agora tá DIVA! Mais gay é impossível :3http://tinypic.com/r/2vjptua/5Ficando bem claro, Ankhesenamom é uma praga sim! Entreguei logo ela de cara. Lembrem-se bem dela, vai ser mais usada no futuro, comparado a ela Jafir é um gato de colo rsrsrs Próximo caps tem Saludja e Arkon hehe ♥Gostaram? ♥ Todas as palavras árabes e gregas são transliterações, ou seja são as palavras escritas com o nosso alfabeto.Nisu - ReiIsmak eh como se chama?Ismi Chamo-me Aamm Tio Akht IrmãTi-kanis Está tudo bem? - GregoNe, Efharisto Sim, obrigado - GregoElinikí glóssa - Língua gregaMeyah banheiro Laa Shukran Não obrigadoTesbah ala kheir Boa noiteRelembrando que há uma razão pra eles não estarem sempre se pegando, além que corta a atenção da história, ninguém fica 50h excitado sempre dando qq E tem um motivo pra eu meter tantas interrupções entre eles, alguém se arrisca a opinar? :3 Já houve sexo uma vez... Salam! ♥