O último segundo
1 Capítulo único
Notas iniciais
"Nem sempre falamos o que realmente queríamos falar. Tem horas que simplesmente as palavras saem da minha boca sem eu se quer perceber. Em momentos de estresse, raiva e muita alegria, acabamos fazendo, falando de mais. Isso é um erro, pois essas palavras que saem "sem querer", podem magoar, machucar e iludir. Portanto, cuidado com que fala."
–Você ainda ama o Robert? -perguntou como se já soubesse a resposta.
–Não me faça mentir para você. -respondi abaixando a cabeça.
–Então por que continua comigo?-perguntou olhando para os meus olhos fixamente.
–Porque você gosta de mim de verdade. Eu sei que deve ser difícil para você saber que ainda não superei o Robert, mas eu prometo que vou me esforçar bastante para esquecê-lo! Eu juro!
–Não precisa fazer isso se não quiser. -deu uma pausa- Quer dizer, eu não quero que você sofra mais, por isso quero que fique comigo, mas isso não significa que tenho que ficar com alguém que não me ama. -enquanto falava uma lágrima desciam do no seu rosto.
–Não ! Nada disso! Eu gosto de você, mesmo. Só preciso de tempo para transformar esse carinho em amor. -falei, abraçando-o.
Eu não queria magoar o John, não mesmo! Ele era uma ótima pessoa, além de sempre estar ao meu lado. Na festa de aniversário da Talia, uma amiga minha,Robert estava acompanhado da Malia enquanto eu, estava com o John, só observando os dois, até que eles se beijaram. Assim que vi a cena, saí imediatamente daquele local. O John obviamente, veio atrás de mim. Aquela noite não foi legal. Eu com certeza magoei o John e ainda por cima percebi que não consegui esquecer o Robert. Já não sei o que fazer. Eu vivo me magoando e magoando as pessoas.
...
Um dia depois do acontecimento embaraçoso, chamei a Helena para a minha casa, afim de falar sobre a noite anterior.
–Katherinne, você precisa se acostumar com o fato do Robert não prestar! Olha o John caindo aos seus pés e você não sabe aproveitar, 99% da escola, quer ele!-disse a gorara loira de olhos escuros com uma expressão a qual demonstrava que queria me convencer.
–Eu não tou nem aí para quem quer o John, todas se interessam apenas pela beleza dele mesmo. Mas isso não é o caso, eu sei que o Robert não presta, mas o que eu posso fazer? -perguntei.
–Eu não sei. -falou Helena com um tom de voz bem abaixo do normal, como se tivesse desistido.
–O que você tem? -perguntei tentando ser compreensiva, e dando-lhe confiança.
–Bem, Katherinne, eu evitei falar isso para você durante muito tempo, mas não dá mais. Eu amo o John! -falou com se tivesse descarregado uma tonelada das suas costas.
–Como assim? Por que você nunca me disse? Se eu soubesse eu não tinha ficado com ele. -falei meio confusa.
–Óbvio que não ia falar nada! Ele te ama, além disso, não queria estragar com sua felicidade. Nossa, já que estou falando isso vou falar logo tudo! -fez uma pausa, puxou fôlego e continuou- Olha, foi muito difícil ver vocês dois juntos e não poder falar nada.Nossa como doeu. O pior foi ter que disfarçar!-fez uma pequena pausa, de aproximadamente 5 segundos — Eu sei que você não tem culpa. -falava enquanto várias lágrimas escorriam sob seu rosto.
–Lena, eu não sabia, desculpe! Eu vou falar com ele...-falava na tentativa de deixá-la aliviada, mas não deu muito certo.
–Não Katherinne! Não faça isso. -gritou.
–Então o que quer eu faça ?- perguntei tentando acalma-la.
–Nada, por favor, nada! -disse enquanto levantou-se para sair do quarto.
–Lena, para onde você vai? -gritei.
–Eu não sei, mas preciso ficar sozinha. -disse saindo do quarto e da minha casa.
Consequentemente eu fui atrás, mas quando cheguei na porta da entrada da minha casa, ela já estava longe.
–O que houve? -perguntou a minha mãe olhando para a porta.
–Nada. -falei dando uma ultima olhada e logo em seguida fechei a porta e voltei para o meu quarto.
Nossa, como eu ia adivinhar que a Helena gostava do John? Me sinto tão culpada! Imagino como ela deve ter se sentido. Muito mal. Nossa,coitada. Vendo a sua amiga com o garoto que você gosta e não poder falar nada, ter que disfarçar. Será que devo continuar com o John? Ai meu Deus, o que vou fazer, é muita informação para pouco tempo.
Preciso esfriar a cabeça! Sair essa noite! É! Eu preciso sair, sozinha, para um lugar diferente, preciso me divertir! Talvez até encontre alguém que conheço lá,mas tanto faz, vou com a intenção de conhecer novas pessoas!
...
Com que roupa vou? Preciso ir com alguma que seja a minha cara e que ao a pessoa me olhar, logo saber o meu estilo. Tá. Eu precisa de uma blusa com estrelas. Um short rasgado? Sim sim! Que tal um salto preto alto? Essa noite eu quero me sentir bem, e esquecer pelo menos por hoje, que o Robert existe e que a Helena é apaixonada pelo John. Posso está sendo egoísta, mas só por uma noite, não vai fazer mal.
Agora sim, estou pronta para ir a uma balada, a primeira que aparecer na minha frente. Fui em direção à porta, até que minha mãe falou:
–Só por essa noite.-jogou a chave do carro em direção a minha mão.- não faça eu me arrepender mocinha, use camisinha.
–Obrigada mãe. Mãe, acha que tenho quantos anos? Eu sou virgem! -falei rindo.
– Acho que tem 16, me corrija se estiver errada. -ironizou- Espero mesmo! -disse enquanto acenava.
–Tchau pai. -gritei.
–Tchau filha, se cuida. -respondeu meu pai,do banheiro,onde estava se barbeando.
Então vamos lá. Pisei no acelerador sem rumo, até que apareceu uma boate na pista. Me perguntei se era bom entrar logo de cara, mas não importa, hoje não quero me preocupar com nada! Nada!
Então saí do carro, e entrei na festa. Ela parecia meio cheia, com muitas pessoas aparentemente alegres. Todos dançavam e pulavam.
Fui ao bar pegar um drink e depois fui para a pista de dança. Nossa, como eu dançava! Parecia uma retardada. Mas não tinha problema, todos pareciam.
Algumas pessoas se aproximaram de mim, mas as mulheres eu já dava um chega para lá. Eu apenas ficava dançando feito uma retardada e interagia com as pessoas. Até que um garoto passou por mim e olhou nos meus olhos. Ele estava em direção a porta de saída. Eu acabei seguindo-o, mas quando cheguei lá fora não via nada além de mar e areia ,já que a casa de show ficava em frente a uma praia, que por sinal era muito bonita. Eu atravessei a rua e fui parar na praia, lá me sentei na areia, depois de dançar muito, precisava de um ar fresco. Após tomar um ar, resolvi que voltaria para casa. Me levantei, em direção a casa de show mas acabei esbarrando com o garoto do olhar marcante, que me segurou, já que ao me assustar, quase caí.
–Desculpe. -disse enquanto segurava-me pela cintura.
Na verdade, naquela segundo eu fiquei paralisada, apenas olhando nos olhos dele e me perguntando como alguém poderia ter um olhar tão perfeito. Parecia que eu via estrelas naquele olho azul claro.
–Tudo bem. -falei enquanto voltava a ficar em pé.
–O que faz uma garota sozinha a essa hora noite na praia? -perguntou com um tom irônico, soltando um sorriso torto, que aparentemente não foi proposital.
–Eu estava na boate, mas já vou para casa. Você é o garoto que olhou para mim e saiu? -perguntei mesmo sabendo a resposta.
–Acho que sim. E você me seguiu? -perguntou com um sorriso abusivamente perfeito!!!
–Não, não. Eu apenas vim tomar um ar.-respondi de uma forma que dava para saber que estava mentindo, sendo assim, nós dois rimos.
–Tá, mas o que você veio fazer aqui fora ?-perguntei, curiosa.
–Bem, eu ia embora.
–Por que não vai mais? -perguntei.
–Não quer voltar e passar mais um tempo na areia? -perguntou .
–Considerando o fato de você ser um estranho eu não deveria ir, mas vou abrir uma pequena e limitada exceção .-falei rindo.
–Obrigado por essa exceção pequena e limitada.-respondeu rindo e pegando na minha mão, puxando-a em direção de volta a praia.
Nós caminhamos em direção à praia meio sem jeito, até que sentamos na areia.
–Qual o seu nome? -perguntei olhando para ele.
–Meu nome é Robert Mcall. -disse e logo depois soltou um sorriso.- E o seu ?
Minha nossa senhora das estrelas! O nome dele é Robert ! Calma, calma, calma.
–Hum-disse ainda meio confusa-Meu nome é Katherinne, Katherinne Stiven!
–Ah, algum problema? -ele perguntou olhando para os meus olhos, fixamente, tanto é que fiquei meio envergonhada.
–Não, nenhum. -respondi, tentando transmitir um pouco de confiança.
Por um bom tempo o silêncio dominou aquele lugar, apenas se escutava as ondas do mar e a brisa bater nos nossos corpos levemente.Até que ele olhou para mim, e eu tentei deixar o meu foco no mar.
–O que foi? -perguntei como se tivesse algo errado comigo.
–Na...-antes que ele acabasse de responder uma onda nos atingiu em cheio e nos molhou.
A nossa reação foi rir, rapidamente eu me levantei.
–Mas que merda. -falei olhando para a minha roupa ensopada.
–Acho que nos molhamos um pouco, mas só um pouquinho. -falou rindo.
Depois disso, eu falei que tinha que voltar para casa e ele me acompanhou até o carro. Por sinal, foi bastante amigável .
–Tchauzinho. -falei.
–Espera.-falou enquanto escrevia o número dele como dedo no vidro de trás do carro- agora sim, tchau!
Eu ri e simplesmente pisei no acelerador e voltei para casa. Mal deu tempo que pensasse em algo, estava morta de sono, me joguei na cama e fui dormir.
...
Nossa, que noite foi aquela? E que garoto era aquele? Fiquei pensando por horas nele. Não entendi ao certo o por quê de ter conversado com ele. Normalmente não converso com estranhos.
Os olhos dele tinham um brilho fora do normal. Ah não, isso me trás recordações! O nome dele é Robert! Nossa! Por que?
Tanto faz, eu quero que o outro Robert se foda. Ai meus Deus! E a Helena?Nossa, nem me fale, ela gosta do John! Agora não sei o que fazer! Eu conto para o John ou não ? Ela pediu que não. Eu ainda preciso conversar com ela direito, esclarecer toda essa história que se quer eu entendi direito.
...
Preciso falar com a Helena,vou agora mesmo na casa dela!
Assim que entrei no carro, ainda estava lá o número do Mcall. Eu dei uma risadinha meio sem jeito e mandei uma SMS para ele "Olá Mcall, o seu número ainda está no vidro traseiro." Vamos considerar que eu não sabia o que escrever, então foi isso mesmo.
Assim que cheguei na casa da Helena, bati na porta e quem abriu foi a mãe dela.
–Oi senhora Will. A Helena está?-perguntei.
–Não, você não sabia? Ela viajou com os tios dela ontem de noite. Vai passar uma temporada em Paris. Eu vou mandar os documentos da escola próxima semana. Pensei que ela tivesse comunicado para todos os amigos dela.
Como assim? Em tão pouco tempo a Helena já tinha saído do país??? Será que a culpa foi minha?
Nossa, nem acredito que isso está acontecendo. Depois de me despedir da senhora Will, voltei para casa.
Assim que cheguei o meu celular tocou.
–Alô? -falei.
Ninguém respondeu, então eu insisti.
–Alô? Quem fala?
Novamente ninguém respondeu. Então eu desliguei. Que estranho. Mais uma vez o celular tocou, mas o número era diferente.
–Oi?
–Katherinne Stiven. Lembra de mim?
–Claro, você é o garoto que ontem a noite escreveu o número do seu celular no vidro traseiro do meu carro. -falei com um tom engraçado.
–Sou eu mesmo. Iai? Com está? -perguntou.
–Estou muito bem. E você ?
–Também! Bem, eu não sou muito bom em chamar garotas para sair, então vou logo ao ponto, com palavras curtas antes que estrague. Você gostaria de sair comigo por livre espontânea vontade? -enquanto falava percebi que sua voz estava meio risonha.
–Não sou acostumada a um garoto que conheci há um dia,me chamar para sair. -comentei, querendo dar uma de difícil.
–Ah, tudo bem. -respondeu com a voz um pouco estremecida.
–Mas eu não me importo. Preciso sair da minha rotina. Sim, com certeza, eu gostaria de sair com você. -respondi.
–Ótimo! Pode ser amanhã de noite? Vamos para um barzinho? Ou você prefere um cinema? Tá, eu admito que não sou bom em escolher lugares. Pode escolher. -comentou empolgado, sendo que no final, deu uma leve risada.
–Tudo bem. Vamos ao cinema? Gostaria muito de assistir um filme que está passando, parece que o nome é "Os infiltrados". -sugeri.
Então ele concordou e na noite do combinado nós saímos! Ele foi muito gentil e educado. Também soube lhe dar com os fatos, não me beijou no nosso primeiro "encontro". Tá, eu considero um encontro, por que... porque sim!
Depois de mais de 2 semanas nos comunicando das mais diversas formas possíveis, finalmente ele me deu o primeiro beijo em uma sorveteria. Estávamos lá, tomando nosso sorvete, como pessoas normais tomam...mentira, toda vez que tomo sorvete me sujo! Sinceramente pareço uma criança tomando sorvete! E o pior, sempre escolho de chocolate, e as vezes que cai um pouco na roupa parece cocô. Tá, mas enfim, ele escolheu sorvete de baunilha. Nossa, falei como se isso fizesse alguma diferença. Continuando, eu me sujei um pouco, com o habitual, ele foi me limpar e... Hahahahahahahahahaha. Não entendi o motivo que soltei essa risada maléfica.
...
Acordo de manhã com o meu celular tocando, era o Mcall.
–Bom dia minha flor. -falou Mcall carinhosamente.
–Bom dia cravo. -falei com uma voz rouca.
–Você ainda estava dormindo? Desculpe por te acordar. -deu uma pausa enquanto deu uma curta risada-Como você está ?
–Estou b..-antes que acabesse a frase escutei um forte barulho e o grito da minha mãe. Rapidamente desliguei o celular e saí do meu quarto. Mas uma vez escutei um barulho, como se fosse de um tiro. Fiquei muito assustada e evitei máximo fazer qualquer tipo de movimento que provocasse algum som alto. Até que cheguei no quarto da minha mãe e a cama estava cheia de sangue, isso mesmo, só a cama, não havia ninguém lá. Dei um passo para trás como quem recua a algo perigoso. A porta se fechou. Dei um grito extremamente alto.
–Hora, hora. Então você é a filha da Mrs.Stiven.-falou um homem com uma arma na mão apontada para o chão.
–Cade a minha mãe ? De onde você a conhece? -perguntei, com um tom visível de medo.
–Está com medo garotinha? Não precisa ter medo. -falou encostando a mão no meu cabelo.
–Tira a mão do meu cabelo agora. -falei puxando ar- Eu estou avisando, tire a mão do meu cabelo! — ele apenas sorriu o continuou -eu disse para tirar!-gritei.
–Ah é? Se eu não tirar você vai fazer o quê? -perguntou, sadicamente.
Enquanto ele permanecia com a mão no meu cabelo, eu recuei para trás. Ele veio junto, me desafiando. Eu já estava irritada, e com medo. Mas o que eu poderia fazer, ele tinha uma arma.
–Mocinha, não brinque comigo. -falou com uma risada maléfica.
–Onde está a minha mãe e o meu pai? -perguntei quase que chorando, mas tentando manter a voz segura.
Assim que acabei a pergunta ele me puxou pela mão e levou-me ao banheiro. Lá estava o meu pai, com uma bala no pé, calado, como se não pudesse fazer nada.
–Pai, o que aconteceu aqui? Quem é ele? -corri para perto dele com várias lágrimas caindo sob o meu rosto.
–Filha, se acalme. Eu vou ficar bem. -disse enquanto forçava a respiração, como se faltasse ar.
–O que você fez seu filho de uma puta?-me levantei em direção ao homem da arma e gritei.
–Eu fiz o que deveria fazer!-respondeu, mais uma vez com um tom sádico, com o nariz empinado.
–Mas por que ?Qual o seu problema? -perguntei lhe empurrando .
Ele não respondeu nada. Ficou calado enquanto eu chorava. Parecia que não sentia pena, que não tinha sentimentos.
Cap.2Meu Deus, qual era o problema daquele cara? Qual? Qual? Eu estava chorando muito, apenas vendo o meu pai gemendo de dor.
–A minha mãe? Onde está? -perguntei com lágrimas no meu rosto.
–Morta. -respondeu com uma risada -Brincadeira, se ela for forte vai sobreviver.
O jeito que ele falou aquilo, aparentava que estava brincando com os meus sentimentos. Eu não pude segurar a minha raiva e pulei em cima dele. Ele facilmente me puxou pelo braço e me empurrou fortemente contra a parede.
–Você vai se arrepender por ter feito isso. -falei limpando o sangue da minha testa.
–Não, acho que não. -disse enquanto saia do banheiro.
–Eu vou chamar a polícia! -gritei, desafiando-o.
–Tenho certeza que não. -ele gritou de onde estava.
O que era aquilo tudo? Por que ele tinha feito isso? Assim que ouvi o carro dele sair de frente a minha residência, falei.
–Papai, o que está acontecendo?
–Filha, leve a sua mãe para o hospital, ela está no armário.
Rapidamente eu corri para o armário, e levei os meus pais para o hospital.
Na sala de espera a única coisa que fazia era rezar. Liguei para a minha tia para vê se ficava comigo naquele instante, mas o telefone só chamou. Então fiquei lá, sozinha e desesperada.
Até encontrar o Mcall lá. Ele tinha ido colocar um curativo no seu machucado, que por sinal era recente. Eu o chamei, e ele virou, como se estivesse surpreso em me encontrar naquele local. Então conversei com ele e expliquei tudo o que havia acontecido.
–Nossa, mas por que ele fez isso?
–Eu não sei. -falei ainda assustada.
–Só um minuto. -falou enquanto o celular dele tocava.
Assim que ele pegou o celular para atender, estava escrito Peter e a foto do homem sádico estava no aparelho telefônico. Na mesma hora eu me assustei e saí de perto do Mcall.
–O homem. — sussurrei enquanto respirava rapidamente.
Ai meu Deus. O Mcall conhecia o homem que tentou matar a minha mãe !Simplesmente eu fiquei paralisada. Será que ele sabia disso tudo?
–O que foi Katherinne? Você está bem? -perguntou desligando o celular e vindo em minha direção.
–Não chegue perto de mim. -sussurrei, sem esconder o meu nervosismo.
–Por que? -perguntou sem entender o que estava havendo.
–Aquele -puxei ar- que você estava falando, é o que seu?
–Meu padrasto.
–Pode me mostrar a foto dele? -perguntei ainda nervosa.
–Sim, mas para quê? Não consigo entender.
Assim que ele me mostrou novamente eu só confirmei a minha dúvida.
–O homem! -sussurrei e uma lágrima caiu.
–Qual homem? Me explique por favor.
–Não me diga que você não sabe. Claro você só se aproximou de mim por causa do seu padrasto, se é que consegue chamar esse psicopata de padrasto. -falei um pouco desesperada, como se juntasse os fatos.
–Não consigo te compreender Katherinne! Eu não entendo o que você está tentando afirmar! -falou tentando entender.
Eu não sabia se deveria falar isso para ele, aparentemente, ele não sabia de nada, mas poderia estar facilmente mentindo. Eu não sei se podia confiar no Mcall. O que eu faço? Preciso me acalmar. Tudo bem. Eu vou falar, não sei se devo, mas preciso.
–O seu padrasto-puxei ar e tomei coragem- é o homem que tentou matar a minha mãe.
–Como assim? Você tem certeza disso?-perguntou assustado, como se não fosse difícil acreditar nessa hipótese.
–Sim, como poderia esquecer a cara do cara que tentou matar a minha mãe e o meu pai? -expliquei tentando manter um nível de voz que apenas ele escutasse.
O Mcall ficou paralisado, sem saber o que falar. Apenas me abraçou.
–Por que ele faria isso? -perguntou enquanto passava a mão no meu cabelo.
–Não! -gritei, recuando.
Ele olhou para mim como alguém que não entendeu.
–Ele-falei nervosa- ficou pegando no meu cabelo, do mesmo jeito que você pegou agora.-falei olhando para o chão, enquanto lágrimas caiam.
–Calma Katherinne. -falou me abraçando carinhosamente.-Aquele desgraçado!
Ele me passou uma confiança muito grande.
–Você não pode falar para o seu padrasto que me conhece! -falei baixinho, enquanto ainda o abraçava.
–Tudo bem. Não se preocupe. Eu nunca tive uma relação muito boa com esse idiota. Ele é louco. Está vendo esse machucado aqui? Foi ele! O mesmo estava discutindo com a minha mãe, e tentou batê-la, mas segurei a mão dele e ele me empurrou. -falou como houvesse um raiva imensa em seu peito ao falar do homem sádico.
–Eu não entendo. Simplesmente não entendo. Eu falei que iria chamar a polícia e ele falou como não se preocupasse. -falei olhando nos seus olhos.
–Espera Kath! Isso na sua testa, foi ele? Pensando por essa lado, talvez ele tenha algum motivo para se sentir confiante.
–Como se meus pais tivessem algo que não poderia ser descoberto. Robert Mcall, sim, foi ele. Precisamos fazer algo a ...-falava até que a enfermeira apareceu.
–O caso da sua mãe...-deu um suspiro-se agravou um pouco. -disse a enfermeira.
–Não, o que foi que aconteceu? -gritei desesperadamente.
–Acalme-se. A sua mãe está viva, mas precisará passar por uma cirurgia o mais rápido possível. Talvez ela fique paraplégica, já que houve uma bala que atingiu uma região perto da coluna.
Assim que ela acabou de falar isso, eu abracei o Mcall fortemente.
–Tudo bem, ela vai ficar bem. -sussurrava tentando me acalmar.
–A minha mãe. — falei enquanto chorava desesperadamente.
Por um bom tempo, eu fiquei sentada e abraçada com o Mcall, até que um policial chegou em minha direção e disse.
–Moça, você vai ter que dar as chaves da sua casa, a perícia precisa ir lá.
Naquele exato momento o Mcall olhou para mim, como se tivesse receio do que iria acontcer. Eu fui "obrigada" a dar a chave.
–Ah, sim, mocinha, você precisa vir comigo para dar o seu depoimento.
–Eu não vou sair daqui. Os meus pais estão aqui! -falei, convicta que não sairia daquele lugar.
–Tudo bem, mas assim que seus pais saírem, vocês vai ter que dar um depoimento.
Novamente, o Mcall olhou para mim.
–Não é tão simples assim. A polícia vai demorar um pouco até chegar no culpado. Realmente, precisamos fazer algo a respeito.
–Mcall, você precisa considerar que ele tentou matar a minha mãe! Talvez ele até consiga. Eu tenho receio do que ele pode fa...-falava até que ele me interrompeu.
–Ele deve ter algo que prenda o seu pai e a sua mãe para não falarem nada! -falou como se aquele pensamento tinha vindo de uma série de raciocínios e que deveria ter cuidado.
Cap.3
O padrasto do Mcall era psicopata, que tentou matar a minha mãe e tentou agredir a mãe do Mcall! Ele era perigoso, e tínhamos que fazer algo a respeito! Realmente, poderíamos deixar isso na mão da polícia, mas iria demorar um bom tempo até todo o processo sair e enfim ele ser preso. Eu não sei como a Zafja (mãe do Robert Mcall) ainda estava com aquele homem. Isso de alguma forma iria nos ajudar a entregar o homem sádico a polícia.
...
Após passar a noite toda no hospital, logo de manhã cedo, o celular do Mcall tocou. Era o homem sádico! Robert demorou um pouco para atender e colocou um dos fones no meu ouvido.
–Alô?
–Preciso que venha para o hospital Robert Mcall. Onde você estava? A sua mãe sofreu um ataque epiléptico! Que filho exemplo você é! Estou no hospital central. -disse grosseiramente.
Naquela mesma hora, praticamente entrei em pânico. Nós dois nos olhamos no mesmo instante. Ele estava no mesmo hospital que a gente! Além disso eu não sabia que a mãe dele era epiléptica.
–Tudo bem, estou indo para aí agora. -respondeu após alguns segundos e desligou.
–Você precisa sair daqui, o mais rápido. -disse o garoto dos olhos azuis, com um olhar que esbanjava medo.
–Mas os meus pais estão aqui!
–Então corra para a sala onde o seu pai está! -falou levantando-se da cadeira e me encaminhando para a enfermeira, que possivelmente me informaria a sala onde o meu pai se encontrava, já que a minha mãe tinha passado por uma cirurgia a pouco tempo.
...
Assim que cheguei ao quarto que meu pai estava, e fechei a porta, me senti aliviada. Fiquei encostada na porta até que a tranquei. Permaneci no quarto vendo o meu pai dormir, e se estava tudo bem. Acabei cochilando por um tempo curto, mas acordei meio assustada com batidas na porta.
–Ai meus Deus. -sussurrei.
Fiquei esperando as batidas voltarem, e quando finalmente voltaram, eu fui em direção a porta e perguntei quem era.
–A enfermeira, Bárbara.
Ao escutar a voz melódica daquela mulher, abri a porta aliviada até me deparar com o homem sádico ao lado da enfermeira, como se no instante que percebesse que a enfermeira tinha batido na porta, fosse em direção ao quarto, com intuito de me assustar. E , isso deu certo. Assim que realmente voltei ao mundo real, e vi que o homem sádico estava lá, abri os braços bloqueando a entrada.
–Algum problema senhorita Stiven? -perguntou a enfermeira. -Preciso trocar o curativo do seu pai.
Olhei para ele e acabei disponibilizando a passagem, tirando apenas um dos braços. Assim que a enfermeira passou, coloquei o meu braço de volta, novamente, bloqueando a passagem.
–O que você quer? -perguntei tentando expressar segurança.
–Só queria saber se o seu pai está bem. -disse ironicamente, o homem sádico.
–Meu pai está muito bem, agora saia daqui! -respondi com um tom que esbanjava sarcasmo, tentando me manter firme.
Assim que acabei a frase, a enfermeira me olhou como se não entendesse o motivo que tratava aquele homem assim.
–Eu vou sim!-disse dando um sorriso extremamente sádico e logo em seguida, saiu em direção a recepção.
Assim que percebi que ele já tinha ido, respirei fundo e fechei a porta.
–Por que fechou a porta? -perguntava a enfermeira enquanto jogava no lixo o antigo curativo.
–É o costume. Gosto de ambientes fechados! -falei sem segurança.
A enfermeira olhou para mim, como quem diz "sei", e finalmente saiu do quarto.
...
Após aproximadamente 2 horas, um médico comunicou que minha mãe estava se recuperando muito bem. Fiquei bastante feliz e resolvi comunicar ao Mcall, enviando-lhe uma mensagem. Logo em seguida ele respondeu "A minha mãe, ela não está nada bem, desculpe, não posso falar agora." . O que havia acontecido?
Eu fiquei bastante preocupada, pensei em ir dar uma passada onde ela estava, para saber ao certo o que havia acontecido, mas me toquei que o padrasto dele estaria lá e não seria nem um pouco legal esse encontro.
...
Era aproximadamente 23:20, estava com muita fome, uma fome fora do normal, então resolvi ir ao refeitório, comprar algo para comer. No caminho do refeitório, vi várias pessoas na sala de espera, havia bastante gente no hospital, seria muito azar se encontrasse logo o homem sádico, mas mesmo assim, tomei cuidado.
Assim que acabei de comer, voltei em direção ao quarto do meu pai, mas acabei me deparando com o Robert Mcall no corredor chorando. Ao lado dele estava o padrasto, sério, sem nenhuma lágrima em seu rosto.
Virei o rosto e entrei em outro corredor. Peguei o meu celular e mandei uma mensagem para o Mcall, afim de que ele me encontrasse naquele corredor, precisava saber o que tinha acontecido! Demorou um pouco para o Mcall chegar até o lugar marcado, já que teve que dar uma desculpa para o seu padrasto.
–Kath...-falou, abraçando-me fortemente, enquanto muitas lágrimas caiam sob seu rosto lindo.
–O que houve Mcall? -perguntei, preocupada.
–A minha mãe! Morreu. -disse enquanto olhava nos meus olhos, com uma expressão de tristeza, e uma voz que transbordava raiva.
–Como assim?
–Foi encontrado uma bala na coluna dela! O filha da puta mentiu, ela não sofreu de um ataque epiléptico, e sim levou um tiro, do desgraçado.
Meu Deus! O homem sádico atirou na própria mulher! Ele não tinha coração ? Qual o problema dele? A minha reação foi um tanto quanto previsível. Eu fiquei simplesmente paralisada, de boca aberta com aquela situação e tentando acalmar o Mcall.
–Aquele homem -pegou a ar com muita raiva-vai se arrepender do dia que nasceu!
O Mcall deixou bem claro que iria se vingar do Peter (o homem sádico). Na sua expressão e no seu tom de voz, havia muita raiva. Eu tinha um certo receio dessa vingança, afinal, não era uma pessoa comum, era um assassino.
Após alguns minutos tentando conformar-lhe, o Mcall se despediu, afirmando que tinha que ligar para o seu pai e resolver algumas coisas voltadas ao enterro da Zafja. Ele me deu um beijo na testa, e foi embora do corredor.
...
Acordei cedo, ao receber um telefonema do quarto do meu pai, que tinha como principal objetivo, me informar que a minha mãe já poderia receber visitas.
Ao chegar no quarto, a primeira imagem que vi foi de uma mulher fraca e pálida. Porém essa imagem mudou quando ela me viu. Um sorriso sincero iluminou o seu rosto.
–Filha...-falou com um tom de voz baixo, e um pouco rouco.
–Mãe! -falei enquanto fui na sua direção para abraçá-la.
Ela estava ainda debilitada, era perceptível, afinal, não é qualquer dia que se escapa de ficar paraplégica.
–Como está o seu pai? -perguntou com sua voz lenta e melódica aos ouvidos humanos, acrescentada de um sorriso.
–O papai está bem!
–Ainda bem...-disse enquanto deu um leve sorriso.
Mesmo sabendo que não era a ocasião certa para perguntar algo a respeito do acontecimento em minha casa, não pude suportar e acabei perguntando.
–Mamãe, eu sei que a senhora está traumatizada com o que aconteceu, mas preciso muito saber o que foi aquilo. -pedia enquanto segurava na sua mão.
–Filha, acho melhor você esperar um pouco para saber de tudo, não sei se esse é o momento certo. -tentou me convencer que não deveria saber tão cedo.
–Mas mãe, eu realmente preciso saber o que aconteceu, preciso saber o motivo que aquele homem fez o que fez! Por favor mamãe. -insisti.
–Tudo bem filha. É melhor ficar sabendo logo, antes que algo pior aconteça.
–Tudo bem, mas não queria que me escondesse nada. -fiz um último pedido antes que ela começasse a falar.
–Está certo.-fez uma pausa-Aquele homem...-falava até que alguém abriu a porta agressivamente.
–Hora hora, vejo que sobreviveu. -disse Peter, esbanjando sarcasmo em sua frase.
–Saia daqui! -gritei.
–Calma bonequinha. -falou o homem sádico passando a mão em meu cabelo.
–Saia de perto dela! Agora! -gritou confiante, Mcall.
O Peter se virou, a fim de confirmar se a voz que o ordenava a sair de perto de mim, era mesmo do Robert.
–E desde quando você manda em mim seu pirralho idiota. -falava enquanto encarava o Mcall com um olhar sádico e penetrante.
–Estou avisando para sair de perto dela. -repetiu, como se sua paciência estivesse prestes a explodir.
O homem sádico se aproximou de mim, provocando o Mcall.
Eu sabia que isso não ia acabar bem, a minha mãe estava no quarto assistindo tudo calada e com medo. Precisava tomar alguma atitude, mas qual? Se eu não fosse rápida algo nada bom aconteceria naquele quarto.
Não deu tempo de fazer nada, o Mcall foi rápido o suficiente para pular, literalmente, em cima do Peter. Não demorou muito para que o homem sádico reagisse. Empurrou-lhe contra a parede. Então foi aí que percebi que a reação do Peter sempre seria empurrar alguém contra a parede, mas isso não ia ajudar muito naquele momento. Eu gritei e não demorou muito para que os seguranças chegassem e retirassem o filho da puta daquele quarto, e obviamente, ele saiu com um sorriso torto sádico.
Nossa, se desse para medir o ódio que sentia por ele naquele exato momento, acredite, seria um número infinito!
–Mcall!-falei indo em direção a ele.
–Tudo bem Kath. -disse com uma voz que expressava dor, levantando-se do chão.
–O que foi isso? Quem é ele? -perguntou a minha mãe, assustada.
Após explicar quem ele era e de onde conhecia o Peter, minha mãe disse.
–Tranque a porta, preciso lhe contar o resto, e acho que o Robert iria gostar de saber.
Assim que tranquei a porta, puxei a poltrona para perto da cama e sentei, preparada para escutar toda a história.
–Muitos anos atrás, antes mesmo de você nascer, o Peter se envolveu com a minha irmã, a Beatrice. Ele aparentemente a amava muito, eles eram jovens e tinham uma vida toda para a frente.-fez uma pausa, puxou ar e continuou- A sua vó nunca teve nada contra o Peter, mas eu sim, eu sabia que ele era perigoso, já tinha se envolvido com drogas e tudo mais, e não queria que os dois ficassem juntos, já que queria o bem da minha irmã. A Beatrice também gostava dele, mas não se comparava ao suposto amor obsessivo dele por ela. Quando eu percebi que a obsessão dele estava crescendo, resolvi falar para a Beatrice que o Peter estava envolvido com drogas, o que era realmente verdade. Desde então, no Peter abriu-se uma grande ferida, e ao saber que eu tinha convencido a minha irmã a ficar longe dele, ficou com muito ódio. -deu uma pausa, enquanto pegou o copo de água para beber um pouco.
–Isso tudo, só por um amor que passa?Esse ódio dele, é só por causa disso? E quem é essa Beatrice? Eu nunca a conheci. -falei tentando entender.
–Aí que está o fato. A Beatrice morreu em um acidente de carro, ela estava sem o cinto de segurança, e voou, literalmente, do carro. Ela foi encontrada com uma espécie de arame que entrou totalmente em sua coluna. -ao falar tudo aquilo, percebi que sua voz se estremeceu- Eu estava dirigindo no dia do acidente, e o Peter acredita que eu tenha provocado o acidente e jurou que um dia se vingaria.
–Espere aí, então o Peter sempre atira no mesmo lugar? -perguntei.
–Como assim? Eu só soube que ele atirou perto da minha coluna. -perguntou, com uma expressão que indicava que queria explicação.
–O filho da puta, matou a minha mãe com um tiro na coluna. -explicou Mcall, com raiva.
–O quê? Ele matou uma pessoa? A sua mãe ? -fez cara de surpresa.
–Sim mãe ! Ele matou a mãe do Mcall. -falei tentando fechar o assunto.
A minha mãe ficou surpresa com essa notícia. Após algum tempo, eu tive que voltar para o quarto do meu pai.
...
Bem, eu já sabia que o Peter normalmente atirava na região da coluna, e que sempre que alguém fosse ataca-lo, ele jogava-a contra a parede. Não sei como poderia aproveitar esses fatos, mas espero que de alguma forma isso ajude o Mcall a pensar melhor na sua vingança.
...
Hoje é o enterro da Zafja, e obviamente eu vou acompanhar e dar forças ao Mcall. Sinceramente, acho o Peter não vai estar lá, até porque, que tipo de assassino vai ao enterro da pessoa que mata? Espero que ele não seja esse tipo.
Quando faltava cerca de uma hora para o enterro, eu passei em casa, peguei um vestido preto, um sobre-tudo preto, e uma bota de couro, cano longo, e fui ao local onde seria enterrada a Zafja.
Ao chegar no cemitério, avistei o Mcall, com um óculos escuro e estava composto por uma roupa toda preta. Ao lado, estava provavelmente o seu pai, já que parecia muito e alguns amigos e familiares. Fui em sua direção, e assim que ele notou a minha presença, abraçou-me fortemente.
–Que bom que você veio. -disse com uma voz fraca, demonstrou que estava agradecido.
Após o caixão chegar ao fundo do túmulo, Mcall falou.
–A minha mãe, vai embora agora e nunca mais vai voltar. -abraçando-me e chorando muito, disse em voz alta.
Quando tudo acabou e me despedi do Mcall e o seu pai, fui para o carro com a intenção de ir para casa, tomar um banho e voltar ao hospital.
Eram aproximadamente 17:30, e um carro bloqueou a minha passagem, de uma forma extremamente rápida. Naquele exato momento, tive um mini enfarto. Minha respiração estava rápida. Até que o motorista do carro desceu com uma arma, apontada para mim, era o Peter.
Quando faltava cerca de uma hora para o enterro, eu passei em casa, peguei um vestido preto, um sobre-tudo preto, e uma bota de couro, cano longo, e fui ao local onde seria enterrada a Zafja.
Ao chegar no cemitério, avistei o Mcall, com um óculos escuro e estava composto por uma roupa toda preta. Ao lado, estava provavelmente o seu pai, já que parecia muito e alguns amigos e familiares. Fui em sua direção, e assim que ele notou a minha presença, abraçou-me fortemente.
–Que bom que você veio. -disse com uma voz fraca, demonstrou que estava agradecido.
Após o caixão chegar ao fundo do túmulo, Mcall falou.
–A minha mãe, vai embora agora e nunca mais vai voltar. -abraçando-me e chorando muito, disse em voz alta.
Quando tudo acabou e me despedi do Mcall e o seu pai, fui para o carro com a intenção de ir para casa, tomar um banho e voltar ao hospital.
Eram aproximadamente 17:30, e um carro bloqueou a minha passagem, de uma forma extremamente rápida. Naquele exato momento, tive um mini enfarto. Minha respiração estava rápida. Até que o motorista do carro desceu com uma arma, apontada para mim, era o Peter.
Meu Deus! Ela iria me matar? Não pensei duas vezes, puxei a marcha de ' ré ' e pisei no acelerador! Virei o carro para o outro sentido na estrada, estava a mais ou menos 100 km/h, até que percebi que ele estava me seguindo. Pisei fortemente no acelerador, e de 100 km/h, saltei para 180 km/h. Ele estava cada vez se aproximando mais de mim e eu estava desesperada. Tudo estava sob controle até que ele deu um tiro em um dos meus pneus traseiros, e logo senti a dificuldade de acelerar. O carro parou! Eu sabia que se saísse do carro ele iria atirar em mim. Não tinha para onde correr, estava em uma estrada deserta, pois ao dar a 'ré', fui para um lugar que nem mesmo conhecia.
Não demorou muito para que ele saísse do carro de onde estava.
–Achou mesmo que conseguiria fugir de mim? -perguntou em voz alta, batendo no vidro do motorista.
–O que você quer? -perguntei friamente,olhando para o horizonte, tentando não olhar para o rosto dele.
–Você! Saia do carro agora, antes que a sua vida seja encurtada mais ainda.-ordenou.
Ótimo, ele iria me matar independentemente se eu saísse do carro ou não. Respirei fundo, abrindo a porta o mais lento que conseguia. Saí do carro e ele me encaminhou para o seu carro. Pensei em fazer algo, mas afinal, o que poderia fazer? Ele tinha uma arma! Na viagem toda, para sabe se lá onde, ele não falou nada! Exatamente nada!
Após cerca 30 minutos de silêncio total, chegamos aonde parecia ser o local que iríamos ficar. Ele saiu do carro,fechou a porta com força, abriu a porta traseira, me puxou e fechou.
–Se eu fosse você não arriscava me desafiar. -disse apontando a arma para o meu peito.
–Tudo bem! -disse, com muito medo.
Foi em direção a casa, que parecia abandonada e entrou, puxando-me pelo braço.
–Conheça o lugar que vai morrer, é importante. -disse com um tom sarcástico, apontando para o interior da casa.
Aquele lugar estava todo plastificado, havia uma cama, também plastificada, e ao lado algumas facas de diferentes tamanhos e formas.
–Por que vai me matar? -perguntei olhando para a cama.
Parecia que um nó quase cego, tinha se formado em minha garganta.
–Desse jeito atingirei a sua mãe ao máximo. Ela sofrerá, muito com o seu desaparecimento, e ficará com muita raiva de mim! Vou fazer ela sentir o mesmo que eu senti. -disse com uma voz feliz.
Assim que ele acabou a frase, vi o mesmo pegando uma seringa, mal deu tempo de nota-la e já senti algo em meu ombro. Desmaiei na hora!
...
Abri os meus olhos, vi uma luz forte. Será que já tinha morrido? Não, estava pelada, apenas com plástico me cobrindo. Assim que o Peter percebeu que acordei, foi em minha direção.
–Acho que chegou a hora de dizer Adeus para esse mundo! -disse com uma voz fria e sem expressar qualquer tipo de sentimento.
Ele pegou uma faca, olhou para mim, e contou 2 minutos. Assim que acabou falou.
–Tudo bem, esses foram os seus últimos 2 minutos de vida!
Eu iria morrer em menos de 10 segundos e não tinha percebido. Ele foi contando: 10,9,8...
Eu estava com milhares de lágrimas sob o meu rosto, naquele momento eu pensava na minha família, no Mcall e na minha amiga Helena. 7,6,5,4...
Faltava pouco para morrer, meu coração estava acelerado, estava me tremendo. 3,2... E quando finalmente chegou no ultimo segundo, eu fechei os olhos fortemente.
1,0! Assim que ouvi o número zero, escutei um estrondo na porta, e tiros. Alguém tinha ido me salvar! Eu apenas vi o Peter cair no chão. Essa pessoa foi muito rápida e era boa de mira. Mas quem era?
–Katherinne! -disse com uma voz aliviada.
Era a voz do Mcall! Nossa, eu estava me tremendo muito, estava chorando muito e tentando me acalmar. Ele tirou o plástico que prendia-me sob a mesa e me deu o seu casaco. Eu o abracei. Fortemente. Com todas as minhas forças. Eu estava viva, e escapei da morte em um último segundo.
Quando finalmente estávamos em caminho ao hospital, eu perguntei.
–Como sabia que eu estava lá?
–Não sei ao certo, foi como se algo me chamasse até lá. -explicou.
–E essa mira? E essa arma?
–São do meu pai. Quando era mais jovem, nos finais de semana ia atirar com o meu pai.
Estávamos bem próximos ao hospital, talvez há uns 3 quarteirões, e haviam várias ambulâncias indo naquela direção. Eu não estava entendendo nada. Até que avistei um fogo, muito alto, era no hospital.
–Não! -gritei saindo do carro e correndo em direção ao hospital.
Havia muito fogo, bombeiros tentavam controlar a situação, mas provavelmente todos os que estavam lá dentro, estariam mortos. Os meus pais estavam lá! Os meus pais!
–O que aconteceu aqui? -perguntou o Mcall que estava logo atrás de mim.
–Alguém causou uma grande explosão no hospital. -informou o bombeiro.
Não havia mais nada o que se fazer. Meus pais estavam mortos!
–Foi sem querer. -alguém sussurrou no meu ouvido, era um voz feminina.
Virei, era a Helena. Ela estava com uma garrafa de gasolina na mão, vazia.
Nãoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!
Katherinne era uma ex-escritora esquizofrênica que teve um sonho e acabou juntando todos os seus personagens em uma história só.
Ela acreditava que realmente vivia as histórias, mas na verdade, era tudo imaginação da sua cabeça.
Assim que acordou desse sonho, estava presa a uma camisa de força gritando o nome "Mcall". Os médicos nunca entenderam o seu comportamento.
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