O Único Weasley
5 Um lugar bonito e tranquilo
Notas iniciais
Fred procurara por George por toda a Toca, porém o ruivo não estava em nenhum lugar. Gina e Harry conversavam animados sobre quadribol na sala, Fred percebeu que Harry parecia um bobo.
Novidade, pensou e acabou rindo, chamando a atenção de Molly.
– Fred querido, você vai dormir aqui ou na loja hoje?
– Bem, eu pretendia dormir no quarto… — Disse ele olhando em volta, George devia ter saído. – Mas se você me der um bom cobertor posso dormir em cima da mesa, sem problema.
– Certo, certo. Vou arrumar a sua antiga cama, a do George também.
– Falando nele, você sabe onde ele está?
– Ele esta ali fora. – Disse Molly. – Disse que estava pensando em alguma criação para a loja, ou qualquer coisa assim.
Olhou pela janela e viu o irmão sentado na escadinha do lado de fora segurando um caderno e um lápis. Saiu imediatamente para fazer companhia ao irmão, mas quando se aproximou viu que o irmão não havia escrito nada no papel, nem mesmo um simples rabisco.
– Sem criatividade?
– Nenhuma.
Fred começou a observar um gnomo de jardim, o único fora da toca, ele já parecia bastante tonto, Fred começou a rir sozinho imaginando como ele ficaria se tentassem desgnomizar ele. Fora a isso a vista não proporcionava mais nada de divertido, tudo parecia tão triste e monótono. A pouca neve que ainda sobrara agora estava derretendo, a grama já não parecia mais tão verde, ou o que sobrara de grama no meio do mato que estava aquele jardim, que tanto para Fred quanto para os outros era perfeito, afinal fazia parte da Toca. A lua estava escondida por trás das nuvens proporcionando um clima sombrio, nada agradável.
– Parece que a qualquer momento Você-Sabe-Quem vai aparecer e causar danos irreparáveis… Quer dizer, as mortes que estão acontecendo. Ele parece estar em todo lugar, mas mesmo assim ninguém o acha.
Fred se assustou com o irmão falando sobre aquilo, eles sempre tentavam eliminar os assuntos ruins, afinal desgraças agora não faltavam, mas todos precisavam rir um pouco, os gêmeos tinham se preocupado de ocupar esse cargo.
– Como se adiantasse alguma coisa acha-lo, o único bruxo que é páreo para ele é Dumbledore e ele não está exatamente em uma equipe de busca avançada para encontrar Você-Sabe-Quem.
– Se ele aparecesse aqui agora o que você faria?
– Lutaria.
– Mesmo sabendo que não poderia derrota-lo?
– É claro.
– Isso é o que os bruxos estão fazendo. Eles tentando tonar sua esperança em uma espécie de força, eles lutam achando que enquanto Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado não estiver no poder ainda temos chances.
– E nós temos chances.
– Sim, nós temos.
George começou a rabiscar o papel até então em branco e Fred ficou apenas observando, enquanto isso a lua começara a aparecer por entre as nuvens, era uma brilhante lua cheia.
– A cama está pronta, estamos indo dormir quando vocês forem tranquem a porta. – Disse ela preocupada.
– Como se Você-Sabe-Quem fosse conferir se a porta estava trancada, pois se estivesse trancada ele voltaria outro dia, até parece que ele iria incomodar uma família durante sua noite de sono, que coisa mais absurda. – Disse George.
– George! – Molly o repreendeu mal-humorada.
– Eu sou Fred, ele é George. – Disse George se levantando para entrar em casa.
– Desculpe, desculpe.
– Francamente mulher ainda diz que é nossa mãe. – Disse Fred se lembrando dos velhos tempos, entrando em casa atrás de George.
Os dois se olharam e soltaram um sorriso.
– É brincadeira, eu sou George e ele é o Fred. – Disse antes de sumir no andar de cima.
O quarto era o mesmo nem uma única coisa havia sido mudada de lugar após eles terem ido morar atrás da loja, apesar de que continuavam indo na Toca todos os dias, mas nunca mais tinham entrado naquele quarto, coitado, fora vitima de grandes explosões.
Fred começara a falar ao irmão o que acontecera, George ouvia interessado como se não soubesse de nada, mas já tinha percebido, quando Fred não estava com ele estava com ele, mas nos últimos dias ele sumia e surpreendentemente Hermione também.
– Sinto muito, Fred. – Foi a última coisa que o gêmeo ouviu antes de adormecer.
No outro dia Fred e George acordaram muito cedo, antes mesmo que os outros levantassem e foram para a loja, sem ao menos se despedirem.
Com a volta a Hogwarts Hermione novamente se afastara um pouco dos garotos, porém Ron estava decidido a terminar com Lilá, só não sabia como, mas por sorte – ou destino – Ron foi envenenado e na enfermaria enquanto Lilá cuidava dele, chamou por Hermione. A garota ficou extremamente irritada e triste, quando Ron recebeu alta não sabia exatamente o que havia acontecido, mas ficou aliviado.
O ano continuou, mas quanto mais tempo se passava mais distante Fred e Hermione ficavam, a morte de Dumbledore, a promessa de acompanhar Harry na procura das horcruxes…
E Ron.
Aquela manha na casa dos Weasley estava sendo especialmente movimentada, todos em função do casamento, Harry tinha tomado poção polissuco e agora era um Weasley, Hermione estava no quarto se arrumando e Fred e Ron novamente conversavam.
O gêmeo nunca parecera a Ron tão perturbado antes.
– Você está preocupado com alguma coisa? – Ron olhou-o examinando, mas mesmo que achasse alguma coisa estranha não iria compreender. – Ei! Eu estou cumprindo minha promessa.
– Eu sei, Ron. – Disse Fred. – Vocês estão prontos para fugir daqui a qualquer momento, não estão?
– Sim, você sabe, Hermione está com tudo pronto, se acontecer algo vamos fugir.
Fred olhou suplicante para Ron.
– Você já falou com ela?
Fred soltou o braço de Ron que ainda segurava inconscientemente, olhou para a tenda que já estava erguida e falou. – Vou fazer isso hoje.
– Tudo bem. – Disse Ron, escondendo o ciúmes. – A respeito de fugirmos, não se preocupe, eu cuidarei dela.
– Eu não esperaria isso, já que Hermione é melhor em tudo, ela sabe se cuidar.
– É eu sei. – Disse Ron voltando em direção à folía da manha do casamento, onde Molly berrou com ele pedindo ajuda.
Fred se deparou com Hermione descendo as escadas da toca – Ela estava com um roupão azul de cetim muito curto que deixava a maior parte das pernas da Mione de fora, Fred lembrou que era o roupão da Gina quando ela era menor. O cabelo e a maquiagem já prontos, ela estava magnifica.
Completamente magnifica.
Se ela fosse do jeito que estava para o casamento faria mais sucesso do que com qualquer vestido, por mais lindo que fosse.
– Fred. – Mione enrubesceu. – Desculpe, eu estava procurando a Gina.
Ela tentou puxar o roupão mais para baixo, o que deixou a cena completamente engraçada, e seu rosto ainda mais vermelho, então se virou para correr escada a fora, mas Fred segurou seu braço e aparatou. A estranha sensação de ter algo lhe puxando pelo umbigo deixou Hermione um pouco enjoada, mas quando ela abriu os olhos Fred ainda segurava seu braço, e percebeu a magnifica vista.
Algumas montanhas ao fundo e um lago com vitórias-régias, próximo ao lago estavam uma árvore com flores roxas e outra com flores amarelas diferenciadas das outras árvores essencialmente comuns, Hermione logo se lembrou que havia algumas dessas na cidade de seus pais trouxas, se ela não se enganara eram Ipês.
E o cheiro que exalavam era fraco, porém fascinante.
– Onde nó… — Fred a puxou de repente e lhe deu um beijo, o mais apaixonado que dera em alguém na vida, Hermione o empurrou.
– O que acha que está fazendo Fred Weasley?! – Ralhou com ele. – Você saiu aquele dia me deixou sozinha, não se despediu e agora me beija como se tivesse o direito de fazer isso quando bem entendesse… — Fred a puxou novamente para mais um beijo. Um pouco mais calmo que o outro, mais delicado pode-se dizer, porém ao mesmo tempo muito mais apaixonante, dessa vez Hermione se rendeu e retribuiu. Fred separou seus lábios dos dela e passou os braços em volta de seu corpo, ela era tão magrinha que ele chegou a sorrir.
– O que foi?
– Se mamãe visse o quanto você está magra começaria a te atazanar para comer.
– Fred! – Hermione corou, se separou do garoto e virou para o lado oposto dele para poder arrumar o roupão.
– Eu não me incomodo se quiser tirar…
– Fred! – A morena o olhou indignada.
– Foi só uma brincadeira, desculpe.
Ainda rindo ele pegou-a no colo, que se apressou a arrumar o roupão que tinha subido alguns centímetros e a levou para baixo da arvore com flores amarelas.
Se sentou e a aninhou em seu colo.
– Se importa de ficarmos assim por alguns minutos?
Hermione que estava com a cabeça colada no peito dele assentiu. Mione ficou na segurança do colo do ruivo por vários minutos, então ela se afastou dele e ficou o observando ele exibia o sorriso de sempre, apesar do olhar distante, então ela pôs sua mão no rosto do ruivo e a outra em seu cabelo e ficou lhe fazendo cafuné.
Fred que sabia que quando voltassem para toca tudo aquilo acabaria para sempre, apenas a encarou, desejando com todas as suas forças que aquele momento nunca acabasse, Mione que sentia vontade de proteger o ruivo chegou mais perto dele e lhe deu um beijo na testa.
E então ela começou a chorar.
– Por favor, Mione… não chore. – Ele falou com um aperto em seu coração. – Vai borrar sua maquiagem.
– Ah, não se preocupe com isso. – Ela falou secando as lagrimas que insistiam em cair. – Vocês vão se cuidar, não vão? Vão ficar bem se alguma coisa acontecer…
– Claro que vamos. Você acha que os Weasley seriam derrotados assim tão facilmente? – Ele assumiu um ar de superioridade e começou a rir.
Ela sorriu em meio as lagrimas.
– Eu sei que você desistiu Fred. – Disse Hermione. – Sei que você desistiu de tentar me conquistar, você foi cruel, logo quando eu estava achando que poderia dar certo, você começou a me ignorar.
Fred não conseguiu responder, tinha feito um promessa ao irmão, provavelmente a pior decisão de sua vida.
– Eu amo você Her-mi-o-ne. – Ele falou pausadamente o nome da garota. – Isso nunca vai mudar.
– Obrigado, Fred. – Ela puxou a cabeça dele e a apoiou em seu ombro, por uns segundos fez carinho em sua cabeça, mas ele se afastou e a deitou na grama.
Passou uma perna por cima da morena e ficou a encarando de cima.
Ele deu um sorriso maroto, um sorriso safado que fez Hermione corar e esconder novamente o rosto entre as mãos.
– Você fica ainda mais bonita quando fica constrangida.
Retirou as mãos dela do rosto e segurou uma de cada lado no chão dando-lhe mais um beijo.
Provavelmente o último.
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